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Capítulo 6 – A Escolha de Selene

O sol mal havia despontado no horizonte, tingindo o céu com tons dourados e alaranjados, mas o castelo D’Archambeau já estava desperto. O som de passos apressados ecoava pelos corredores de pedra fria, os criados se moviam discretamente enquanto a nobre família se reunia em um dos grandes salões para uma conversa que mudaria o destino de Selene para sempre.

A lareira crepitava suavemente, espalhando um calor reconfortante no ambiente, mas Selene sentia apenas um frio inquietante em seu peito. Sentada de forma rígida na cadeira de veludo bordado, ela ouvia atentamente as palavras do pai, Jacques D’Archambeau, um homem austero, de olhar calculista e voz firme.

— O duque Valmond precisa de uma nova duquesa. — Sua voz ressoava como um veredicto. — O luto não pode durar para sempre. A sociedade exige que ele tome outra esposa, e essa oportunidade não pode ser desperdiçada.

Selene abaixou os olhos, sentindo o peso da expectativa recaindo sobre ela. Desde a trágica morte de Amara, Cédric se isolara em sua dor, tornando-se ainda mais frio e distante do que antes. O castelo Valmond estava mergulhado em um silêncio sombrio, e os boatos corriam soltos entre a nobreza. Diziam que o duque não dormia, que se afogava em álcool e remorso. Diziam até que ele se recusava a falar sobre casamento.

Então, por que sua família insistia nessa ideia?

A mãe de Selene, Madeleine D’Archambeau, se inclinou para frente, segurando uma taça de vinho entre os dedos longos e elegantes. Seus olhos cinzentos, tão parecidos com os da filha, brilharam com um misto de ambição e pragmatismo.

— Precisamos pensar com lógica, Selene. O título de duquesa traria não apenas status, mas também proteção. Você garantiria o futuro de nossa família.

Selene sentiu um nó na garganta. Não era a primeira vez que sua família a via como uma peça em um jogo de alianças. Crescera sabendo que, como mulher, seu destino estava atrelado ao casamento, mas nunca imaginou que um dia a ofereceriam a um homem que nunca a enxergou de verdade.

— Ele não me quer — murmurou, apertando os dedos contra o tecido do vestido simples que usava.

— Ele não tem escolha — rebateu seu pai. — O duque precisa de uma esposa, e você está em uma posição favorável. É jovem, saudável e de uma boa linhagem. Além disso… — Jacques fez uma pausa, escolhendo bem as palavras. — Você já está lá.

Selene sentiu o peito apertar. Era verdade. Após a morte de Amara, ela continuou no castelo Valmond, inicialmente para ajudar na organização do funeral e depois porque ninguém pediu que fosse embora. Mas era evidente que Cédric pouco notava sua presença.

— Você tem sentimentos por ele, Selene. — A voz de sua mãe soou mais suave agora, quase persuasiva. — Sempre teve.

O coração de Selene bateu mais forte.

Era verdade.

Desde menina, ela nutria um amor silencioso pelo duque. Admirava sua postura firme, sua inteligência afiada, o modo como carregava o peso de seu título com uma força inabalável. Mas ele nunca a olhou dessa forma. Para Cédric, sempre existiu apenas Amara, a esposa sedutora e manipuladora que o traiu sem remorso.

E agora, após sua morte, ele estaria disposto a olhar para Selene?

Ela fechou os olhos por um instante. Pensou na solidão que pairava sobre o castelo Valmond, no homem que, apesar de tudo, ainda ocupava seu coração.

Se casasse com ele, ao menos teria uma chance.

Uma chance de ser vista.

Uma chance de ser amada.

Engolindo em seco, abriu os olhos e olhou diretamente para o pai.

— Sim. Eu aceitarei.

O silêncio que se seguiu foi carregado de significado.

Madeleine sorriu, satisfeita, enquanto Jacques assentia com aprovação. O destino de Selene estava selado.

O castelo Valmond logo teria uma nova duquesa.

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