Capítulo 3 – A Descoberta da Traição
A chuva tamborilava suavemente contra as grandes janelas da mansão Valmond, espalhando rastros de umidade pelo vidro enquanto o vento uivava baixinho pelos corredores escuros. A noite parecia inquieta, como se a própria mansão pressentisse a verdade prestes a ser revelada.
Selene D’Archambeau, envolta em seu vestido simples de mangas longas, caminhava silenciosamente pelos corredores opulentos, ignorada pelos criados e nobres que pouco se importavam com sua presença.
Fazia tempo que ela aprendera a ser invisível.
Era melhor assim.
Ninguém reparava na jovem que se escondia atrás de tecidos despretensiosos e uma postura humilde. Ninguém imaginava que ela nutria sentimentos profundos e proibidos pelo homem que governava aquele lugar: o duque Cédric Valmond.
A dor de amar em silêncio era algo que Selene já aprendera a suportar.
Mas naquela noite, um outro tipo de dor estava prestes a se instaurar.
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Tudo começou com uma discussão no jantar.
O salão de banquetes, decorado com lustres de cristal e toalhas de veludo, foi palco de mais um embate entre Cédric e sua esposa, Amara Valmond.
— Você está paranoico, Cédric. — Amara revirou os olhos, levando a taça de vinho aos lábios.
O duque apertou a mandíbula. Seu olhar cortante de gelo parecia furioso.
— E você continua dissimulada, como sempre.
O ar no salão pesou.
Os criados pararam por um instante, trocando olhares apreensivos.
Selene abaixou a cabeça, tentando ignorar o desconforto crescente.
— Se não suporta minha presença, por que não me manda para o campo? — Amara desafiou, sorrindo de lado. — Eu adoraria descansar em uma de nossas propriedades longe daqui.
— Por mim, você poderia desaparecer. — Cédric rebateu, com um tom gélido.
A duquesa riu, divertindo-se com o rancor do marido.
Mas algo naquela risada soou estranho para Selene.
Havia um significado oculto naquela leveza forçada.
Quando o jantar terminou, Cédric se retirou sem olhar para trás, deixando Amara sozinha à mesa, ainda sorrindo de maneira enigmática.
Selene sentiu um arrepio na espinha.
Algo estava errado.
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Mais tarde naquela noite, quando o silêncio finalmente dominou os corredores, Selene se viu incapaz de dormir.
Ela não conseguia ignorar aquela sensação estranha que se enraizara em seu peito.
Uma inquietação inexplicável.
Vestindo uma camisola leve, coberta por um manto para protegê-la do frio, Selene caminhou pela mansão sem destino certo. Era um hábito que a ajudava a organizar os pensamentos.
Mas então, algo chamou sua atenção.
Uma luz fraca brilhava sob a fresta de uma das portas do salão privado de Amara.
E vozes.
Duas vozes.
Selene congelou.
Seu instinto dizia para ela dar meia-volta e seguir para seu quarto.
Mas sua curiosidade foi mais forte.
Aproximando-se com passos silenciosos, ela encostou-se à parede, ouvindo atentamente.
— Você prometeu, Amara. — A voz masculina soou baixa e carregada de frustração.
Selene prendeu a respiração.
Aquele não era o duque.
Seu coração disparou.
— Você precisa ter paciência. — Amara respondeu, seu tom sedoso e desdenhoso. — Cédric está cada vez mais distante. Ele não desconfia de nada.
Selene mordeu o lábio, sentindo o sangue gelar.
Então era verdade.
Os rumores. Os olhares suspeitos. As ausências inexplicáveis de Amara.
A duquesa tinha um amante.
Selene fechou os olhos, reprimindo um suspiro.
O que ela deveria fazer?
Se contasse ao duque, ele acreditaria nela? Ou pensaria que era apenas uma tentativa de se insinuar para ele?
A verdade era dolorosa demais.
E mais perigosa do que ela imaginava.
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— Você precisa escolher. — O amante insistiu, sua voz se tornando mais tensa. — Não podemos continuar assim para sempre.
Selene prendeu a respiração.
Houve um silêncio longo e carregado, até que Amara finalmente respondeu:
— Eu já escolhi. Mas eu farei isso do meu jeito.
Um arrepio percorreu o corpo de Selene.
Ela não sabia exatamente o que Amara queria dizer com aquilo.
Mas tinha certeza de que nada de bom viria disso.
E agora, carregava um segredo que poderia mudar tudo.
Mas o mais assustador era que Selene não sabia se deveria revelar essa traição ou continuar fingindo que nunca ouviu nada.
Pois, ao expor Amara, ela traria sofrimento ao homem que amava…
E talvez a si mesma.
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Comments
Hope
os traidores sempre tem o mesmo destino de suas benevolência
2025-03-21
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