CAPÍTULO 11

A aparência de Valéria, a mãe de Celeste, era fria e calculista.Ela me olhou como se eu fosse uma peça em um jogo de xadrez, avaliando cada movimento antes de fazer o próximo. Ela não disse muito, mas sua presença era opressiva. Seu cheiro era suave, mas com uma certa aspereza que denotava sua natureza dominante, mesmo sendo uma Beta.

— Meu alfa — ela disse, com um aceno de cabeça formal. — Espero que você esteja tendo uma ótima noite.

— Sim, com certeza — eu respondi, me sentindo como se estivesse sendo interrogado.

Gregory, o pai de Celeste, era um Beta quieto e submisso. Ele mal olhou para mim, mantendo os olhos baixos enquanto se curvou profundamente, como era esperado de um Beta diante de um Alfa de alto status. Seu cheiro era quase imperceptível, mas havia uma certa tensão no ar ao seu redor, como se ele estivesse constantemente se esforçando para não ofender ou chamar atenção.

— Meu Alfa — ele murmurou, com uma voz suave e quase inaudível. — É uma honra conhecê-lo.

Eu acenei com a cabeça, reconhecendo o cumprimento, mas mal tive tempo de responder antes que Celeste se aproximasse, invadindo meu espaço pessoal com uma energia que era palpável. Seu cheiro, antes doce e picante, agora parecia mais intenso, como se ela estivesse liberando feromônios de propósito. Seus olhos verdes brilhavam com uma luz quase maníaca, e seu sorriso era amplo, quase exagerado.

— Meu Alfa — ela começou, com uma voz que soava como mel, mas com uma doçura que beirava o exagero. — Eu esperei por tanto tempo por isso. Finalmente pude conhecê-lo pessoalmente. É uma honra.

Ela pegou minha mão com uma delicadeza que contrastava com a intensidade de sua presença e a levou aos lábios, pressionando um beijo suave sobre os nós dos meus dedos. Eu senti um calafrio percorrer minha espinha, não exatamente desconfortável, mas... intenso. Seus olhos não se desgrudaram dos meus, como se estivesse tentando ler cada pensamento que cruzava minha mente.

Eu olhei para Ethan, buscando algum tipo de socorro, mas ele apenas sorriu, divertido, como se estivesse assistindo a um espetáculo do qual eu era a estrela involuntária.

— A honra é minha, senhorita Celeste — respondi, tentando manter a compostura enquanto retirava minha mão com delicadeza. — Sua família é conhecida por sua... determinação.

Ela riu, um som alto e claro que ecoou pelo salão, chamando a atenção de alguns convidados próximos. — Determinação? Oh, meu Alfa, você é tão diplomático. Mas eu adoro isso. — Ela inclinou-se para frente, como se estivesse compartilhando um segredo. — Eu sou mais direta, sabe? Quando eu quero algo, eu vou atrás. E eu queria muito conhecê-lo. Ouvi tantas histórias sobre você...

Eu senti um leve nó no estômago. — Histórias? — perguntei, tentando soar despretensioso, mas já imaginando o que ela poderia ter ouvido.

— Claro! — ela exclamou, gesticulando com as mãos como se estivesse contando uma grande aventura. — Sobre sua liderança, sua força, sua... aura. — Ela fez uma pausa dramática, olhando para mim com um brilho nos olhos que me fez sentir como se eu fosse a única pessoa na sala. — E agora que estou aqui, posso dizer que todas as histórias são verdadeiras. Você é ainda mais impressionante pessoalmente.

Eu abri a boca para responder, mas ela continuou, sem me dar chance.

— E como você lida com a pressão de ser o Alfa mais poderoso da região? — ela perguntou, inclinando a cabeça para o lado como se estivesse estudando minha reação. — Deve ser difícil, não é? Mas eu adoraria ouvir como você faz isso. Eu sempre admirei líderes fortes, sabe? Pessoas que sabem o que querem e vão atrás.

Eu senti uma leve pressão na nuca, como se estivesse sendo encurralado. — Bem, eu... — comecei, mas as palavras pareciam fugir de mim. Celeste era como uma tempestade, e eu mal conseguia acompanhar o ritmo de suas perguntas.

Ethan, percebendo minha dificuldade, interveio com um sorriso polido. — Senhorita Celeste, foi um prazer conhecê-la, mas o Alfa tem outras famílias para cumprimentar. Espero que você entenda.

Celeste parou por um momento, seus olhos piscando rapidamente, como se estivesse processando a interrupção. Por um instante, vi uma faísca de frustração cruzar seu rosto, mas ela a escondeu rapidamente, substituindo-a por um sorriso ainda mais amplo.

— Claro, claro! — ela disse, com um tom que tentava soar despreocupado, mas que ainda carregava um leve traço de decepção. — Eu entendo perfeitamente. Afinal, um Alfa como você tem muitas responsabilidades. Mas espero que possamos conversar mais tarde, meu Alfa. Tenho tantas outras perguntas...

Ela fez uma pequena reverência, exagerada o suficiente para chamar a atenção de todos ao redor, e então recuou, permitindo que eu me afastasse. Eu senti um alívio imediato, mas também uma leve pontada de culpa por ter deixado a situação tão abruptamente.

— Até mais tarde, Lady Celeste — eu disse, com um aceno de cabeça formal, antes de me virar para seguir Ethan.

Enquanto nos afastávamos, ouvi um suspiro dramático vindo dela, seguido por um comentário em voz alta para sua mãe: — Ele é ainda mais fascinante do que eu imaginava, mãe. Que presença!

Eu olhei para Ethan, que agora segurava uma taça de vinho e parecia se divertir imensamente com a situação.

— Ela é... intensa — eu disse, em um tom seco.

— Intensa é uma maneira de dizer — ele respondeu, rindo baixinho. — Mas pelo menos ela não é monótona. E, entre nós, ela parece genuinamente interessada em você.

— Interessada ou obcecada? — eu retruquei, tomando a taça de vinho que ele me ofereceu.

Ethan riu novamente, dando de ombros. — Difícil dizer. Mas, ei, pelo menos você não vai esquecer essa noite tão cedo.

Eu não pude deixar de concordar. Celeste era, sem dúvida, uma figura… Marcante. Mas se essa marca seria boa ou não, ainda estava para ser decidido.

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