A porta se abre, e ele entra. Ethan Blackwood, meu conselheiro e, de alguma forma, meu melhor amigo. Ethan é alto, quase da minha altura, com cabelos castanhos escuros e olhos verdes que parecem sempre estar analisando tudo ao redor. Ele veste as cores da matilha, mas de uma maneira que parece mais casual do que formal. Ethan sempre teve essa habilidade de parecer ao mesmo tempo profissional e descontraído.
— Bom dia, Alfa — ele diz, fechando a porta atrás de si. — Temos alguns assuntos para discutir esta manhã. A reunião com os líderes das matilhas vizinhas está marcada para depois do meio-dia, e precisamos revisar os termos do acordo comercial com os lobos do norte.
Assino com a cabeça, tentando me concentrar nas palavras dele. Mas é difícil. Minha mente ainda está presa no sonho, no calor dela, no cheiro dela. Ethan percebe minha distração quase imediatamente. Ele é bom nisso. Demasiado bom.
— Kael — ele diz, mudando o tom de voz. Já não é mais o conselheiro falando, é o amigo. — O que está acontecendo? Você parece... perturbado.
— Nada — respondo rapidamente, talvez rápido demais. — Apenas uma noite ruim. Vamos nos concentrar nos assuntos da manhã.
Ethan não se convence. Ele cruza os braços, olhando para mim com uma expressão que conheço bem. É a expressão de "não me venha com essa". Ele se aproxima, e eu sinto um aperto no estômago. Ethan sempre foi perspicaz demais para o meu próprio bem.
— Kael — ele começa, sua voz mais suave agora. — Você sabe que pode falar comigo, certo? Seja o que for, não precisa carregar sozinho.
Olho para ele, tentando manter a postura de Alfa, mas sei que não estou conseguindo. Ethan é o único que consegue ver através da fachada. Ele sempre consegue.
— É nada, Ethan — digo, minha voz mais áspera do que pretendia. — Apenas... sonhos.
Ele levanta uma sobrancelha, claramente não convencido. — Sonhos, hein? — Ele olha para mim, e então, seus olhos descem rapidamente para minhas calças. Eu sigo seu olhar e percebo a mancha molhada que ainda está lá. Merda.
Ethan não perde a chance. Um sorriso malicioso se forma em seus lábios. — Ah, então são esses tipos de sonhos — ele diz, sua voz carregada de insinuação. — Alguém está precisando de uma companhia, não é?
— Ethan, vá se foder — rosnou, minha voz carregada de frustração e um pouco de vergonha. — Não é da sua conta.
Ele ri, um som baixo e divertido. — Oh, mas é da minha conta, Kael. Você é meu Alfa, mas também é meu amigo. E, como amigo, estou dizendo que você precisa relaxar. Talvez encontrar alguém para... ajudar com esses sonhos.
Olho para ele, minha expressão provavelmente uma mistura de raiva e constrangimento. — Eu não preciso de ajuda — digo, minha voz mais um rosnado do que qualquer outra coisa.
Ethan levanta as mãos em sinal de rendição, mas o sorriso ainda está lá. — Tudo bem, tudo bem. Mas, sério, Kael. Talvez seja hora de você pensar em encontrar sua Luna. Você não pode continuar assim, preso em sonhos e frustrações. Você precisa de alguém real.
Suspirei, esfregando o rosto com as mãos. Ethan sempre foi direto ao ponto, e isso é ao mesmo tempo irritante e reconfortante. — Não é tão simples, Ethan — digo, minha voz mais baixa agora. — Eu não... não consigo parar de pensar nela.
Ele olha para mim, sua expressão séria novamente. — Ela? — Ele pergunta, claramente surpreso. — Quem é ela?
Abano a cabeça, frustrado comigo mesmo por ter deixado escapar. — Ninguém. Apenas... alguém dos meus sonhos.
Ethan fica em silêncio por um momento, estudando meu rosto. — Kael — ele diz finalmente, sua voz suave. — Você sabe que isso não é saudável, certo? Sonhar com alguém que não existe... isso só vai te consumir.
— Eu sei — murmuro, minha voz quase imperceptível. — Mas não consigo parar.
Ethan suspira, colocando uma mão no meu ombro. — Então talvez seja hora de você encontrar alguém real. Alguém que possa te ajudar a esquecer essa... fantasia.
Eu olho para ele, sentindo o peso de suas palavras. Ele está certo, eu sei que está. Mas a ideia de substituir ela , mesmo que por alguém real, parece errada. Como se eu estivesse traindo algo, ou alguém.
Antes que eu possa responder, Ethan já está em movimento, sua mente ágil trabalhando em um plano. Ele se afasta um pouco, os olhos brilhando com aquela luz que conheço bem — a luz de quem acabou de ter uma ideia brilhante.
— Já sei, tive uma ideia — ele diz, esfregando as mãos como se estivesse prestes a fechar um grande negócio. — Vou organizar uma lista das jovens mais belas e de família respeitada do nosso meio.
Ele começa a listar os nomes, falando mais para si mesmo do que para mim, mas eu ouço cada palavra.
— Vamos ver... as irmãs Hawthorne, claro. Elegantes, de boa linhagem. Depois, as Montgomery — ele faz uma pausa, como se estivesse considerando. — Bem, talvez não as Montgomery. A mais velha tem um temperamento um tanto... explosivo. Mas as Sinclair, ah, essas sim. Belas, inteligentes, e a família é uma das mais influentes da região. E não podemos esquecer as Cartwright. A mais nova, especialmente, tem uma reputação impecável.
Eu fico parado, observando ele falar, meio sem saber como reagir. Ethan sempre foi assim — direto, prático, e um pouco... intrusivo. Mas, no fundo, sei que ele só quer ajudar.
— Fique aqui, meu Alfa — ele diz, já se movendo em direção à porta. — Vou providenciar agora mesmo isso. Os próximos assuntos podem esperar, já que esse é mais importante. — Ele faz uma pausa, olhando para mim com um sorriso malicioso. — Ah, e não se esqueça de se trocar antes dos criados chegarem. Você sabe como essa gentinha é fofoqueira.
Eu olho para ele, meio irritado, meio divertido. — Ethan...
— Já sei, já sei — ele interrompe, levantando as mãos em sinal de rendição. — Você não precisa agradecer. Afinal, é para isso que estou aqui. Para resolver os problemas do meu Alfa, mesmo os mais... pessoais.
Ele sai do quarto, ainda murmurando para si mesmo, listando os próximos passos. — Primeiro, vou mandar chamar os mensageiros. Depois, organizar uma reunião com os chefes das famílias. Talvez até um baile... sim, um baile seria perfeito.
A porta se fecha atrás dele, e eu fico sozinho no quarto, ainda tentando processar o que acabou de acontecer. Ethan sempre foi assim — um furacão de ideias e ações, sem deixar espaço para dúvidas ou hesitações. E, embora eu esteja um pouco irritado com sua intromissão, não posso negar que ele tem um ponto. Talvez eu precise de alguém real. Talvez eu precise esquecer ela .
Olho para a mancha em minhas calças e suspire. Ethan está certo — preciso me trocar antes que os criados cheguem. A última coisa que preciso é de fofocas correndo pelo castelo.
Enquanto me preparo para o dia, minha mente ainda está presa nas palavras de Ethan. Uma lista de jovens. Um baile. A ideia parece absurda, mas, ao mesmo tempo, não consigo negar que há uma parte de mim que está curiosa. Talvez ele esteja certo. Talvez seja hora de eu seguir em frente.
Mas, no fundo, sei que não será fácil. Ela ainda está lá, em meus sonhos, em meus pensamentos. E não sei se algum dia conseguirei me livrar dela.
...ETHAN...
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Atualizado até capítulo 21
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