CAPÍTULO 10

Ethan me arrastou para o salão de festas como se estivesse levando um lobo relutante para o abate. Eu resisti o máximo que pude, mas ele era insistente — e, francamente, eu não tinha energia para discutir mais. O salão estava iluminado por centenas de velas, com mesas repletas de comida e bebida, e o som de música suave preenchendo o ar. As damas e suas famílias estavam todas lá, vestidas com seus melhores trajes, conversando animadamente. Eu senti um nó no estômago. A atmosfera estava carregada de feromônios, uma mistura de Alfa, Beta e Ômega que fazia o ar parecer pesado, quase palpável. Era impossível ignorar a hierarquia natural que permeava o ambiente, com os Alfas dominando o espaço e os Ômegas emanando uma doçura que parecia atrair todos os olhares.

— Lá vamos nós — Ethan disse, esfregando as mãos como se estivesse prestes a apresentar a maior atração do reino. — Vou te apresentar às famílias. E, por favor, tente parecer interessado. Não é todo dia que você tem a chance de conhecer as jovens mais cobiçadas dos reinos.

Eu olhei para ele, levantando uma sobrancelha. — Cobiçadas? Você está exagerando.

— Ah, claro, porque você é o Alfa mais poderoso da região, e elas vieram até aqui só para tomar um chá — ele respondeu, sarcástico. — Vamos, Kael. Sorria e acene.

Ele começou a me apresentar às famílias, uma por uma. A primeira era a família Hawthorne, conhecida por sua linhagem de Ômegas extremamente férteis. A jovem, Eleanor, era bonita, com cabelos loiros e olhos azuis, mas parecia tão entediada que eu me perguntei se ela estava ali por vontade própria ou por obrigação. Seu cheiro era doce, quase enjoativo, típico de uma Ômega em plena fase de fertilidade. Ela me cumprimentou com um sorriso educado, mas vazio, e eu respondi da mesma forma. Ethan me deu um empurrão discreto, como se dissesse "tente mais".

— Eleanor é uma excelente harpista — ele disse, tentando puxar assunto.

— Sim, eu toco um pouco — ela respondeu, sem entusiasmo. — Mas ultimamente tenho preferido a leitura.

Eu acenei, sem saber o que dizer. Ethan me puxou para o próximo grupo antes que a conversa pudesse ficar mais estranha.

A próxima família era a dos Montgomery, uma matilha conhecida por sua energia contagiante e por produzir Betas extremamente sociáveis. A jovem, Isabella, era mais animada, mas também mais... barulhenta. Ela falava sem parar, sobre tudo e nada ao mesmo tempo, e eu mal conseguia acompanhar o fluxo de palavras. Seu cheiro era neutro, como era comum entre os Betas, mas havia uma certa vivacidade nele que combinava com sua personalidade extrovertida.

— E então eu disse a ela: "Claro que eu vou usar o vestido rosa, mas só se combinarmos os sapatos!" — Isabella disse, rindo como se tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Eu olhei para Ethan, desesperado, mas ele apenas sorriu, como se estivesse se divertindo com minha agonia.

— Isabella é conhecida por seu espírito animado — ele disse, tentando salvar a situação.

— Sim, eu adoro conversar! — ela respondeu, como se isso fosse uma grande revelação. — E você, Kael, gosta de conversar?

— Eu... prefiro ouvir — eu respondi, tentando ser educado.

Ela riu, como se eu tivesse dito algo hilário, e eu me perguntei se ela tinha ouvido direito. Ethan me puxou para o próximo grupo antes que eu pudesse descobrir.

A terceira família era a dos Sinclair, uma linhagem de Ômegas conhecidos por sua serenidade e habilidades diplomáticas. A jovem, Victoria, era silenciosa e reservada, quase tímida. Ela me cumprimentou com um aceno de cabeça e um sorriso tímido, e eu respondi da mesma forma. Seu cheiro era suave, como flores silvestres, e havia uma calma em sua presença que era quase reconfortante. A conversa foi curta e sem graça, e eu mal conseguia lembrar o que ela tinha dito quando Ethan me puxou para o próximo grupo.

A quarta família era a dos Cartwright, uma matilha de Alfas e Betas conhecidos por sua inteligência e habilidades estratégicas. A jovem, Charlotte, era inteligente e articulada, mas também um pouco... arrogante. Ela falava sobre política e economia como se estivesse dando uma palestra, e eu mal conseguia acompanhar o que ela estava dizendo. Seu cheiro era forte, marcante, típico de uma Alfa, e havia uma certa dominância em sua postura que me fez sentir um pouco desconfortável.

— E então eu disse a ele: "Claro que eu entendo de comércio, mas você precisa considerar as variáveis macroeconômicas!" — Charlotte disse, olhando para mim como se esperasse que eu concordasse.

— Sim, claro — eu respondi, sem ter ideia do que ela estava falando.

Ethan me puxou para o próximo grupo antes que eu pudesse me meter em mais problemas.

A quinta família era a dos Stoneheart, uma das matilhas mais poderosas da região, conhecida por sua ambição e por produzir Ômegas extremamente astutos. E foi aí que as coisas ficaram realmente interessantes.

— Kael, permita-me apresentar a família Stoneheart — Ethan disse, com um sorriso que eu sabia que era falso. — Celeste, sua mãe, Valéria, e seu pai, Gregory.

Eu olhei para eles, sentindo um frio na espinha. Celeste era bonita, com cabelos loiros e olhos verdes, mas havia algo em seu olhar que me deixou desconfortável. Ela me cumprimentou com um sorriso que parecia mais um desafio do que uma saudação. Seu cheiro era doce, mas com uma nuance picante, como se ela estivesse sempre um passo à frente de todos.

— Alfa, é um prazer conhecê-lo — ela disse, sua voz doce, mas com um tom que me fez pensar que ela estava me avaliando.

— O prazer é meu — eu respondi, tentando parecer educado.

Havia algo em seu semblante… Algo que eu não sabia explicar.

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