POV DE KAEL
...SELENE...
A escuridão do quarto é quente, pesada, envolvente. Estou deitado na cama, as cobertas desarrumadas, meu corpo tenso e ao mesmo tempo relaxado, como se estivesse suspenso entre dois mundos. E, de certa forma, estou. O mundo da vigília, onde sou o Alfa implacável, o líder temido, e o mundo dos sonhos, onde posso me permitir ser humano. Ou, pelo menos, algo próximo disso.
Sinto antes de ver. Cabelos negros, finos como seda, deslizando sobre meu rosto. O toque é suave, quase imperceptível, mas suficiente para fazer minha pele arrepiar. O cheiro vem em seguida — doce, suave, como flores silvescinco misturadas com algo mais terroso, mais primal. É um cheiro que conheço, que me persegue mesmo quando estou acordado. E então, os lábios. Quentes, macios, tocando meu rosto com uma leveza que beira a reverência.
Gemo baixo, minha mão subindo instintivamente para tocar o rosto que não posso ver, mas que sinto tão real. É ela. Sempre ela. A ômega que visita meus sonhos todas as noites, que me faz questionar minha sanidade durante o dia. Não sei de onde ela vem, ou por que meu subconsciente insiste em trazê-la para mim, mas não me importo. Nos sonhos, posso tocá-la. Nos sonhos, ela é minha.
— Pensei que não viria — sussurro, minha voz rouca, carregada de desejo. Minha mão desce do rosto dela para o pescoço, depois para os ombros, até encontrar os seios macios que pressionam meu peito. Eles são pequenos, mas perfeitos, e sinto uma onda de calor percorrer meu corpo ao imaginá-los em minha boca. Quero chupá-los, mordiscá-los, sentir a pele dela sob meus lábios.
No sonho, ela sorri, um sorriso que é ao mesmo tempo inocente e provocante. Não resisto. Minhas mãos descem para seus quadris, que estão pressionados contra meu membro rígido. Posso sentir o calor dela, a umidade, e isso quase me faz perder o controle. Puxo-a para mais perto, meus dedos afundando na carne macia de seus quadris, e gemo novamente, mais alto desta vez.
— Você é minha — murmuro, meus lábios encontrando os dela em um beijo que é mais desespero do que paixão. — Minha ômega.
Ela não responde com palavras, mas seu corpo fala por ela. Ela se move contra mim, seus quadris girando lentamente, provocando, testando. Sinto o prazer subir por minha espinha, uma onda que ameaça me engolir por completo. Estou tão perto, tão perto...
E então, acordo.
Abro os olhos de repente, meu corpo tenso, meu coração batendo forte no peito. O quarto é o mesmo, mas o calor, o cheiro, o toque... tudo desapareceu. A única coisa real é o membro rígido sob as cobertas, pulsando com a frustração de um desejo não realizado. Suspiro, fechando os olhos por um momento, tentando me acalmar. Mas então sinto o molhado em minhas calças, e um misto de raiva e vergonha toma conta de mim.
— Não suporto mais viver esse inferno — murmuro, minha voz carregada de frustração. Sento na cama, esfregando o rosto com as mãos. É sempre assim. Toda noite, ela vem até mim em meus sonhos, e toda manhã, acordo com a mesma dor, a mesma necessidade insatisfeita.
Olho para o lado, onde o espaço na cama está vazio. Sempre vazio. Não sei por que meu subconsciente insiste em me torturar dessa maneira, mas sei que não posso continuar assim. Sou o Alfa. Não posso me permitir ser fraco, nem mesmo em meus próprios pensamentos.
— Por que você não me deixa em paz? — sussurro, minha voz quase imperceptível. Mas sei que não há resposta. Nunca há.
Já é manhã, a luz do dia invade o quarto, cortando a escuridão como uma lâmina afiada.
Caminho até a janela, olhando para o exterior. O castelo está movimentado, como sempre. Guerreiros treinando no pátio, servos correndo de um lado para o outro, cumprindo suas tarefas. Tudo parece tão normal, tão rotineiro. E eu? Eu estou aqui, preso em minha própria mente, lutando contra fantasmas que não consigo exorcizar.
Minha mão se fecha em um punho, as unhas cravando na palma. Sou o Alfa. Não deveria me sentir assim. Não deveria ser controlado por sonhos, por desejos que não posso satisfazer. Mas é mais forte do que eu. Ela é mais forte do que eu.
Antes que eu possa mergulhar mais fundo em meus pensamentos, alguém bate na porta. A batida é firme, mas respeitosa. Reconheço imediatamente quem é. Só uma pessoa bate assim.
— Entre — digo, minha voz mais áspera do que pretendia.
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Atualizado até capítulo 21
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