CAPÍTULO 7

Celeste está em uma de suas fases de mania. Parece que sua bipolaridade oscilou para o extremo oposto, e agora eu sou sua "melhor amiga". Enquanto carrego as malas, ela não para de falar. Seus olhos brilham com uma animação quase infantil, e suas palavras saem em um fluxo contínuo, como se estivesse tentando preencher o silêncio com qualquer coisa que viesse à mente.

— Você não imagina, Selene! — ela diz, gesticulando com as mãos enquanto caminhamos pela enorme galeria — sim, é isso, aquela área ampla e imponente que antecede as escadarias luxuosas do castelo. — O Alfa é simplesmente... magnífico. E o castelo! Ah, o castelo! É tudo tão grandioso, tão majestoso. Você já viu algo assim?

Eu não respondo, apenas continuo carregando as malas, meus olhos vagando pelas pilastras altas e as estátuas de mármore que ladeiam o caminho. As faces esculpidas parecem me observar, suas expressões serenas e eternas. Por um momento, eu me perco nelas, imaginando o que meus antepassados da matilha escravizada pensariam se pudessem me ver agora. Andando por um castelo luxuoso, servindo a uma família rica, enquanto eles foram reduzidos a pó e memórias. Eles ficariam orgulhosos? Desapontados? Ou simplesmente indiferentes?

— Selene! — a voz aguda de Celeste me traz de volta à realidade. — Você está me ouvindo?

— Sim, senhora — respondo automaticamente, abaixando a cabeça. — O castelo é realmente impressionante.

Ela sorri, satisfeita com a resposta, e continua seu monólogo sobre as maravilhas do lugar. Eu apenas sigo, tentando ignorar o peso das malas e o cansaço que já se instala nos meus braços. Meus cabelos, antes longos e sedosos, agora estão ralos e quebradiços devido à alimentação precária. Eu me sinto como uma sombra de quem eu era, mas Celeste parece não notar — ou, se nota, não se importa.

De repente, cinco criadas se aproximam. Elas são bem vestidas, com uniformes impecáveis e expressões profissionais. A que está à frente é uma ruiva de olhos azuis, com sardas espalhadas pelo rosto e um ar de simpatia que imediatamente chama minha atenção. As outras duas são morenas, com traços suaves e posturas igualmente respeitosas.

— Senhora Celeste Stoneheart? — a ruiva pergunta, sua voz suave e educada.

— Sim, sou eu — responde Celeste, animada, como se estivesse esperando por esse momento.

— A celebração de boas-vindas está acontecendo no hall de celebração — a ruiva informa, mantendo o tom respeitoso. — O senhor Ethan, conselheiro do Alfa, está esperando todas as damas. Podemos levá-la até lá?

De repente, cinco criadas se aproximam. Elas são bem vestidas, com uniformes impecáveis e expressões profissionais. A que está à frente é uma ruiva de olhos azuis, com sardas espalhadas pelo rosto e um ar de simpatia que imediatamente chama minha atenção. As outras duas são morenas, com traços suaves e posturas igualmente respeitosas.

— Senhora Celeste Stoneheart? — a ruiva pergunta, sua voz suave e educada.

— Finalmente! — Celeste responde, com um tom de impaciência que não tenta disfarçar. — Já estava achando que ninguém viria nos receber. Onde está o Alfa? Ele sabe que eu cheguei?

A ruiva mantém a compostura, mas eu vejo um leve tensionamento em sua expressão. — O Alfa está ocupado com os preparativos para a celebração, senhora. Mas o senhor Ethan, seu conselheiro, está esperando por você no hall de celebração. Podemos levá-la até lá?

Celeste faz um som de frustração, claramente desapontada por não ser recebida pelo próprio Alfa. — Tudo bem, mas não demorem. Eu não vim até aqui para ficar esperando.

Ela se vira para mim, seu olhar frio e impaciente. — Selene, você fica com as malas. E não se atrase, ou vai saber o que é bom.

Eu apenas aceno com a cabeça, sem dizer nada. Celeste já está seguindo as criadas, que trocam olhares rápidos entre si antes de se virar para guiá-la. Eu fico parada por um momento, sentindo o peso das malas e o cansaço nos meus ombros. Mas, antes que eu possa me mover, a ruiva volta.

— Deixe-me ajudá-la — ela diz, pegando uma das malas das minhas mãos. Seu sorriso é gentil, quase reconfortante. — Eu sou a Harper, por sinal.

— Selene — respondo, surpresa com a oferta de ajuda. Faz tanto tempo que alguém não faz algo assim por mim que eu quase não sei como reagir.

— Seja bem-vinda, Selene — ela diz, com uma educação que parece genuína, não apenas uma formalidade. Eu estranho. Faz tanto tempo que ninguém me trata com essa simpatia que eu quase não sei como responder. É como se eu tivesse esquecido como é ser vista como uma pessoa, e não como uma coisa.

Eu olho para ela, tentando encontrar algum sinal de falsidade, mas não vejo nada além de um sorriso sincero. Há algo em Harper que me faz sentir... segura. Como se, pela primeira vez em muito tempo, eu não estivesse completamente sozinha.

— Obrigada — digo, minha voz um pouco mais suave do que o normal.

— Não precisa agradecer — ela responde, começando a caminhar ao meu lado. — Eu sei como é difícil se adaptar a um lugar novo, especialmente quando você não é exatamente... bem-vinda.

Eu olho para ela, surpresa com a franqueza. Harper parece notar e dá de ombros, seu sorriso ainda no lugar.

— Eu sou uma serva, Selene. Eu entendo como é ser invisível. Mas, às vezes, é bom ter alguém para contar, não é?

Eu não sei o que dizer, então apenas aceno com a cabeça. Há uma sensação estranha no meu peito, algo que eu não sentia há muito tempo. É como se, pela primeira vez em anos, eu tivesse encontrado alguém que realmente me entende.

— Vamos — Harper diz, ajustando a mala em suas mãos. — Vou te mostrar onde você pode deixar isso.

Eu sorrio novamente, sentindo um pouco do peso das malas — e do meu coração — se aliviando. Mas, então, me lembro da "conversa séria" que a senhora Valéria teve com os criados antes de nossa chegada. Séria, é claro, porque poderia muito bem ser interpretada como uma ameaça.

“Qualquer deslize, qualquer coisa que manche a reputação da família Stoneheart perante o Alfa e sua corte, será pago com juros.”

As palavras dela ecoam na minha mente, e eu quase rio. Quase. Porque, no fundo, sei que não era uma piada. A senhora Valéria não brinca quando se trata da imagem da família. E, claro, os criados sabem disso. Todos sabem.

Então, por que Harper está sendo tão gentil? Ela não tem medo de se meter em problemas? Ou será que ela simplesmente não se importa? Eu olho para ela de relance, tentando decifrar suas intenções, mas seu rosto está sereno, como se ajudar uma ômega escrava fosse a coisa mais natural do mundo.

— Você deve estar faminta — Harper diz de repente, quebrando o silêncio. — Quando foi a última vez que você comeu algo decente?

Eu hesito, tentando lembrar. A verdade é que não sei. A ração que recebo é suficiente para me manter viva, mas não para me sustentar. Mas eu não quero parecer fraca, então apenas balanço a cabeça.

— Não, estou bem — minto, minha voz um pouco mais firme do que eu esperava.

Harper olha para mim, seus olhos azuis cheios de uma compreensão que me faz sentir exposta. — Selene, você não precisa fingir. Eu sei que você está faminta. Isso está escrito no seu rosto.

Eu me surpreendo com a franqueza dela. Ninguém nunca foi tão direto comigo antes. Ninguém nunca se importou o suficiente para notar.

— Eu... — começo, mas as palavras falham. O que eu posso dizer? Que sim, estou faminta? Que sim, estou cansada? Que sim, estou sozinha? Que me sinto perdida, que não como bem há meses e sinto muito falta da família que costumava ter?

Harper não espera por uma resposta. Ela simplesmente continua caminhando, ajustando a mala em suas mãos. — Você está pálida, Selene. Como eu não notaria isso?

Eu olho para ela, sentindo uma mistura de gratidão e desconforto. É estranho ser cuidada, especialmente por alguém que mal conheço. Mas, ao mesmo tempo, é reconfortante. Como um raio de sol em um dia nublado.

— Vamos — Harper diz, seu sorriso voltando. — Depois que você deixar as malas, eu te levo para a cozinha. Temos algumas sobras que ninguém vai sentir falta.

...HARPER...

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railza

railza

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2025-03-02

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