Capítulo 19 - O segredo da mina abandonada

O relógio marcava pouco depois da meia-noite quando Maryelle deslizou para fora das cobertas, o coração martelando no peito. O silêncio reinava na mansão, quebrado apenas pelo leve farfalhar das cortinas com a brisa noturna. Era agora ou nunca.

Vestida com um macacão marrom, com botões em formato de ursinho, que lhe dava um ar infantil e aconchegante. Por baixo, usava uma blusa branca de mangas bufantes, com delicados detalhes rendados na gola e nos punhos. Uma meia-calça branca cobria suas pernas, combinando perfeitamente com as botas marrons de cano curto que protegiam seus pés.

Seu cabelo, preso em marias-chiquinhas, balançava a cada passo, os laços brancos refletindo a pouca luz que vinha da janela. No peito, bem preso ao tecido do macacão, o broche de prata que Liriel lhe dera brilhava sutilmente. Sempre que olhava para ele, lembrava-se das palavras que descobriu que seu irmão disse sobre seu nascimento — e isso fazia seu coração se aquecer.

Segurando firmemente sua bolsa de pano, onde guardava uma lanterna e doces embrulhados em papel colorido — cortesia do chef, que, depois de pegá-la tantas vezes roubando doces da cozinha, simplesmente passou a levar guloseimas para seu quarto —, ela abriu a porta devagar.

O corredor estava escuro.

Maryelle prendeu a respiração, contando os segundos antes de se mover. Os guardas patrulhavam a mansão durante a noite, e qualquer passo errado poderia acabar com sua aventura antes mesmo de começar.

Ela deslizou pelo corredor, os pés leves no carpete. Passou pela primeira esquina sem problemas, mas, ao dobrar o segundo corredor, ouviu passos firmes se aproximando. Seu coração disparou. Sem pensar, esgueirou-se atrás de uma estátua de cavaleiro. Um dos guardas passou ao lado dela, bocejando discretamente, o olhar perdido no vazio.

Segundos depois, ele seguiu em frente. Maryelle só respirou quando teve certeza de que estava longe.

Com passos rápidos, ela seguiu pelo corredor dos fundos, saindo por uma das portas laterais da mansão. O ar frio da noite fez sua pele arrepiar, e ela abraçou o próprio corpo antes de seguir em frente.

A floresta atrás da mansão parecia ainda mais densa à noite. O caminho que levaria até a mina era apenas uma vaga lembrança do livro antigo que ela lera na biblioteca de Celeste.

Com a lanterna em mãos, ela seguiu em frente, afastando galhos e folhas que tentavam impedir sua passagem. O som dos insetos noturnos preenchia o ar, e, em alguns momentos, seus próprios passos a faziam prender a respiração.

Após alguns minutos de caminhada, ela viu a entrada da caverna. A mina abandonada.

A boca da caverna era larga e irregular, coberta de musgo e trepadeiras. O cheiro de terra úmida e minério impregnava o ar. No passado, os mineradores vieram ali em busca de ferro, mas a quantidade encontrada foi mínima — um desperdício de esforço. Desde então, o lugar foi deixado para ser engolido pelo tempo.

Maryelle deu um passo hesitante para dentro.

O ar ficou mais frio. A umidade se condensava nas paredes de pedra, e estalactites pendiam do teto como garras afiadas. No chão, trilhos velhos e enferrujados se estendiam para dentro da escuridão, restos dos antigos vagões que transportavam pedras e minério.

Ela engoliu em seco.

Acendeu sua lanterna e seguiu em frente.

Se os registros do livro estavam certos, a relíquia sagrada deveria estar escondida em algum lugar ali dentro.

E ela estava determinada a só sair dali com a relíquia.

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