Meus olhos percorreram cada linha do livro que eu segurava com mãos trêmulas. Meu peito subia e descia pesadamente enquanto eu tentava absorver o que estava lendo.
Os Dragões Ancestrais, seres primordiais de cada elemento, estavam adormecidos em diferentes pontos do continente, enterrados nas profundezas da terra, em um sono tão profundo que foram reduzidos a lendas ao longo dos séculos. Mas um dia, eles despertariam.
Dragão de Fogo, embaixo da capital real.
Dragão da Água, nas profundezas de um lago oculto no território da Casa Marveil.
Dragão da Terra, dentro das minas abandonadas do Ducado D’Velóis... o lugar onde eu nasceria.
Dragão do Ar, selado no topo da montanha mais alta do reino, um local de difícil acesso e onde poucos sobreviveram para contar histórias.
Dragão da Luz, dentro das ruínas de um antigo templo, onde a Santa do Império fazia seus votos.
Dragão das Sombras, no subterrâneo de uma vila esquecida, cercada por névoa eterna.
Dragão do Trovão, selado em uma planície onde tempestades incessantes castigavam a terra.
Dragão do Gelo, aprisionado sob um mar congelado ao extremo norte.
Se um acordasse, os outros viriam atrás. E juntos, consumiriam tudo.
Mas isso não era o pior.
Outro livro ao lado chamou minha atenção. O título quase se dissolvia na capa envelhecida: As Fronteiras Entre Mundos.
Meu coração acelerou. Peguei o livro e o abri rapidamente, folheando até encontrar um capítulo que parecia relevante. E então, um arrepio subiu pela minha espinha.
Cinco portais. Cinco pontos de ruptura no tecido da realidade.
O Primeiro Portal liberaria guerreiros de outro mundo, armados com lâminas e habilidades que ultrapassavam qualquer soldado do Império.
O Segundo Portal traria magos de realidades distintas, detentores de feitiçaria que nem mesmo os mais poderosos arcanistas daquele mundo poderiam compreender.
O Terceiro Portal se abriria no submundo, libertando criaturas monstruosas que não deveriam pisar na terra dos vivos.
O Quarto Portal seria o mais caótico—desastres naturais surgiriam dele, furacões, terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas... O próprio mundo se despedaçaria.
O Quinto Portal traria as bestas mágicas mais poderosas já vistas, criaturas que nem mesmo os Dragões Ancestrais ousariam enfrentar diretamente.
E no meio de tudo isso… um Mago Desconhecido, vindo de um universo distante, uma peça que não se encaixava, mas que tinha um papel crucial na destruição do mundo.
Minha respiração ficou presa na garganta.
O livro escorregou das minhas mãos e bateu no chão com um baque surdo.
Isso era impossível.
Isso era um pesadelo.
Eu me agachei, peguei o livro e o coloquei de volta na estante com mãos trêmulas. Mas antes que eu pudesse tentar absorver tudo isso, uma voz ecoou pelo espaço, vibrante e cheia de energia:
— Maryelleeee!
Eu me virei bruscamente. Celeste estava ali, flutuando, com um largo sorriso presunçoso e seus braços cruzados. A luz ao redor dela reluzia em tons dourados, e ela claramente adorava essa entrada dramática.
— Está tudo pronto! Chegou a hora de renascer! — Ela anunciou, inflando o peito como se tivesse acabado de realizar o maior feito da história.
— Certo... — Minha voz saiu hesitante. Meus pensamentos ainda estavam no caos que eu havia lido. Como eu poderia impedir tudo isso?
— Ei, ei, ei, não faça essa cara de quem viu um fantasma! — Celeste bateu na minha cabeça de leve com um dedo. — Você tem um trilhão de perguntas, eu sei. Mas agora não temos tempo. Confia na mana aqui! — Ela girou no ar, fazendo uma pose exagerada de braços abertos e um sorriso presunçoso.
Eu suspirei.
— Isso é sério, Celeste.
— Eu sempre sou séria! — Ela respondeu, colocando uma mão no peito e outra na cintura, com uma expressão ofendida.
— Você estará me observando, certo? Caso eu precise de ajuda?
— Claro que sim, minha querida Maryelle! E se precisar me chamar, basta dizer… — Ela parou, fechou os olhos dramaticamente e então abriu os braços enquanto proclamava em um tom solene:
— "Ó, Estrela Suprema, rompe o véu do destino e escuta meu chamado!"
Eu pisquei.
— Sério? Isso?
— Eu sei, né?! — Ela riu, piscando para mim. — Agora, sem mais delongas… hora de você nascer!
A luz ao meu redor se intensificou, e meu corpo começou a se sentir leve. A última coisa que vi foi Celeste me dando um aceno exagerado, enquanto a realidade ao meu redor desmoronava em feixes dourados.
Então, tudo se apagou.
E no instante seguinte…
Eu chorei.
Não porque queria, mas porque era um bebê recém-nascido.
O som de vozes abafadas me cercava. Algo quente me envolvia, e uma mulher, ainda me lembrava da duquesa. Minha nova mãe, segurava meu pequeno corpo com um olhar cansado, mas amoroso.
— Maryelle... — Ela sussurrou com carinho, enquanto o duque, de cabelo azul-turquesa e olhar azul, olhava para mim com um misto de orgulho e gentileza.
O Duque e a Duquesa D’Velóis.
Minha nova família.
A partir desse momento… eu era Maryelle D’Velóis.
E o destino do mundo estava em minhas mãos.
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Atualizado até capítulo 27
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