Capítulo 15 - Laços de Maryelle

Meu aniversário de cinco anos chegou antes que eu percebesse, marcando o início de uma nova fase.

Até então, minha vida tinha sido relativamente tranquila, tirando o choque de descobrir minha monstruosa afinidade mágica. Mas agora, as coisas começariam a mudar.

Na manhã do meu aniversário, fui despertada pelo som suave da minha babá, Liriel, ajeitando as cortinas para deixar a luz do sol entrar. O brilho dourado da manhã preencheu o quarto, aquecendo meu rosto e anunciando o começo de um novo ciclo. Eu estiquei os braços, sentindo o calor da luz em minha pele e sorrindo, lembrando-me de como minha vida havia mudado de um ano para o outro.

— Feliz aniversário, minha pequena dama. — Liriel sorriu, com um brilho nos olhos, e me entregou um pequeno embrulho cuidadosamente embalado em um tecido macio.

Curiosa, desembrulhei o presente com dedos cuidadosos. Dentro dele, encontrei um broche prateado em forma de estrela. Seu brilho discreto refletia a luz do sol, tornando-o ainda mais bonito aos meus olhos.

— Quando você nasceu, seu irmão disse que você brilharia mais que qualquer outra pessoa. Achei que combinava com você. — Liriel completou, como se aquelas palavras tivessem um peso especial.

Sorri, tocando o pequeno presente com carinho. Adrian tinha dito isso? Meu irmão, apesar de suas implicâncias habituais, realmente acreditava que eu brilharia? Fiquei imaginando o quanto ele se importava, mesmo nas suas brincadeiras. Ele sempre teve um jeito peculiar de demonstrar carinho, muitas vezes escondido atrás de piadas e gestos que pareciam bobos, mas que, na realidade, tinham muito significado.

— Obrigada, Liriel. Eu adorei! — respondi, guardando o broche com cuidado.

A manhã seguiu tranquila, com minha família reunida para o café. Meus pais estavam presentes, assim como Adrian, e todos pareciam de bom humor. O aroma de pães recém-assados e chá de ervas preenchia o ambiente, tornando tudo ainda mais aconchegante. O grande salão estava decorado com flores frescas, velas suaves e bandejas cheias de guloseimas. Não era apenas uma simples refeição — era um verdadeiro festim em comemoração ao meu aniversário.

— Cinco anos, hein? Agora você é oficialmente uma mocinha. — Meu irmão bagunçou meu cabelo de forma brincalhona.

— Sempre fui uma mocinha, vocês que não percebiam. — Respondi com um sorriso.

Todos riram. A alegria era contagiante, e eu me senti tão acolhida naquele momento. O sorriso de minha mãe, os olhos atentos de meu pai, o modo como Adrian sempre estava pronto para me provocar com carinho, tudo aquilo me fazia sentir uma sensação de pertencimento profunda, algo que eu não estava nada acostumada. Acalentada no calor daquelas interações, eu soube naquele instante que nada poderia ser mais importante do que estar com minha família.

— Eu lembro bem de quando Adrian fez cinco anos — minha mãe comentou com um sorriso nostálgico, com os olhos brilhando. — Ele estava tão animado que não parava de correr pela casa, esbarrando em tudo, enquanto dizia que ia conquistar o mundo.

— Não me lembro disso — Adrian fez uma careta, mas logo todos riram juntos, deixando o ambiente ainda mais acolhedor.

O que mais me tocava em cada momento daquele dia era a sensação de que estava cercada de pessoas que se importavam com cada detalhe meu. Eu já havia crescido muito, mas ainda me sentia protegida e amada por todos ao meu redor.

A calmaria daquela manhã, no entanto, logo daria lugar àquilo que parecia um novo desafio. Completando cinco anos, eu iniciaria meus estudos formais. Isso incluía etiqueta, história do império, estratégias de guerra, política e, claro, treinamento físico para garantir que meu corpo fosse forte o suficiente para manejar uma espada no futuro.

— Agora é hora de aprender como uma verdadeira dama se comporta — minha mãe disse, com um sorriso de quem sabia o que estava por vir, acho que iria enfrentar o verdadeiro inferno.

As aulas começaram na tarde do dia de meu aniversário. A primeira foi com Madame Élodie, minha professora de etiqueta. Ela era uma mulher elegante e rígida, com um olhar que parecia ver todas as falhas em minha postura ao mesmo tempo. Me senti como se estivesse sendo observada por uma águia, e sabia que deveria me comportar à altura das expectativas.

— Uma dama nunca deve arrastar os pés. A postura deve ser impecável. Mantenha o olhar firme, mas gentil. E ao cumprimentar alguém, use a inclinação correta da cabeça.

Eu me esforcei para seguir as instruções, mas era difícil manter o equilíbrio com um livro na cabeça enquanto tentava andar sem parecer uma pata desengonçada. A todo momento, sentia a pressão de não decepcionar Madame Élodie. Ela me corrigia com uma firmeza que tornava claro o quão importante era para ela que eu fosse perfeita. Apesar de suas exigências, havia algo em seu jeito que me fazia querer continuar, me esforçando para melhorar a cada passo.

Entre as aulas, encontrei momentos de descontração com os empregados da mansão. Liriel continuava a cuidar de mim, com sua presença sempre reconfortante. Mas também me afeiçoei ainda mais às minhas três empregadas pessoais: Celine, a mais séria e disciplinada; Mira, animada e sempre disposta a conversar; e Elise, a mais jovem, que às vezes parecia mais minha amiga do que minha criada — foi ela quem eu conheci quando vim a esse mundo pela primeira vez. Ela me lembrava um pouco de uma irmã mais velha, sempre disposta a me ensinar algo novo, seja sobre os costumes da nossa casa ou histórias do império.

Ao final do dia, com todos os compromissos do meu aniversário cumpridos, minha família reuniu-se novamente para celebrar em grande estilo. Uma festa íntima no jardim da mansão, decorado com velas e flores do campo, dava o tom perfeito para uma noite de comemorações. Um banquete foi preparado, com pratos deliciosos, e música suave tocava ao fundo. Sorrisos e risos se espalhavam entre os convidados.

— Agora sim, minha pequena dama. Vamos celebrar sua nova idade! — disse meu pai, com um sorriso orgulhoso, enquanto me guiava até a mesa de bolo, onde todos me esperavam.

Adrian fez uma careta, mas não deixou de se aproximar e colocar a mão sobre minha cabeça, de um jeito protetor.

— Cinco anos, hein? Parece que foi ontem que você estava aprendendo a andar. Agora já vai começar a estudar história de guerra... Não vai mais ser a "menina do colo" — ele disse, brincando, mas com um toque de carinho em sua voz.

— Eu não sou mais a "menina do colo", mas vou continuar sendo a sua irmã — respondi, com um sorriso cúmplice.

Todos riram novamente. Eu sentia que, apesar de todas as mudanças, ainda havia algo imutável: a forma como minha família me acolhia, sempre pronta para celebrar cada momento, cada conquista, cada pequeno detalhe da minha vida. Eu estava crescendo, mas nunca deixaria de ser a pequena irmã de Adrian, a filha amada de meus pais.

A vida estava mudando, mas eu sabia que com minha família ao meu lado, nenhum desafio seria grande demais. As responsabilidades aumentavam, assim como as expectativas sobre mim. No entanto, mesmo em meio às dificuldades, eu começava a criar laços que me acompanhariam por toda a vida.

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