capitulo 07 - despertar ducal

Acordei sobressaltada, o coração batendo forte no peito. Minha respiração estava entrecortada, e levei alguns segundos para perceber que não sentia nenhuma dor. Minhas mãos estavam intactas, sem cortes ou arranhões, e a dor de cabeça latejante havia desaparecido. Seria tudo apenas um pesadelo cruel?

Movi-me devagar, sentindo a maciez dos lençóis contra minha pele. Quis pegar meu celular para verificar a hora, mas, ao tentar apalpá-lo ao lado do travesseiro, percebi algo estranho. Minha cama... Não era minha cama. E aquele quarto definitivamente não era meu.

Os raios de sol entravam suavemente por uma ampla janela que ia do chão ao teto, logo avistei a varanda, cujas bordas eram feitas de pilares esculpidos em um branco impecável. As paredes eram brancas com detalhes em azul claro, lembrando palácios renascentistas. O quarto exalava uma atmosfera aristocrática, como se pertencesse a uma nobre de alto escalão. Havia uma penteadeira de madeira escura ao lado da janela, sobre a qual repousavam um espelho oval dourado e pequenos frascos de perfume de vidro lapidado. Uma poltrona estofada em veludo roxo ficava próxima a uma lareira de mármore branco, e uma estante recheada de livros encadernados em couro se erguia imponente contra uma das paredes.

Fechei os olhos por um instante e deitei novamente, esperando que, ao abrir novamente, eu despertasse em minha realidade. Mas não foi o que aconteceu. Meus olhos pousaram sobre o teto da cama. O desenho pintado nela era algo que eu não havia notado antes: várias rosas espalhadas, algumas laranjas, outras roxas, algumas em tons de azul, rosa, e, no centro, uma dourada. Os cálices verdes das flores se entrelaçavam, formando um círculo, como um emblema.

O medo cresceu em meu peito. Belisquei meu braço com força, na esperança de acordar de um sonho estranho. Nada aconteceu.

Respirei fundo e decidi sair da cama. Eu não podia me dar ao luxo de ficar deitada quando nem sabia onde estava. Mas, assim que tentei me levantar, minhas pernas fraquejaram, quase me fazendo cair. Segurei-me no pilar da cama e inspirei fundo antes de dar alguns passos vacilantes até o espelho dourado no canto do quarto.

Quando olhei meu reflexo, senti um calafrio percorrer minha espinha. O rosto no espelho... não era o meu.

Meus cabelos, antes normais, eram agora longos e volumosos, de um azul-turquesa vibrante que descia em ondas até abaixo da minha cintura. Meus olhos, que sempre foram de um tom comum, agora brilhavam em um dourado profundo, um âmbar nunca visto antes. Minha pele parecia mais alva e delicada, e a camisola que vestia era digna de uma dama da realeza: branca, com babados refinados no pescoço e laços de cetim nos punhos.

Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, um grito estridente cortou o silêncio:

— Senhorita Myrielle!

Virei-me assustada e vi uma jovem empregada correr em minha direção. Seus cabelos castanhos curtos estavam um pouco bagunçados, e seus olhos castanhos estavam arregalados de pânico. Ela vestia um uniforme de serviça, simples e impecável.

— Meu Deus, a senhorita acordou! Preciso chamar um médico! — exclamou ela, aproximando-se para me segurar antes que eu caísse.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, fui levada de volta para a cama. Minutos depois, mais passos ecoaram pelo cômodo, e um homem idoso entrou, vestindo trajes de médico. Tinha uma barba curta e grisalha, olhos gentis, mas sérios. Ele examinou-me rapidamente, franzindo o cenho com uma expressão confusa.

— O que aconteceu com ela, doutor? — A voz imponente veio da entrada do quarto.

Olhei para o lado e vi um homem alto, de postura nobre. Seu cabelo azul, ligeiramente ondulado, combinava perfeitamente com seus olhos azul-claros. Vestia um terno refinado, o tipo de vestimenta que apenas um aristocrata usaria. Ao seu lado, uma mulher de beleza estonteante vestia um elegante vestido roxo cheio de babados. Seus cabelos cor-de-rosa estavam presos em um penteado elaborado, e seus olhos âmbar tinham um brilho ansioso.

— Quem... quem são vocês? — minha voz saiu tremida, e um silêncio pesado se instalou no quarto.

Os dois se entreolharam antes que a mulher se aproximasse e segurasse minha mão com delicadeza.

— Querida, sou sua mãe. E este é seu pai. Você é nossa filha, Myrielle, herdeira da casa D'Velois.

Senti o mundo girar. Minha cabeça latejou, e minha visão ficou turva. A confusão cresceu dentro de mim, e a última coisa que ouvi antes de tudo escurecer foi:

— O que houve com a memória dela, doutor?!

Então, a escuridão me tomou por completo.

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Comments

km

km

adoro o plot de reencarnação

2025-02-20

1

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