Qu...
Ida...
Ri...
– QUE-RI-DA!!
O grito estridente cortou o silêncio absoluto. Meus olhos se abriram num susto, o coração disparado no peito. Acima de mim, uma mulher esbelta me observava. Seus longos cabelos negros caíam como uma cascata ao meu redor, alguns fios arrastando-se no chão, outros pousando sobre mim. Seus olhos cinza-claro, quase prateados, reluziam com uma intensidade hipnotizante, em perfeito contraste com sua pele alva.
Ela estava vestida com um vestido etéreo, de tecido esvoaçante, branco como a luz da lua, adornado com delicados detalhes dourados que serpenteavam pelo tecido como chamas suaves e graciosas. O corpete era composto por um top estruturado, que abraçava seu corpo com elegância, sustentado por finas correntes douradas que se entrelaçavam em sua pele como joias sagradas. Um manto leve descia de seus ombros, preso por uma joia cintilante na altura do peito, caindo em curvas suaves ao redor de seus braços, como se fossem asas de pura luz.
A cintura era marcada por um cinto dourado, do qual se desprendiam correntes delicadas, formando desenhos refinados que evocavam realeza e divindade. A saia fluía ao seu redor como um rio celestial, com fendas sutis que revelavam lampejos de pele e conferiam movimento à sua silhueta. Os detalhes dourados na barra do vestido pareciam arder suavemente, como se fossem chamas vivas encantadas por sua presença divina.
Sobre seus cabelos, repousava uma tiara que não se erguia como uma auréola, mas envolvia seus fios como um delicado emaranhado de folhas douradas, lembrando os galhos de uma árvore sagrada e irradiando uma luz serena e celestial.
Eu não pude evitar de ficar hipnotizada por sua beleza estonteante. No entanto, um detalhe impossível de ignorar logo me chamou atenção.
Ela era ENORME.
Me perguntei quantos metros aquela mulher devia ter. Talvez mais de quatro? Se comparasse com uma porta padrão de casa – que tem em torno de dois metros –, tinha certeza de que, se colocassem uma em cima da outra, ainda assim não chegaria aos seus ombros.
— Ei! — gritei, na esperança de que ela pudesse me ouvir.
A gigante me olhou com curiosidade, como se eu fosse apenas uma bonequinha minúscula diante dela.
— Não precisa gritar, posso ouvi-la alto e claro, jovem — disse, com uma voz melodiosa e calma.
Eu estava quase repensando minha sexualidade... Se ela não fosse um gigante, talvez...
— Então, pode tirar seus cabelos de cima de mim?
— Oh! Desculpe-me, querida, não percebi.
Ela ergueu os fios, libertando-me daquele emaranhado sedoso.
— Foi você quem me despertou? E onde estamos agora? — perguntei, ainda atordoada.
O cenário ao redor era deslumbrante. Eu parecia estar sobre nuvens suaves, tão densas que sustentavam meu corpo. O céu era um espetáculo à parte, lembrando um pôr do sol eterno, onde o azul permanecia vibrante, mas misturava-se com tons roxos e dourados, criando uma paisagem de tirar o fôlego.
— Respondendo às suas perguntas: sim, fui eu quem a despertou. E você encontra-se atualmente no meu espaço — disse a mulher, inflando o peito com orgulho.
Ela passou o dedo indicador firmemente debaixo do nariz em um gesto que reconheci de imediato — aquele típico de alguém que quer demonstrar o quão incrível é.
— A-aham... — pigarreei, sem saber bem como reagir.
A gigante então se recompôs e abriu um sorriso.
— Permita-me apresentar — disse com elegância. — Sou Celeste Von Dochles, a Deusa do mundo em que você se encontra atualmente, jovem Myrielle.
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Atualizado até capítulo 27
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