— Certo, então, Celeste, eu aceito.
— YEEI! Sabia que seria assi—
Interrompi antes que ela continuasse comemorando.
— Espere, eu ainda não falei minhas condições.
Ela me olhou, franzindo o cenho e inclinando levemente a cabeça, como se tentasse entender o que eu quis dizer com aquilo. Pelo visto, Celeste tinha certeza de que eu não teria outra opção além de aceitar.
— Condições? — indagou.
— Sim, tenho duas.
— E quais seriam elas? — cruzou os braços, mantendo a cabeça levemente inclinada e arqueando a sobrancelha esquerda.
— A primeira condição é que, se eu for voltar como Maryelle, me envie desde o começo. Não quero me tornar ela quando já for quase adulta, se já não for.
— Tudo bem, essa é uma condição fácil de cumprir, mas você terá que esperar aqui um pouco.
— Por mim, tudo bem. Minha segunda condição é que você me deva um desejo, qualquer pedido.
A expressão dela mudou completamente. Seu rosto, antes animado, fechou-se em uma carranca sombria. A paisagem idílica ao nosso redor se desfez num piscar de olhos, dando lugar a um cenário apocalíptico. O céu, antes lindo e sereno, tornou-se cinzento e opressor, enquanto um vento gélido passou a assoviar pelo espaço vazio. exatamente como se imagina o céu no fim do mundo.
— Oh... Você é mais ousada do que eu imaginava — disse Celeste, apertando os punhos. Então, sem hesitar, deu um passo à frente, aproximando-se do meu rosto.
— Querida, e se eu não quiser? Posso simplesmente obrigá-la a descer lá embaixo agora. — Sua voz assumiu um tom provocativo, carregado de ameaça.
Engoli em seco. Minha garganta ficou tão seca quanto o deserto, e uma gota de suor escorreu pela nuca. Fechei os punhos, tentando reunir toda a coragem que tinha. A pressão de uma Deusa era, definitivamente, avassaladora.
— E quem disse que eu preciso aceitar? Mesmo que me mande de volta, posso simplesmente não fazer nada e deixar o futuro que você quer impedir acontecer. Ou melhor, posso até piorar as coisas. Não sou tão apegada à vida assim. Já morri uma vez e nem tinha intenção de viver novamente. Não estou nem um pouco interessada nessa ideia de renascer como Maryelle, muito menos em seguir suas ordens.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor e opressivo, mas me forcei a manter a cabeça erguida e a encarar Celeste sem desviar o olhar.
De repente, ela explodiu em gargalhadas.
— UWAHAHAHAHA! — Celeste riu histericamente, segurando a barriga com uma mão e limpando as lágrimas com a outra. Aos poucos, a paisagem catastrófica desapareceu, dando lugar à beleza inicial. O céu voltou ao azul vibrante e o ar tornou-se leve outra vez.
— Hã? — murmurei, ainda nervosa e sem entender nada.
— Nada não, hahaha! É que você é mais ousada do que imagina! Tudo bem, eu aceito suas condições.
— S-sério mesmo?
— Sim, agora vá! Ainda vou demorar um pouco aqui. Preciso retroceder o tempo para que você nasça como uma recém-nascida. Não é um processo fácil, sabia? Mas eu sou incrível, né? — disse, jogando os cabelos para trás e colocando uma das mãos na cintura, assumindo uma pose teatral exagerada.
Não perdi tempo e saí rapidamente dali. Se ficasse mais tempo, ela provavelmente não trabalharia em nada e passaria horas falando sobre o quão incrivelmente incrível era. Bem... admito que, de fato, voltar no tempo não deve ser uma tarefa simples.
Segui andando pela paisagem, admirando os arredores. Havia plantas exuberantes e, ao longe, uma vila encantadora. Entretanto, percebi que, por mais que tentasse me aproximar, parecia haver uma barreira invisível que me impedia de chegar até lá. Era como se o espaço se dobrasse sobre si mesmo, mantendo-me restrita a certas áreas.
Enquanto caminhava, notei várias portas espalhadas aleatoriamente pelo local. Estranhamente, não estavam conectadas a nenhuma parede ou estrutura visível. Meu instinto curioso entrou em ação.
— O que será que há atrás dessas portas? — murmurei, sorrindo levemente diante da ideia absurda de encontrar salas dentro delas.
Aproximei-me de uma das portas mais majestosas. Ela era feita de madeira nobre de um tom escuro e sofisticado, com entalhes detalhados em ouro adornando suas bordas. O brilho dourado refletia suavemente a luz ao redor, dando-lhe um ar místico e imponente.
Respirei fundo, coloquei a mão na maçaneta e, quando puxei...
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Atualizado até capítulo 27
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