capítulo 17 - O peso do nome

Nos meses seguintes ao meu teste mágico, minha rotina mudou drasticamente. Antes, meus dias eram preenchidos por brincadeiras nos jardins da mansão, explorando cada canto e fugindo da supervisão dos empregados. Agora, tudo isso parecia um sonho distante. Meu tempo passou a ser controlado por tutores, livros e ordens rígidas.

A etiqueta foi uma das primeiras imposições. Sente-se assim, ande assim, sorria assim. Tudo precisava ser impecável. Minha professora, Madame Élodie, era uma mulher que exalava nobreza em cada gesto. Com sua postura impecável e olhar afiado, ela insistia que, como filha de um duque, eu deveria ser um exemplo de graça e refinamento.

Mas, sinceramente? Sentar com as costas eretas por horas enquanto equilibrava um livro na cabeça era uma forma cruel de tortura.

— Lady Maryelle, o que significa essa expressão entediada? — ela perguntou, franzindo o cenho ao me observar.

— Significa que estou entediada, Madame Élodie.

Ela suspirou, ajeitando os óculos sobre o nariz.

— Sua desenvoltura para palavras afiadas é impressionante, mas eu preferiria que demonstrasse a mesma aptidão para um simples cumprimento formal.

Reprimi um sorriso. Madame Élodie fingia ser dura, mas no fundo se importava comigo. Mesmo quando eu errava, ela nunca levantava a voz — apenas me olhava como se dissesse "você pode fazer melhor".

Além da etiqueta, vieram as lições de história e política do Império. Meu preceptor, Sr. Benoit, um homem de cabelos grisalhos e olhar crítico, fazia questão de relatar cada batalha, cada ascensão e queda de nobres, e as complexas relações entre os ducados. Algumas partes eram fascinantes, cheias de conspirações e reviravoltas. Outras me faziam questionar como as pessoas conseguiam complicar tanto a vida.

— O casamento entre casas é um dos pilares da estabilidade do Império — ele explicou um dia, apontando para um enorme mapa da nobreza. — Aliar-se a uma família poderosa pode garantir segurança e influência.

Essa afirmação fez meu estômago revirar. Não pelo conceito, mas porque eu já sabia o que estava por vir.

O Mercado de Noivas Nobres.

Desde que meu talento mágico foi revelado, rumores começaram a surgir. Famílias de todos os cantos do império enviavam cartas para meu pai, sugerindo noivados vantajosos. Algumas mensagens eram sutis, outras, descaradamente diretas:

"Maryelle e o segundo filho da Casa Vandrel seriam uma combinação magnífica."

"Nosso jovem herdeiro possui talento para fogo. Juntos, poderiam ter descendentes promissores."

Era bizarro. Eu recém havia feito cinco anos e já estavam planejando meu futuro.

Por sorte, meus pais eram sensatos o bastante para descartar todas as propostas. Mas o olhar de minha mãe sempre ficava sombrio ao ler as cartas.

— Eles já tentam decidir seu futuro sem sequer conhecê-la de verdade — ela murmurou certa vez, fechando uma das cartas com um suspiro.

Foi nesse momento que compreendi algo importante: se eu quisesse ter controle sobre meu próprio destino, precisava crescer forte o suficiente para decidir meu caminho.

E, para isso, eu continuaria treinando. Não importava o quão difícil fosse. Se quisessem me forçar a seguir um caminho, então eu encontraria uma maneira de traçar o meu próprio. Eu não seria apenas uma peça no jogo político do império.

Eu seria alguém impossível de ignorar.

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