capítulo 13 - O Inferno de Ser um Bebê

Escuridão.

Calor.

Sono.

Essas foram minhas primeiras sensações ao abrir os olhos para minha nova vida. Ou melhor, ao tentar abrir os olhos, porque tudo era um borrão. Sons abafados vinham de todos os lados. Senti um calor aconchegante, braços me segurando, um cheiro doce e familiar.

— Maryelle... — A voz da minha nova mãe era gentil, suave como um canto de ninar.

Meus olhos ainda eram inúteis, mas eu sabia que estava cercada pela minha nova família. Minha mãe, que parecia um cobertor em forma de gente; meu irmão mais velho, que—espera, eu tenho um irmão mais velho?!

E meu pai.

Ele era um homem de presença intimidadora. Alto, de postura impecável, voz firme e sempre sério.

Ou pelo menos, ele tentava ser sério.

Porque naquele momento, ele estava olhando para mim com olhos brilhantes, segurando minha mãozinha com dedos trêmulos.

— É tão... tão pequena…!

"Que exagero."

— Querido, que exagero! Hahahá - a minha mãe repetiu o mesmo que eu pensei.

— E tão fofinha…!

"Claro que sou fofa, não existe bebê mais fofo que eu."

— E tão… perfeita...!

Então, do nada, ele soluçou.

"QUÊ?"

Minha mãe riu, acariciando o braço dele.

— Querido, você está chorando.

— Não estou. — Ele virou o rosto, fungando.

"MEU PAI É UM BABÃO?!?"

A revelação foi um choque. O homem que parecia ser um bloco de gelo tinha se dissolvido diante de mim em questão de segundos.

Pelo visto, essa família ia ser mais interessante do que eu imaginava.

As informações iam e vinham como flashes, mas antes que eu pudesse refletir sobre o futuro, algo terrível aconteceu.

Meu estômago revirou.

Meu corpo ficou quente.

E então, aconteceu.

Silêncio.

O horror.

O inevitável.

Eu caguei.

"Ah, não. NÃO! NÃO ERA PRA SER ASSIM!"

Senti o calor se espalhar e uma umidade nojenta se instalar. Meu rosto se contorceu. O incômodo era insuportável. Era vergonhoso.

E então, eu fiz a única coisa que um bebê poderia fazer.

Eu chorei.

— Oh, pobrezinha… acho que precisa de uma troca! — Uma voz feminina disse, e eu senti meu corpo ser levantado.

"VOCÊ ACHA?! CLARO QUE PRECISA DE UMA TROCA! ISSO É UM PESADELO!"

Fui levada para um lugar mais quente e deitada com delicadeza.

— Vamos limpar você direitinho, princesinha.

Algo úmido tocou minha pele. Era nojento, frio, humilhante.

"AI, NÃO! SAI! ME SOLTA! EU NÃO PRECISO DISSO! ESSA PARTE DA INFÂNCIA EU TINHA ESQUECIDO COMPLETAMENTE!"

Meu corpo agiu por instinto. Minhas perninhas pequenas chutaram para longe, minha boca soltou um choro de pura indignação.

— Nossa, que energia, hein?

"CLARO QUE EU TENHO ENERGIA! ME RESPEITA!"

Mas ninguém me respeitou. Fui limpa, vestida e deitada de volta nos braços de minha mãe, que ria baixinho.

"Eu sou uma princesa, uma futura exploradora de ruínas, uma futura salvadora do mundo... e acabei de cagar nas calças. Meu Deus."

A humilhação continuou quando, depois de mamar, senti uma bolha de ar subir pelo meu peito e—

BUUUURP.

— Haha, bom trabalho, querida! — Minha mãe disse, batendo de leve nas minhas costas.

"ISSO NÃO É UM BOM TRABALHO, MÃE! NÃO TEM NADA DE ADMIRÁVEL AQUI!"

Mas, de novo, eu não tinha poder de fala.

[ Sobrevivendo ao Inferno ]

13.01

Os dias viraram semanas, e semanas viraram meses. Eu fui me acostumando à vida de bebê.

Ainda odiava chorar por tudo, mas meu corpo me traía constantemente. Não conseguia controlar a fome, o sono, as dores… era um ciclo eterno de necessidades e humilhação.

Mas, entre esses momentos infernais, havia pequenas alegrias.

Meu irmão mais velho, Adrian, era uma dessas alegrias. Ele tinha quatro anos e era barulhento, sempre correndo pelo quarto e contando histórias para mim—mesmo que eu não entendesse muitas palavras do que ele dizia.

— Myelle, ouha! Eu dexenhei um dragão! — Ele me mostrou algo rabiscado num papel.

"Que belo monte de rabiscos. Mas tudo bem, vamos fingir que eu entendi."

Eu tentei sorrir. No lugar disso, minha boca só babou.

— Ah, ela gochou! — Ele riu, me dando um beijinho na testa.

"...Isso foi fofo."

Outra figura constante era minha babá, Madame Elise, uma mulher alta e de cabelos castanhos, sempre com um olhar carinhoso e uma paciência de santa para lidar comigo e com meu irmão.

— Lady Maryelle, que tal um banho?

"NÃO!"

Mas não havia escapatória.

Banhos. Trocas de fraldas. Frustrantes tentativas de comunicação. Ser um bebê era um inferno.

E então, um dia, eu falei.

Ou pelo menos, tentei.

Eu estava sentada no colo da minha mãe, cercada por minha família. Meu pai, que me olhava com curiosidade. Meu irmão estava animado, balançando as perninhas na cadeira.

— O que foi, querida? — Minha mãe perguntou, vendo minha boca se mover.

"Tá na hora. Vou dizer algo importante. Algo que marcará a história dessa família."

Eu respirei fundo.

E então...

— Mamã.

Silêncio.

E então, um caos absoluto.

Minha mãe me abraçou forte, meu pai sorriu contente, e Adrian pulou, batendo palmas.

— Ela falou! Ela falou!

"Isso… foi menos épico do que eu esperava."

[ O Primeiro Passo Para a Liberdade ]

13.02

Com o tempo, comecei a engatinhar.

No momento em que descobri como mover meu corpo sem precisar ser carregada, eu soube que estava na hora de agir.

A Mina Abandonada de D’Velóis.

A relíquia escondida lá poderia ser minha chave para o futuro.

Minha oportunidade de impedir o desastre que eu havia lido.

"Se eu conseguir chegar lá agora, poderei ao menos ver como é!"

Engatinhei pelo corredor, meu pequeno corpo se movendo com toda a determinação de uma heroína épica… até que me deparei com o maior desafio da minha vida.

As escadas.

"Ah. Merda."

Elas eram enormes. Pareciam uma muralha infinita. Minha visão ficou embaçada só de olhar.

Mas antes que eu pudesse decidir se realmente tentaria a escalada suicida, alguém me pegou no colo.

— E o que temos aqui?

Me virei e vi um homem jovem, um dos cavaleiros da casa D’Velóis. Seu olhar divertido me analisava enquanto ele me segurava com segurança.

— Uma pequena aventureira tão cedo? — Ele riu, me balançando levemente. — Você deveria tomar mais cuidado, Lady Maryelle.

"SOLTE-ME! ISSO É UMA QUESTÃO DE VIDA OU MORTE!"

Mas tudo que saiu da minha boca foi um resmungo infantil.

E então, fui levada de volta.

Eu perdi.

Não desta vez.

Meu inimigo sempre foram essas escadas traiçoeiras - fuzilei a escada enquanto Sir kalell me carregava.

Decidi que iria até lá quando completasse oito anos.

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