Capítulo 20

Júlia

dois meses depois...

Segurei o rolo de pintura e observei Anderson abrir a lata de tinta azul-claro. Ele estava sem camisa, com algumas manchas de tinta branca pelo abdômen, o que me fez rir.

— Você leva jeito para essas coisas. — brinquei, passando um pouco de tinta no rosto dele com o dedo.

Ele arqueou a sobrancelha e sorriu de lado.

— Ah, é? — Antes que eu pudesse reagir, ele pegou o pincel pequeno e fez um risco no meu braço. — Agora estamos quites.

Suspirei, fingindo indignação.

— Anderson, se você me sujar, você vai dormir no sofá.

Ele riu, beijando meu nariz antes de voltar a pintar.

O quartinho de Íris e Ravi estava tomando forma. A parede que Anderson pintava era azul, enquanto a minha era um tom suave de lilás. Queríamos algo neutro e acolhedor, e quando vimos essas cores, soubemos que eram perfeitas.

— Você acha que eles vão gostar? — perguntei, me afastando um pouco para observar o resultado.

— Eles vão amar. — Anderson respondeu, limpando um pouco de suor da testa. — Mas, se puxarem você, vão querer dar palpite em tudo.

Revirei os olhos, rindo.

— Se puxarem a você, vão querer fazer tudo sozinhos e achar que sabem tudo da vida.

Ele gargalhou e se aproximou, deslizando os braços ao redor da minha cintura.

— Então estamos ferrados, né? Dois mini Júlia e Anderson correndo pela casa.

— Com certeza. — Apoiei minha testa na dele, sentindo o calor do momento.

Anderson deslizou as mãos até minha barriga e ficou em silêncio por alguns segundos.

— Eles já têm tudo o que precisam. — sussurrou.

— O quê?

Ele olhou nos meus olhos.

— Amor, carinho e pais que os amam mais do que tudo.

Sorri, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.

— Eu te amo, Anderson.

— Eu também te amo, minha princesa.

No final da tarde, terminamos de pintar o quarto. As paredes lilás e azul estavam perfeitas, e agora só faltava montar os móveis. Sentamos no chão, exaustos, observando o resultado do nosso esforço.

— Tá ficando lindo. — suspirei, apoiando a cabeça no ombro de Anderson.

Ele sorriu, passando o braço ao redor da minha cintura.

— Vai ficar ainda melhor quando colocarmos os berços, as prateleiras… E quando Íris e Ravi estiverem aqui.

Meu coração aqueceu com aquela última frase. Ainda parecia um sonho pensar que, depois de tanta luta, nossos bebês estavam crescendo saudáveis dentro de mim.

— Já imaginou eles correndo por aqui daqui a alguns anos? — perguntei, entrelaçando meus dedos nos dele.

— Imagino todos os dias. Ravi vai ser meu parceiro de futebol, e Íris… — Ele sorriu. — Meu Deus, ela vai ser meu ponto fraco.

Ri, balançando a cabeça.

— Você já tá prevendo que ela vai te enrolar direitinho, né?

— Com certeza. Eu já tô vendo ela pedindo um cachorro e eu dizendo que não, mas cinco minutos depois, já tô indo buscar.

— Isso se a Flora ainda não tiver virado o xodó dela.

Ele riu.

— Verdade. Falando nisso, onde tá a nossa filha de quatro patas?

— Na sala, provavelmente dormindo no sofá.

Nos entreolhamos e soltamos um suspiro ao mesmo tempo.

— mimamos tanto essa cachorra. — comentei, rindo.

— Com certeza.

Ficamos em silêncio por um tempo, apenas curtindo aquele momento. Anderson começou a traçar círculos na minha barriga com os dedos, e eu fechei os olhos, aproveitando o carinho.

— Tá cansada? — ele perguntou baixinho.

— Um pouco. Mas tô feliz.

— Eu também.

Suspirei, sentindo um misto de amor e gratidão tomar conta de mim.

— Anderson…

— Hm?

Olhei para ele e sorri.

— Obrigada por nunca ter desistido da gente.

Ele segurou meu rosto entre as mãos e me olhou nos olhos com uma intensidade que me fez arrepiar.

— Nunca foi uma opção. Você e esses bebês são a melhor coisa da minha vida.

E então ele me beijou, com todo o amor do mundo, ali no chão do quarto de Íris e Ravi, enquanto nosso futuro ganhava cor ao nosso redor.

Enquanto ainda estávamos ali, sentados no chão do quartinho, sentindo o cansaço tomar conta do corpo, senti um movimento estranho na minha barriga. Parei de acariciar a pintura na parede e levei a mão ao meu ventre, franzindo a testa.

— O que foi? — Anderson perguntou, percebendo minha reação.

Antes que eu pudesse responder, senti de novo, mas dessa vez foi mais forte.

— Meu Deus… — Arfei, apertando a barriga levemente.

— Júlia? — Ele arregalou os olhos, já em alerta.

Sorri, segurando sua mão rapidamente e colocando sobre minha barriga.

— Eles chutaram.

O olhar de Anderson se transformou em pura emoção. Ele ficou imóvel por alguns segundos, esperando sentir de novo. E então, Ravi e Íris chutaram juntos.

— Caralho… — Ele exclamou baixinho, e eu ri.

— Eles estão dizendo ‘oi, papai’.

Ele piscou algumas vezes, como se estivesse tentando segurar as lágrimas, e então riu, abaixando a cabeça e encostando a testa na minha barriga.

— Ei, pequenos, calma aí com essa empolgação, hein? — murmurou, enquanto acariciava o local onde sentiu o chute. — Eu juro que vou ser o melhor pai que puder pra vocês.

Senti meu peito se encher de amor. As palavras de Anderson, o carinho dele, o jeito como olhava para a minha barriga… Tudo aquilo era tão surreal, tão bonito.

— Eu te amo. — murmurei, mexendo nos cabelos dele.

Ele ergueu o olhar para mim e sorriu.

— Eu amo vocês mais ainda.

E, ali, sentindo nossos bebês chutarem pela primeira vez, percebi que não importava quantos desafios a gente tivesse que enfrentar: éramos uma família, e nada poderia ser mais forte do que isso.

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Comments

Guiomar Morais

Guiomar Morais

verdade família linda ❤️

2025-03-23

1

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