Júlia
dois meses depois...
Segurei o rolo de pintura e observei Anderson abrir a lata de tinta azul-claro. Ele estava sem camisa, com algumas manchas de tinta branca pelo abdômen, o que me fez rir.
— Você leva jeito para essas coisas. — brinquei, passando um pouco de tinta no rosto dele com o dedo.
Ele arqueou a sobrancelha e sorriu de lado.
— Ah, é? — Antes que eu pudesse reagir, ele pegou o pincel pequeno e fez um risco no meu braço. — Agora estamos quites.
Suspirei, fingindo indignação.
— Anderson, se você me sujar, você vai dormir no sofá.
Ele riu, beijando meu nariz antes de voltar a pintar.
O quartinho de Íris e Ravi estava tomando forma. A parede que Anderson pintava era azul, enquanto a minha era um tom suave de lilás. Queríamos algo neutro e acolhedor, e quando vimos essas cores, soubemos que eram perfeitas.
— Você acha que eles vão gostar? — perguntei, me afastando um pouco para observar o resultado.
— Eles vão amar. — Anderson respondeu, limpando um pouco de suor da testa. — Mas, se puxarem você, vão querer dar palpite em tudo.
Revirei os olhos, rindo.
— Se puxarem a você, vão querer fazer tudo sozinhos e achar que sabem tudo da vida.
Ele gargalhou e se aproximou, deslizando os braços ao redor da minha cintura.
— Então estamos ferrados, né? Dois mini Júlia e Anderson correndo pela casa.
— Com certeza. — Apoiei minha testa na dele, sentindo o calor do momento.
Anderson deslizou as mãos até minha barriga e ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eles já têm tudo o que precisam. — sussurrou.
— O quê?
Ele olhou nos meus olhos.
— Amor, carinho e pais que os amam mais do que tudo.
Sorri, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.
— Eu te amo, Anderson.
— Eu também te amo, minha princesa.
No final da tarde, terminamos de pintar o quarto. As paredes lilás e azul estavam perfeitas, e agora só faltava montar os móveis. Sentamos no chão, exaustos, observando o resultado do nosso esforço.
— Tá ficando lindo. — suspirei, apoiando a cabeça no ombro de Anderson.
Ele sorriu, passando o braço ao redor da minha cintura.
— Vai ficar ainda melhor quando colocarmos os berços, as prateleiras… E quando Íris e Ravi estiverem aqui.
Meu coração aqueceu com aquela última frase. Ainda parecia um sonho pensar que, depois de tanta luta, nossos bebês estavam crescendo saudáveis dentro de mim.
— Já imaginou eles correndo por aqui daqui a alguns anos? — perguntei, entrelaçando meus dedos nos dele.
— Imagino todos os dias. Ravi vai ser meu parceiro de futebol, e Íris… — Ele sorriu. — Meu Deus, ela vai ser meu ponto fraco.
Ri, balançando a cabeça.
— Você já tá prevendo que ela vai te enrolar direitinho, né?
— Com certeza. Eu já tô vendo ela pedindo um cachorro e eu dizendo que não, mas cinco minutos depois, já tô indo buscar.
— Isso se a Flora ainda não tiver virado o xodó dela.
Ele riu.
— Verdade. Falando nisso, onde tá a nossa filha de quatro patas?
— Na sala, provavelmente dormindo no sofá.
Nos entreolhamos e soltamos um suspiro ao mesmo tempo.
— mimamos tanto essa cachorra. — comentei, rindo.
— Com certeza.
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas curtindo aquele momento. Anderson começou a traçar círculos na minha barriga com os dedos, e eu fechei os olhos, aproveitando o carinho.
— Tá cansada? — ele perguntou baixinho.
— Um pouco. Mas tô feliz.
— Eu também.
Suspirei, sentindo um misto de amor e gratidão tomar conta de mim.
— Anderson…
— Hm?
Olhei para ele e sorri.
— Obrigada por nunca ter desistido da gente.
Ele segurou meu rosto entre as mãos e me olhou nos olhos com uma intensidade que me fez arrepiar.
— Nunca foi uma opção. Você e esses bebês são a melhor coisa da minha vida.
E então ele me beijou, com todo o amor do mundo, ali no chão do quarto de Íris e Ravi, enquanto nosso futuro ganhava cor ao nosso redor.
Enquanto ainda estávamos ali, sentados no chão do quartinho, sentindo o cansaço tomar conta do corpo, senti um movimento estranho na minha barriga. Parei de acariciar a pintura na parede e levei a mão ao meu ventre, franzindo a testa.
— O que foi? — Anderson perguntou, percebendo minha reação.
Antes que eu pudesse responder, senti de novo, mas dessa vez foi mais forte.
— Meu Deus… — Arfei, apertando a barriga levemente.
— Júlia? — Ele arregalou os olhos, já em alerta.
Sorri, segurando sua mão rapidamente e colocando sobre minha barriga.
— Eles chutaram.
O olhar de Anderson se transformou em pura emoção. Ele ficou imóvel por alguns segundos, esperando sentir de novo. E então, Ravi e Íris chutaram juntos.
— Caralho… — Ele exclamou baixinho, e eu ri.
— Eles estão dizendo ‘oi, papai’.
Ele piscou algumas vezes, como se estivesse tentando segurar as lágrimas, e então riu, abaixando a cabeça e encostando a testa na minha barriga.
— Ei, pequenos, calma aí com essa empolgação, hein? — murmurou, enquanto acariciava o local onde sentiu o chute. — Eu juro que vou ser o melhor pai que puder pra vocês.
Senti meu peito se encher de amor. As palavras de Anderson, o carinho dele, o jeito como olhava para a minha barriga… Tudo aquilo era tão surreal, tão bonito.
— Eu te amo. — murmurei, mexendo nos cabelos dele.
Ele ergueu o olhar para mim e sorriu.
— Eu amo vocês mais ainda.
E, ali, sentindo nossos bebês chutarem pela primeira vez, percebi que não importava quantos desafios a gente tivesse que enfrentar: éramos uma família, e nada poderia ser mais forte do que isso.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Guiomar Morais
verdade família linda ❤️
2025-03-23
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