Anderson:
A noite já tinha caído quando finalmente conseguimos um momento de paz. Depois do churrasco, da bagunça das crianças correndo pela casa, das perguntas incessantes sobre o bebê e das despedidas, Júlia e eu nos jogamos no sofá da sala, exaustos.
Flora estava deitada aos pés do sofá, dormindo profundamente depois de um dia cheio de atenção e carinho da família.
— Escolhe um filme — Júlia murmurou, apoiando a cabeça no meu peito.
— Hm… Comédia romântica ou ação?
Ela levantou o rosto, me olhando com falsa indignação.
— Você ainda pergunta? Comédia romântica, óbvio.
Revirei os olhos, mas sorri e comecei a procurar algo no catálogo de filmes. No fundo, eu não me importava com o que íamos assistir, só queria aproveitar aquele momento com ela.
Enquanto o filme começava, deslizava meus dedos pelos fios macios do cabelo dela. Júlia suspirou satisfeita, se aconchegando ainda mais contra mim.
— Você percebe que agora tudo muda, né? — ela disse baixinho, os olhos ainda fixos na tela.
— Eu sei… e não poderia estar mais feliz.
Ela ergueu os olhos para mim, um brilho especial neles.
— Eu ainda estou tentando absorver tudo isso. Parece um sonho… Depois de tudo que passamos.
Segurei seu rosto entre minhas mãos, encarando-a nos olhos.
— Não é um sonho, meu amor. É real. E eu prometo que vou estar ao seu lado em cada segundo dessa jornada.
Ela sorriu e me beijou suavemente.
— Eu te amo, Anderson.
— Eu te amo mais, mamãe do meu filho.
Ela riu, me dando um tapa de leve no peito antes de se aconchegar novamente.
O filme seguiu, mas para mim, nada mais importava. O maior espetáculo da minha vida estava bem ali, nos meus braços.
...(...)...
A sala do consultório era iluminada e aconchegante, mas eu ainda sentia um nervosismo crescente no peito. Júlia estava deitada na maca, apertando minha mão enquanto a médica espalhava o gel gelado em sua barriga.
— Vamos dar uma olhada no nosso bebezinho — a Dra. Helena disse com um sorriso, movendo o transdutor pelo ventre de Júlia.
O som do coração ecoou na sala, forte e rítmico, fazendo meu peito se encher de emoção. Ver aquele pequeno ser se formando dentro dela era algo surreal.
Mas então, a médica franziu a testa, inclinando ligeiramente a cabeça para o lado enquanto examinava o monitor.
— O que foi, doutora? — Júlia perguntou, apertando minha mão com mais força.
Dra. Helena sorriu, aumentando o volume do aparelho.
— Não se preocupem, é só que… — Ela pausou e virou o monitor um pouco na nossa direção. — Vocês estão ouvindo isso?
Eu franzi a testa e tentei focar no som. Tum-tum. Tum-tum. Um ritmo acelerado e constante. Mas então percebi… havia dois ritmos.
— Espera… — Minha voz saiu mais rouca do que eu esperava. — Isso são… dois corações?
Júlia arregalou os olhos.
— Como é que é?!
A doutora riu baixinho e virou o monitor para mostrar duas pequenas bolinhas piscando no ultrassom.
— Parabéns, mamãe e papai. Vocês estão esperando gêmeos!
O silêncio tomou conta da sala por alguns segundos. Meu coração martelava no peito, e Júlia continuava encarando a tela, boquiaberta.
— Eu… eu… — Ela piscou, as lágrimas enchendo seus olhos. — São dois?!
— Dois bebês saudáveis — a médica confirmou, sorrindo.
Eu senti uma onda de choque e felicidade me atingir ao mesmo tempo. Apertei ainda mais a mão de Júlia, tentando processar.
— Meu Deus… — Ela riu, ainda chocada, e olhou para mim. — Anderson, são dois!
Soltei uma risada incrédula, passando a mão pelos cabelos.
— Eu acho que vou desmaiar.
Dra. Helena riu.
— Isso acontece bastante por aqui.
Eu me inclinei e beijei a testa de Júlia, ainda sentindo um turbilhão de emoções. Nosso sonho já era enorme… e agora, tínhamos dois milagres a caminho.
— São bebês arco-íris, né? — a médica disse com um olhar gentil. — Então o seu primeiro bebê não morreu, Júlia… Ele apenas foi buscar o irmãozinho.
A respiração de Júlia tremeu, e uma lágrima solitária deslizou por sua bochecha. Eu senti meu peito apertar. Sabia o quanto essa jornada tinha sido difícil para ela, o quanto ela chorou em silêncio pelas perdas que sofremos.
Ela levou a outra mão até a barriga ainda discreta, acariciando-a com delicadeza.
— Eles não estão sozinhos… — sua voz saiu embargada, mas carregada de uma emoção bonita e pura.
Eu passei o polegar pela sua mão, oferecendo meu apoio silencioso.
— Nunca estiveram — acrescentei, tentando segurar a emoção.
Dra. Helena sorriu, observando nossa troca.
— Eu sei que a gestação depois de perdas pode ser cheia de medo, mas quero que saibam que vocês estão em boas mãos. Vamos acompanhar cada detalhe, e faremos o possível para que essa seja uma gravidez tranquila.
Júlia assentiu, respirando fundo.
— Obrigada, doutora.
A médica limpou o gel de sua barriga e fez algumas anotações no prontuário antes de nos encarar novamente.
— Vou pedir alguns exames de rotina, mas tudo está correndo bem. Seus bebês estão saudáveis e crescendo direitinho.
Nossos bebês.
Eu nunca pensei que ouvir isso me deixaria tão emocionado. Saímos do consultório de mãos dadas, e no momento em que pisamos no corredor, Júlia parou e me encarou com um sorriso trêmulo.
— Nós vamos ser pais de gêmeos, Anderson.
— Eu sei — soltei um riso abafado. — Ainda não sei como, mas sei que vamos dar conta.
Ela mordeu o lábio e depois soltou uma risada leve.
— Só espero que eles puxem meu gênio.
— Ah, não. — Balancei a cabeça, brincando. — Já pensou dois de você? Eu não sobrevivo.
Ela deu um tapa leve no meu braço, e eu ri, puxando-a para um abraço.
Ali, no meio daquele corredor, abraçados como se o mundo ao redor não existisse, eu soube que nada mais importava.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Josianny Josi
tô aqui chorando de emoção
que lindo
eles merecem uruuu🥳🥳🥳🥳🥳❤️❤️❤️❤️❤️❤️👱♀️👱
2025-02-07
1
Vanessa Costa
eu já estava feliz por eles, agora é em dobro 👏👏👏👏👏😍
2025-02-14
1
Lucineide Tavares
tô chorando aqui é muita emoção eles merecem essa felicidade
2025-02-07
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