Capítulo 14

Júlia:

Depois que uma enfermeira coletou meu sangue e a outra colocou o soro intravenoso, senti meu corpo finalmente relaxar um pouco, embora a dor ainda estivesse presente. Eu odiava hospitais, aquele cheiro de antisséptico, o barulho dos monitores e o som abafado das vozes no corredor me deixavam ainda mais ansiosa.

— Tente respirar fundo, querida — disse a enfermeira ao ajustar a agulha no meu braço.

Assenti, fechando os olhos por um momento. Minha cabeça estava uma bagunça. O que diabos tinha acontecido comigo? Uma dor tão intensa assim do nada…

Um médico entrou no quarto, com uma prancheta na mão e um olhar profissional, mas gentil.

— Júlia Borges? — ele confirmou meu nome e eu assenti. — Já colhemos seu sangue e estamos rodando os exames. Também pedimos uma ultrassonografia para verificar o que pode estar causando essa dor. Você sente náuseas, tontura?

— Um pouco de náusea, mas nada demais.

Ele assentiu, anotando algo.

— Vamos monitorá-la por mais um tempo até termos os resultados. Se sentir piora, nos avise imediatamente.

O médico saiu, e eu soltei um suspiro cansado, fechando os olhos novamente. Meu peito estava pesado, minha mente girando com possibilidades.

Um tempo depois, Anderson entrou pela porta com o semblante carregado de preocupação, os ombros tensos e a testa levemente franzida. Mas assim que nossos olhares se encontraram, vi seu rosto suavizar e um sorriso surgir, mesmo que hesitante.

Ele caminhou até a cama, sentando-se ao meu lado antes de envolver meu rosto entre as mãos com carinho.

— Você me assustou, meu bem — sua voz saiu baixa, mas cheia de alívio.

— Desculpa… — murmurei, sentindo um nó na garganta.

Anderson soltou um suspiro, abraçando-me com cuidado, como se eu fosse de vidro. Sua mão deslizou para minha nuca, e ele depositou um beijo suave na minha testa, deixando os lábios ali por alguns segundos.

— O que os médicos disseram? — ele perguntou, me observando com atenção.

Engoli em seco, desviando o olhar para o soro conectado ao meu braço.

— Ainda estão fazendo exames…

Ele assentiu, mas o aperto sutil em minha mão denunciava sua inquietação.

— Vai ficar tudo bem — ele disse, como se tentasse me convencer, mas também a si mesmo.

Fechei os olhos por um instante, permitindo-me absorver o conforto que sua presença trazia. Eu queria acreditar que tudo ficaria bem… Mas, no fundo, um medo irracional crescia dentro de mim.

...(...)...

Anderson não pôde ficar no quarto por muito tempo e logo saiu, deixando-me descansar. Dormi por horas, até ser despertada pelo toque suave de uma enfermeira ajustando o soro no meu braço. Pisquei algumas vezes para espantar o torpor do sono e, ao focar minha visão, percebi um médico parado à minha frente, segurando uma prancheta.

— Você consumiu bebida alcoólica recentemente, senhorita Júlia? — ele perguntou, mas pelo tom, já sabia a resposta.

— Tomei um pouco de vinho seco… — respondi, franzindo a testa.

Ele deu um leve aceno com a cabeça antes de continuar:

— Ele é o responsável pelas suas dores e náuseas. Sabe por quê?

Neguei com um pequeno movimento de cabeça, sentindo meu coração acelerar.

— Parabéns, você está grávida.

Meu mundo parou. O som ambiente pareceu desaparecer, e tudo ao meu redor ficou em segundo plano. Será que eu tinha escutado direito?

— O senhor está falando sério? — minha voz saiu quase em um sussurro, carregada de incredulidade.

— Seríssimo.

Engoli em seco, sentindo um sorriso se formar em meio às lágrimas que já começavam a escorrer pelo meu rosto. Olhei para a enfermeira ao meu lado, que sorria de volta para mim, compartilhando do meu momento.

Meu coração batia descompassado. Depois de tantas tentativas frustradas, depois de tantas negativas, eu finalmente estava grávida.

Mas então um pensamento me atingiu. Eu não queria que Anderson descobrisse dessa forma. Não ali, naquele hospital que ele detestava tanto quanto eu.

Respirei fundo antes de olhar para o médico.

— Por favor, não conte nada ao meu marido. Deixe que eu mesma faça isso. Apenas diga que foi uma indigestão.

O médico arqueou a sobrancelha, mas assentiu.

— Como preferir, senhora Borges.

— E quando poderei ir para casa?

Ele olhou no relógio e sorriu de leve.

— Daqui a três horas, assim que completarmos a observação.

Assenti, acariciando levemente meu ventre ainda reto. Três horas. E então, eu poderia voltar para casa… e contar ao Anderson que nosso maior sonho estava prestes a se tornar realidade.

.........

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Comments

Josianny Josi

Josianny Josi

🥰🥰🥰🥰q der tudo certo /Pray//Pray//Pray//Pray//Pray/

2025-02-04

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