Capítulo 05

Anderson:

Acordei sentindo Júlia se mexer inquieta nos meus braços. Seu corpo tremia levemente, e sua respiração estava acelerada, entrecortada. Não era a primeira vez. Desde que recebemos o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada, após perdermos nosso bebê, essas noites se tornaram frequentes.

Me sentei na cama e acendi o abajur do quarto. A luz suave iluminou seu rosto pálido e suado, enquanto do lado de fora a chuva caía sem trégua, tamborilando contra as janelas.

— Meu amor… — Chamei baixinho, passando a mão em seu ombro na tentativa de despertá-la.

Ela soltou um fungado, se revirando para o outro lado, mas sua respiração ainda estava errática. Meu peito apertou. Eu sabia o que estava acontecendo.

— Júlia, acorda. — Minha voz saiu mais firme desta vez.

Seus olhos se abriram de repente, arregalados e perdidos. Seu peito subia e descia rapidamente, e sua mão voou até o próprio pescoço, como se estivesse tentando puxar o ar para dentro.

— Eu… eu não consigo respirar… — Ela sussurrou, a voz embargada pelo desespero.

Me inclinei sobre ela, segurando seu rosto com delicadeza.

— Ei, olha pra mim. Você está segura, meu amor. Respira comigo, tá bom? Inspira… — puxei o ar devagar pelo nariz, exagerando o movimento para que ela me seguisse.

Seus olhos brilhavam de medo, mas ela tentou. Tentou me acompanhar.

— Isso, assim mesmo… Agora solta devagar, isso… — Passei a mão por seu cabelo úmido, mantendo minha voz o mais suave possível.

Júlia tremia contra mim, seu corpo tenso, as mãos apertando os lençóis como se tentassem encontrar um ponto de ancoragem.

— amor… eu tô com medo… — Ela sussurrou, sua voz trêmula.

A puxei para meus braços, abraçando-a forte, sentindo suas unhas se cravarem em minhas costas.

— Eu tô aqui. Você não está sozinha, meu amor. Eu tô aqui com você. Sempre.

Ficamos assim por longos minutos, até que sua respiração foi voltando ao normal. O tremor em seu corpo diminuiu aos poucos, e senti seu rosto se afundar no meu peito.

— Me desculpa… — Ela murmurou contra minha pele.

Segurei seu rosto com ambas as mãos, a forçando a me olhar nos olhos.

— Não peça desculpas por algo que você não pode controlar, meu amor. Você é a mulher mais forte que eu conheço, e eu vou estar aqui com você em cada crise, em cada momento difícil. Você não precisa passar por isso sozinha.

Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha, e eu a limpei com o polegar antes de beijar sua testa demoradamente.

— Só segura minha mão. Sempre que precisar.

Ela entrelaçou os dedos nos meus, apertando com força, como se se agarrasse a mim.

E eu? Eu seguraria sua mão para sempre.

— Preciso de um banho tô toda suada. — Júlia murmurou, a voz ainda fraca.

Assenti sem hesitar.

— Eu te ajudo.

Ela não protestou. Apenas segurou minha mão com força enquanto a guiava até o banheiro.

Liguei o chuveiro na temperatura morna e a ajudei a entrar. Seus ombros estavam tensos, os músculos rígidos de exaustão e ansiedade. Peguei o frasco de shampoo e comecei a lavar seus cabelos com movimentos suaves, massageando seu couro cabeludo.

Sem malícia. Sem pressa. Apenas cuidado.

Se fosse outro homem, talvez tivesse deixado que ela tomasse banho sozinha, mas eu não. Cresci em uma família onde aprendi que nossa esposa é a pessoa mais importante das nossas vidas. Que ela deve vir em primeiro lugar, sempre.

E cacete… minha mulher é tudo isso e muito mais.

Júlia fechou os olhos sob meu toque, soltando um suspiro cansado. Peguei o sabonete e deslizei pela sua pele delicadamente, sentindo seu corpo relaxar aos poucos.

— Isso é bom… — ela murmurou, quase num sussurro.

Sorri de leve, passando um último jato d’água para retirar o sabão. Quando terminei, envolvi-a em uma toalha felpuda e segurei seu rosto entre minhas mãos.

— Melhor?

Ela assentiu, apoiando a testa no meu peito.

— Sim, muito melhor.

Beijei o topo de sua cabeça e a abracei com força. Porque se havia algo que eu podia fazer por ela, era isso. Segurar sua mão nos momentos difíceis. Ser o porto seguro que ela precisava.

— Voltaremos amanhã às oito, tudo bem para você? — perguntei, deslizando os dedos suavemente pelo braço dela.

Júlia assentiu com um movimento quase imperceptível, os olhos pesados pelo cansaço.

— Sim… — sua voz saiu num sussurro.

Inclinei-me e pressionei um beijo suave em sua testa, sentindo seu corpo finalmente relaxar contra o meu.

— Agora tente dormir e relaxar, meu bem. Eu tô aqui.

Ela vestiu uma camisa minha e se deitou soltando um suspiro longo e fechou os olhos, encaixando-se mais no meu peito. Permaneci ali, segurando-a com firmeza, ouvindo sua respiração desacelerar aos poucos.

Mesmo depois que ela adormeceu, continuei acordado, acariciando seus cabelos. Porque, no fim das contas, nada no mundo era mais importante do que ela.

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Comments

Vanessa Costa

Vanessa Costa

é muito lindo esse cuidado que ele tem com ela, são lindos demais

2025-02-14

1

Alexsandra 😍

Alexsandra 😍

Que amor lindo desses dois,é uma cumplicidade admirável

2025-02-11

1

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