Anderson
Minha paciência estava no limite. Eu só estava aturando Laiana por respeito a Flávia, Erasmo e Hanna, que estava grávida. Se não fosse por isso, já teria colocado essa mulher no lugar dela há tempos.
— Laiana, e cadê sua mãe? Por que ela não veio? — Letícia perguntou, provavelmente tentando desviar o foco.
— Mamãe estava ocupada com algumas encomendas. — Ela deu de ombros, como se aquilo fosse um detalhe irrelevante. — Tio Erasmo, me passa a pimenta.
— Aqui. — Ele entregou sem nem olhar muito para ela, claramente tão incomodado quanto todos nós.
Enquanto isso, passei o braço por trás da cadeira de Júlia e comecei a acariciar seu ombro, tentando oferecer conforto. Levei um pouco do suco à boca, mas meu olhar continuava atento à minha esposa. Eu sabia que cada palavra daquela cobra estava atingindo Júlia como uma lâmina invisível.
— E você, Hanna? Como está a sua gravidez? — Laiana perguntou, mas o tom de voz entregava sua real intenção. Ela olhou diretamente para Júlia antes de continuar: — Deve ser mágico, né? Sentir o bebê chutando, ouvir o coraçãozinho na ultrassonografia... Eu não quero ter filhos, por mais que eu possa.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
— Cala a boca, Laiana. — Daniel falou ríspido, sua expressão carregada de irritação.
— Sim. Exatamente! Quer ficar aqui, fique calada. — Erasmo completou, a voz firme.
Eu teria rido da situação se não tivesse visto Júlia abaixar a cabeça, o olhar fixo no prato, claramente machucada. Meu coração apertou.
— Preciso ir ao banheiro. — Ela disse de repente, se levantando sem olhar para ninguém.
Observei-a sair e, naquele instante, minha paciência acabou.
Coloquei o copo sobre a mesa e me virei para Laiana, minha expressão dura.
— Você acha que isso é engraçado, Laiana? — Minha voz saiu baixa, mas carregada de frustração e raiva.
Ela fingiu inocência, erguendo as mãos.
— O quê? Eu só estava comentando...
— Você sabe exatamente o que fez. E já passou dos limites.
— Nossa, que exagero...
— Exagero? — Me inclinei ligeiramente para frente, mantendo o tom firme. — A única coisa exagerada aqui é sua necessidade ridícula de se intrometer onde não é chamada.
Ela ficou vermelha, mas não disse nada.
Levantei-me da mesa.
— Com licença. — Saí atrás da minha esposa, porque, naquele momento, minha única prioridade era ela.
Saí da mesa sem olhar para trás. Meu foco era encontrar Júlia.
Fui direto ao banheiro, mas a porta estava entreaberta, vazia. Segui pelo corredor e vi a porta do antigo quarto dela fechada. Respirei fundo antes de entrar.
Júlia estava sentada na beira da cama, as mãos entrelaçadas no colo, olhando para o nada. Quando me viu, tentou forçar um sorriso, mas não chegou aos olhos.
— Amor… — Fechei a porta atrás de mim e me aproximei, ajoelhando-me diante dela. — Você tá bem?
Ela fungou e desviou o olhar.
— Não tô… — sussurrou. — Mas também não quero estragar o almoço de todo mundo.
— O almoço já foi estragado no momento em que aquela idiota abriu a boca. — Segurei suas mãos, acariciando com os polegares. — Você sabe que as palavras dela não significam nada, né?
— Sei… mas isso não impede de doer. — A voz dela embargou. — Eu só queria… só queria que fosse fácil, sabe? Algo tão simples, algo que qualquer mulher consegue fazer… e eu não consigo.
Meu peito apertou ao ouvir aquilo.
— Ei, não fala assim. Você não tem culpa de nada.
Ela mordeu o lábio, segurando o choro.
— Às vezes eu me pergunto se você ainda quer isso. Se você não está cansado de tentar, de me ver falhar toda vez…
— Para, Júlia. — Minha voz saiu firme, mas cheia de carinho. — Eu nunca, em hipótese alguma, vou me cansar de você. A gente tá junto nisso, lembra?
Ela assentiu, mas uma lágrima escorreu por sua bochecha.
— Eu só tenho medo de nunca conseguir te dar um filho…
Engoli em seco. Sabia que nada do que eu dissesse apagaria essa insegurança dela, mas fiz o que podia. Segurei seu rosto entre minhas mãos e depositei um beijo suave em sua testa.
— A gente vai passar por isso juntos, seja qual for o caminho. Não importa como, Júlia, nós vamos formar nossa família. Eu só preciso que você confie em mim.
Ela fechou os olhos e suspirou profundamente.
— Eu confio.
— Então confia em você também.
Ficamos ali por um momento, abraçados, apenas sentindo a presença um do outro. Eu sabia que essa dor não passaria de uma hora para outra, mas o que importava era que ela não enfrentaria isso sozinha.
Não importa o quanto você repita para si mesmo: "vida que segue". Ela vai seguir, mas a dor do sonho não realizado e da torcida contra sempre vai ecoar dentro de um coração ferido.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Vanessa Costa
nunca que receberia uma cobra dessa, por coisas como essas já expulsei minha prima.
2025-02-14
2
Ana Lucia Jambeiro Alves
Aff uma pessoa dessa não entraria na minha casa aí msis pra magoar minha filha
2025-02-10
2