Anderson
Quando Júlia recebeu alta, já passava das cinco da manhã. Eu queria levá-la direto para casa para descansar, mas conhecendo minha esposa, sabia que ela iria preferir um café antes de qualquer coisa.
Nosso destino foi a nossa cafeteria favorita, que ficava a cerca de uma hora do hospital. Durante o trajeto, Júlia ficou em silêncio, apenas observando a paisagem pela janela. De vez em quando, eu lançava um olhar discreto para ela, tentando decifrar o que se passava em sua mente.
Ao chegarmos ao centro da cidade, precisei estacionar o carro a alguns quarteirões da cafeteria, já que não havia estacionamento privado por lá. Caminhamos lado a lado pelas ruas ja movimentada, e o ar fresco da manhã parecia revigorante.
Assim que entramos, o aroma do café recém-passado tomou conta do ambiente, trazendo uma sensação imediata de conforto. Escolhemos nossa mesa de sempre, perto da janela, e fizemos o pedido de costume: café sem açúcar, pães quentinhos e frutas naturais para acompanhar. Nada muito pesado, afinal, o que menos queríamos era correr o risco de Júlia passar mal de novo.
Enquanto esperávamos, segurei sua mão sobre a mesa e apertei de leve.
— Como você está, meu bem? — perguntei, estudando seu rosto.
Ela me encarou por um momento, como se ponderasse a resposta, antes de abrir um pequeno sorriso.
— Melhor. Só um pouco cansada.
Assenti, passando o polegar suavemente pelo dorso de sua mão. Algo na maneira como ela me olhava, no jeito hesitante com que falava, me dizia que havia algo mais. Mas decidi não pressioná-la. Júlia falaria quando estivesse pronta.
E eu estaria ali, como sempre, esperando por ela.
Terminamos nosso café em silêncio confortável, apenas trocando olhares cúmplices entre um gole e outro. Júlia parecia distraída, perdida em pensamentos, mas sempre que eu a observava por muito tempo, ela sorria de leve, como se quisesse me tranquilizar.
Depois de pagar a conta, saímos da cafeteria e voltamos para casa. O céu começava a ganhar tons dourados com o nascer do sol, e a brisa fria da manhã era revigorante.
Assim que entramos, Flora correu até nós, abanando o rabo e pulando em Júlia, como se sentisse que algo estava diferente.
— Ei, garotona, calma. — Júlia riu, abaixando-se para acariciar a cabeça dela. — Vamos dar uma volta?
Flora latiu em resposta, já correndo para a porta. Pegamos a coleira e saímos caminhando pelo condomínio, lado a lado, sem pressa.
A rua estava vazia, apenas algumas poucas luzes acesas nas casas. O silêncio era cortado apenas pelo som dos nossos passos no asfalto e do farfalhar das árvores ao vento. Eu entrelacei meus dedos nos de Júlia, apertando sua mão levemente.
— Está tudo bem? — perguntei, sentindo que havia algo no ar.
Ela parou de andar, respirou fundo e olhou para mim.
— Anderson... — Sua voz saiu quase como um sussurro.
Meu coração acelerou. O jeito como ela me olhava, os olhos brilhando, a hesitação em sua expressão... Eu conhecia minha esposa bem o suficiente para saber que algo grande estava por vir.
— O que foi, meu bem? — perguntei suavemente.
Ela sorriu de um jeito emocionado, abaixou o olhar por um instante e então voltou a me encarar.
— Eu tô grávida.
Eu pisquei, tentando processar aquelas palavras. Meus olhos se arregalaram levemente, minha respiração vacilou.
— Você... você tá falando sério?
Ela assentiu, os olhos marejados.
— Sim.
O choque deu lugar a um sorriso, que cresceu até se tornar a coisa mais genuína que eu já senti na vida. Sem pensar, soltei a coleira de Flora e envolvi Júlia nos braços, girando-a no ar enquanto ela soltava uma risada misturada com um choro emocionado.
— A gente conseguiu... — murmurei contra seu cabelo. — Meu Deus, Júlia...
Quando a coloquei de volta no chão, segurei seu rosto entre minhas mãos, enxugando uma lágrima solitária que escorria por sua bochecha.
— Eu amo você. — sussurrei.
— Eu também te amo.
Nos beijamos ali, no meio da rua, sob o primeiro raio de sol da manhã, com Flora correndo ao nosso redor, como se soubesse que nossa vida tinha acabado de mudar para sempre.
Nosso bebê arco-íris estava a caminho, um milagre depois de tantas tentativas frustradas, de tanta dor e incerteza. Eu não poderia estar mais feliz.
Segurei Júlia com ainda mais força, como se quisesse eternizar aquele momento, como se pudesse protegê-la — protegê-los — de tudo. Meu coração batia forte, um misto de emoção, gratidão e amor transbordando dentro de mim.
Ela riu baixinho contra o meu peito, a respiração trêmula de felicidade.
— Não acredito que finalmente aconteceu… — Sua voz saiu embargada.
Afastei-me apenas o suficiente para olhar em seus olhos brilhantes.
— Aconteceu. E vai ser perfeito, meu amor.
Passei a mão em sua barriga ainda lisa, mas que agora carregava nosso sonho mais bonito. Júlia colocou a mão sobre a minha, entrelaçando nossos dedos.
— Nosso bebê arco-íris… — Ela sussurrou, com um sorriso que misturava alegria e alívio.
Assenti, beijando sua testa com ternura.
— Nosso milagre.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Guiomar Morais
Muito emocionada . Começando hoje dia 22/03 25. E vou concluí hoje mesmo amando abraços Autora Deus abençoe adoro estórias curtas amooooooo
2025-03-23
0
Vanessa Costa
que lindos 🥰😍🥰👏👏👏👏😍
2025-02-14
1
Josianny Josi
torcendo pra que der tudo certo q seja uma gravidez de gêmeos e que seja tranquila 🥰🥰🥰🥰❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏👏👏🙌🙌🙌🙌👏👏👏👏👏
2025-02-05
2