Anderson
Um mês depois.
Bati suavemente na porta antes de entrar na sala da Júlia. Ela estava sentada atrás da mesa, os olhos fixos na tela do notebook, a testa levemente franzida em concentração.
— Posso interromper? — perguntei, encostando-me ao batente da porta.
Ela ergueu o olhar e sorriu de leve, afastando uma mecha de cabelo do rosto.
— Sempre pode.
Caminhei até ela, parando ao lado da mesa e observando a tela por um instante.
— Trabalhando muito, amor?
Ela suspirou, recostando-se na cadeira.
— Bastante. Estamos finalizando o projeto dos Vasconcellos, então estou conferindo alguns detalhes.
— Você é incrível, sabia? — elogiei, inclinando-me para beijar o topo da cabeça dela.
— Eu sei. — Ela riu, mas logo suspirou, me encarando com atenção. — Mas você não veio aqui só para isso, veio?
Passei a mão pela nuca, hesitando por um segundo antes de puxar uma cadeira e sentar ao lado dela.
— Na verdade, não.
Seus olhos se estreitaram levemente.
— O que foi?
Peguei a mão dela entre as minhas, sentindo sua pele quente e familiar.
— Amor, acho que está na hora de tentarmos algo diferente.
Ela ficou em silêncio por um momento, seu olhar analisando o meu como se tentasse prever o que eu diria a seguir.
— Diferente como?
Respirei fundo antes de dizer:
— Um tratamento mais específico. Fertilização in vitro.
O silêncio se instalou na sala, e eu senti o coração acelerar, esperando a reação dela. Eu pensei muito sobre isso nesse último mês. Porra, eu queria muito ser pai. Minha mulher queria muito ser mãe. E se fosse para deixá-la feliz, eu faria qualquer coisa.
Mas assim que as palavras saíram da minha boca, vi o brilho nos olhos da Júlia se apagar. Sua expressão mudou, e um silêncio pesado tomou conta do ambiente. Ela puxou a mão da minha, desviando o olhar.
— Então é isso? — Sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Franzi o cenho, confuso.
— Amor, eu só acho que pode ser uma solução…
— Uma solução? — Ela riu sem humor, balançando a cabeça. — Você tá falando como se eu tivesse um defeito que precisa ser consertado, Anderson. Como se eu não fosse capaz de fazer algo tão natural... tão simples.
Meu peito apertou.
— Não é isso, Júlia. Eu jamais pensaria assim.
— Mas é assim que eu me sinto! — Ela ergueu os olhos para mim, e o brilho das lágrimas começava a se formar. — Eu vejo todas as mulheres ao meu redor engravidando sem esforço, sem precisar passar por exames, médicos, agulhas… e eu... — Sua voz falhou, e ela respirou fundo antes de continuar. — Eu não consigo.
Levantei-me e fui até ela, ajoelhando-me ao seu lado.
— Amor, você não é menos mulher por isso. E eu nunca, nunca, vou te amar menos por isso.
Ela passou as mãos pelo rosto, tentando conter as lágrimas, mas uma escapou. Enxuguei com o polegar.
— Eu só... eu só queria que fosse natural, sabe? Que acontecesse como tem que acontecer.
Beijei suas mãos, sentindo a dor dela como se fosse minha.
— Eu sei, meu bem. Mas o que importa é que a gente consiga realizar esse sonho juntos, independentemente do caminho.
Júlia fechou os olhos por um momento, respirando fundo. Quando voltou a me encarar, ainda havia tristeza ali, mas também amor.
— Eu preciso pensar.
Assenti, respeitando o espaço dela.
— Tudo bem. Eu tô com você, seja qual for a sua decisão.
— Obrigada. Vou visitar meus pais esse final de semana, quer ir comigo?
Eu segurei sua mão, apertando de leve, como se quisesse lhe passar segurança.
— Claro que quero, meu amor.
Ela assentiu, soltando um suspiro.
— Obrigada.
Eu sorri, lhe puxando suavemente para um abraço. Fechei os olhos por um momento, tentando absorver aquele conforto. Júlia sempre foi meu porto seguro.
— Vai ser bom passar um tempo com eles — murmurei contra seu peito.
— Sim. E talvez isso te ajude a clarear a mente um pouco.
Fiquei em silêncio, apenas aproveitando seu calor. No fundo, eu sabia que essa visita também seria uma fuga. Uma pausa para respirar antes de encarar de vez a realidade que tanto nos assustava.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Josianny Josi
Melissa
tô amando essa linda história
mais faça que ela já esteja grávida
p favor bjos
2025-02-04
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