Júlia
Chegamos em casa por volta das dez da manhã. Assim que o portão automático se abriu, Flora começou a se agitar no banco de trás, a cauda abanando freneticamente contra o estofado.
— Calma, menina… já vamos descer. — Murmurei, sorrindo.
Assim que Anderson estacionou o carro, saí rapidamente e abri a porta para ela. Flora disparou pelo quintal, correndo de um lado para o outro antes de ir direto para a piscina.
Desbloqueei a fechadura com minha digital e empurrei a porta, sendo recebida pelo cheiro familiar da nossa casa. O ar aconchegante e acolhedor me envolveu, e soltei um suspiro, sentindo-me, de fato, em casa.
Através das portas de vidro que separavam a cozinha — integrada à sala — da área de lazer, vi Flora saltar para dentro da piscina com um mergulho animado.
— Ela estava mesmo com saudades de casa. — Anderson comentou, deixando as malas perto da escada.
Sorri, cruzando os braços enquanto observava nossa cachorra se divertir.
— Bastante.
Ficar alguns dias fora havia sido bom, uma pausa necessária, mas nada se comparava à sensação de voltar para casa. Mesmo com tudo o que ainda precisávamos resolver, esse lugar sempre seria nosso refúgio.
— Vou dar uma passada na empresa e, mais tarde, vamos sair para almoçar.
— Claro. — Respondi, sem desviar o olhar de Flora brincando na piscina.
Anderson assentiu e subiu as escadas com as malas, enquanto eu me jogava no sofá, sentindo o cansaço da viagem pesar sobre mim. Fechei os olhos por alguns instantes, aproveitando o silêncio confortável da casa.
Alguns minutos depois, um perfume familiar tomou conta do ambiente — amadeirado, intenso e inconfundível. Abri os olhos e encontrei Anderson parado ao meu lado, já vestido para sair. O olhar dele percorria meu rosto com aquela expressão de sempre, metade preocupação, metade adoração.
— Vou tentar não demorar. — Ele disse, abaixando-se para depositar um beijo na minha testa.
— Tudo bem. — Sorri de leve, sentindo o calor do toque dele.
Anderson se afastou, mas antes de sair, lançou um último olhar para mim. Algo no jeito como ele me olhava fazia meu peito apertar — um misto de cuidado e a dor silenciosa que compartilhávamos.
Assim que a porta se fechou, soltei um suspiro longo, afundando ainda mais no sofá. Precisava levantar e ocupar minha mente, mas por um momento, apenas fiquei ali, perdida nos meus próprios pensamentos.
...(...)...
Anderson chegou às seis e meia da noite. Durante o almoço, ele havia mandado uma mensagem explicando que alguns problemas surgiram na empresa e que precisava resolvê-los. Como sempre, se desculpou um milhão de vezes por atrasar nossos planos.
Quando ouvi o barulho da porta se abrindo, olhei por cima do sofá e o vi entrar, afrouxando a gravata e passando a mão pelos cabelos, claramente exausto.
— Oi, meu amor… — Ele disse, vindo até mim com um olhar arrependido.
— Oi… — Murmurei, sentando-me melhor no sofá.
Ele se abaixou, segurando meu rosto entre as mãos e depositando um beijo suave na minha testa.
— Me perdoa por hoje? Eu realmente tentei sair mais cedo, mas não consegui.
Suspirei e dei de ombros.
— Eu já imaginava… acontece.
— Eu juro que compenso. Vamos sair agora, se quiser.
Observei seu rosto cansado e balancei a cabeça.
— Não precisa, Anderson. Você está exausto. Podemos pedir algo e comer aqui mesmo.
Ele soltou um suspiro de alívio e sorriu de leve.
— Você é perfeita, sabia?
Revirei os olhos, mas sorri também.
— Vai tomar um banho, eu escolho o que pedir.
— Fechado.
Anderson me deu um selinho antes de subir as escadas, e eu peguei o celular, pronta para escolher nosso jantar. Talvez a noite ainda pudesse ser boa, mesmo sem o almoço e jantar planejado.
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Atualizado até capítulo 24
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