Capítulo 12

Júlia:

Saí da consulta com Nina, minha psicóloga, sentindo-me mais leve. Minhas sessões com ela sempre tinham esse efeito em mim. De alguma forma, ela conseguia arrancar todas as minhas inseguranças e me devolver respostas como tapas na cara — diretas, firmes e exatamente o que eu precisava ouvir.

Caminhei pelo estacionamento até o meu carro e me acomodei no banco do motorista, soltando um longo suspiro antes de dar partida. Tinha muito no que pensar, mas agora só queria seguir o resto do meu dia sem peso no peito.

Fui direto ao pet shop onde Flora estava sendo cuidada. Assim que entrei, minha bola de pelos veio correndo em minha direção, abanando o rabo e pulando em mim como se não me visse há semanas.

— Ei, meu amor, você está cheirosa! — murmurei, rindo, enquanto fazia carinho em sua cabeça.

Paguei pelos serviços e abri a porta traseira do carro para que ela entrasse. Flora se acomodou como a princesa mimada que era, e eu segui dirigindo para casa. Anderson passaria o dia na empresa, e como eu já tinha finalizado meu último projeto por lá, não havia necessidade de ir também.

Assim que estacionei na garagem, o celular vibrou no painel. Peguei o aparelho e sorri ao ver a mensagem de Mariana.

Mariana: Tô no Uber, chegando aí em cinco minutos. Abre o portão pra mim, madame.

Soltei um riso baixo. Mariana, minha amiga e cunhada, nunca fez questão de aprender a dirigir. E, conhecendo-a bem, eu sabia que ela não tinha a menor intenção de mudar isso.

Respondi rápido:

Eu: Já vou deixar aberto. Entra direto, preguiçosa.

Saí do carro, liberei o portão pelo aplicativo e soltei Flora no quintal. Sabia que Mariana vinha com novidades e, como sempre, eu estava pronta para ouvi-las.

Deixei Flora solta no quintal para gastar um pouco da energia acumulada, e entrei em casa, indo direto para a cozinha. Peguei duas taças e uma garrafa de vinho, porque, conhecendo Mariana, a visita dela vinha acompanhada de fofocas e conselhos questionáveis — e nada melhor do que um bom vinho para acompanhar.

Mal terminei de organizar tudo na mesa da sala quando ouvi o barulho do portão se abrindo e, segundos depois, Mariana entrou como se fosse dona da casa.

— Nossa, que recepção fria! Esperava um tapete vermelho. — Ela revirou os olhos e largou a bolsa no sofá antes de me puxar para um abraço apertado. — Mas eu te perdoo porque vi que você já separou vinho.

— Conhecendo você, era óbvio que ia pedir. — Brinquei, rindo, enquanto servia nossas taças.

Mariana pegou a dela e se jogou no sofá, cruzando as pernas.

— E aí, madame Borges, como anda essa cabecinha depois da consulta com a Nina?

Suspirei e me sentei ao lado dela, girando a taça entre os dedos.

— Melhor, eu acho. Ela me fez refletir sobre algumas coisas… Mas, ao mesmo tempo, parece que quanto mais eu penso, mais confusa eu fico.

— Sobre o quê?

— Sobre tudo, Mari. Sobre a fertilização, sobre a possibilidade de engravidar de novo, sobre meu medo de tudo dar errado…

Ela me olhou com empatia e segurou minha mão.

— Ju, eu sei que o que você passou foi horrível. E sei que esse medo não vai desaparecer do nada. Mas você tem o Anderson, e ele faria qualquer coisa por você. Você mesma já disse isso mil vezes.

— Eu sei. E acho que é exatamente por isso que me sinto tão culpada. Ele quer tanto isso… E eu também quero, mas ao mesmo tempo…

— Você tem medo de se permitir sonhar de novo. — Mariana completou, me encarando.

Assenti, mordendo o lábio inferior.

— Sim.

Ela apertou minha mão e sorriu de lado.

— Você não precisa decidir nada hoje, nem amanhã. Só precisa ser sincera consigo mesma. E enquanto isso… — Ela ergueu a taça. — Vamos focar no presente e aproveitar esse vinho.

Sorri, grata por tê-la por perto, e brindei com ela antes de dar o primeiro gole. Mariana deu um gole generoso no vinho e bateu a mão na minha perna.

— Agora, vamos falar de coisa boa! Quero saber como anda a vida de casada… e não me venha com “tudo normal”, porque eu te conheço!

Revirei os olhos, mas ri.

— Ah, Mari, tá tudo bem. A gente tem trabalhado muito, mas Anderson continua aquele grude de sempre.

Ela arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.

— E na cama?

— Mariana! — Falei, fingindo indignação, mas sentindo o rosto esquentar.

— Ah, por favor! Eu sou sua amiga, irmã dele, e você sabe que não adianta fugir!

Suspirei e bebi mais um gole do vinho antes de responder.

— Tá ótimo, obrigada por perguntar!

— Hmmm… Agora sim estamos entrando nos detalhes interessantes! — Mariana gargalhou e se ajeitou no sofá.

— Você não presta!

— Eu sei! E é por isso que você me ama.

Rimos juntas, e a leveza da conversa fez com que meu peito aliviasse um pouco. Era bom fugir dos problemas e simplesmente aproveitar o momento.

Mariana pegou o celular e me mostrou uma foto.

— Olha esse vestido, achei a sua cara!

Olhei a tela e assenti.

— É lindo! Mas para quê tanta sofisticação?

— Para o jantar que vamos marcar com os maridos! Você e Anderson, eu e o Lucas. Faz tempo que não saímos juntos.

— Verdade… Pode ser uma boa ideia.

— Ótimo! Vou marcar e te aviso.

Continuamos conversando sobre moda, viagens e até fofocas aleatórias, e por algumas horas, esqueci completamente dos meus medos.

.........

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Comments

Cláudia Ferreira da Silva

Cláudia Ferreira da Silva

pensei que ela estava grávida... mas bebendo vinho 🥺

2025-02-05

1

F Valeria Feliciano

F Valeria Feliciano

se ela não fizer o teste, não saberá q esta grávida.. e enchendo a cara de vinho... kkkkkkkkkkk

2025-02-16

1

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