capítulo 20

Cléber: (com um olhar sério) “Eu tenho acesso ao plano completo do roubo na loja de eletrônicos.”

Bagulhinho: (curioso, inclinando-se para frente) “Tá, mas onde eu entro nessa história?”

Cléber: (calmo e direto) “É simples. Assim que o assalto começar, sua única tarefa será chamar a polícia. Mas precisa ser discreto, ninguém pode te ver. Se te pegarem, aí sim teremos um problema.”

Bagulhinho: (confuso) “Espera aí... Você quer que eu chame a polícia pra um assalto que você vai estar participando? Isso faz algum sentido?”

Cléber: (cruzando os braços) “Muito mais do que você imagina. Eu vou estar lá dentro com eles. Quando a polícia chegar, o caos vai se instalar, e eu vou me certificar de me separar do grupo. O objetivo é ficar a sós com o Robson. E aí...” (faz um gesto sutil, imitando uma arma com as mãos) “...ele não sai dali com vida.”

Bagulhinho: (olhando desconfiado) “Você tá falando sério? Um plano desses é praticamente um convite pra dar errado!”

Cléber: (com firmeza) “Olha, eu sei que é arriscado, mas é a melhor oportunidade que temos até agora. O Robson tá ficando cada vez mais esperto e difícil de alcançar. É pegar ou largar.”

Bagulhinho: (ainda relutante) “Esse cara tá atrás de mim desde aquele assalto na Rua 2. Se alguma coisa der errado, eu tô morto!”

Cléber: (com um sorriso frio) “É por isso que temos que ser cuidadosos. Você só precisa fazer a ligação no momento certo e sumir antes que alguém perceba. Eu cuido do resto.”

Bagulhinho: (respirando fundo) “Tá bom, mas se der merda, você sabe que eu vou te cobrar por isso, né?”

Cléber: (confiante) “Não vai dar. Confia em mim.”

Os dois se encaram por alguns instantes. Bagulhinho, ainda desconfiado, finalmente dá um leve aceno de cabeça, concordando. Cléber, satisfeito, abre um sorriso frio e diz:

Cléber: “Então, é isso. Fica pronto. O Natal vai ser o dia em que nos livramos do Robson de uma vez por todas.”

Ketelin, paralisada pela revelação de Djalma, o encara com uma expressão de pura decepção. Ela balança a cabeça em descrença antes de falar, com a voz tremendo de indignação:

Ketelin: “Como você pôde sugerir algo tão ridículo? Desde quando expulsar alguém de casa resolve alguma coisa, Djalma?”

Djalma: (visivelmente arrependido) “Desculpa, Ketelin. Eu não pensei direito quando dei a ideia... E, com certeza, sua mãe também não pensou direito ao expulsar o Caio.”

Ketelin: (cruzando os braços) “Sabe por que vocês não pensaram direito? Porque o preconceito de vocês é tão grande que chega a ser repugnante.”

Djalma: (tentando se aproximar e tocando no braço dela) “Ketelin, por favor...”

Ketelin: (recua, firme) “Não! Esses últimos dias têm sido complicados demais. Eu preciso pensar sobre a gente.”

Djalma: (desesperado) “Eu sei que vacilei com você!”

Ketelin: (interrompendo) “Não foi comigo que você vacilou, Djalma. Foi com o meu irmão. E isso é algo que você não consegue entender. Enquanto essa intolerância continuar sendo maior que o bom senso de vocês, eu acho melhor a gente dar um tempo.”

Nice tenta intervir, colocando a mão no ombro de Djalma:

Nice: “Ketelin, entenda, o Djalma só queria ajudar. Foi eu quem expulsou o Caio de casa. A culpa é toda minha.”

Djalma: (com sinceridade, olhando para Ketelin) “Por favor, Ketelin, me dá mais uma chance. Eu prometo que vou tentar mudar. Talvez não seja imediato, mas eu quero aprender a entender o Caio, os pensamentos dele... Eu só preciso dessa oportunidade.”

Ketelin, dividida entre a razão e a emoção, permanece em silêncio por alguns segundos. O peso do momento reflete em seu rosto. Finalmente, ela suspira profundamente e decide:

Ketelin: “Eu vou te dar mais uma chance, Djalma. Mas é bom que você não estrague isso.”

Djalma: (agradecido) “Obrigado, Ketelin, eu não vou te decepcionar.”

Ketelin então se vira para Nice, agora com os olhos cheios de determinação:

Ketelin: “E quanto à senhora, trate de trazer o Caio de volta. Ele não merecia isso.”

Nice, mesmo satisfeita com a reconciliação do casal, mantém-se firme:

Nice: “Ketelin, a casa é minha. Eu entendo sua perspectiva, mas eu não sou obrigada a aceitar o que vai contra minha fé. O Caio só volta para casa quando abandonar essa ideia absurda de ser ateu.”

Ketelin: (gritando, indignada) “Se o Caio não voltar, eu faço questão de sair desta casa também!”

Sem esperar resposta, Ketelin vai para o quarto e começa a arrumar suas coisas. Djalma e Nice trocam um olhar tenso. Djalma, agora visivelmente desconfortável com a situação, se volta para Nice:

Djalma: “Eu não posso mais te apoiar nisso, dona Nice. Mas espero, de verdade, que o seu plano funcione.”

Nice, determinada, responde com um tom frio:

Nice: “Vai dar certo. O Caio vai voltar para casa... e como um homem de fé.”

Djalma, sem saber como reagir, suspira profundamente enquanto observa Ketelin sair com uma mala em mãos. Ambos vão até a casa de Djalma Nice fica pensativa sobre a situação

Caio está sentado no quarto de Sony, balançando os pés na beira da cama, visivelmente entediado. O silêncio do ambiente só é quebrado quando Sony entra apressada, fechando a porta atrás de si com cuidado para que ninguém veja Caio. Ela se encosta na porta e o observa com um leve sorriso.

Sonya: “E aí, gostou do café?”

Caio: (agradecido, mas ainda pensativo) “Estava ótimo, de verdade. Obrigado por isso.”

Caio olha ao redor, ainda receoso, antes de perguntar:

Caio: “Escuta, os seus pais não vão desconfiar desse quarto estar sempre trancado ultimamente?”

Sonya solta uma risadinha despreocupada, jogando-se numa cadeira próxima.

Sonya: “Pior que não. Eu sempre deixei meu quarto trancado. Eles já se acostumaram.”

Caio: (relaxando um pouco) “Entendi... Bem, isso facilita.”

Ele tenta mudar de assunto, mas algo parece incomodá-lo.

Caio: “Sabe... Eu ainda tô pensando naquela história de você ter feito medicina. Não esperava por essa.”

Sonya se aproxima dele com um olhar brincalhão, cruzando os braços.

Sony: “Ah, então te surpreendi, né? Você acha que só você tem segredos por aqui?”

Caio dá uma leve risada, sentindo-se mais à vontade.

Caio: “Pois é, você conseguiu me pegar de surpresa.”

Ele a observa por um instante antes de acrescentar:

Caio: “Mas, falando sério... Você precisa encontrar um jeito de terminar sua faculdade.”

Sonya sorri, claramente tocada pela preocupação dele, mas logo deixa transparecer uma pontada de tristeza.

Sony: “Eu sei disso, Caio. Mas, com as mensalidades tão caras, fica quase impossível agora. Antes da falência, era fácil... Agora, nem sei por onde começar.”

Caio: (determinado) “Deixa comigo. Eu vou pensar em um jeito de te ajudar.”

Sonya ri levemente, com um tom cético, mas agradecida pela intenção.

Sony: “Bom, só se for um milagre, né?”

Caio: (mudando de assunto) “Falando em milagres, eu preciso sair daqui. Já deu minha hora.”

Sonya franze a testa, preocupada, e se aproxima dele.

Sony: “Aconteceu alguma coisa?”

Caio: (tranquilo) “Não, relaxa. É só que eu tenho que ajudar o Renato a terminar nosso projeto. Ultimamente, ele tá carregando boa parte do trabalho sozinho.”

Sonya dá um leve sorriso, curiosa.

Sonya: “Projeto? Hm, isso tá ficando interessante. Depois você vai ter que me contar tudo.”

Caio ri, já se preparando para sair.

Caio: “Pode deixar. Na volta eu te conto.”

Sonya faz um sinal de que vai para a entrada da casa, mas antes de sair, se vira para ele com um tom brincalhão:

Sonya: “Ah, e toma cuidado. Eu não quero ter que inventar uma história pra justificar um garoto saindo pela janela.”

Caio ri novamente, mas agora mais baixo.

Caio: “Pode deixar, vou ser discreto.”

Sonya vai até a entrada da casa e, certificando-se de que o caminho está livre, solta um assobio baixo para sinalizar que ele pode descer. Caio então começa a descer cuidadosamente pela parede do segundo andar, usando os mesmos buracos que havia usado para entrar. Ele pisa no chão com cuidado e corre rapidamente para a saída. Sony, vendo que tudo deu certo, aproveita o momento para pegar a mala de Caio, que estava escondida, e leva para o seu quarto com um sorriso no rosto.

Caio caminha pela rua com passos firmes, sentindo-se um pouco mais tranquilo por ter saído da casa de Sony sem ser visto. Ele olha ao redor, observando o movimento, quando avista Ketelin e Djalma vindo em sua direção. A mala de roupas que Ketelin carrega chama sua atenção. Ele para e a encara com um misto de curiosidade e preocupação.

Caio: (franzindo a testa) “O que aconteceu, Ketelin? Por que você tá com essa mala?”

Ketelin solta a mala no chão e corre para abraçar Caio com força, suas emoções à flor da pele.

Ketelin: “Ah, Caio... A mãe tá completamente perdida! O que ela fez com você é um absurdo!”

Caio retribui o abraço, tentando acalmá-la.

Caio: “Calma, Ketelin. Eu tô bem, de verdade. Você não precisa se preocupar comigo. Mas... me diz uma coisa.”

Ele olha para a mala dela e arqueia uma sobrancelha, com um tom leve de humor para aliviar o clima.

Caio: “Ela também te expulsou de casa?”

Ketelin se afasta um pouco e suspira, balançando a cabeça.

Ketelin: “Pior que não... Eu saí por vontade própria. Vou ficar na casa do Djalma por uns tempos. Não consigo mais viver sob o mesmo teto que ela depois do que aconteceu.”

Djalma, que havia permanecido em silêncio até então, dá um passo à frente, aproveitando o momento para se dirigir a Caio.

Djalma: “Olha, Caio... Eu queria aproveitar pra te pedir desculpas. Eu sei que errei muito contigo. Meu preconceito foi inaceitável, e eu não deveria ter demitido você daquela maneira.”

Caio o encara por alguns instantes, avaliando suas palavras. Ele cruza os braços, sem esconder a mágoa.

Caio: “Djalma, ‘desculpar’ é uma palavra bem forte... Mas eu prometo que vou pensar nisso.”

Djalma acena, compreendendo a resistência de Caio. Ele força um pequeno sorriso e tenta suavizar o clima.

Djalma: “Tudo bem. Se quiser visitar sua irmã ou até conversar comigo, as portas da minha casa estão abertas.”

Caio esboça um sorriso de canto, meio irônico, mas mantém a cordialidade.

Caio: “Pode deixar. Quem sabe um dia. Agora eu preciso ir, o Renato tá me esperando. Boa sorte pra vocês.”

Ketelin acena com a cabeça, tentando esconder a tristeza.

Ketelin: “Se cuida, tá?”

Caio dá uma última olhada para os dois antes de se virar e seguir seu caminho. Djalma observa o jovem se afastar e suspira, olhando para Ketelin com um ar derrotado.

Djalma: “Bom, eu tentei...”

Ketelin coloca uma mão no ombro dele, mais compreensiva do que antes.

Ketelin: “Era de se esperar. O Caio não ia perdoar você assim, de uma hora pra outra.”

Djalma concorda com um aceno silencioso, enquanto ambos pegam as malas e seguem para a casa dele.

Caio chega à casa de Renato com passos decididos, aliviado por finalmente estar ali para trabalhar no projeto. Ao se aproximar da porta, ele vê Bianca saindo, com sua habitual energia descontraída.

Bianca: (brincalhona) “E aí, Caio? Veio salvar o dia no projeto?”

Caio: (sorrindo, animado) “Exatamente! Renato tá aí?”

Bianca: “Tá lá em cima, quebrando a cabeça no computador. Bom, vou aproveitar que você chegou pra ir lá conversar com a Sonya.”

Caio e Bianca se despedem rapidamente. Ele entra na casa, subindo as escadas até o quarto de Renato. Lá, encontra o amigo sentado em frente ao computador, imerso no trabalho. A mesa está cheia de papéis rabiscados e anotações espalhadas. Renato, ao ouvir os passos, vira-se na cadeira com um sorriso cansado.

Caio: (se aproximando) “E aí, parceiro? Como estão as coisas? Quais são as novidades?”

Renato: (empolgado, apontando para a tela) “Ah, andei trabalhando bastante. Melhorei o mapa do jogo, fiz uns ajustes nos gráficos, e também mexi no movimento do personagem. Agora tá bem mais fluido.”

Caio observa a tela, impressionado com o progresso. Ele cruza os braços e solta um assobio de aprovação.

Caio: “Caramba, tá ficando incrível! Dá pra ver que você tá se dedicando de verdade.”

Renato: (sorrindo, meio exausto) “É... Mas não dá pra relaxar. Ainda tem muito trabalho pela frente. O próximo passo é ajustar as interações do personagem com o cenário.”

Caio: (determinadamente) “Beleza. Vamos dividir as tarefas. Você me explica o que precisa, e eu pego o que for mais urgente.”

Renato: (grato) “Fechado. Só te aviso que vai exigir paciência... Mas a gente vai chegar lá.”

Os dois trocam um olhar de cumplicidade e voltam ao trabalho, mergulhando novamente no mundo do projeto. A paixão e o esforço compartilhado criam um clima de entusiasmo, enquanto o sonho de lançar o jogo começa a parecer cada vez mais real.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!