Ketelin ficou imóvel, chocada com as palavras de Wallaf. Ele, com os olhos vermelhos de raiva, avançou um passo, exigindo:
Fala logo! Você me trocou pelo Djalma, não foi?
A voz dele ecoou pelo beco. Ketelin tentou se afastar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Wallaf a acertou com um tapa no rosto. O som seco reverberou no silêncio da noite, e Ketelin começou a chorar, o rosto ardendo mais pela humilhação do que pela dor.
Enquanto isso, no início da rua, Djalma caminhava tranquilamente, aproveitando o ar fresco. Ele parou de repente, franzindo a testa ao ouvir gritos distantes. Algo estava errado. Ele seguiu o som, seus passos rápidos, até perceber que vinha de um beco.
Dentro do beco, Wallaf segurava Ketelin pelo braço com brutalidade, arrastando-a em direção à saída.
Você vem comigo! ordenou ele, apertando ainda mais seu braço.
Ketelin lutava para se soltar, o coração disparado.
Me solta! Socorro! desesperada. gritou ela,
Cala a boca! pior pra você! rugiu Wallaf. Vai ser
De repente, um barulho atrás deles chamou a atenção de Wallaf. Ele parou e virou-se para ver o que era, apenas para ser recebido por um soco violento no rosto. O impacto o jogou no chão. Ketelin ofegou ao ver Djalma parado ali, os punhos cerrados.
Tá tudo bem?
perguntou ele, a voz carregada de preocupação.
Ketelin, ainda assustada, conseguiu apenas acenar com a cabeça.
Wallaf, atordoado, tentou se levantar, mas a raiva o consumia. Ele avançou contra Djalma, e os dois começaram uma briga feroz. Wallaf conseguiu acertar um soco em Djalma, que cambaleou, mas se recuperou rapidamente e revidou.
Você se acha macho, né? - disparou Djalma, empurrando Wallaf para o chão novamente.
Caído e ofegante, Wallaf riu amargamente. Vocês dois se merecem cuspiu ele.
Djalma, confuso, olhou para Ketelin. Wallaf aproveitou o momento para continuar, o tom carregado de sarcasmo: Ah, você não sabia? Ela tá apaixonada por você. Foi por isso que o nosso casamento acabou.
Ketelin baixou o olhar, envergonhada. Djalma ficou estático por um momento, tentando processar as palavras.
De repente, Wallaf tentou atacá-lo novamente, mas Djalma estava preparado. Com um golpe rápido, derrubou Wallaf de vez, deixando-o inconsciente no chão. Ele se virou para Ketelin, ainda ofegante. Vamos sair daqui disse ele, segurando o braço dela com firmeza, mas gentilmente.
Os dois deixaram o beco apressados, com o som de seus passos desaparecendo na distância. Atrás deles, Wallaf permaneceu desacordado, envolto pela escuridão do beco.
Depois de correrem por alguns minutos, Djalma e Ketelin param para descansar, ambos ofegantes. Encostados em um muro, o silêncio inicial é quebrado por Djalma, que ainda tenta recuperar o fôlego:
— Que loucura foi essa? — Ele pergunta, com a expressão carregada de preocupação.
Ketelin, ainda nervosa e com o rosto marcado, desvia o olhar e responde, tentando aliviar a tensão:
— Pois é... E pensar que eu quase me casei com esse louco.
Djalma a observa por alguns instantes, claramente incomodado com a situação. Ele toma coragem e diz, sério:
— Ketelin, você precisa denunciar ele. O que o Wallaf fez foi muito grave.
Ketelin respira fundo, ponderando.
— Eu sei... Você tem razão. Eu prometo que vou fazer isso. Pode ficar tranquilo.
Djalma se aproxima um pouco mais, percebendo o rosto dela ainda vermelho pelo tapa de Wallaf. Ele levanta a mão de forma hesitante e, com delicadeza, acaricia o rosto dela.
— Precisamos cuidar disso. Tá bem vermelho.
Ketelin sente o toque e, por um momento, desvia os olhos. A situação entre eles está carregada de sentimentos confusos.
— Eu não quero ir pra casa agora — diz ela, baixando o tom de voz. — Minha família vai ficar preocupada.
Djalma, um pouco nervoso com a ideia que surge em sua mente, sugere:
— Vamos para minha casa, então. Lá eu consigo amenizar esse machucado e você pode descansar um pouco.
Ketelin hesita. Olha para ele, buscando alguma segurança. Depois de alguns segundos, assente com um leve aceno.
— Tá bom...
Sem dizer mais nada, os dois começam a caminhar juntos, o silêncio preenchido pelo eco das batidas aceleradas de seus corações e pelo peso do que acabara de acontecer.
Enquanto isso, na Rua 2, o grupo continua conversando animadamente, até que Jefferson, com um toque de curiosidade e sem rodeios, pergunta:
— É verdade que sua família está falida, Sonya?
O desconforto de Sonya é visível, mas antes que ela possa responder, Caio intervém:
— Acho que não é o momento certo pra falar disso, né, galera?
Isabela, com seu tom provocador, aproveita a oportunidade:
— Ah, mas uma hora a gente vai ter que conversar sobre isso, por que não agora?
Júnior concorda, cruzando os braços:
— É, também acho. É uma curiosidade geral, e seria bom conhecer ela melhor.
Sonya respira fundo, tentando manter a compostura, mas acaba soltando com sarcasmo:
— É verdade, sim. Minha família está falida. Afinal, que outro motivo eu teria pra estar nesse lugar ridículo?
Isabela, ofendida, rebate na hora:
— Ridículo? Então você se acha melhor que todo mundo aqui, é isso?
Júnior, alimentando a tensão, complementa:
— Desde que ela chegou aqui, dá pra perceber que é assim.
Jefferson tenta apaziguar:
— Calma aí, galera. A gente tocou num ponto delicado pra ela, pega leve.
Caio, em tom firme, reforça:
— Exato. Se fosse vocês no lugar da Sonya, também ficariam na defensiva.
Júnior, percebendo a situação, coça a cabeça e pede desculpas:
— É, foi mal. Não devia ter insistido.
Já Isabela, mantendo o orgulho, ergue as sobrancelhas e retruca:
— Pode até ser, mas seria bom ela começar a abaixar a bola.
Sonya olha diretamente para Isabela, com um ar de deboche:
— Pode deixar, "querida".
Bianca, sentindo o clima pesar ainda mais, intervém com um sorriso forçado:
— Gente, vamos mudar de assunto? Esse papo já tá passado.
Júnior e Jefferson se levantam quase ao mesmo tempo.
— Nem vai dar, Bianca — diz Júnior. — A gente combinou de ir pra casa do Vitor agora.
Jefferson concorda, acenando:
— Isso, bora lá.
Ambos seguem em direção à casa de Vitor. Isabela, sem dizer uma palavra, se levanta e vai embora com passos firmes.
O restante do grupo — Sonya, Bianca, Renato e Caio — se entreolha e solta uma leve risada da situação. O clima relaxa um pouco, mas a tensão ainda paira no ar.
Corta para Isabela entrando em sua casa. Ela fecha a porta com um pouco mais de força do que o normal, deixando claro o impacto da discussão anterior. Subindo as escadas rapidamente, vai direto para o quarto, onde se joga na cama com um suspiro exasperado.
Deitada de barriga para cima, Isabela encara o teto enquanto pensamentos turbulentos passam por sua mente. "Essa Sonya... Tão prepotente. Ela acha que é melhor que todo mundo." Isabela vira o rosto para o lado, amassando o travesseiro com os dedos.
— Com toda certeza, a família dela merece passar por tudo isso — murmura para si mesma, ressentida. — Espero que ela fique na merda para sempre.
Ela se revira na cama, tentando afastar a irritação, mas um pensamento inesperado toma conta de sua mente. Sem perceber, começa a imaginar Djalma parado em seu quarto, encostado na parede, com aquele olhar sério que tanto a intriga.
Na fantasia, Djalma se aproxima lentamente, seus passos ecoando de forma quase hipnótica. Ele se inclina sobre a cama, seus olhos fixos nos dela, e a beija com intensidade.
Isabela fecha os olhos por um instante, entregando-se à fantasia, mas logo os abre novamente, despertando para a realidade. O calor em seu rosto revela o quanto a imaginação a afetou. Com um sorriso ligeiramente perverso, ela sussurra para si mesma:
— Ah, Djalma... Muito em breve, você será meu.
A determinação em sua voz contrasta com o leve rubor em suas bochechas. Ela se deita de lado, abraçando o travesseiro, agora com a mente focada em um novo objetivo.
Corta para a casa de Djalma. Ketelin está sentada no sofá da sala, visivelmente abatida. Djalma entra com uma caixa de primeiros socorros nas mãos, sua expressão é de preocupação e cuidado. Ele se aproxima lentamente e, com um pano molhado, começa a limpar delicadamente o rosto de Ketelin.
Ela desvia o olhar, mas suas bochechas ficam levemente coradas. Djalma percebe e pergunta, com um tom de preocupação genuína:
— Tá machucado? Tá doendo?
Ketelin solta um leve sorriso, balança a cabeça negativamente e responde:
— Não, tá tudo bem.
Djalma continua passando o pano em silêncio, seus olhos fixos no rosto dela, até que sua curiosidade toma conta. Ele hesita por um instante, mas finalmente pergunta:
— Escuta... Aquilo que o Wallaf disse no beco... É verdade?
Ketelin, já entendendo a que ele se refere, tenta disfarçar, fingindo confusão:
— Como assim? Do que você tá falando?
Djalma, direto, insiste:
— Sobre eu ser o motivo de você ter cancelado o casamento.
Ketelin desvia o olhar, claramente desconfortável. Ela respira fundo, pensa por alguns segundos e, com coragem, confessa:
— Sim... É verdade.
Djalma não esconde o leve sorriso que surge em seu rosto, surpreso e um pouco confuso. Ketelin, sentindo que precisa explicar, completa:
— Eu sou apaixonada por você. Faz tempo que eu queria te contar, mas nunca tive coragem... Uma pena você ter descoberto desse jeito.
Djalma encara os olhos dela por um momento, sua respiração levemente acelerada. Ele então olha para os lábios de Ketelin, como se estivesse tomado por um impulso incontrolável.
Antes que ela termine de falar, Djalma se inclina e a beija, um gesto cheio de paixão e intensidade. Ketelin, surpresa no início, logo retribui o beijo com a mesma entrega.
Caio, Renato, Sonya e Bianca estão sentados na calçada. O clima entre Renato e Bianca começa a ganhar um toque de romance, enquanto Caio percebe uma expressão de preocupação no rosto de Sonya. Ele a encara por alguns instantes antes de perguntar:
— E aí... quer dar uma volta?
Sonya olha para ele, surpresa, mas aceita o convite com um leve sorriso:
— Tá, vamos.
Os dois se levantam e começam a caminhar pela rua, deixando Renato e Bianca na calçada, onde o clima de intimidade continua crescendo. Após alguns metros, Sonya quebra o silêncio:
— Tá... e aí? Você queria me dizer alguma coisa?
Caio dá de ombros, um sorriso de canto no rosto:
— Não exatamente. Mas parece que você sim.
Sonya para por um momento, olhando para ele confusa.
— Você tá meio doido hoje, né?
Caio solta uma risada leve e explica:
— É que eu percebi que você tava com alguma coisa na cabeça, parecia preocupada. Só não sei o que é.
Sonya brinca, tentando disfarçar o desconforto:
— Então quer dizer que o psicólogo Caio vai atacar de novo?
Ele acena levemente com a cabeça, rindo.
— Pode apostar que sim.
Sonya suspira fundo, olhando para o chão por um instante, antes de finalmente falar:
— Tá, eu vou contar. Hoje eu escutei uma conversa meio estranha do meu pai... até perguntei o que era, mas ele disfarçou.
Caio fica pensativo, franzindo a testa.
— E você tem alguma ideia do que pode ser?
Sonya balança a cabeça, frustrada.
— Esse é o problema. Pode ser algo simples... mas também pode ser algo muito sério. Eu não sei.
Caio responde com um tom firme, tentando tranquilizá-la:
— Entendi. Olha, se você quiser, eu te ajudo a desvendar isso.
Sonya não consegue conter uma risada leve.
— É impressionante como você consegue deixar tudo mais leve.
Caio faz uma cara de convencido, colocando as mãos nos bolsos.
— Bom, esse é meu dom.
Sonya pega o celular do bolso, abre um sorriso e diz:
— Então anota meu número, assim a gente pode conversar mais sobre isso.
Caio pega o número, tentando não demonstrar o quanto está feliz com a oportunidade.
— Beleza. Mas agora é melhor a gente voltar, antes que o Renato e a Bianca resolvam nos abandonar por aqui.
Os dois riem juntos, voltando para onde o grupo estava, enquanto uma leve cumplicidade começa a surgir entre eles.
Júnior, Jefferson e Vitor estão no quarto de Vitor jogando videogame. Enquanto a partida esquenta, Jefferson de repente comenta:
— Mano, você viu a treta da Isabela com a Sonya hoje?
Júnior dá uma risada enquanto Vitor pausa o jogo, intrigado:
— Que treta?
Jefferson balança a cabeça em descrença.
— Tá vendo? Você precisa aparecer mais na rua, cara. Tá perdendo muita coisa boa.
Vitor se inclina para frente, curioso:
— Tipo o quê?
Jefferson abre um sorriso safado e responde:
— Tipo a Sonya. Que mina gata, na moral.
Júnior concorda, rindo:
— Pior que é verdade. Ela é muito bonita.
Vitor, ainda mais curioso, pergunta:
— Ah, é? E vocês acham que têm chance com ela?
Júnior hesita, mas responde:
— Difícil dizer, ela tem um ar meio fechado.
Jefferson, por outro lado, se ajeita no sofá com ar convencido:
— Claro que eu tenho chance. Só preciso de tempo pra jogar meu charme.
Júnior ri alto e retruca:
— Ah, então você acha que vai pegar a Sonya?
Jefferson o encara, cheio de confiança.
— Com certeza. É questão de estratégia, meu parceiro.
Júnior, cutucado pela provocação, decide entrar no jogo:
— Beleza, então. Se você acha que consegue, eu também consigo.
Os dois começam a discutir quem tem mais chances, cada um exaltando suas qualidades. A conversa vai esquentando até que Vitor se levanta e grita:
— Silêncio, seus malucos!
Os dois param e olham para ele. Vitor abre um sorriso de quem acabou de ter uma ideia brilhante.
— Tenho uma proposta pra vocês.
Jefferson cruza os braços, interessado.
— Manda aí.
Vitor continua, com um tom desafiador:
— Vamos fazer uma aposta. Quem conseguir ficar com a Sonya primeiro ganha... 200 reais.
Júnior e Jefferson trocam olhares, pensativos. Após alguns segundos, ambos sorriem e acenam positivamente.
Assim, a rivalidade entre eles toma forma, enquanto Vitor apenas observa, divertido com a situação que acabou de criar.
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Atualizado até capítulo 36
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