capítulo 18

Caio ficou imóvel, olhando para a mala que sua mãe havia preparado. Ele parecia incrédulo, como se esperasse que ela fosse dizer que era tudo um mal-entendido. Finalmente, sua voz saiu carregada de decepção:

— O que é isso, mãe?

Nice, com os olhos marejados, respondeu tentando manter a firmeza:

— Isso são suas coisas. Enquanto você não mudar de ideia sobre essa bobagem de ateísmo, você não mora mais aqui.

Caio deu uma risada curta, amarga, e perguntou:

— Quem deu essa ideia estúpida pra senhora?

Nice tentou disfarçar, mas sua expressão a denunciava. Ela respondeu, desviando o olhar:

— Ninguém. Eu... Eu pensei nisso sozinha.

Caio, visivelmente frustrado, passou a mão no cabelo e perguntou com calma, mas cheio de mágoa:

— Mãe, por que está fazendo isso?

Nice se aproximou, quase implorando:

— Por favor, meu filho, pelo bem da nossa família... esqueça esse negócio de ateísmo. Isso só vai trazer desgraça pra gente.

Ele a olhou profundamente, a dor clara em seus olhos.

— Não é assim que as coisas funcionam, mãe. Eu realmente espero que, um dia, a senhora entenda.

Sem esperar por mais discussões, Caio pegou a mala e saiu pela porta. Nice ficou paralisada por alguns segundos, mas assim que ouviu a porta se fechar, caiu no chão, com lágrimas descendo pelo rosto.

Entre soluços, ela murmurava para si mesma:

— Espero que o plano do Djalma dê certo... Caio vai perceber que longe da família a vida é difícil... Vai dar tudo certo.

Mas sua voz estava fraca, como se ela tentasse convencer a si mesma de algo que sabia ser duvidoso.

Caio, já na rua, com a mala em uma das mãos, pegou o celular e discou o número de Renato, mas a chamada foi direto para a caixa postal. Sem alternativa, ele suspirou fundo e ligou para Sonya.

Do outro lado, Sonya atendeu quase imediatamente, sua voz carregada de curiosidade:

— E aí? Você não é de ligar. Aconteceu alguma coisa?

Caio hesitou por um momento, mas então respondeu com a voz embargada:

— Minha mãe... Ela me expulsou de casa.

Sonya ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo o que havia acabado de ouvir. Então, num tom revoltado, ela disse:

— O quê? Que palhaçada é essa? Isso é inadmissível!

Bianca, que estava deitada ao lado dela, se levantou assustada.

— O que aconteceu?

Sonya fez um gesto para Bianca, sinalizando que depois explicaria, e voltou a falar com Caio:

— Onde você está agora?

— Na frente da minha casa — respondeu Caio, tentando manter a compostura.

Sonya pensou rápido e, sem hesitar, sugeriu:

— Vem pra minha casa. Eu não vou deixar você sozinho nessa.

Caio ficou surpreso.

— Mas sua mãe acabou de proibir nossa amizade. Você acha que ela vai aceitar algo assim?

Sonya, determinada, respondeu:

— Minha mãe não precisa saber. Você vai entrar pela janela do meu quarto, e ninguém vai perceber.

Caio soltou uma risada nervosa.

— Isso parece arriscado demais, Sonya.

— E daí? — rebateu ela, com firmeza. — Você acha que vou te deixar sozinho depois do que aconteceu? De jeito nenhum.

Caio respirou fundo, grato pela solidariedade dela.

— Tá bom... Eu tô indo.

Sonya sorriu, mesmo que ele não pudesse ver.

— Estarei esperando.

Ela desligou, se levantou rapidamente, e começou a organizar o quarto para que ele pudesse ficar confortável. Bianca, ainda confusa, perguntou:

— Você tem certeza que isso é uma boa ideia?

Sonya respondeu com convicção:

— Não importa se é ou não. O Caio precisa de mim agora. A mãe dele expulsou ele de casa

Bianca assentiu, percebendo o quanto essa amizade significava para Sonya.

Caio se aproxima da janela do quarto de Sonya, olhando para os lados para se certificar de que ninguém está por perto. Ele pega o celular e manda uma mensagem:

Caio: Oi, já estou aqui.

No quarto, Sonya, deitada na cama, lê a mensagem e se levanta rapidamente. Ela responde:

Sonya: Blz, já vou abrir.

Ela vai até a janela, abre uma fresta e, olhando para baixo, cochicha:

— Oi! Esconde a mala no quintal, debaixo da pia. Depois eu dou um jeito de buscar.

Caio assente com a cabeça e, com movimentos calculados, caminha até a pia no quintal. Ele agacha, coloca a mala no esconderijo e volta para perto da parede.

— E agora? — sussurra ele, olhando para Sonya.

Sonya observa os arredores e aponta para a parede.

— Tá vendo aqueles furos? Dá pra escalar por eles. Mas cuidado, qualquer barulho pode chamar a atenção.

Caio olha para os buracos na parede, testa um dos apoios e começa a subir devagar. Ele se movimenta com cuidado, cada passo milimetricamente calculado para evitar ruídos. O silêncio no quintal é quase absoluto, exceto pelo leve som dos sapatos de Caio raspando contra a parede.

De repente, o som de uma porta se abrindo ecoa pelo quintal. Helena, a mãe de Sonya, sai segurando uma bacia.

— Vou recolher essas roupas antes que esfrie.

Caio congela no meio da escalada, seus músculos ficando tensos. Ele olha para cima, encontrando o olhar assustado de Sonya.

— Fica parado! — murmura ela com urgência, quase inaudível.

Lá de cima, Sonya sente o coração disparar enquanto Helena começa a recolher as roupas, olhando ao redor. Helena faz uma pausa, franzindo a testa.

— Que barulho foi esse?

Sonya: Não olha pra cima... Por favor, não olha pra cima...

Bianca se aproxima de Sonya, vendo o desespero no rosto da amiga.

— E agora?

— Eu não sei... — sussurra Sonya, quase sem voz. — Se minha mãe olhar pra cima, acabou!

Bianca olha rapidamente para o quintal, percebendo que Helena está prestes a levantar a cabeça. Então, como se uma lâmpada acendesse em sua mente, ela corre em direção à porta.

— Deixa comigo.

Bianca chega no quintal sorrindo, chamando a atenção de Helena antes que ela pudesse olhar para cima.

— Tia, quer ajuda?

Helena, surpresa, vira-se completamente para Bianca.

— Ah, que bom, querida! Essas roupas aqui estão pesadas hoje.

Bianca, mantendo o sorriso, indica um dos varais mais distantes.

— Vamos começar por ali? Parece que o vento está levando elas pro lado.

Helena, agora distraída, segue Bianca para o outro lado do quintal.

No alto, Sonya solta um suspiro de alívio e murmura para Caio:

— Agora vai, rápido!

Caio, sentindo a tensão nos braços, retoma a escalada. Seus dedos escorregam por um instante, mas ele se segura firmemente. Com um último impulso, ele finalmente alcança a janela e entra no quarto, quase desabando de cansaço.

Sonya fecha a janela imediatamente e ajuda Caio a sentar na cama.

— Meu Deus, achei que você ia cair!

Caio ri nervoso, limpando o suor da testa.

— Achei que sua mãe fosse me pegar no flagra. Isso foi muito arriscado.

Bianca entra no quarto pouco depois, fechando a porta rapidamente.

— Missão cumprida! Sua mãe nem desconfia de nada.

Caio olha para Bianca, ainda ofegante.

— Valeu mesmo, você salvou a pele de todo mundo.

Sonya cruza os braços e diz com um sorriso malicioso:

— Agora você me deve umas boas, hein? Quem diria que ser amigo meu daria tanto trabalho.

Todos dão uma risada nervosa, mas o alívio é evidente

Caio se senta na cama, ainda ofegante, e olha para Sonya com um ar de preocupação.

— E agora? Como vamos pegar minha mala?

Sonya, tentando tranquilizá-lo, faz um gesto com a mão.

— Relaxa, eu dou um jeito nisso assim que possível. O importante é que você está aqui, seguro.

Bianca, que observava a situação, olha ao redor e, com um sorriso, comenta:

— Nossa, gente, parece cena de filme!

Todos dão uma leve risada, quebrando um pouco a tensão. Caio olha para Sonya, seus olhos refletindo gratidão.

— Obrigado, de verdade. Eu sei o quanto isso é arriscado pra você. Sem falar que estou invadindo seu espaço pessoal, né?

Sonya dá um sorriso acolhedor e se aproxima dele.

— Pra mim, é um prazer te ajudar, sério. Amigo é pra essas coisas.

Caio desvia o olhar, sem jeito, mas claramente tocado pelas palavras. Antes que o clima ficasse mais sentimental, Sonya muda de assunto, com o tom animado.

— Agora, que tal a gente ver um filme pra esquecer essa loucura toda?

Caio sorri, aceitando a sugestão.

— Topo. Vai ser bom pra distrair um pouco.

Bianca, que até gostou da ideia, olha para o celular e solta um suspiro.

— Acho que vou dar uma passada na casa do Renato antes.

Sonya, com um olhar brincalhão, ergue uma sobrancelha.

— Agora que está namorando, é assim, né? Renato pra cá, Renato pra lá.

Bianca fica visivelmente tímida, mas tenta disfarçar.

— Ai, vai à merda, Sonya! — diz, rindo e jogando um travesseiro na amiga antes de sair em direção à porta.

Caio e Sonya dão risada da cena. Quando a porta se fecha, Sonya se levanta e pega o controle remoto.

— Bom, agora que a distração foi embora, vamos escolher um filme decente.

Caio se ajeita na cama, sentindo-se um pouco mais à vontade.

— Tá bom, mas nada de filme triste, hein? Já tive drama demais por hoje.

Sonya sorri, mudando os canais na TV.

— Pode deixar, só vou escolher algo épico pra combinar com a noite cinematográfica que a gente tá vivendo.

Ambos se acomodam, tentando, pelo menos por algumas horas, esquecer os problemas

Enquanto isso, Ketelin e Djalma estão no restaurante. O ambiente é acolhedor, com luzes suaves e um aroma de comida fresca que paira no ar. Ketelin recebe o prato com entusiasmo, observando a apresentação impecável da comida.

Ketelin: "Nossa, isso está com uma cara ótima!" — ela comenta com um sorriso, pegando os talheres.

Djalma, sentado à sua frente, observa-a com um olhar terno. Ele hesita por um momento antes de segurar a mão dela suavemente, interrompendo-a antes que começasse a comer.

Djalma: "Ketelin, eu sei que tenho falhado... Será que você pode me perdoar?" — sua voz é baixa, mas carregada de sinceridade.

Ketelin ergue os olhos, surpresa pela abordagem direta. Ela respira fundo, escolhendo as palavras com cuidado.

Ketelin: "Não é a mim que você precisa pedir desculpas, Djalma. É ao Caio."

Djalma franze o cenho, refletindo sobre a resposta. Ele solta a mão dela e se inclina para trás na cadeira, parecendo pesaroso.

Djalma: "Eu duvido muito que ele queira me perdoar."

Ketelin o observa por um instante, tentando entender o que se passa na cabeça dele.

Ketelin: "Não custa nada tentar, né? O máximo que ele pode fazer é não aceitar. Mas, pelo menos, você fez sua parte."

Djalma passa a mão pelo rosto, exalando um suspiro.

Djalma: "Talvez... Mas vou esperar essa confusão toda acabar. A última pessoa que o Caio quer ver agora sou eu."

Ketelin acena, concordando com a decisão.

Ketelin: "Tá, você tem razão. É melhor dar um tempo. Mas não desiste, ok? Ele ainda é meu irmão, e você sabe o quanto ele é importante pra mim."

Djalma esboça um pequeno sorriso, como se a determinação de Ketelin lhe desse forças.

Djalma: "Eu prometo que não vou desistir. Mas agora... Vamos focar na gente?"

Ketelin ri suavemente, o tom de voz dele conseguindo aliviar o clima pesado.

Ketelin: "Ok, ok. O que você quer fazer?"

Djalma se aproxima com um sorriso que mistura carinho e alívio. Ele toca delicadamente o rosto de Ketelin, inclinando-se para beijá-la. Ela corresponde, sentindo o peso dos últimos dias ser substituído por um momento de paz entre eles.

O beijo é breve, mas suficiente para selar o acordo de que, apesar de tudo, eles ainda estão dispostos a lutar pelo relacionamento.

Júnior está em casa preparando comida, o cheiro de temperos se espalhando pela cozinha, quando a porta se abre lentamente.

Vitor entra tranquilamente, jogando sua mochila no sofá sem perceber o olhar fixo de Júnior.

Júnior larga a colher e vai em direção a Vitor com passos firmes.

Com um tom ameaçador, ele começa:

Júnior: "Foi você, né?"

Vitor: "Eu? O quê?" — responde Vitor, confuso, colocando as mãos nos bolsos.

Júnior avança mais perto, a paciência já abandonando sua voz.

Júnior: "Eu te contei sobre o Caio, sobre ele ser ateu. E agora, como num passe de mágica, isso aparece no grupo da rua? Você não acha coincidência demais?"

Vitor arregala os olhos, erguendo as mãos em defesa.

Vitor: "Cara, eu juro que não fui eu! Eu nem liguei pra isso, sério!"

Júnior cruza os braços, agora praticamente gritando.

Júnior: "Hoje o Caio quase me bateu por causa dessa história. VOCÊ acha que vou deixar isso barato?"

Vitor dá um passo para trás, a voz trêmula, o medo visível em seu rosto.

Vitor: "Eu tô falando sério, Júnior. Não fui eu! Você precisa acreditar em mim."

Júnior estreita os olhos, sem perder o tom de ameaça.

Júnior: "Então me dá seu celular."

Vitor hesita por um segundo, mas obedece, tirando o telefone do bolso com mãos trêmulas.

Júnior: "Se você não deve nada, não tem nada a esconder, né?"

Júnior começa a vasculhar o aparelho, examinando mensagens e registros de chamadas em busca de evidências do número desconhecido que compartilhou a notícia no grupo. A tensão cresce enquanto o silêncio toma conta da sala.

Depois de alguns minutos, Júnior finalmente solta um longo suspiro e devolve o celular.

Júnior: "Por enquanto, vou acreditar em você. Mas se eu descobrir que tá mentindo..." — ele deixa a ameaça no ar, fazendo Vitor engolir em seco.

Vitor relaxa os ombros, aliviado.

Vitor: "Valeu... Mas, se não fui eu, quem será que tá fazendo isso?"

---

Enquanto isso, no quarto de Jefferson...

Jefferson está sentado na cama, com um sorriso satisfeito no rosto, observando a tela do celular. Ele vê a repercussão que a notícia sobre o ateísmo de Caio está causando no grupo do bairro.

Ele digita rapidamente uma mensagem para Isabela:

Jefferson: "Tá tudo indo conforme o plano. Agora é sua vez. Se aproxima da Sonya."

Isabela está deitada no sofá em sua casa. Ao ouvir o som da mensagem, ela pega o celular e lê, respondendo com um toque de ironia:

Isabela: "Nessas alturas, ela já deve estar sabendo da bomba. Amanhã eu tento mexer na cabeça dela."

Jefferson dá uma risada baixa, quase sombria.

Jefferson: "O Caio já era. Ele vai ser um herói morto pra esse bairro. Em breve, a Sonya será só minha. Só minha."

Com um sorriso frio, Jefferson deita na cama, olhando para o teto. Sua mente começa a imaginar as possibilidades de vitória enquanto os eventos continuam a se desenrolar exatamente como ele planejou.

Caio e Sonya estão sentados lado a lado na cama, o filme passando na tela. Ambos olham fixamente, mas é evidente que nenhum dos dois está realmente prestando atenção.

Sonya percebe o silêncio e o jeito inquieto de Caio e quebra o gelo:

Sonya: "Você quer conversar?"

Caio desvia o olhar da tela e a encara por um momento antes de responder:

Caio: "Acho que seria uma boa. Esse filme tá bem chato mesmo."

Sonya ri suavemente e se vira para ele, cruzando as pernas sobre a cama.

Sonya: "Então, sobre o que você quer falar?"

Caio hesita, coçando a nuca, como se estivesse escolhendo bem as palavras.

Caio: "Eu tenho uma curiosidade sobre você... Mas nunca tive coragem de perguntar."

Sonya, intrigada, arqueia uma sobrancelha e sorri de leve:

Sonya: "Curiosidade? Vai em frente, pergunta logo."

Caio respira fundo e dispara:

Caio: "Como era sua vida antes de... bom, antes de tudo isso? Quero dizer, eu sei que você era cheia da grana e tal, mas como era de verdade?"

Sonya parece refletir por um momento antes de responder, o sorriso dando lugar a uma expressão mais séria:

Sonya: "Minha vida era muito boa... pelo menos, parecia ser. Eu tinha tudo o que você pode imaginar: roupas caras, viagens, festas... mas, olhando agora, talvez tenha sido boa só na superfície."

Caio, com um olhar de compreensão, acrescenta:

Caio: "Deve ser complicado perder tudo assim."

Sonya solta uma risada curta, com um toque de melancolia:

Sonya: "É... complicado é pouco. Mas sabe o que foi pior? Antes da falência, eu estava cursando medicina."

Caio fica visivelmente surpreso:

Caio: "Sério? Medicina?"

Sonya assente, o olhar perdido no passado:

Sonya: "Sim. Estava no terceiro semestre. Eu amava aquilo, sabe? Estava finalmente fazendo algo que fazia sentido pra mim. Mas quando tudo desmoronou, não teve jeito. Tive que abandonar o curso."

Caio a observa em silêncio por um momento, assimilando o peso da história dela. Então, com um sorriso triste, tenta aliviar o clima:

Caio: "Então é por isso que você tava agindo feito uma idiota no início, toda revoltada com o bairro?"

Sonya ri de leve, sentindo o tom brincalhão na voz dele:

Sonya: "Exatamente. Era muita coisa pra digerir. Mas e você? Como tá lidando com tudo isso agora?"

O sorriso de Caio desaparece lentamente. Ele olha para o chão, tentando segurar as emoções que ameaçam vir à tona.

Caio: "Pra ser honesto, tô meio mal... Minha mãe me expulsou de casa só porque eu penso diferente dela. Perdi tudo, sabe? Minha família, meu lar... tecnicamente, eu e você estamos passando pela mesma coisa."

Uma pequena lágrima escapa dos olhos de Caio enquanto ele fala, sua voz embargada. Sonya o observa com empatia e se aproxima, colocando a mão em seu ombro.

Sonya: "Chorar às vezes faz bem, Caio. Você não precisa segurar."

Caio tenta resistir, mas a dor acumulada finalmente transborda. Ele desaba em lágrimas, cobrindo o rosto com as mãos. Sonya o puxa para um abraço apertado, enquanto ele soluça contra seu ombro.

Sonya: "Tá tudo bem. Você não tá sozinho, Caio. Eu tô aqui."

Os dois ficam em silêncio por um tempo, com Sonya oferecendo conforto enquanto Caio finalmente libera o peso que vinha carregando.

Em outro lugar, Bianca e Renato estão no sofá, envolvidos por um clima de romance intenso. Bianca, cheia de energia e paixão, beija Renato como se ele tivesse estado ausente por muito tempo. O beijo é longo e arrebatador, deixando Renato sem fôlego. Ele finalmente se afasta um pouco, tentando recuperar o ar, com um sorriso divertido no rosto.

Renato: "Uau... Preciso respirar, Bianca! Foi como se eu tivesse desaparecido por anos."

Bianca ri suavemente, olhando para ele com carinho.

Bianca: "Desculpa, é que... eu estava com saudades, mesmo tendo te visto hoje."

Renato sorri e segura a mão dela, brincando:

Renato: "mesmo termos nos visto hoje parece tão distante agora. Mas, sabe, finalmente estamos a sós. Nada de amigos interrompendo, nem minha mãe chamando por mim a cada cinco minutos."

Bianca ri de novo, balançando a cabeça em concordância:

Bianca: "Verdade. Então... vamos aproveitar, né?"

Os dois se aproximam novamente, trocando outro beijo, mas desta vez mais calmo e cheio de ternura. Renato, com um movimento suave, deita Bianca no sofá, criando um momento íntimo e tranquilo entre eles. Ele a observa por um momento, seus olhos cheios de admiração.

Renato: "Sabe, eu ainda acho estranho você estar aqui comigo. Tipo... alguém como você namorando um cara como eu. Parece um sonho."

Bianca revira os olhos de maneira brincalhona e toca o rosto dele com carinho.

Bianca: "Para com isso, Renato. Você é incrível. Eu não quero estar com ninguém além de você. Entendeu?"

Renato sorri, o coração aquecido pelas palavras dela, e responde em um tom divertido:

Renato: "Tá bom, mas eu vou anotar isso pra te lembrar quando a gente brigar."

Os dois riem juntos, o som ecoando pela sala. O clima de romance cresce enquanto eles continuam conversando, rindo e trocando carícias. O mundo lá fora parece desaparecer, e naquele momento, só existe o amor e a conexão entre eles.

O dia amanhece, e o sol invade o quarto com suavidade. Sonya está sentada na cama, observando Caio dormir. Ele parece tranquilo, e por um instante, ela sente um calor diferente no peito. Um sentimento estranho começa a crescer nela, algo que ela não consegue definir.

Sonya estende a mão, hesitando, quase tocando o cabelo de Caio. Porém, ela para no último segundo e a retira bruscamente, como se tivesse medo de ultrapassar um limite invisível. Respirando fundo, ela se levanta, tentando afastar os pensamentos.

Sonya (em pensamento): "Eu devo estar ficando maluca..."

Ela desce para a cozinha, tentando manter a cabeça no lugar. Lá, ela pega algumas bolachas, pão e café, montando tudo em uma bandeja. Enquanto coloca as coisas, seus movimentos são rápidos, quase automáticos.

No corredor, seu pai, Marcelo, aparece casualmente, com a expressão ainda sonolenta.

Marcelo (brincando): "Caramba, filha, hoje você acordou com fome mesmo, hein?"

Sonya esboça um sorriso forçado e responde sem pensar:

Sonya: "Pois é... estou em fase de crescimento."

Marcelo ri, despreocupado, e segue para a cozinha. Sonya aproveita a distração e sobe rapidamente de volta ao quarto.

Ao entrar, coloca a bandeja com cuidado na cabeceira da cama. Seus olhos voltam para Caio, que ainda dorme profundamente. Lembranças da noite anterior invadem sua mente: a imagem dele chorando em seu ombro, desabafando toda a dor que carregava.

Um misto de sentimentos toma conta dela — raiva, empatia e uma coragem inesperada. De repente, ela se levanta, decidida, e sai do quarto sem fazer barulho.

---

Na rua

Sonya caminha com passos firmes, os olhos fixos em seu destino. A raiva crescente parece guiar cada movimento. Ela chega à casa de Nice e percebe o portão entreaberto. Sem pensar duas vezes, entra com determinação.

Nice, que está na cozinha preparando o café, ouve o barulho e vira-se, assustada ao ver a jovem entrando sem convite.

Nice (espantada): "Quem é você, menina? Quem deu permissão para você invadir a minha casa?"

Sonya ignora a pergunta, encarando Nice com uma intensidade que faz o ambiente parecer mais pesado.

Sonya (em tom de desafio): "Como uma mãe tem coragem de expulsar o próprio filho de casa?"

Nice, pega de surpresa, fica sem palavras. Seus olhos refletem uma mistura de choque e desconforto. O silêncio pesa no ar, e Sonya permanece firme, esperando uma resposta

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!