Caio ficou imóvel, olhando para a mala que sua mãe havia preparado. Ele parecia incrédulo, como se esperasse que ela fosse dizer que era tudo um mal-entendido. Finalmente, sua voz saiu carregada de decepção:
— O que é isso, mãe?
Nice, com os olhos marejados, respondeu tentando manter a firmeza:
— Isso são suas coisas. Enquanto você não mudar de ideia sobre essa bobagem de ateísmo, você não mora mais aqui.
Caio deu uma risada curta, amarga, e perguntou:
— Quem deu essa ideia estúpida pra senhora?
Nice tentou disfarçar, mas sua expressão a denunciava. Ela respondeu, desviando o olhar:
— Ninguém. Eu... Eu pensei nisso sozinha.
Caio, visivelmente frustrado, passou a mão no cabelo e perguntou com calma, mas cheio de mágoa:
— Mãe, por que está fazendo isso?
Nice se aproximou, quase implorando:
— Por favor, meu filho, pelo bem da nossa família... esqueça esse negócio de ateísmo. Isso só vai trazer desgraça pra gente.
Ele a olhou profundamente, a dor clara em seus olhos.
— Não é assim que as coisas funcionam, mãe. Eu realmente espero que, um dia, a senhora entenda.
Sem esperar por mais discussões, Caio pegou a mala e saiu pela porta. Nice ficou paralisada por alguns segundos, mas assim que ouviu a porta se fechar, caiu no chão, com lágrimas descendo pelo rosto.
Entre soluços, ela murmurava para si mesma:
— Espero que o plano do Djalma dê certo... Caio vai perceber que longe da família a vida é difícil... Vai dar tudo certo.
Mas sua voz estava fraca, como se ela tentasse convencer a si mesma de algo que sabia ser duvidoso.
Caio, já na rua, com a mala em uma das mãos, pegou o celular e discou o número de Renato, mas a chamada foi direto para a caixa postal. Sem alternativa, ele suspirou fundo e ligou para Sonya.
Do outro lado, Sonya atendeu quase imediatamente, sua voz carregada de curiosidade:
— E aí? Você não é de ligar. Aconteceu alguma coisa?
Caio hesitou por um momento, mas então respondeu com a voz embargada:
— Minha mãe... Ela me expulsou de casa.
Sonya ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo o que havia acabado de ouvir. Então, num tom revoltado, ela disse:
— O quê? Que palhaçada é essa? Isso é inadmissível!
Bianca, que estava deitada ao lado dela, se levantou assustada.
— O que aconteceu?
Sonya fez um gesto para Bianca, sinalizando que depois explicaria, e voltou a falar com Caio:
— Onde você está agora?
— Na frente da minha casa — respondeu Caio, tentando manter a compostura.
Sonya pensou rápido e, sem hesitar, sugeriu:
— Vem pra minha casa. Eu não vou deixar você sozinho nessa.
Caio ficou surpreso.
— Mas sua mãe acabou de proibir nossa amizade. Você acha que ela vai aceitar algo assim?
Sonya, determinada, respondeu:
— Minha mãe não precisa saber. Você vai entrar pela janela do meu quarto, e ninguém vai perceber.
Caio soltou uma risada nervosa.
— Isso parece arriscado demais, Sonya.
— E daí? — rebateu ela, com firmeza. — Você acha que vou te deixar sozinho depois do que aconteceu? De jeito nenhum.
Caio respirou fundo, grato pela solidariedade dela.
— Tá bom... Eu tô indo.
Sonya sorriu, mesmo que ele não pudesse ver.
— Estarei esperando.
Ela desligou, se levantou rapidamente, e começou a organizar o quarto para que ele pudesse ficar confortável. Bianca, ainda confusa, perguntou:
— Você tem certeza que isso é uma boa ideia?
Sonya respondeu com convicção:
— Não importa se é ou não. O Caio precisa de mim agora. A mãe dele expulsou ele de casa
Bianca assentiu, percebendo o quanto essa amizade significava para Sonya.
Caio se aproxima da janela do quarto de Sonya, olhando para os lados para se certificar de que ninguém está por perto. Ele pega o celular e manda uma mensagem:
Caio: Oi, já estou aqui.
No quarto, Sonya, deitada na cama, lê a mensagem e se levanta rapidamente. Ela responde:
Sonya: Blz, já vou abrir.
Ela vai até a janela, abre uma fresta e, olhando para baixo, cochicha:
— Oi! Esconde a mala no quintal, debaixo da pia. Depois eu dou um jeito de buscar.
Caio assente com a cabeça e, com movimentos calculados, caminha até a pia no quintal. Ele agacha, coloca a mala no esconderijo e volta para perto da parede.
— E agora? — sussurra ele, olhando para Sonya.
Sonya observa os arredores e aponta para a parede.
— Tá vendo aqueles furos? Dá pra escalar por eles. Mas cuidado, qualquer barulho pode chamar a atenção.
Caio olha para os buracos na parede, testa um dos apoios e começa a subir devagar. Ele se movimenta com cuidado, cada passo milimetricamente calculado para evitar ruídos. O silêncio no quintal é quase absoluto, exceto pelo leve som dos sapatos de Caio raspando contra a parede.
De repente, o som de uma porta se abrindo ecoa pelo quintal. Helena, a mãe de Sonya, sai segurando uma bacia.
— Vou recolher essas roupas antes que esfrie.
Caio congela no meio da escalada, seus músculos ficando tensos. Ele olha para cima, encontrando o olhar assustado de Sonya.
— Fica parado! — murmura ela com urgência, quase inaudível.
Lá de cima, Sonya sente o coração disparar enquanto Helena começa a recolher as roupas, olhando ao redor. Helena faz uma pausa, franzindo a testa.
— Que barulho foi esse?
Sonya: Não olha pra cima... Por favor, não olha pra cima...
Bianca se aproxima de Sonya, vendo o desespero no rosto da amiga.
— E agora?
— Eu não sei... — sussurra Sonya, quase sem voz. — Se minha mãe olhar pra cima, acabou!
Bianca olha rapidamente para o quintal, percebendo que Helena está prestes a levantar a cabeça. Então, como se uma lâmpada acendesse em sua mente, ela corre em direção à porta.
— Deixa comigo.
Bianca chega no quintal sorrindo, chamando a atenção de Helena antes que ela pudesse olhar para cima.
— Tia, quer ajuda?
Helena, surpresa, vira-se completamente para Bianca.
— Ah, que bom, querida! Essas roupas aqui estão pesadas hoje.
Bianca, mantendo o sorriso, indica um dos varais mais distantes.
— Vamos começar por ali? Parece que o vento está levando elas pro lado.
Helena, agora distraída, segue Bianca para o outro lado do quintal.
No alto, Sonya solta um suspiro de alívio e murmura para Caio:
— Agora vai, rápido!
Caio, sentindo a tensão nos braços, retoma a escalada. Seus dedos escorregam por um instante, mas ele se segura firmemente. Com um último impulso, ele finalmente alcança a janela e entra no quarto, quase desabando de cansaço.
Sonya fecha a janela imediatamente e ajuda Caio a sentar na cama.
— Meu Deus, achei que você ia cair!
Caio ri nervoso, limpando o suor da testa.
— Achei que sua mãe fosse me pegar no flagra. Isso foi muito arriscado.
Bianca entra no quarto pouco depois, fechando a porta rapidamente.
— Missão cumprida! Sua mãe nem desconfia de nada.
Caio olha para Bianca, ainda ofegante.
— Valeu mesmo, você salvou a pele de todo mundo.
Sonya cruza os braços e diz com um sorriso malicioso:
— Agora você me deve umas boas, hein? Quem diria que ser amigo meu daria tanto trabalho.
Todos dão uma risada nervosa, mas o alívio é evidente
Caio se senta na cama, ainda ofegante, e olha para Sonya com um ar de preocupação.
— E agora? Como vamos pegar minha mala?
Sonya, tentando tranquilizá-lo, faz um gesto com a mão.
— Relaxa, eu dou um jeito nisso assim que possível. O importante é que você está aqui, seguro.
Bianca, que observava a situação, olha ao redor e, com um sorriso, comenta:
— Nossa, gente, parece cena de filme!
Todos dão uma leve risada, quebrando um pouco a tensão. Caio olha para Sonya, seus olhos refletindo gratidão.
— Obrigado, de verdade. Eu sei o quanto isso é arriscado pra você. Sem falar que estou invadindo seu espaço pessoal, né?
Sonya dá um sorriso acolhedor e se aproxima dele.
— Pra mim, é um prazer te ajudar, sério. Amigo é pra essas coisas.
Caio desvia o olhar, sem jeito, mas claramente tocado pelas palavras. Antes que o clima ficasse mais sentimental, Sonya muda de assunto, com o tom animado.
— Agora, que tal a gente ver um filme pra esquecer essa loucura toda?
Caio sorri, aceitando a sugestão.
— Topo. Vai ser bom pra distrair um pouco.
Bianca, que até gostou da ideia, olha para o celular e solta um suspiro.
— Acho que vou dar uma passada na casa do Renato antes.
Sonya, com um olhar brincalhão, ergue uma sobrancelha.
— Agora que está namorando, é assim, né? Renato pra cá, Renato pra lá.
Bianca fica visivelmente tímida, mas tenta disfarçar.
— Ai, vai à merda, Sonya! — diz, rindo e jogando um travesseiro na amiga antes de sair em direção à porta.
Caio e Sonya dão risada da cena. Quando a porta se fecha, Sonya se levanta e pega o controle remoto.
— Bom, agora que a distração foi embora, vamos escolher um filme decente.
Caio se ajeita na cama, sentindo-se um pouco mais à vontade.
— Tá bom, mas nada de filme triste, hein? Já tive drama demais por hoje.
Sonya sorri, mudando os canais na TV.
— Pode deixar, só vou escolher algo épico pra combinar com a noite cinematográfica que a gente tá vivendo.
Ambos se acomodam, tentando, pelo menos por algumas horas, esquecer os problemas
Enquanto isso, Ketelin e Djalma estão no restaurante. O ambiente é acolhedor, com luzes suaves e um aroma de comida fresca que paira no ar. Ketelin recebe o prato com entusiasmo, observando a apresentação impecável da comida.
Ketelin: "Nossa, isso está com uma cara ótima!" — ela comenta com um sorriso, pegando os talheres.
Djalma, sentado à sua frente, observa-a com um olhar terno. Ele hesita por um momento antes de segurar a mão dela suavemente, interrompendo-a antes que começasse a comer.
Djalma: "Ketelin, eu sei que tenho falhado... Será que você pode me perdoar?" — sua voz é baixa, mas carregada de sinceridade.
Ketelin ergue os olhos, surpresa pela abordagem direta. Ela respira fundo, escolhendo as palavras com cuidado.
Ketelin: "Não é a mim que você precisa pedir desculpas, Djalma. É ao Caio."
Djalma franze o cenho, refletindo sobre a resposta. Ele solta a mão dela e se inclina para trás na cadeira, parecendo pesaroso.
Djalma: "Eu duvido muito que ele queira me perdoar."
Ketelin o observa por um instante, tentando entender o que se passa na cabeça dele.
Ketelin: "Não custa nada tentar, né? O máximo que ele pode fazer é não aceitar. Mas, pelo menos, você fez sua parte."
Djalma passa a mão pelo rosto, exalando um suspiro.
Djalma: "Talvez... Mas vou esperar essa confusão toda acabar. A última pessoa que o Caio quer ver agora sou eu."
Ketelin acena, concordando com a decisão.
Ketelin: "Tá, você tem razão. É melhor dar um tempo. Mas não desiste, ok? Ele ainda é meu irmão, e você sabe o quanto ele é importante pra mim."
Djalma esboça um pequeno sorriso, como se a determinação de Ketelin lhe desse forças.
Djalma: "Eu prometo que não vou desistir. Mas agora... Vamos focar na gente?"
Ketelin ri suavemente, o tom de voz dele conseguindo aliviar o clima pesado.
Ketelin: "Ok, ok. O que você quer fazer?"
Djalma se aproxima com um sorriso que mistura carinho e alívio. Ele toca delicadamente o rosto de Ketelin, inclinando-se para beijá-la. Ela corresponde, sentindo o peso dos últimos dias ser substituído por um momento de paz entre eles.
O beijo é breve, mas suficiente para selar o acordo de que, apesar de tudo, eles ainda estão dispostos a lutar pelo relacionamento.
Júnior está em casa preparando comida, o cheiro de temperos se espalhando pela cozinha, quando a porta se abre lentamente.
Vitor entra tranquilamente, jogando sua mochila no sofá sem perceber o olhar fixo de Júnior.
Júnior larga a colher e vai em direção a Vitor com passos firmes.
Com um tom ameaçador, ele começa:
Júnior: "Foi você, né?"
Vitor: "Eu? O quê?" — responde Vitor, confuso, colocando as mãos nos bolsos.
Júnior avança mais perto, a paciência já abandonando sua voz.
Júnior: "Eu te contei sobre o Caio, sobre ele ser ateu. E agora, como num passe de mágica, isso aparece no grupo da rua? Você não acha coincidência demais?"
Vitor arregala os olhos, erguendo as mãos em defesa.
Vitor: "Cara, eu juro que não fui eu! Eu nem liguei pra isso, sério!"
Júnior cruza os braços, agora praticamente gritando.
Júnior: "Hoje o Caio quase me bateu por causa dessa história. VOCÊ acha que vou deixar isso barato?"
Vitor dá um passo para trás, a voz trêmula, o medo visível em seu rosto.
Vitor: "Eu tô falando sério, Júnior. Não fui eu! Você precisa acreditar em mim."
Júnior estreita os olhos, sem perder o tom de ameaça.
Júnior: "Então me dá seu celular."
Vitor hesita por um segundo, mas obedece, tirando o telefone do bolso com mãos trêmulas.
Júnior: "Se você não deve nada, não tem nada a esconder, né?"
Júnior começa a vasculhar o aparelho, examinando mensagens e registros de chamadas em busca de evidências do número desconhecido que compartilhou a notícia no grupo. A tensão cresce enquanto o silêncio toma conta da sala.
Depois de alguns minutos, Júnior finalmente solta um longo suspiro e devolve o celular.
Júnior: "Por enquanto, vou acreditar em você. Mas se eu descobrir que tá mentindo..." — ele deixa a ameaça no ar, fazendo Vitor engolir em seco.
Vitor relaxa os ombros, aliviado.
Vitor: "Valeu... Mas, se não fui eu, quem será que tá fazendo isso?"
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Enquanto isso, no quarto de Jefferson...
Jefferson está sentado na cama, com um sorriso satisfeito no rosto, observando a tela do celular. Ele vê a repercussão que a notícia sobre o ateísmo de Caio está causando no grupo do bairro.
Ele digita rapidamente uma mensagem para Isabela:
Jefferson: "Tá tudo indo conforme o plano. Agora é sua vez. Se aproxima da Sonya."
Isabela está deitada no sofá em sua casa. Ao ouvir o som da mensagem, ela pega o celular e lê, respondendo com um toque de ironia:
Isabela: "Nessas alturas, ela já deve estar sabendo da bomba. Amanhã eu tento mexer na cabeça dela."
Jefferson dá uma risada baixa, quase sombria.
Jefferson: "O Caio já era. Ele vai ser um herói morto pra esse bairro. Em breve, a Sonya será só minha. Só minha."
Com um sorriso frio, Jefferson deita na cama, olhando para o teto. Sua mente começa a imaginar as possibilidades de vitória enquanto os eventos continuam a se desenrolar exatamente como ele planejou.
Caio e Sonya estão sentados lado a lado na cama, o filme passando na tela. Ambos olham fixamente, mas é evidente que nenhum dos dois está realmente prestando atenção.
Sonya percebe o silêncio e o jeito inquieto de Caio e quebra o gelo:
Sonya: "Você quer conversar?"
Caio desvia o olhar da tela e a encara por um momento antes de responder:
Caio: "Acho que seria uma boa. Esse filme tá bem chato mesmo."
Sonya ri suavemente e se vira para ele, cruzando as pernas sobre a cama.
Sonya: "Então, sobre o que você quer falar?"
Caio hesita, coçando a nuca, como se estivesse escolhendo bem as palavras.
Caio: "Eu tenho uma curiosidade sobre você... Mas nunca tive coragem de perguntar."
Sonya, intrigada, arqueia uma sobrancelha e sorri de leve:
Sonya: "Curiosidade? Vai em frente, pergunta logo."
Caio respira fundo e dispara:
Caio: "Como era sua vida antes de... bom, antes de tudo isso? Quero dizer, eu sei que você era cheia da grana e tal, mas como era de verdade?"
Sonya parece refletir por um momento antes de responder, o sorriso dando lugar a uma expressão mais séria:
Sonya: "Minha vida era muito boa... pelo menos, parecia ser. Eu tinha tudo o que você pode imaginar: roupas caras, viagens, festas... mas, olhando agora, talvez tenha sido boa só na superfície."
Caio, com um olhar de compreensão, acrescenta:
Caio: "Deve ser complicado perder tudo assim."
Sonya solta uma risada curta, com um toque de melancolia:
Sonya: "É... complicado é pouco. Mas sabe o que foi pior? Antes da falência, eu estava cursando medicina."
Caio fica visivelmente surpreso:
Caio: "Sério? Medicina?"
Sonya assente, o olhar perdido no passado:
Sonya: "Sim. Estava no terceiro semestre. Eu amava aquilo, sabe? Estava finalmente fazendo algo que fazia sentido pra mim. Mas quando tudo desmoronou, não teve jeito. Tive que abandonar o curso."
Caio a observa em silêncio por um momento, assimilando o peso da história dela. Então, com um sorriso triste, tenta aliviar o clima:
Caio: "Então é por isso que você tava agindo feito uma idiota no início, toda revoltada com o bairro?"
Sonya ri de leve, sentindo o tom brincalhão na voz dele:
Sonya: "Exatamente. Era muita coisa pra digerir. Mas e você? Como tá lidando com tudo isso agora?"
O sorriso de Caio desaparece lentamente. Ele olha para o chão, tentando segurar as emoções que ameaçam vir à tona.
Caio: "Pra ser honesto, tô meio mal... Minha mãe me expulsou de casa só porque eu penso diferente dela. Perdi tudo, sabe? Minha família, meu lar... tecnicamente, eu e você estamos passando pela mesma coisa."
Uma pequena lágrima escapa dos olhos de Caio enquanto ele fala, sua voz embargada. Sonya o observa com empatia e se aproxima, colocando a mão em seu ombro.
Sonya: "Chorar às vezes faz bem, Caio. Você não precisa segurar."
Caio tenta resistir, mas a dor acumulada finalmente transborda. Ele desaba em lágrimas, cobrindo o rosto com as mãos. Sonya o puxa para um abraço apertado, enquanto ele soluça contra seu ombro.
Sonya: "Tá tudo bem. Você não tá sozinho, Caio. Eu tô aqui."
Os dois ficam em silêncio por um tempo, com Sonya oferecendo conforto enquanto Caio finalmente libera o peso que vinha carregando.
Em outro lugar, Bianca e Renato estão no sofá, envolvidos por um clima de romance intenso. Bianca, cheia de energia e paixão, beija Renato como se ele tivesse estado ausente por muito tempo. O beijo é longo e arrebatador, deixando Renato sem fôlego. Ele finalmente se afasta um pouco, tentando recuperar o ar, com um sorriso divertido no rosto.
Renato: "Uau... Preciso respirar, Bianca! Foi como se eu tivesse desaparecido por anos."
Bianca ri suavemente, olhando para ele com carinho.
Bianca: "Desculpa, é que... eu estava com saudades, mesmo tendo te visto hoje."
Renato sorri e segura a mão dela, brincando:
Renato: "mesmo termos nos visto hoje parece tão distante agora. Mas, sabe, finalmente estamos a sós. Nada de amigos interrompendo, nem minha mãe chamando por mim a cada cinco minutos."
Bianca ri de novo, balançando a cabeça em concordância:
Bianca: "Verdade. Então... vamos aproveitar, né?"
Os dois se aproximam novamente, trocando outro beijo, mas desta vez mais calmo e cheio de ternura. Renato, com um movimento suave, deita Bianca no sofá, criando um momento íntimo e tranquilo entre eles. Ele a observa por um momento, seus olhos cheios de admiração.
Renato: "Sabe, eu ainda acho estranho você estar aqui comigo. Tipo... alguém como você namorando um cara como eu. Parece um sonho."
Bianca revira os olhos de maneira brincalhona e toca o rosto dele com carinho.
Bianca: "Para com isso, Renato. Você é incrível. Eu não quero estar com ninguém além de você. Entendeu?"
Renato sorri, o coração aquecido pelas palavras dela, e responde em um tom divertido:
Renato: "Tá bom, mas eu vou anotar isso pra te lembrar quando a gente brigar."
Os dois riem juntos, o som ecoando pela sala. O clima de romance cresce enquanto eles continuam conversando, rindo e trocando carícias. O mundo lá fora parece desaparecer, e naquele momento, só existe o amor e a conexão entre eles.
O dia amanhece, e o sol invade o quarto com suavidade. Sonya está sentada na cama, observando Caio dormir. Ele parece tranquilo, e por um instante, ela sente um calor diferente no peito. Um sentimento estranho começa a crescer nela, algo que ela não consegue definir.
Sonya estende a mão, hesitando, quase tocando o cabelo de Caio. Porém, ela para no último segundo e a retira bruscamente, como se tivesse medo de ultrapassar um limite invisível. Respirando fundo, ela se levanta, tentando afastar os pensamentos.
Sonya (em pensamento): "Eu devo estar ficando maluca..."
Ela desce para a cozinha, tentando manter a cabeça no lugar. Lá, ela pega algumas bolachas, pão e café, montando tudo em uma bandeja. Enquanto coloca as coisas, seus movimentos são rápidos, quase automáticos.
No corredor, seu pai, Marcelo, aparece casualmente, com a expressão ainda sonolenta.
Marcelo (brincando): "Caramba, filha, hoje você acordou com fome mesmo, hein?"
Sonya esboça um sorriso forçado e responde sem pensar:
Sonya: "Pois é... estou em fase de crescimento."
Marcelo ri, despreocupado, e segue para a cozinha. Sonya aproveita a distração e sobe rapidamente de volta ao quarto.
Ao entrar, coloca a bandeja com cuidado na cabeceira da cama. Seus olhos voltam para Caio, que ainda dorme profundamente. Lembranças da noite anterior invadem sua mente: a imagem dele chorando em seu ombro, desabafando toda a dor que carregava.
Um misto de sentimentos toma conta dela — raiva, empatia e uma coragem inesperada. De repente, ela se levanta, decidida, e sai do quarto sem fazer barulho.
---
Na rua
Sonya caminha com passos firmes, os olhos fixos em seu destino. A raiva crescente parece guiar cada movimento. Ela chega à casa de Nice e percebe o portão entreaberto. Sem pensar duas vezes, entra com determinação.
Nice, que está na cozinha preparando o café, ouve o barulho e vira-se, assustada ao ver a jovem entrando sem convite.
Nice (espantada): "Quem é você, menina? Quem deu permissão para você invadir a minha casa?"
Sonya ignora a pergunta, encarando Nice com uma intensidade que faz o ambiente parecer mais pesado.
Sonya (em tom de desafio): "Como uma mãe tem coragem de expulsar o próprio filho de casa?"
Nice, pega de surpresa, fica sem palavras. Seus olhos refletem uma mistura de choque e desconforto. O silêncio pesa no ar, e Sonya permanece firme, esperando uma resposta
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Atualizado até capítulo 36
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