Júnior ainda está sentado no sofá, inquieto, enquanto Jefferson está de pé próximo à porta, se preparando para ir dormir. A tensão na sala é palpável, e Júnior, curioso, não consegue esconder suas dúvidas:
Júnior: (olhando para Jefferson) Mas como você tem tanta certeza de que o Caio nunca vai ficar com a Sonya?
Jefferson: (dá uma risada contida e se aproxima lentamente) Isso é simples, meu amigo. O Caio tem um segredo que, se vier à tona, vai acabar com a imagem dele.
Júnior: (intrigado) Que segredo?
Jefferson faz uma pausa dramática, observando Júnior como se avaliasse se ele deveria ou não revelar. Então, com um tom calculado, ele decide falar:
Jefferson: O Caio é ateu. Aposto que nem a Sonya sabe disso.
Júnior: (surpreso, arregalando os olhos) Tá brincando? Isso é uma verdadeira bomba!
Jefferson: (com um tom de manipulação) Pois é. Mas olha lá, Júnior, isso é informação séria. Não sai espalhando por aí, hein? Não quero ser responsável por um barraco.
Júnior: (nervoso, tentando parecer casual) Claro, claro... Não vou falar nada.
Jefferson olha para o relógio, boceja de leve e se despede:
Jefferson: Bom, eu vou dormir. Amanhã é outro dia.
Ele sai para o quarto, deixando Júnior sozinho, visivelmente inquieto. Júnior balança a cabeça, tentando processar a informação, quando Vitor entra na sala.
Vitor: (percebendo a expressão de Júnior) E aí, tá tudo bem?
Júnior: (disfarçando, com um sorriso forçado) Claro que tá. Tudo ótimo.
Vitor: (desconfiado) Tem certeza? Você tá com uma cara estranha.
Júnior hesita por alguns segundos, mas acaba revelando, com um tom conspiratório:
Júnior: Você sabia que o Caio tem um segredo?
Vitor: (curioso) Não... Que segredo?
Júnior: (abaixando o tom de voz, como se contasse algo proibido) O Caio é ateu.
Vitor: (chocado) O quê? Caramba! Isso é sério?
Júnior: Pelo jeito é. O Jefferson acabou de me contar.
Vitor pensa por um momento, então se lembra de algo:
Vitor: Agora que você falou, eu lembro que, uma vez, ele comentou algo assim na rua. Mas ninguém deu muita atenção.
Júnior: (refletindo) É, eu também achei que fosse brincadeira.
Vitor: (confirmando) Mas parece que é real.
Júnior: (olhando Vitor nos olhos, sério) Escuta, isso precisa ficar entre a gente.
Vitor: (firmemente) Tá bom. Fechado.
Eles apertam as mãos, selando o pacto, mas ambos ficam pensativos sobre como essa revelação pode abalar a convivência na Rua 2.
Cena: Quarto de Jefferson
Jefferson está deitado em sua cama, com um sorriso de satisfação no rosto, analisando os próximos passos de seu plano. O ambiente está iluminado apenas pela luz do celular, que ele segura enquanto digita algumas mensagens.
Jefferson: (murmurando para si mesmo) É só questão de tempo até o Caio desmoronar. Com essa bomba nas mãos do Júnior, ele não vai conseguir manter essa máscara de bom moço por muito tempo.
Ele suspira, coloca o celular ao lado e encara o teto. Sua mente, no entanto, está agitada, com pensamentos sobre Sonya invadindo seus planos.
Jefferson: (sorrindo de lado) Essa história de segredo é só um bônus. No Natal, a Sonya vai ser minha...
Ele pega o celular novamente e decide agir. Digita rapidamente uma mensagem para Isabela:
"Já coloquei nosso plano em prática."
Isabela, deitada em sua cama, está quase adormecendo quando o celular vibra. Ela o pega e lê a mensagem, com um brilho de curiosidade nos olhos.
Isabela: (murmurando para si mesma) Como você fez isso?
Ela digita a pergunta para Jefferson.
Jefferson lê a mensagem e responde com rapidez:
"O plano é simples: todo mundo sabe que o Júnior é o maior fofoqueiro do grupo. Certeza que ele vai acabar comentando com o Caio."
Isabela lê a mensagem e faz uma expressão intrigada. Ela digita:
"Tá, mas como isso vai se espalhar?"
Jefferson sorri, apreciando o mistério que está criando, e digita:
"Primeiro eu preciso esperar o Júnior conversar com o Caio. Depois vem a parte final do plano."
Isabela, curiosa, responde:
"E como vai ser essa parte final?"
Jefferson hesita por um momento, como se saboreasse o suspense, e digita:
"Na hora você vai descobrir."
Isabela lê a mensagem e ri suavemente. Ela responde:
"Você é cheio de surpresas. Mas e aí, como você vai me ajudar com o Djalma?"
Jefferson pensa por um momento antes de responder:
"Primeiro, vamos resolver essa questão do Caio. Depois, te ajudo a acabar com a Ketelin."
Isabela lê a mensagem, solta uma risada leve e digita:
"Ok. Agora vou dormir."
Os dois se despedem. Isabela coloca o celular de lado, com um sorriso confiante no rosto, enquanto Jefferson apaga a luz do quarto, satisfeito com os próximos passos de seu plano.
Caio chega em casa e encontra sua mãe, Nice, e sua irmã, Ketelin, conversando na sala. Ele tenta disfarçar o cansaço e uma leve tensão enquanto se aproxima delas.
Caio: (tentando soar casual) Está tudo bem por aqui?
Nice: (responde com naturalidade) Está sim. Aliás, você viu a confusão que aconteceu na rua hoje?
Caio: (fingindo não saber de nada) Não... O que aconteceu?
Ketelin: (intervém) Sequestraram o vizinho novo!
Nice: (com um tom preocupado) Essa rua está cada dia pior.
Caio, mantendo a expressão de surpresa, balança a cabeça.
Caio: (fingindo indignação) Caramba, a coisa está feia mesmo. Mas, enfim, vou dormir, porque amanhã tenho que trabalhar cedo.
Ele se despede com um aceno e vai para o quarto, fechando a porta e soltando um suspiro de alívio, aliviado por não terem questionado mais nada.
Nice e Ketelin continuam conversando na sala. Nice, com um olhar mais sério, se vira para a filha.
Nice: Filha, posso te fazer uma pergunta?
Ketelin: Claro, mãe. O que foi?
Nice: (com preocupação) O Wallaf ainda está te enchendo o saco?
Ketelin dá uma risada leve, balançando a cabeça.
Ketelin: Pior que não. Depois daquele dia horrível, nunca mais vi ele.
Nice: (aliviada, mas ainda firme) Ainda bem. Espero que esse desgraçado fique bem longe de você.
Ketelin: (calmamente) Calma, mãe. Aquilo foi só um ataque dele. Tenho certeza de que agora ele entendeu que estou em outra. Sinceramente, espero que ele arrume alguém que goste dele de verdade.
Nice dá um suspiro, ainda demonstrando certa preocupação, mas confia nas palavras da filha. As duas continuam conversando sobre assuntos mais leves
O dia amanhece. Caio acorda, sai do quarto silenciosamente para não acordar sua mãe, Nice, e sua irmã, Ketelin, que ainda dormem. Ele prepara um café rápido, toma sua xícara, se arruma e sai de casa rumo ao trabalho.
No caminho, Caio se depara com Júnior, que está encostado em um muro. Júnior faz uma expressão de desconforto ao ver Caio se aproximar.
Caio: (gentilmente) E aí, mano, tá tudo bem?
Júnior: (hesitante) Bom, pra mim sim... Agora pra você...
Caio: (confuso) Como assim?
Júnior hesita por um momento, mas decide ir direto ao ponto.
Júnior: É verdade que você é ateu?
Caio fica surpreso pela pergunta, mas mantém a calma.
Caio: (sereno) Sim, é verdade. Inclusive, já comentei isso na rua há um tempo.
Júnior: (pensativo) É, eu lembro... Mas acho que ninguém te levou a sério na época.
Caio: (dando de ombros) Bom, o Renato com certeza me levou a sério.
Júnior observa Caio atentamente, tentando medir sua reação, e resolve ir mais fundo.
Júnior: Sua família sabe disso?
Caio fica ligeiramente desconfortável com a pergunta, mas responde com honestidade.
Caio: Pior que não. Acho que não é a hora certa pra isso ainda.
Tentando finalizar o assunto, Caio dá um passo para trás, pronto para seguir seu caminho.
Caio: (com um leve sorriso) Enfim, preciso ir trabalhar, mas depois a gente conversa, beleza?
Júnior acena com a cabeça, mas permanece pensativo enquanto observa Caio se afastar.
Júnior: (pensando, com um leve sorriso de malícia) Quero ver quando a Sonya descobrir...
Júnior entra em casa, ainda agitado pela conversa com Caio. Jefferson está no sofá, com os pés apoiados na mesinha de centro, assistindo TV. Ao ver Júnior entrar, ele desliga o volume, fingindo interesse.
Jefferson: (curioso, mas controlado) E aí, mano, por que essa pressa toda?
Júnior: (rápido) Acabei de conversar com o Caio.
Jefferson mantém a expressão neutra, mas sua curiosidade real se mistura com a estratégia.
Jefferson: (fingindo surpresa) Caramba, sério? E aí, o que você disse?
Júnior: (respirando fundo) Perguntei se é verdade esse negócio dele ser ateu.
Jefferson finge estar bravo, jogando as costas no sofá dramaticamente.
Jefferson: (repreensivo) Pô, mano! Eu falei pra você não falar nada!
Júnior: (culpado) Foi mal, Jefferson. Mas eu não consegui segurar.
Jefferson suspira, calculando os próximos passos.
Jefferson: (resignado) Tá, né... Agora já era. Mas e aí? O que ele disse?
Júnior se senta na poltrona, ainda sentindo o peso do erro, e resume a conversa com Caio. Jefferson ouve atentamente, e um sorriso malicioso surge em seu rosto.
Jefferson: (pensando alto) Interessante... Isso vai ser mais útil do que eu imaginei.
Júnior olha para ele, confuso, mas Jefferson muda de assunto rapidamente.
Jefferson: (levantando) Bom, deixa pra lá. Vou dar uma volta
Ele sai da sala, deixando Júnior ainda confuso sobre o que viria a seguir.
Caio chega ao trabalho e, como de costume, cumprimenta Djalma, que está em seu pequeno escritório organizando algumas notas.
Caio: (animado) Bom dia, seu Djalma!
Djalma: (olhando para ele) Bom dia, rapaz. E aí, como está sua irmã?
Caio dá um leve sorriso, mas sua expressão fica mais séria ao responder.
Caio: Ah, ela está bem... Coitada, passou por tanta coisa desde o casamento.
Djalma balança a cabeça, pensativo.
Djalma: (reflexivo) É... Essa história do Wallaf foi pesada. O pior é que a Ketelin não quer dar queixa dele na polícia.
Caio: (suspirando) Pois é, complicado... Mas de qualquer maneira, eu dei a ela uma Smart Tag.
Djalma: (curioso) O que é isso?
Caio: (sorrindo) É tipo um rastreador. Ela pode colocar na bolsa ou na roupa, assim fica mais segura.
Djalma fica impressionado com a ideia e dá um sorriso sincero.
Djalma: (elogiando) Você tem umas ideias boas, garoto. Isso é que é cuidar da família!
Caio dá um sorriso tímido, satisfeito com o elogio.
Djalma: (levantando da cadeira) Bom, agora chega de papo. Vamos fritar uns salgados, porque já já a loja abre e os clientes não gostam de esperar.
Caio: (animado) Pode deixar!
Os dois vão para a cozinha, iniciando a rotina de trabalho.
Isabela está ainda sonolenta, acabando de se levantar. Sua campainha toca insistentemente. Ela se arruma rapidamente e vai até a porta. Ao abrir, vê Jefferson com um sorriso no rosto.
Isabela: (surpresa) Nossa, Jefferson! Tão cedo aqui?
Jefferson: (entrando sem ser convidado) É que chegou a hora, Isabela. Lembra que eu falei sobre a fase dois do plano?
Isabela fecha a porta, ainda meio confusa, mas intrigada.
Isabela: (curiosa) Claro que lembro. O que você tem em mente?
Jefferson puxa um pequeno chip de celular do bolso e o coloca sobre a mesa. Ele sorri como se tivesse acabado de ganhar um jogo.
Jefferson: (confiante) Esse chip aqui é a chave. Está cadastrado com um número desconhecido que já está no grupo do WhatsApp da rua 2. Praticamente todo mundo tá lá.
Isabela: (entendendo) Então, você vai soltar a bomba agora?
Jefferson: (rindo) Exatamente.
Ele pega o celular, insere o chip e começa a configurar o dispositivo enquanto fala.
Jefferson: Sabe qual é a melhor parte?
Isabela: (curiosa) Qual?
Jefferson: (malicioso) A culpa vai cair toda no Júnior.
Os dois dão risada, e Jefferson abre o grupo do WhatsApp. Ele digita calmamente, escolhendo cada palavra com cuidado, enquanto Isabela observa, tentando não parecer impressionada.
Mensagem de Jefferson (pelo número desconhecido):
O fingimento finalmente acabou. As máscaras estão caindo. Hoje, uma pessoa muito admirada aqui na rua 2 vai ser revelada. Essa pessoa é Caio, que sempre fingiu e manipulou a todos. A verdade é que ele é ateu, e isso é inadmissível em nossa comunidade.
Jefferson envia a mensagem e coloca o celular na mesa com satisfação, como se tivesse acabado de terminar uma obra-prima.
Jefferson: (com um brilho nos olhos) Agora é só esperar o circo pegar fogo.
Isabela: (olhando para ele, impressionada) Você é realmente cheio de truques, Jefferson.
Jefferson: (rindo) Isso não é nada. Espere pra ver o que vem depois.
Caio está no balcão da loja, fritando salgados e atendendo os primeiros clientes do dia. Ele parece tranquilo, como se nada pudesse estragar sua manhã.
Enquanto isso, Djalma, sentado em seu pequeno escritório, pega o celular e começa a verificar suas mensagens. Ele abre o grupo do WhatsApp da rua 2 e lê a mensagem enviada pelo número desconhecido. Sua expressão muda imediatamente para uma mistura de surpresa e seriedade.
Djalma, incomodado, se levanta e vai até o balcão.
Djalma: (em tom firme) Caio, venha aqui.
Caio, confuso, limpa as mãos em um pano e vai até ele.
Caio: (curioso) O que foi, Djalma?
Djalma não responde de imediato. Ele pega o celular, vira a tela para Caio e mostra a mensagem do grupo do WhatsApp.
Djalma: (olhando diretamente nos olhos de Caio) É verdade? Você é ateu? Esse tempo todo você fingiu se interessar pela igreja?
Caio, pego de surpresa, sente o peso das palavras de Djalma. Ele olha para a tela do celular, lê a mensagem e fica paralisado, sem saber o que responder.
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Atualizado até capítulo 36
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