Helena está caída no chão, desmaiada. Caio pensa rápido e, com urgência, diz:
— Sonya, fica com sua mãe. Eu vou até o seu quarto procurar o colar.
Sonya, aflita, obedece. Ela segura Helena nos braços, tentando acordá-la:
— Mãe, por favor, acorda! Fala comigo!
Enquanto isso, Caio corre até o quarto e começa a vasculhar. Ele abre gavetas apressadamente, espalhando objetos pelo chão, mas o colar não aparece.
Sonya está prestes a chamar a ambulância quando Helena mexe levemente.
— Mãe? Você tá melhor? — pergunta Sonya, surpresa.
Helena, ainda atordoada, balbucia com esforço:
— Estou... melhorando, filha.
Sonya, emocionada, abraça a mãe com cuidado:
— Fica calma, a gente vai resolver tudo. Prometo.
No quarto, Caio para por um momento, passando os olhos ao redor, tentando pensar em outro lugar para procurar. Ele esfrega as mãos nervosamente, frustrado com a falta de progresso.
Na sala, Helena, ainda pálida, olha para Sonya e diz com a voz fraca:
— Vai ajudar o Caio. Eu vou ficar bem.
Sonya hesita:
— Tem certeza, mãe? Não quero te deixar sozinha.
— Tenho. Qualquer coisa, eu chamo você.
Relutante, Sonya se levanta e vai ao quarto. Ao entrar, vê Caio ajoelhado, visivelmente perdido, cercado pela bagunça que fez.
— Pelo visto, você já revirou as gavetas, né? — diz ela, tentando aliviar a tensão.
Caio confirma com um suspiro cansado:
— Sim, mas nada do colar.
Sonya olha ao redor, pensativa, e então aponta para um baú no canto do quarto:
— Vem cá, vamos olhar aqui. Talvez esteja nesse baú.
Os dois se ajoelham lado a lado, começando a procurar dentro do baú com esperança renovada.
Renato e Bianca continuam se beijando, envolvidos no momento. De repente, Bianca dá uma leve risada, quebrando o clima.
— O que foi? — pergunta Renato, curioso.
Bianca sorri, olhando para ele:
— Não vejo a hora de contar tudo para a Sonya.
Renato ri junto, relaxando:
— Bom, eu também quero contar para o Caio.
Ele fica pensativo por alguns segundos antes de comentar:
— Falando nisso, onde será que eles estão?
Bianca franze a testa, refletindo, e responde:
— Boa pergunta. Vou mandar mensagem para a Sonya e descobrir.
Pegando o celular, Bianca digita rapidamente: "E aí, amiga, onde você está?"
Ela espera alguns instantes, mas percebe que Sonya não está online. Uma expressão de preocupação começa a surgir em seu rosto.
— Tá tudo bem? — pergunta Renato, notando a mudança na expressão dela.
Bianca hesita antes de responder:
— Bom... não sei. A Sonya sempre responde rápido. Isso é estranho.
Ela pensa um pouco, mordendo o lábio inferior, antes de decidir:
— Quer saber? Vamos até a casa dela. Quero ver se está tudo bem.
Renato parece um pouco relutante, talvez por ainda estar processando os últimos acontecimentos, mas acaba concordando:
— Tudo bem. Melhor garantir que tá tudo certo.
Os dois se levantam, pegam suas coisas e saem em direção à casa de Sonya, com uma sensação de urgência crescendo em seus corações.
Cléber dirige o carro por uma rua deserta, o silêncio pesado preenchendo o espaço entre os ocupantes. No banco de trás, o agiota mantém a arma apontada discretamente contra a cintura de Marcelo, que está tenso, com os olhos fixos no horizonte.
Cléber, tentando quebrar o clima à sua maneira debochada, comenta:
— E quem diria, hein? Uma dívida dessas causando tanta confusão.
O agiota ri com a provocação e completa:
— Pois é. É por isso que eu nunca deixo meu nome sujo. Responsabilidade é tudo, né, Marcelo?
Os dois olham para Marcelo, que não responde, mantendo sua expressão fechada e preocupada. O agiota, com sarcasmo, continua:
— Ô, Marcelo, tá com alguma coisa te incomodando, cara? A gente tá aqui, tentando criar um clima de família, e você aí com essa cara de bunda. Relaxa, pô!
Cléber dá uma risada curta, mas logo desvia o olhar para a estrada, acrescentando:
— Deixa ele, chefe. Daqui a pouco ele vai falar com o Robson, e eu duvido que o clima lá vá ser tão amigável assim.
Marcelo engole em seco, mas permanece em silêncio, a tensão evidente em seu rosto. O som do motor aumenta quando Cléber acelera, o carro cortando a escuridão da rua deserta.
O agiota dá um leve sorriso de canto e comenta:
— Aproveita o passeio, Marcelo. Vai ser a última vez que você vê essa liberdade por um bom tempo.
Marcelo fecha os olhos por um momento, respirando fundo, como se tentasse encontrar alguma força em meio ao desespero que o consome.
Bianca e Renato chegam à casa de Sonya e, de imediato, percebem algo errado. Ao entrar, encontram Helena sentada na cozinha, visivelmente abalada.
— O que está acontecendo? — Bianca pergunta, preocupada.
Helena suspira e responde:
— Minha filha, sinceramente, nem eu sei explicar direito.
Renato olha ao redor, apreensivo, mas permanece em silêncio. Bianca insiste:
— A Sonya está aqui?
Helena aponta para o quarto. Sem perder tempo, Bianca puxa Renato pelo braço, e ambos seguem em direção ao cômodo.
Ao entrarem, Bianca fica surpresa com a bagunça que vê. Gavetas reviradas, roupas espalhadas e um baú esvaziado no chão.
— O que vocês estão fazendo aqui? — pergunta, confusa.
Sonya e Caio, que acabaram de terminar de vasculhar o baú, se levantam, visivelmente desanimados.
— Nossa, Bianca, é uma longa história. Só sei que eu preciso achar um colar de diamantes.
Bianca arregala os olhos, tentando lembrar algo. De repente, ela se recorda.
— Espera, eu lembro desse colar! A última vez que o vi foi na mudança.
Sonya sente o estômago revirar e murmura, preocupada:
— Será que alguém da mudança pegou o colar?
Caio, tenso, cruza os braços e diz:
— Se for isso... ferrou.
O clima no quarto se torna ainda mais pesado. Sonya e Caio sentam na cama, ambos desanimados. Bianca, percebendo a gravidade da situação, se aproxima.
— Mas por que tudo isso? — Bianca pergunta, tentando entender.
Renato completa:
— É, sinceramente, eu não tô entendendo nada.
Sonya respira fundo, tentando organizar os pensamentos, e decide explicar tudo: desde a dívida do pai até o sequestro. Enquanto ela narra os acontecimentos, o rosto de Bianca se enche de preocupação, e Renato fica perplexo.
Enquanto isso, na casa de Nice e Ketelin, as duas assistem televisão, alheias ao caos que se desenrola na casa de Sonya.
Ketelin, animada, se aproxima de sua mãe, Nice, e mostra algo em suas mãos.
— Olha isso, mãe, que legal!
Nice, curiosa, pergunta:
— O que é isso?
— Segundo o Caio, é uma TAG. Serve para rastrear a localização de qualquer coisa. Ele me deu porque ficou preocupado comigo depois do ataque do Wallaf.
Nice respira fundo e responde, com uma expressão séria:
— Nem me fale o nome desse vagabundo. Aliás, essa ideia do Caio foi muito boa. Acho bom você ficar com isso 24 horas por dia.
Ketelin concorda:
— No começo achei um pouco exagerado, mas, né... vou ficar. Nunca se sabe.
De repente, alguém bate à porta com pressa. Ketelin se levanta para atender. Ao abrir, encontra Djalma, ofegante e ansioso. Antes de ele dizer qualquer coisa, os dois trocam um beijo rápido.
Nice, observando a expressão aflita de Djalma, pergunta:
— O que está acontecendo, meu filho?
Djalma, ainda recuperando o fôlego, responde:
— Agora pouco, aquele vizinho novo foi sequestrado. Tá uma situação louca.
Ketelin e Nice ficam surpresas.
— Nossa, esse bairro está cada dia pior. Cruz credo! — exclama Nice, fazendo o sinal da cruz.
Ketelin, ainda assimilando a notícia, comenta:
— Bom, não conheço eles, mas espero que tudo dê certo.
As duas permanecem alheias ao fato de que Caio está diretamente envolvido na situação. Nice, tentando aliviar o clima, muda de assunto:
— Gente, vou fazer um café. Vocês querem?
— Sim! — respondem Ketelin e Djalma ao mesmo tempo, enquanto tentam se acalmar após a notícia.
De volta à casa, todos estão sentados, desanimados e sem esperança, até que Bianca, perdida em seus pensamentos, de repente se ilumina. Um sorriso de alívio toma conta de seu rosto.
— Eu sei onde está o colar! — ela anuncia.
Sonya salta da cama, cheia de expectativa, e pergunta:
— Onde? Fala logo!
Bianca explica, animada:
— Na correria da mudança, como tinha muita gente envolvida, eu escondi o colar num saco de roupas sujas!
Todos trocam olhares incrédulos. Bianca se dirige ao armário, que já está revirado, e puxa uma sacola preta discreta. Ela começa a retirar algumas roupas rasgadas de dentro dela. De repente, sua mão encontra o colar.
— Achei! — diz ela, segurando a joia brilhante.
Sonya abraça Bianca com uma alegria imensa, quase derrubando-a no chão.
— Você não tem ideia do quanto isso significa para mim. Agora eu posso salvar meu pai!
Mas, ao mesmo tempo, o clima pesa novamente. Um silêncio paira no ar enquanto todos tentam entender como isso seria possível.
Renato quebra o silêncio:
— Tá, mas como você pretende fazer isso? Não é tão simples assim. Aqui na favela, qualquer coisa relacionada a agiotagem ou crime precisa da autorização do dono do morro.
Sonya franze a testa, pensativa.
— E quem é esse cara?
Renato responde, com certa hesitação:
— Olha, ele nunca fez questão de se apresentar oficialmente, mas sei que alguns do grupo dele ficam na área cheia de barracos, lá no alto.
Sonya pensa por um instante, determinada.
— Então eu vou lá.
Caio, que ouvia atentamente, se levanta de repente.
— Você tá maluca? Não vou deixar você ir lá sozinha!
Renato e Bianca trocam olhares e dizem quase ao mesmo tempo:
— A gente vai com vocês.
Sonya balança a cabeça.
— Não, é melhor vocês dois ficarem com a minha mãe. Ela ainda está fraca. Eu e o Caio resolvemos isso.
Antes que possam protestar, Sonya guarda o colar com cuidado na bolsa e segue em direção à porta com Caio.
— Tenham cuidado! — grita Bianca, preocupada.
Sonya não responde, apenas lança um olhar decidido, e sai acompanhada de Caio. A porta bate, e a tensão na sala só aumenta enquanto o perigo parece cada vez mais real.
Já nos barracos, o carro para em frente a uma construção improvisada. Cléber, o agiota e Marcelo descem, enquanto o agiota mantém a arma apontada discretamente para a cintura de Marcelo.
— Vamos para lá, — diz o agiota, indicando um barraco com dois homens armados na entrada.
Sem hesitar, os três passam pelos guardas e entram no local. Lá dentro, sentado em uma cama com uma arma em mãos, está Robson. Seu olhar sério e intimidador não deixa dúvidas de quem está no comando.
— Eu estava esperando por você, Marcelo, — diz Robson, com a voz grave.
Marcelo engole seco, sentindo suas pernas tremerem. Cléber, tentando aliviar a tensão, brinca:
— Bem, chefe, demos uma voltinha com ele pelo bairro. Acho que agora ele tá mais do que no ponto.
Robson solta uma risada curta e fria.
— Fizeram bem.
Ele se levanta, caminhando lentamente até Marcelo, que tenta manter a calma.
— E aí, Marcelo, já arrumou o meu dinheiro?
Marcelo, com a voz trêmula, responde:
— Infelizmente... ainda não deu tempo, mas eu só preciso de mais uma chance, eu juro!
Robson inclina a cabeça, encarando-o de perto.
— Escuta aqui, por acaso eu tenho cara de otário? Porque, sinceramente, acho que tá escrito isso na minha testa.
— Não, senhor, — responde Marcelo, em pânico. — Eu nunca diria isso. Só... só preciso de mais um dia. Eu consigo o dinheiro, prometo!
Robson dá um suspiro profundo, visivelmente impaciente.
— Sabe, você já passou do limite. Acho que vou me contentar com sua morte. Pelo menos assim, me livro de um chato como você.
Ele engatilha a arma, apontando diretamente para Marcelo, que começa a suar frio. Mas, antes que Robson possa fazer qualquer coisa, uma voz do lado de fora interrompe a tensão.
— A gente precisa entrar! — grita uma mulher, insistindo com os seguranças.
Os dois homens na porta discutem com os intrusos, mas a voz feminina grita novamente, mais alto:
— Eu tenho como pagar a dívida do meu pai!
Robson levanta uma sobrancelha, intrigado, e se vira para Marcelo.
— Você conhece essa voz?
— Sim, senhor, — responde Marcelo, ofegante. — É a minha filha... Sonya.
Do lado de fora, Sonya grita novamente:
— Eu posso pagar a dívida!
Robson pega o rádio e dá ordens:
— Revistem quem estiver aí e deixem entrar. Quero saber o que essa menina tem a oferecer.
Momentos depois, Sonya e Caio entram no barraco, visivelmente tensos. Assim que Sonya vê o pai, corre para abraçá-lo, enquanto lágrimas escorrem por seu rosto.
— Pai! Você tá bem?
Marcelo mal consegue responder, mas a abraça com força. Caio, enquanto isso, observa o local com atenção, tentando entender onde se meteu.
Robson corta o momento emocional, falando com frieza:
— Chega de drama. Você disse que pode pagar a dívida do seu pai. Como?
Sonya respira fundo, mas antes que consiga responder, Caio vira a cabeça rapidamente ao ouvir a voz de Robson. Ele arregala os olhos, surpreso.
— Robson...? É você?
Robson também fica estático, reconhecendo Caio.
— Caio?
Ambos se encaram, surpresos e sem palavras, enquanto o silêncio domina o barraco.
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Atualizado até capítulo 36
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