Novos Vizinhos e Velhos Temores

Caio observava curioso a chegada da nova família. Um carro luxuoso estacionava a poucos metros, destoando completamente do ambiente humilde da Rua 2. Ele pensava consigo mesmo: "Por que diabos uma pessoa com um carro desses está se mudando para cá?" Júnior, Isabela e Renato, também intrigados, observavam atentamente.

“Quem será que é?”, Isabela questionou, quebrando o silêncio.

“Não sei, mas tá interessante”, respondeu Renato.

Enquanto o grupo permanecia hesitante, Jefferson, outro morador da rua, aproximou-se animado. “E aí, que carrão é aquele lá?”, perguntou ele, notando o movimento.

“Essa é a pergunta que todos nós estamos fazendo”, disse Júnior, com um tom de ironia.

Jefferson sorriu, sagaz. “Todos estão perguntando, mas só eu vou descobrir.”

Sem esperar mais, ele caminhou em direção à família. Aproximou-se discretamente e logo iniciou uma conversa com Marcelo, o pai da recém-chegada.

“Vocês serão nossos novos vizinhos?”, perguntou Jefferson, de forma educada.

Marcelo, descontraído, respondeu: “Sim, acabamos de chegar. Aproveitando, você poderia me tirar uma dúvida?”

Jefferson assentiu.

“O bairro aqui é tranquilo?”, indagou Marcelo.

Jefferson pensou por um instante antes de responder: “É como qualquer outro. Às vezes, é uma paz, mas a região tem bastante assalto.”

Sonya, que ouvia a conversa, revirou os olhos e sussurrou para Bianca: “Você viu? Certeza que daqui a um mês minha família não vai ter mais nada, vão roubar tudo.”

Bianca riu. “Para de ser pessimista, Sonya.”

“Pessimista? Olha isso! E a gente que tá fazendo nossa própria mudança. Isso é o fim”, reclamou Sonya, antes de voltar a carregar caixas com Bianca.

Enquanto isso, Wallaf estava no hospital com sua mãe. Ela estava visivelmente fraca, mas, mesmo assim, preocupava-se com o filho.

“Você está bem?”, perguntou ela, com dificuldade.

Wallaf, ainda tomado pela mistura de raiva e vergonha, respondeu: “Ketelin não deveria ter me feito passar por aquela humilhação.”

“Concordo. Pelo menos você descobriu que iria se casar com a mulher errada”, disse a mãe, tentando consolar o filho.

“Não, mãe. A Ketelin precisa pagar pelo que ela fez comigo. Eu só não sei como...”, afirmou ele, com um olhar sombrio.

Já Ketelin estava em seu quarto, imersa em uma confusão de sentimentos. Apesar da culpa, sentia-se aliviada. Em sua mente, a imagem do homem por quem estava apaixonada — ainda um mistério — era constante. Tentando afastar os pensamentos, disse a si mesma: “Agora é bola pra frente.”

De volta à Rua 2, o grupo de amigos decidiu se dispersar. Renato e Caio caminhavam juntos.

“Percebi que você estava viajando nos pensamentos”, comentou Renato.

Caio ficou desconfortável, sem querer revelar que havia se encantado por Sonya, uma desconhecida. “Eu tava pensando na empresa de games”, mentiu.

“Então você vai entrar de cabeça nessa?”, perguntou Renato, com um sorriso animado.

“Sim. Vai ser trabalhoso, mas divertido. Agora deixa eu ir, porque amanhã é dia de trabalho.”

Ambos se despediram, cada um indo para sua casa.

Sonya e Bianca, no novo quarto de Sonya, conversavam.

“E aí, o que achou do quarto?”, perguntou Bianca, animada.

Sonya, irônica, respondeu: “Nossa, meu sonho de vida.”

“Até quando você vai ficar na defensiva?”, insistiu Bianca.

“Até eu ter minha vida de volta. Olha ao redor, essa não é minha vida. Eu nunca vou me acostumar com isso aqui”, reclamou Sonya.

“Pode ser uma oportunidade de viver a vida com um ângulo diferente”, disse Bianca, tentando animá-la.

“Claro, o pior ângulo possível. Ah, quer saber? Vamos dormir.”

Na manhã seguinte, Caio, Ketelin e Nice se preparavam para tomar café.

“Ontem foi um dia agitado”, comentou Nice.

Ketelin riu levemente, ainda com um pouco de culpa. “Pois é.”

Caio, tentando aliviar o clima, brincou: “Foi bem emocionante, tava parecendo novela.”

Todos riram.

“Sim, parecia aquelas novelas mexicanas que a mãe assiste”, acrescentou Ketelin.

“Pior que sim, mas tem uma diferença”, retrucou Nice.

“Qual?”, perguntaram os dois, curiosos.

“A gente não tem nome composto”, respondeu Nice, arrancando risadas.

Pouco depois, Caio se levantou. “Bom, vou pra Pimpola antes que eu me atrase”, disse ele, referindo-se à lanchonete onde trabalhava.

Enquanto isso, na casa de Renato, ele estava no computador quando sua mãe, Neide, entrou, visivelmente triste.

“Mãe? Aconteceu alguma coisa?”, perguntou Renato, preocupado.

“Fui demitida hoje”, respondeu Neide.

Renato ficou sem palavras. “Caramba, mãe... E agora? Eu não tava esperando por isso.”

“Nem eu”, disse ela. “Vou receber um dinheiro, mas não é muito. O que mais me preocupa é o aluguel.”

Renato, mesmo preocupado, abraçou a mãe. “Vamos dar um jeito, mãe. Não sei como, mas vamos.”

Caio chegou à Pimpola, onde foi recebido por seu chefe, Djalma.

“E aí, Caio, já tomou café?”, perguntou Djalma.

“Claro, tô pronto pra trabalhar”, respondeu Caio, animado.

Djalma hesitou antes de tocar no assunto que vinha adiando. “E aí, já pensou no meu pedido?”

Caio, desconfortável, respondeu: “Sim, mas, Djalma, esse negócio não é pra mim.”

Djalma insistiu: “Você sabe que tenho muita fé. Quando inaugurei essa loja, prometi que, se ela fizesse sucesso, todos os meus funcionários iriam frequentar a igreja. Todos frequentam, menos você.”

“Com todo respeito, sabe, Djalma, mas eu não quero participar da sua igreja.”

“Não precisa ser a minha, pode ser qualquer uma. Gosto muito do seu trabalho, mas preciso manter minha promessa. Promete que vai pensar?”

Caio, inseguro, respondeu: “Prometo que vou pensar.”

Com isso, o assunto se encerrou e todos começaram a trabalhar.

Bianca acordou sentindo a brisa leve de um dia que parecia promissor. O céu azul brilhava pela janela do pequeno quarto, mas o brilho da manhã não refletia exatamente o que ela sentia por dentro. Levantou-se preguiçosamente, esticando os braços antes de pegar o celular na mesinha ao lado. A tela iluminou-se com uma mensagem de sua mãe:

"Vem pra casa. Preciso de você."

Sem pensar duas vezes, Bianca começou a se arrumar. Apesar da preocupação, decidiu não acordar Sonya, que ainda dormia profundamente. Observou a amiga por um momento. Apesar de toda a pose, Bianca sabia o quanto Sonya estava fragilizada pela mudança brusca de vida. Com um suspiro, saiu silenciosamente do quarto.

Enquanto isso, Renato calçava os chinelos para ir comprar pão, como fazia todas as manhãs. Ao abrir a porta, ele avistou algo incomum: um motoqueiro estava parado no final da rua, observando ao redor com um comportamento que ele só poderia descrever como suspeito. Sua intuição acendeu um sinal de alerta

Renato rapidamente se escondeu atrás do muro, observando atentamente. O motoqueiro parecia inquieto, olhando para os lados como se estivesse prestes a agir.

Do outro lado da rua, Bianca fechava o portão da casa de Sonya. Ela tinha o celular na mão, tentando guardar na bolsa, mas não teve tempo. O motoqueiro acelerou em sua direção, parando bruscamente à sua frente.

Passa o celular! gritou ele, com a voz firme, apontando uma arma para Bianca.

O mundo pareceu parar. Bianca congelou.

Suas mãos tremiam, e o olhar de pânico em seu rosto era evidente.

Vai, anda! Ou eu atiro! o ladrão gritou novamente, ainda mais agressivo.

Renato, ainda escondido, observava tudo sem saber o que fazer. Seu coração disparava, mas ele hesitava entre ajudar Bianca ou preservar sua própria segurança.

Bianca com medo congela o assaltante aos gritos pede para ela soltar o celular Bianca fecha os olhos é ela consegue ouvir o marginal engatinhando sua arma pronto para atirar quando Bianca percebe um barulho alto a o abrir os olhos ela tem uma grande surpresa.

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Comments

Washi

Washi

Preciso urgentemente saber como a história termina! Quando vai atualizar?

2024-12-29

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