Resolvendo pepinos

Sonya lança um olhar firme para seu pai. Um silêncio constrangedor toma conta do local, enquanto Marcelo evita seu olhar, mexendo nervosamente nas mãos. Depois de alguns segundos, ele suspira profundamente, como se carregasse um peso enorme, e finalmente diz:

— Está bem, minha filha... Eu vou te contar a verdade.

Sonya se aproxima, cruzando os braços em um gesto de preocupação misturado com determinação.

— Estou ouvindo.

Marcelo hesita mais um pouco, como se organizasse as palavras na cabeça. Depois de mais um suspiro, ele começa:

— Bem... Você já sabe que estamos falidos. Quando o banco tomou nossa casa, eu fiquei sem absolutamente nada. Então tive que arrumar dinheiro para a mudança... E também adiantei o aluguel daqui.

Sonya arqueia as sobrancelhas, tentando entender onde ele quer chegar.

— Tá... Mas qual é o problema?

Marcelo a encara por um instante e então baixa os olhos, como se a vergonha o impedisse de continuar. Mas ele encontra forças e responde:

— Para fazer tudo isso, eu tive que pegar dinheiro emprestado com um agiota.

A revelação atinge Sonya como um soco. Ela arregala os olhos, incrédula.

— O quê? Pai, você sabe que esse negócio de agiota é uma furada!

Marcelo levanta a mão, pedindo calma, interrompendo a repreensão.

— Eu sei disso, Sonya. Eu sei! Mas ou eu pegava o dinheiro, ou todos nós estaríamos morando debaixo da ponte agora.

Sonya não sabe o que dizer por um momento. Ela olha para o pai, vendo o cansaço e a culpa em seu rosto. É como se, pela primeira vez, ela realmente entendesse o peso que Marcelo estava carregando sozinho.

Finalmente, ela abaixa os braços, aproxima-se dele e o abraça com força.

— Relaxa, pai... A gente vai dar um jeito.

Marcelo fecha os olhos e retribui o abraço, agradecido pelo apoio da filha.

— Obrigado, minha filha... — Ele concorda, tentando passar uma segurança que ele mesmo não sente. — Vamos dar um jeito...

Enquanto Marcelo tenta manter a calma, Sonya, agora mais determinada, começa a pensar em como ajudá-lo, mesmo sem saber exatamente por onde começar.

Amanhecia devagar na rua 2, com os primeiros raios de sol filtrando-se pelas frestas das janelas. Bianca acordou, espreguiçando-se preguiçosamente. Ao virar o rosto, viu Sonya ainda adormecida, os cabelos espalhados no travesseiro, respirando calmamente.

Mas a mente de Bianca não estava tão tranquila. Seus pensamentos logo a levaram a Renato, e o coração deu um pequeno salto. "Será que seria legal fazer uma visita?", ponderou. A ideia parecia absurda, e ela logo se repreendeu: "Tá louca, Bianca? Ele vai achar que sou uma folgada! Quem aparece na casa dos outros do nada?"

Ela suspirou e virou o rosto para o teto, tentando afastar o pensamento. "Bom, pelo menos o caminho até a padaria passa na frente da casa dele. Se eu der sorte, quem sabe..."

Levantando-se, Bianca caminhou até o espelho, analisando sua imagem com cuidado. Desfez o coque bagunçado que usava para dormir e soltou os cabelos. "Nem parece que eu tô me arrumando só pra comprar pão", murmurou, esboçando um sorriso meio culpado.

Trocar de roupa foi outro processo minucioso. Optou por algo simples, mas que parecesse despretensiosamente bonito. "Não é nada demais, só um vestido. Afinal, quem vai reparar, né?"

Antes de sair, deu uma última olhada no espelho e respirou fundo. "Só pão. Nada mais." Pegou a bolsa, tentando ignorar a leve ansiedade que fazia seu coração bater mais rápido, e saiu de casa.

 

Enquanto isso, na casa de Renato, o jovem estava imerso em seu trabalho no projeto dele e de Caio. A concentração era total, o som do teclado preenchendo o pequeno quarto. Até que um som inesperado ecoou pela casa: a campainha tocou.

Renato franziu o cenho, curioso. Não esperava visitas. Deixando o computador, foi até a porta. Sua expressão logo mudou ao ver o caminhão da companhia de luz estacionado em frente à sua casa.

O funcionário, com uma prancheta em mãos, lançou um olhar firme e perguntou:

— Aqui é a casa da dona Neide?

Renato, já sentindo o peso da situação, respondeu com um aceno lento.

— Sim... sou o filho dela.

O homem suspirou, ajustando o boné.

— Infelizmente, temos aqui um pedido de corte de energia para essa residência.

O chão pareceu sumir dos pés de Renato. Sem saber como reagir, ele apenas balbuciou:

— Sim... eu estou ciente.

Renato destrancou o portão, sentindo o estômago revirar, enquanto o funcionário se preparava para realizar o serviço. Nesse momento, Neide apareceu às pressas, com os olhos arregalados e o rosto tomado pelo desespero.

— Moço, por favor, tenha piedade! — Neide implorou, segurando as mãos do funcionário. — Eu perdi o emprego e estou fazendo de tudo para pagar as contas. Não faça isso com a gente, por favor!

O funcionário hesitou por um instante, visivelmente tocado pela cena, mas logo recuperou a postura profissional.

— Senhora, eu entendo, de verdade. Mas, infelizmente, é o meu trabalho.

Neide, com lágrimas nos olhos, insistiu:

— Por favor, seja humano! Tenha compaixão!

Renato, ao lado dela, sentia uma mistura de raiva e impotência. Ele queria fazer algo, mas estava preso pela situação. O funcionário, agora evitando encarar Neide, realizou o corte rapidamente. Sem dizer mais nada, subiu no caminhão e foi embora, deixando mãe e filho em um silêncio devastador.

Neide começou a chorar compulsivamente, segurando o rosto entre as mãos.

— Eu sou uma péssima mãe... deixei isso acontecer...

Renato continuou parado, o nó na garganta impedindo qualquer palavra de conforto. Ele apenas olhava para o portão aberto, perdido em pensamentos.

Na rua, Bianca passava bem naquele instante. Ela viu Renato parado no portão e a tristeza evidente em seu semblante. Sem entender muito bem o que estava acontecendo, deu um leve sorriso ao avistá-lo e se aproximou.

— Renato? Tudo bem?

Renato olhou para ela, ainda atordoado, mas tentou disfarçar a situação.

Renato, com um tom tímido, diz:

— Tô bem, e você?

Bianca, percebendo a expressão abatida dele, responde com leveza:

— Acho que você não tá tão bem quanto quer parecer...

Renato tenta desconversar, mas antes que consiga, Neide, visivelmente preocupada, decide abrir o jogo:

— Sabe o que é, filha... acabaram de cortar nossa luz.

Bianca fica surpresa com a revelação, e Renato, irritado, repreende a mãe:

— Mãe! Esse assunto é só nosso!

Bianca ergue a mão em um gesto tranquilo e diz:

— Calma, Renato. Eu não vou te julgar por isso. Infelizmente, isso é mais comum do que deveria aqui no Brasil.

Renato respira fundo, tentando relaxar, e admite:

— Aconteceu tanta coisa na minha vida... Eu nem sabia dessa conta atrasada.

Bianca encara Renato com um olhar compassivo e pergunta diretamente:

— Mas vocês têm algum plano para resolver isso?

Renato abaixa a cabeça, envergonhado:

— Infelizmente, não.

Neide, com lágrimas nos olhos, desabafa:

— Eu deveria ter contado antes... agora estamos sem saída.

Tocada pela situação, Bianca toma uma decisão.

— Quer saber? Eu vou ajudar vocês com isso.

Neide, surpresa, questiona:

— Mas como, minha filha?

Bianca, determinada, responde:

— Apesar de não me dar bem com meus pais, eu ainda posso pedir dinheiro a eles.

Renato balança a cabeça, negando a oferta:

— Não, Bianca. Eu não posso aceitar isso.

Neide coloca a mão no ombro de Renato e tenta convencê-lo:

— Filho, às vezes, a gente precisa engolir o orgulho. Pode ser a única chance que temos.

Bianca se aproxima de Renato, olhando fixamente nos olhos dele.

— Você arriscou sua vida por mim naquele dia. Deixa eu fazer o mesmo por você agora. Por favor.

Renato, sem argumentos, suspira derrotado e finalmente aceita:

— Tá bom, mas eu prometo que vou pagar cada centavo, Bianca.

Bianca sorri e responde:

— Não se preocupa com isso. Agora vai lá, se arruma. Vamos resolver isso hoje.

Confuso, Renato pergunta:

— Resolver como?

Bianca, animada, responde:

— Vamos ver meus pais.

Renato encara Bianca com uma mistura de nervosismo e gratidão. Ele se dirige ao quarto para se arrumar, enquanto Bianca permanece na sala com Neide.

Neide, com os olhos marejados, diz para Bianca:

— Você não imagina o quanto isso significa pra gente, filha.

Bianca segura as mãos de Neide e sorri gentilmente:

— Relaxa, dona Neide. Vai dar tudo certo.

Enquanto Neide respira aliviada, Bianca observa Renato se afastar, sentindo o peso da responsabilidade, mas também algo mais... um sentimento que cresce a cada olhar trocado entre eles.

Sonya está deitada em sua cama, encarando o teto com um olhar perdido. Sua mente está agitada, tentando encontrar uma solução para o problema de seu pai. Ela se vira de um lado para o outro, inquieta, mas nenhuma ideia surge.

Frustrada, ela pega o celular que está sobre a mesa de cabeceira e, depois de hesitar por alguns segundos, digita uma mensagem para Caio:

— E aí, tá ocupado?

Do outro lado, Caio, que está sentado no quintal de sua casa, descansando, recebe a mensagem. Ele lê rapidamente e responde com tranquilidade:

— Estou de boas. Por quê?

Sonya, sentindo o peso do que está por vir, respira fundo e digita:

— Eu preciso falar com você.

Após alguns segundos, a resposta de Caio chega:

— Me encontra lá na rua. Assim a gente conversa cara a cara.

Sonya encara a tela do celular por um momento, sentindo um leve alívio por Caio estar disponível. Ela se levanta da cama, vai até o espelho, ajeita o cabelo e murmura para si mesma:

— Vamos lá. Não tem outra escolha.

Vestindo algo simples, mas arrumado, ela pega sua bolsa e sai de casa. Enquanto caminha pela rua com passos firmes, o vento frio da manhã parece trazer um pouco de clareza. Sonya sabe que essa conversa pode ser crucial e está determinada a pedir a ajuda de Caio, mesmo sem saber exatamente o que esperar.

Já na rua, Sonya avista Caio sentado na calçada, com os cotovelos apoiados nos joelhos e um olhar tranquilo. Ela se aproxima devagar e se senta ao lado dele.

— E aí, o que houve? — pergunta Caio, com o tom calmo de quem está disposto a ouvir.

Sonya respira fundo, tentando organizar seus pensamentos antes de falar.

— Meu pai... ele tá devendo um agiota.

Caio arregala levemente os olhos, surpreso, e começa a ligar os pontos.

— Então é por isso que ele estava todo machucado... Ele não conseguiu pagar a dívida, né?

Sonya concorda com um aceno de cabeça, os olhos pesados de preocupação.

— Sim, e o pior de tudo é que ele tá correndo risco de vida. Eu tô desesperada, Caio. Não sei o que fazer...

A vulnerabilidade na voz de Sonya pega Caio de surpresa. Ele nunca a tinha visto tão frágil antes. Após alguns segundos de silêncio, ele fala com convicção:

— Calma, Sonya. Eu vou dar um jeito nisso, de algum jeito.

Os olhos dos dois se encontram. Por alguns instantes, o mundo parece parar, e o silêncio, longe de ser desconfortável, cria uma conexão única entre eles. É um momento cheio de significado, onde nenhuma palavra seria suficiente para descrever o que sentem.

De repente, o som de um estalo de mãos quebra o clima. Jefferson surge do nada, dizendo:

— E aí, galera! Assustei?

Caio e Sonya se afastam ligeiramente, claramente incomodados com a interrupção. Sonya solta um suspiro irritado, enquanto Caio tenta disfarçar o desconforto.

— Que isso, Jefferson? Tá maluco? — Caio pergunta, tentando aliviar a tensão com um tom descontraído.

Jefferson ri, claramente sem entender o que interrompeu.

— Relaxa, galera! Só quis dar um susto de leve.

Caio revira os olhos, ainda tentando mascarar o momento interrompido, e pergunta:

— Tá, e aí? Quais são as novidades?

Jefferson dá de ombros, mas com um sorriso travesso.

— Por enquanto, nada demais. Mas você sabe como é, né? A vida sempre reserva uma novidade pra gente...

Ele termina a frase lançando um olhar direto para Sonya, deixando claro que a mensagem era para ela. Sonya, percebendo a intenção, mantém a compostura e desvia o foco.

— Bom, Caio, quer dar uma volta pelo bairro? — diz ela, levantando-se e olhando para ele.

Caio entende que ela quer continuar a conversa longe de interrupções. Ele se levanta e concorda.

— Claro, vamos.

Enquanto os dois saem andando lado a lado, Jefferson fica para trás, frustrado por não conseguir avançar em seu desafio de conquistar Sonya. Ele observa os dois se afastando e murmura para si mesmo:

— É, parece que vou ter que tentar outra vez...

Jefferson continua sentado na calçada, ainda frustrado com a cena que presenciou entre Caio e Sonya. Ele solta um suspiro pesado, perdido em seus pensamentos, quando Isabela surge caminhando pela rua.

— E aí, o que tá fazendo aqui sozinho? — pergunta Isabela, com um tom meio desinteressado, mas curiosa ao notar o semblante pensativo de Jefferson.

Jefferson levanta os olhos para ela e responde seco:

— Pensando.

Isabela, notando o tom melancólico, se senta ao lado dele.

— Será que eu posso ajudar?

Jefferson balança a cabeça negativamente, mas logo muda de ideia ao perceber Ketelin e Djalma passando abraçados pela rua, indo em direção à casa dele. Ele observa a cena com atenção e, ao ver o olhar triste de Isabela, percebe uma oportunidade.

— Na verdade... pode, sim. — Jefferson finalmente responde, olhando para ela com um ar de cumplicidade.

Isabela, com os olhos ainda seguindo Ketelin e Djalma, questiona sem muito entusiasmo:

— Como?

Jefferson hesita por um momento, mas decide abrir o jogo.

— Eu fiz uma aposta com o Júnior e o Vitor pra ver quem consegue beijar a Sonya primeiro.

Isabela vira-se para ele, surpresa e visivelmente chocada.

— Nossa, que coisa ridícula.

Jefferson dá de ombros e rebate, sem esconder o sorriso.

— Eu sei, mas a verdade é que eu acho a Sonya uma gata. Essa aposta só me fez perceber que quero mesmo namorar com ela.

Isabela revira os olhos, mas, percebendo o tom sério de Jefferson, responde:

— Tá, mas o que isso tem a ver comigo?

Jefferson ajusta sua postura e explica:

— Quero que você finja ser amiga da Sonya. Se aproxime dela, sabe?

Isabela franze a testa e cruza os braços.

— Isso nunca vai dar certo. Ela sabe que eu não gosto dela.

Jefferson dá um sorriso sarcástico.

— Então muda isso. Finge que mudou de ideia, inventa alguma história convincente.

Isabela estreita os olhos, agora intrigada.

— Tá, entendi. Mas por quê? Qual o plano?

Jefferson explica com um tom mais sério:

— A ideia é simples: você precisa arranhar a boa imagem que o Caio tem com a Sonya. Eles estão sempre juntos, e isso me atrapalha. Quero que ela se afaste dele.

Isabela parece cética.

— O Caio? Ele não tem nada de errado. Como você vai manchar a imagem dele?

Jefferson pensa por um instante, depois responde com um sorriso malicioso:

— Ele é ateu. A família da Sonya é claramente conservadora, e tenho certeza de que nem ela sabe disso. Se essa história vier à tona... as coisas mudam.

Isabela levanta as sobrancelhas, surpresa com a estratégia.

— Hum... até que é um bom plano. Mas me diz uma coisa: por que eu te ajudaria?

Jefferson dá uma risada baixa, percebendo que pegou Isabela exatamente onde queria.

— Porque eu também posso te ajudar.

Isabela, agora mais interessada, inclina a cabeça.

— Como?

Jefferson se aproxima um pouco mais, falando baixo como se compartilhasse um segredo.

— Você é louca pelo Djalma, e a Ketelin é um problema. Você me ajuda com a Sonya, e eu te ajudo a tirar a Ketelin do caminho.

Isabela, inicialmente relutante, pensa por alguns segundos. Ela sabe que Jefferson pode estar manipulando-a, mas o desejo por Djalma a domina. Finalmente, ela sorri de canto e responde:

— Fechado.

Os dois trocam um aperto de mãos rápido, selando a aliança. Ambos têm consciência de que estão jogando um jogo perigoso, mas o desejo de alcançar seus objetivos fala mais alto.

Sonya e Caio caminham lado a lado pelo bairro. O silêncio entre eles é carregado, e Sonya parece perdida em pensamentos. Percebendo seu estado, Caio tenta quebrar o clima.

Caio: Vamos virar ali naquela rua.

Sonya: (curiosa) Por quê?

Caio: (sorrindo de canto) Você vai ver.

Eles andam em silêncio por alguns minutos até chegarem a um parque com um gramado exuberante e uma nascente cristalina formando um pequeno lago. Sonya para de repente, seus olhos brilhando.

Sonya: (maravilhada) Nossa... que lugar incrível!

Caio: (satisfeito) Sabia que você ia gostar. Esse lugar é muito importante para mim.

Sonya: (olhando para ele) Sério? Por quê?

Caio se aproxima do gramado e se senta, indicando que Sonya faça o mesmo.

Caio: Vem cá, senta aqui comigo.

Ela se senta, um pouco desconfiada, mas divertida.

Sonya: (brincando) E agora, mestre? O que eu faço?

Caio: (rindo) Agora fecha os olhos.

Sonya hesita, mas obedece. O silêncio toma conta. O som dos passarinhos e da água correndo lentamente pela nascente preenche o ar. Aos poucos, a expressão de preocupação no rosto de Sonya desaparece, substituída por uma tranquilidade genuína.

Caio: (suavemente) E aí, tá melhor?

Sonya: (ainda de olhos fechados) Muito... Obrigada por isso, Caio.

Ela abre os olhos, agora com um semblante mais leve, e o encara com um sorriso.

Sonya: (pensativa) Sabe, você me deu uma ideia. Acho que sei como ajudar meu pai.

Caio: (curioso) É mesmo? Como?

Sonya se ajeita no gramado, sua voz animada.

Sonya: então há muito tempo atrás eu Ganhei um colar de diamantes de um amigo da escola que era apaixonado por mim.

Caio: (com uma ponta de desconforto, mas disfarçando) Ah, tá... E você vai usar o colar pra saldar a dívida?

Sonya: Isso mesmo! É uma peça de valor. Acho que vai ser suficiente.

O alívio é palpável na voz de Sonya. Impulsivamente, ela se inclina e dá um abraço apertado em Caio.

Sonya: (emocionada) Obrigada, Caio. Você é a pessoa mais importante da minha vida nesses últimos dias.

Caio, surpreso, tenta responder, mas as palavras não saem. Antes que ele consiga dizer

algo, gotas de chuva começam a cair.

Caio: (rindo) Ah, claro... Agora vai chover!

Sonya: (rindo também) Vamos correr!

Os dois se levantam e correm até encontrarem abrigo debaixo de um toldo próximo. Eles estão encharcados, mas a leveza do momento os faz rir como se todos os problemas tivessem desaparecido, ao menos por enquanto.

A chuva continuava a cair suavemente enquanto Caio e Sonya se brigavam sob o toldo de uma casa próxima. O som das gotas batendo no telhado criava um ritmo tranquilo, contrastando com as emoções intensas que ambos haviam compartilhado momentos antes.

Sonya, olhando para o cabelo molhado que caía sobre os ombros, suspirou com uma risada:

— Só porque eu fiz chapinha hoje, a chuva resolveu aparecer.

Caio sorriu, aproveitando o clima descontraído:

— Pois é, vocês mulheres sofrem com essas coisas.

Sonya revirou os olhos de brincadeira, mas riu junto. O clima entre os dois ficou mais leve, embora uma tensão sutil permanecesse no ar. Após alguns segundos de silêncio, Caio olhou para Sonya, curioso:

— Esse colar... Ele deve ser importante para você, não é?

Sonya deu de ombros, observando a chuva. Sua expressão mudou de divertida para pensativa.

— Na verdade, não. O menino que me deu era um saco. Ele insistia demais, era meio grudento... Nem sei por que fiquei com isso.

Caio arqueou as sobrancelhas, surpreso, mas manteve o tom descontraído:

— Ah, já sei. Deve ser porque ele é cheio de diamantes, né?

Sonya soltou uma risada curta, balançando a cabeça.

— É, talvez tenha sido isso. Acho que, no fundo, eu sabia que um dia esse colar ia ser útil pra alguma coisa.

Ela olhou para Caio com um sorriso sincero, seus olhos brilhando, apesar da chuva.

— E agora está tudo resolvido. Meu pai está salvo da dívida, e tudo graças a você.

Caio ficou visivelmente desconcertado com o agradecimento, mas retribuiu o sorriso. Antes que pudesse responder, um trovão ecoou à distância, arrancando de Sonya uma reação espontânea:

— Só espero que essa chuva não dure o dia inteiro.

Ele riu, mas sua expressão ficou levemente séria.

— Só toma cuidado com o colar, tá? Essas coisas valem muito, mas também podem trazer problemas.

Sonya assentiu, reconhecendo o tom de preocupação na voz dele.

— Pode deixar, eu sei o que estou fazendo.

O silêncio retornou, mas era um silêncio confortável. Sonya olhou para a chuva, parecendo mais leve, como se o peso de seus problemas tivesse diminuído. Caio observava-a de soslaio, admirando a determinação que ela exalava mesmo em meio ao caos.

Ao longe, passos apressados na calçada chamaram a atenção dos dois. Era Jefferson e Isabela, saindo de uma rua e entrando em outra, conversando com expressões fechadas. Sonya não deu importância, mas Caio os acompanhou com o olhar, sentindo que algo estranho estava acontecendo.

— Vamos dar mais uma volta quando a chuva passar? — Sonya sugeriu, trazendo a atenção de Caio de volta para ela.

Ele sorriu.

— Claro, só não vamos nos molhar mais.

Ambos riram enquanto a chuva continuava a cair, lavando não só o chão, mas também um pouco das preocupações que carregavam.

Bianca e Renato estavam sentados no banco de trás de um táxi, o som do motor preenchendo o silêncio desconfortável entre eles. Renato olhava pela janela, vendo as ruas ficando cada vez mais familiares para Bianca. Ele respirou fundo, reunindo coragem antes de perguntar:

— Tem certeza que isso vai dar certo?

Bianca, que até então estava perdida em seus próprios pensamentos, virou-se para ele. Sua expressão era um misto de confiança e incerteza.

— Sinceramente? Só testando pra saber.

Renato segurou o olhar dela por um momento, buscando alguma garantia na voz dela, mas não encontrou. A dúvida pairava entre eles como uma nuvem pesada. O táxi parou em frente a uma casa grande e imponente, com um portão de ferro que parecia tão frio quanto a situação.

Bianca olhou para a casa por alguns segundos, respirou fundo e murmurou:

— Chegamos.

Renato ajustou o boné, tentando disfarçar o nervosismo.

— Então, é agora ou nunca.

Ela assentiu, mas antes de sair do táxi, olhou novamente para ele, como se precisasse de um último empurrão.

— Renato, confia em mim, tá?

Ele hesitou, mas logo respondeu com um leve sorriso.

— Tô co

m você.

Ambos desceram do táxi, encarando o portão imponente

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