Robson está dirigindo calmamente por uma estrada deserta, o motor do carro ecoando na escuridão. Seus pensamentos, no entanto, estão longe dali. Ele murmura para si mesmo, com um sorriso frio no rosto:
— Esse Marcelo precisa arrumar logo o meu dinheiro. Se não...
De repente, uma luz forte de farol alto atinge seu rosto, forçando-o a se concentrar novamente na estrada. Ele franze a testa, irritado, mas logo retoma a direção com firmeza.
Após alguns minutos, Robson finalmente chega ao seu barraco. Ele estaciona o carro, sai e tranca a porta com cuidado, lançando um olhar ao redor como quem vigia cada movimento.
Dentro do barraco, Robson joga sua jaqueta em uma cadeira velha e se dirige à cama. Antes de deitar, ele encara um calendário desbotado pendurado na parede. Os olhos dele fixam-se em uma data marcada em vermelho: 25 de dezembro. Ele balança a cabeça, refletindo em voz alta:
— Preciso organizar aquele roubo à loja de eletrônicos o mais rápido possível. O Natal é o dia perfeito pra isso. Todo mundo distraído... vai ser moleza.
Ele suspira profundamente, como se sentisse a satisfação de ter tudo sob controle. Robson então se joga na cama com um sorriso satisfeito. Antes de fechar os olhos, murmura para si mesmo:
— As coisas finalmente estão dando certo pra mim.
A escuridão toma conta do pequeno barraco, enquanto Robson adormece, completamente alheio às consequências que seus planos podem trazer.
Caio está terminando de arrumar as coisas na lanchonete, guardando os últimos utensílios e verificando o caixa. Djalma aparece com um sorriso no rosto, mas com um olhar que denuncia uma mistura de ansiedade e nervosismo. Ele se aproxima e pergunta:
— E aí, Caio, vamos dar uma passada na igreja?
Normalmente, Caio ficaria desanimado com a ideia, mas, sabendo que Sonya estaria lá, ele responde tranquilamente:
— Bora, sim.
Os dois fecham a loja e seguem em direção ao carro de Djalma. Durante o trajeto, o silêncio dentro do veículo começa a ficar desconfortável. Djalma olha para Caio de maneira inquieta, como se estivesse lutando para dizer algo.
Caio percebe e quebra o silêncio:
— Mano, tá tudo bem? Tá com uma cara estranha.
Djalma hesita por um momento, mas acaba respondendo:
— Sim, sim. Tá tudo ótimo. Quer saber? Na verdade, eu preciso te falar algo.
Caio, curioso, diz:
— Manda aí.
Djalma respira fundo e solta tudo de uma vez:
— Eu beijei sua irmã.
Caio arregala os olhos, completamente pasmo, e quase grita:
— Você o quê?!
Djalma, tentando manter a calma, responde:
— Calma, é uma longa história.
Caio, ainda em choque, diz:
— Longa história? Não tô nem aí, me conta o que aconteceu agora!
Djalma dá um breve resumo, explicando sobre a briga com Wallaf e como ele e Ketelin acabaram se aproximando. Caio ouve tudo em silêncio, respirando fundo como se tentasse digerir a informação. Quando Djalma termina, pergunta com um tom nervoso:
— E aí? Você apoia meu namoro com sua irmã?
Caio pensa por um momento e finalmente responde:
— Cara, de todas as pessoas que minha irmã poderia escolher, ela tinha que ir logo no meu chefe... Mas, sei lá, vamos ver no que dá.
Djalma solta um suspiro aliviado, mas Caio ainda parece processar a situação. Finalmente, eles chegam à igreja,
Caio e Djalma saem do carro e seguem em direção a Nice e Ketelin, que os esperam próximas à entrada da igreja. Nice abre um sorriso caloroso e abraça Djalma como forma de parabenizá-lo.
— Parabéns, meu querido. Que vocês sejam muito felizes — diz Nice, apertando-o em um abraço acolhedor.
Ketelin aproveita o momento e olha diretamente para Caio, com um sorriso meio envergonhado:
— E aí? Ele te contou do namoro?
Caio, ainda desconfortável, responde com um tom sincero, mas cauteloso:
— Sim, ele me falou tudo. Apesar de estar surpreso, espero que você seja feliz.
Ketelin dá uma risada aliviada, mas sua alegria é interrompida pela expressão séria de Caio. Ele cruza os braços e pergunta diretamente:
— Que história é essa do Wallaf ter batido em você?
O clima muda imediatamente. Ketelin fica visivelmente nervosa, gaguejando:
— Ah, vamos esquecer isso, já foi. Deu tudo certo.
Caio, no entanto, não deixa passar:
— Esquecer um caramba, Ketelin. Esse cara precisa ser preso!
Ketelin tenta acalmá-lo, colocando a mão no ombro do irmão:
— Eu sei, mas o Wallaf passou por muita coisa ultimamente. Eu sei que ele não é desse jeito...
Caio, com o olhar firme, insiste:
— Tá, mas promete que vai tomar cuidado?
Ketelin, tentando tranquilizá-lo, responde gentilmente:
— Eu prometo.
Caio suspira, ainda preocupado, e diz:
— Amanhã vou te dar uma coisa que vai ser bem útil.
Ketelin franze a testa, curiosa:
— O que é?
— Uma smart tag. É tipo um rastreador — responde Caio, com um tom sério.
Ketelin se incomoda com a ideia, mas tenta não demonstrar, apenas acenando com a cabeça.
Nesse momento, Nice intervém, percebendo o clima tenso:
— Vamos entrar. O culto vai começar.
Todos concordam e seguem para dentro da igreja,
Nice, Djalma e Ketelin se sentam juntos, enquanto Caio, sentindo que precisa de um momento longe, avisa:
— Vou procurar uma amiga.
Ele olha ao redor, percorrendo os bancos da igreja, até avistar Sonya sentada alguns lugares à frente. Determinado, ele caminha até ela e, sem aviso, a assusta.
— Ah! Seu idiota! — grita Sonya, surpresa, mas logo dá uma risada ao perceber que é Caio.
Caio, com um sorriso travesso, responde:
— Isso é minha vingança.
Sonya revira os olhos, mas acaba rindo junto.
— Sério, cara... — diz ela, mas logo muda para um tom mais sério. — Não sei o que está acontecendo com meu pai.
Caio, preocupado, responde:
— É... Ser agredido já é complicado, ainda mais se foi mesmo um assalto.
Sonya, com o olhar distante, comenta desconfiada:
— Não sei... Algo me diz que isso não foi assalto coisa nenhuma.
Caio, pensativo, sugere:
— Você acha que tem a ver com aquela ligação misteriosa que ele tava recebendo?
— Bom, há uma chance — responde Sonya, enquanto analisa os próprios pensamentos.
Depois de um momento de silêncio, ela percebe que Caio está distraído e pergunta:
— Ei, você tá bem?
Caio, tentando disfarçar, responde:
— Sim, por que a pergunta?
Sonya, observando sua expressão, insiste:
— Sei lá, só tive a impressão de que você estava meio triste.
Caio suspira, desistindo de esconder o que sente, e desabafa:
— Na verdade, estou preocupado também.
Sonya sorri levemente, com um brilho nos olhos.
— Viu? Você pra mim já é um livro aberto.
Caio fica surpreso e, ao mesmo tempo, feliz de ouvir isso. Aproveitando o momento, começa a contar:
— Sabe, no dia que você chegou aqui no bairro...
Sonya ri, relembrando:
— Ah, sei! Achei que seria o pior dia da minha vida.
Caio continua, enquanto observa sua reação:
— Então, minha irmã estava prestes a se casar...
Ele segue narrando a confusão do casamento, enquanto Sonya ouve atentamente, alternando entre surpresa e risadas.
Cena paralela: Bianca no quarto de Sonya
Enquanto isso, Bianca está no quarto de Sonya, sentada na cama. Ela observa os poucos itens que sua amiga trouxe na mudança e murmura para si mesma:
— Quem diria... Sonya, morando aqui.
Bianca pega o celular, mas hesita em mandar uma mensagem. Em seguida, suspira profundamente e comenta, em voz baixa:
— Será que ela está bem mesmo? Não parece o tipo de lugar onde ela vai se adaptar facilmente.
Ela então se deita na cama, encarando o teto, perdida em pensamentos sobre o quanto a vida delas mudou.
Bianca se perde em pensamentos enquanto encara o teto. Sua mente retorna ao momento em que Renato, sem hesitar, a salvou daquele assaltante. Com um leve suspiro, ela murmura:
— Até quando vou conseguir segurar meus sentimentos perto dele?
Ela se vira na cama, inquieta, e finalmente decide:
— Quer saber... Amanhã eu mesmo vou acabar com isso. Seja o que Deus quiser.
Determinação toma conta de seu rosto enquanto ela pega o celular, mas hesita em mandar uma mensagem. Bianca respira fundo, como se estivesse se preparando para enfrentar seus próprios sentimentos.
Enquanto isso, Renato está no pequeno escritório improvisado em casa, concentrado no computador. Ele trabalha no projeto dele e de Caio, ajustando códigos e refinando detalhes. Tudo parece correr bem até que Dona Neide entra no quarto.
Renato percebe o semblante preocupado da mãe e pergunta, desviando os olhos da tela:
— Mãe, o que aconteceu? A senhora está bem?
Neide, segurando uma carta em mãos, responde hesitante:
— Bom, hoje à tarde eu recebi isso aqui.
Ela entrega o envelope a Renato, que o abre rapidamente. Ele analisa a carta por um instante e percebe que é da companhia de luz. Surpreso, levanta os olhos para a mãe:
— Por que a senhora não me disse nada antes?
Neide, tentando esconder o desconforto, explica:
— Eu achei que ia conseguir juntar dinheiro suficiente para pagar a conta antes de isso acontecer.
Renato lê a carta com atenção e percebe algo alarmante:
— Aqui tá dizendo que provavelmente a luz será cortada amanhã, mãe! A senhora deveria ter me contado antes.
Neide baixa os olhos, sentindo-se culpada.
— Desculpa, filho... É que fiquei com vergonha, sei lá.
Renato respira fundo, ainda chateado, mas percebe o quanto sua mãe está vulnerável. Ele a abraça com carinho e responde:
— Relaxa, mãe. Vamos dar um jeito nisso.
Enquanto a abraça, Renato começa a pensar em como resolver o problema. Ele olha para o computador, para o vídeo game que pretende vender e sussurra para si mesmo:
— É, vou ter que acelerar as coisas.
Claro! Aqui vai uma versão melhorada:
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De volta à igreja, Sonya fica boquiaberta com a história que Caio acabou de contar. Ele termina, suspirando:
— Tá vendo o caos que minha família tá vivendo?
Sonya tenta recapitular, ainda processando as informações, mas com um tom que mistura seriedade e incredulidade:
— Então, deixa eu ver se entendi... Sua irmã desiste do casamento no altar... A mãe do noivo passa mal e vai parar no hospital... Depois o noivo, do nada, resolve bater nela... e, pra completar, o seu chefe, que por um acaso te obriga a vim pra igreja, vira o herói da história e agora tá namorando ela?
Caio solta uma risada curta, balançando a cabeça:
— É isso mesmo. Bem-vinda à minha vida.
Sonya, com os olhos arregalados, diz em tom cômico:
— Caramba, desculpa, mas sua vida tá melhor que muita novela das nove!
Caio ri do comentário, relaxando um pouco. A leveza da conversa ajuda a aliviar o peso da situação. Ambos trocam um sorriso sincero, mas Sonya logo muda o tom para algo mais sério:
— Agora falando sério, se você precisar de mim, é só me chamar. Não sou do tipo de amiga que vira as costas, tá?
Ela olha fixamente nos olhos de Caio, e por um instante, ele sente o coração acelerar. Sem jeito, ele desvia o olhar e responde:
— Valeu, Sonya. Isso significa muito pra mim.
O silêncio entre eles é interrompido pelo burburinho das pessoas se levantando. O culto havia terminado. Caio percebe sua família se reunindo perto da porta e se levanta:
— Bom, acho que preciso ir. Quer carona?
Sonya sorri levemente e balança a cabeça:
— Não precisa, vai lá. A gente se fala depois.
Enquanto Caio se afasta, Sonya o observa, pensativa. Ela sussurra para si mesma:
— Quem diria... o bairro pode até ser um inferno, mas algumas pessoas aqui realmente valem a pena.
Sonya observa Caio se afastar em direção à sua família, ainda pensando na conversa que tiveram. Ela não consegue evitar um pequeno sorriso, se sentindo mais conectada a ele do que antes. Enquanto isso, Caio alcança Nice, Ketelin e Djalma, que estão próximos à saída da igreja.
Nice, ao perceber a aproximação de Caio, comenta em tom casual:
— Parece que você e sua amiga estavam bem entretidos na conversa, hein?
Caio, tentando disfarçar, responde rapidamente:
— Ah, mãe, ela só tava desabafando sobre umas coisas da família dela.
Ketelin, com um ar curioso, pergunta:
— Essa aí é aquela garota que acabou de se mudar pro bairro, né? A rica mimada?
Caio a repreende, mas de maneira leve:
— Ketelin, menos, tá? Ela já tá mudando bastante.
Djalma, com um sorriso sugestivo, provoca:
— Tá defendendo assim porque tá gostando dela, né?
Caio revira os olhos, tentando não alimentar o assunto:
— Pelo amor de Deus, Djalma. Vamos embora logo!
Enquanto saem, Sonya permanece no banco por mais alguns minutos, pensando em como a vida na Rua 2 tem sido cheia de surpresas e desafios. Ela suspira profundamente e murmura para si mesma:
— Eu só espero que meu pai não esteja se metendo em mais problemas...
Sonya vai embora da igreja sozinha, parecendo determinada a descobrir a verdade sobre seu pai.
Cléber está sentado em sua casa, pensativo, observando a rua pela janela. Ele parece perdido em pensamentos, tramando algo. De repente, seu celular vibra. Ele pega o aparelho e lê a mensagem: "Tô indo aí. Bagulhinho."
Cléber, surpreso, murmura para si mesmo:
"Bagulhinho? Esse aí não perde tempo."
Pouco tempo depois, a campainha toca. Cléber se levanta rapidamente e abre a porta. Bagulhinho entra com um sorriso desconfiado.
Cléber:
"Caramba, já saiu da prisão? Foi rápido."
Bagulhinho:
"É... coisa leve. Mas e aí, ouvi dizer que os moradores tão bravos com você."
Cléber:
"Dane-se o que eles pensam. A questão é você. O que aconteceu naquele dia? O que deu errado no assalto?"
Bagulhinho (relembrando com raiva):
"Se não fosse aquele maldito que me deu uma surra, eu teria conseguido terminar. Mas olha só, foi só ele aparecer que tudo desandou."
Cléber:
"É, eu até fui com o Robson tentar descobrir quem te derrubou, mas quer saber o que aconteceu? Robson arregou. Não fez nada."
Bagulhinho (surpreso):
"O Robson? Arregou? Tá brincando!"
Cléber (séria e calculista):
"Não tô, não. Isso que me chamou atenção. O que será que o fez recuar? A gente precisa descobrir qual é a fraqueza dele."
Cléber se aproxima de Bagulhinho com um olhar frio e ambicioso.
Cléber:
"Imagina só... eu e você no comando. Acabamos com o Robson e tomamos o lugar dele."
Bagulhinho (hesitante):
"Sei não, Cléber. Eu não quero confusão. Isso sempre dá ruim no final."
Cléber dá uma risada debochada e cruza os braços.
Cléber:
"Ah, é? E você acha que o Robson vai simplesmente esquecer o roubo que você tentou fazer na quebrada? Não, parceiro. Ele vai vir atrás de você, mais cedo ou mais tarde."
Bagulhinho parece preocupado. Ele abaixa a cabeça, considerando as palavras de Cléber.
Bagulhinho:
"Isso é verdade..."
Cléber:
"Então, vamos resolver isso antes que ele resolva com você. Vamos nos unir e acabar com ele, de uma vez por todas."
Depois de alguns segundos de silêncio, Bagulhinho olha para Cléber e estende a mão.
Bagulhinho:
"Fechado. Tamo junto."
Cléber sorri, satisfeito, e ambos se cumprimentam.
Cléber:
"Agora sim, parceiro. É questão de tempo até a gente dominar tudo."
Os dois dão risadas e brindam com copos de cerveja que estavam na mesa, comemorando a aliança que pode mudar o rumo do comando na quebrada
Sonya chega em casa, fechando a porta suavemente. Ela para por um momento na entrada, respirando fundo, antes de entrar na sala. Seu pai, Marcelo, está sentado no sofá, olhando para a televisão desligada, como se estivesse perdido em pensamentos.
Sonya observa a cena por um instante e, cuidadosamente, se aproxima.
Sonya:
"Oi, pai... onde tá a mãe?"
Marcelo, pego de surpresa, tenta disfarçar seu nervosismo. Ele olha para Sonya com um sorriso forçado.
Marcelo:
"Ela tá dormindo já. Por quê?"
Sonya cruza os braços e se aproxima mais, agora com o olhar sério e desafiador.
Sonya:
"Vai, pai... me diz o que está acontecendo. Porque, sinceramente, essa história de assalto não convence ninguém."
Marcelo engole seco e desvia o olhar, claramente desconfortável. Ele se ajeita no sofá, tentando ganhar tempo.
Marcelo:
"Sonya, você tá imaginando coisas. Foi só um azar... coisa que acontece."
Sonya (cruza os braços, insistindo):
"Não, pai. Não foi só azar. Eu vi como você ficou depois daquela ligação. E agora isso? Tem algo maior acontecendo, e eu quero saber a verdade."
Marcelo respira fundo, visivelmente tenso. Ele encara a filha por um momento, como se estivesse decidindo se deve ou não falar a verdade. Mas antes que ele possa responder, ele simplesmente desvia o olhar novamente, em silêncio.
A cena termina com Sonya encarando o pai,
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Atualizado até capítulo 36
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