Apostas e segredos

Vitor olha para Júnior e Jefferson com um sorriso travesso no rosto. “Olha, se alguém descobrir sobre a aposta, a brincadeira termina. Sem escândalos, hein?” Ele gesticula com as mãos, como se estivesse alertando sobre algo sério, mas claramente se divertindo com a ideia.

Jefferson, com um ar de autoconfiança, responde: “Relaxa, ninguém vai saber. Essa é só entre nós.”

Júnior concorda, mas com um olhar mais cauteloso. “É, mas se isso der errado, a gente vai ficar marcado como os otários da rua. Então vamos jogar direito.”

Vitor se encosta na cadeira e cruza os braços. “Então tá combinado. Que vença o melhor!”

Jefferson já traça sua estratégia: ele precisa eliminar qualquer obstáculo. E, na mente dele, o maior problema tem nome: Caio. “Eu preciso tirar aquele cara do caminho... Só assim vou ter uma chance com a Sonya,” murmura para si mesmo, enquanto um sorriso sagaz surge em seu rosto.

Por outro lado, Júnior adota um método diferente: mais paciente e menos arriscado. “Vou me aproximar dela devagar. Nada de pressão. Vou ganhar a confiança dela e ver como as coisas acontecem.” Ele parece determinado, mas menos afoito que Jefferson.

Os três trocam olhares cúmplices, cada um guardando seus próprios planos, enquanto o ambiente fica carregado de uma competitividade silenciosa.

Caio chega em casa, com passos apressados e um sorriso discreto no rosto. Ele vai direto para o quarto, fecha a porta e se joga na cama, como se estivesse aliviado por finalmente estar sozinho. Pega o celular e, com certa ansiedade, começa a digitar o número de Sonya, que ele havia anotado mais cedo.

Ao salvar o contato, ele observa a foto de perfil dela. É uma imagem simples, mas suficiente para fazê-lo suspirar. Ele sorri de leve, como se estivesse se permitindo um momento de esperança. “Será que tenho alguma chance com ela?” murmura para si mesmo, enquanto gira o celular entre os dedos.

Mas logo a insegurança começa a tomar conta. Ele franze a testa e diz, meio preocupado: “Provavelmente ela só me vê como amigo...” Ele suspira mais uma vez, tentando afastar o pensamento, e solta uma leve risada. “Nossa, mulheres são tão complexas.”

Ele coloca o celular ao lado, encara o teto por alguns segundos e deixa os pensamentos vagarem. Apesar da dúvida, há uma faísca de esperança em seu olhar.

Bianca e Sonya entram na casa e caminham até a sala. Ambas se jogam no sofá, aliviadas após o longo dia. Sonya é a primeira a puxar assunto, com um leve sorriso no rosto.

— Hoje foi até divertido, né? — diz ela, ajeitando os cabelos.

Bianca concorda com um sorriso animado. — Com certeza! Mas, olha, preciso perguntar uma coisa... Você e o Caio estão ficando bem próximos, não é?

Sonya dá um sorriso entusiasmado, sem perceber que está entregando algo. — Pior que sim! Ele é uma pessoa incrível, sabe? A gente se conecta muito bem.

Bianca arqueia uma sobrancelha, já notando algo a mais. — Pelo jeito, o Caio mexeu muito com você, não é?

Sonya, percebendo que deu bandeira, tenta disfarçar. — Não é do jeito que você tá pensando, não. Ele é incrível, mas... é só meu amigo.

Bianca cruza os braços e a encara com um olhar fixo e provocador. — Será mesmo?

Sonya, visivelmente desconfortável, desvia o olhar e responde de forma evasiva. — Claro que sim! Enfim... E você e o Renato, hein? Alguma novidade?

Bianca responde feliz — Sabe, eu tenho uma novidade — diz Bianca, com um brilho nos olhos.

Sonya se ajeita no sofá, curiosa. — É mesmo? Que novidade é essa?

Bianca dá um sorriso tímido, mas não consegue esconder a felicidade. — Acho que estou apaixonada pelo Renato.

As duas dão um leve e baixo grito de comemoração, abraçando-se rapidamente, como se compartilhassem um segredo.

— Ai, meu Deus! — exclama Sonya, animada. — Você já disse isso pra ele?

Bianca balança a cabeça negativamente, ainda sorrindo. — Pior que não. Tô esperando o momento certo, sabe?

Sonya cruza os braços e faz uma expressão determinada. — Bom, se você quiser, eu te ajudo. Aliás, agora eu faço questão de ir pra rua todos os dias até que você se declare pra ele.

Bianca ri alto, provocando. — Ah, claro que é por minha causa, né?

Sonya percebe a indireta e fica levemente sem graça. — Sabe de uma coisa? Vamos dormir.

As duas riem novamente, o clima leve e cheio de cumplicidade.

O sol já está alto, e Isabela, ainda sonolenta, caminha até a cozinha. Ao abrir a geladeira, percebe que está sem leite. Resmungando baixinho, ela volta ao quarto, veste uma roupa simples e sai de casa.

Já na rua, ela dá de cara com Jefferson, que está sentado no meio-fio, distraído.

— E aí, Isabela, tá indo aonde? — pergunta ele, curioso.

— Vou ali na mercearia comprar leite. Não consigo acordar direito sem meu leite — responde Isabela, com um sorriso leve.

Jefferson, sem nada melhor para fazer, se levanta e decide acompanhá-la. — Vou com você. Não tô com nada pra fazer mesmo.

Enquanto caminham, conversando sobre banalidades, Isabela de repente para, estática, como se tivesse visto um fantasma. Jefferson percebe imediatamente a mudança de comportamento e para preocupado

— O que foi? — pergunta ele, curioso, mas sem resposta.

Isabela continua paralisada, os olhos arregalados e a pele pálida.

— Ei, Isabela, tá tudo bem? — insiste Jefferson, agora preocupado.

Isabela não consegue dizer uma palavra. Lentamente, ela levanta o dedo, apontando para algo à frente. Jefferson segue o olhar dela e se surpreende ao ver Ketelin e Djalma, no portão da casa dele, trocando um beijo apaixonado.

Os olhos de Isabela se enchem de lágrimas, que rapidamente escorrem pelo rosto. Sua expressão é de desespero, como se tivesse acabado de perder algo muito precioso.

— Isabela? Que tá acontecendo? — pergunta Jefferson, tentando entender.

Sem forças para responder, ela murmura, quase inaudível:

— Me tira daqui... por favor.

Jefferson a segura pelos ombros, firme, mas com cuidado.

— Tá bom, eu te levo pra casa. Mas você precisa respirar, ok?

Isabela apenas acena com a cabeça, quase catatônica. Jefferson, ainda sem entender o motivo de tanta emoção, a guia de volta para sua casa, enquanto ela soluça baixinho, como se tivesse perdido um pedaço de si mesma.

Ketelin e Djalma terminam de se beijar, e ela solta um sorriso radiante, daqueles que parecem iluminar o ambiente. Djalma, encantado, olha profundamente nos olhos dela e comenta com ternura:

— Eu adoro esse seu sorriso lindo.

Ketelin, ainda emocionada, responde:

— Se não fosse você, eu não sei o que o Wallaf poderia ter feito comigo.

Djalma, sério, franze a testa e segura delicadamente as mãos dela.

— E é exatamente por isso que eu insisto, Ketelin. Você precisa ir até a delegacia e denunciar esse animal. Ele não pode sair impune.

Ketelin, buscando acalmá-lo, toca suavemente o rosto de Djalma e diz com uma voz calma, mas firme:

— Relaxa, Djalma. Eu vou cuidar disso. Só preciso de um pouco de tempo pra pensar em como fazer isso da melhor forma.

Ele suspira, ainda preocupado, mas confia na determinação dela.

— Tudo bem, mas promete que não vai demorar. Eu quero ter certeza de que você tá segura.

Ketelin sorri novamente, dessa vez com um misto de gratidão e carinho.

— Eu prometo. Agora deixa eu ir pra casa antes que minha mãe comece a se preocupar.

Djalma, relutante, solta as mãos dela, mas faz uma última exigência:

— Tá, mas ó... Só vou sair daqui depois que eu te ver entrando na sua casa, ouviu?

Ketelin ri levemente, achando a preocupação dele doce.

— Tá bom, bobo. Boa noite.

Ela se despede com um leve aceno e começa a caminhar em direção à sua casa, enquanto Djalma permanece parado no portão, observando cada passo dela com atenção. Só quando ela entra em casa e fecha a porta, ele finalmente relaxa, dando um último sorriso antes de voltar para dentro.

Enquanto isso, Marcelo está em sua sala, com o semblante cansado e preocupado. Ele verifica o celular diversas vezes, como se esperasse algo inevitável. Quando finalmente o telefone toca, ele hesita por um instante antes de atender. Ele olha em volta para garantir que ninguém está por perto, fecha a porta da sala e atende com um tom baixo e nervoso:

Marcelo: Alô?

Uma voz grave e ameaçadora responde do outro lado da linha: Já está com o nosso dinheiro?

Marcelo respira fundo, tentando manter a calma, mas a voz dele entrega o nervosismo:

Marcelo: Ainda não... eu só preciso de mais alguns dias.

A voz do outro lado, firme e impiedosa, o interrompe: Não aceitamos atrasos, Marcelo. Você sabe disso. Encontre-me no lugar de sempre.

Marcelo tenta argumentar: Escuta, eu posso resolver isso, eu só...

A voz o corta, aumentando o tom: Sem desculpas. Você tem até meia hora.

A ligação é encerrada abruptamente, deixando Marcelo imóvel por alguns segundos. Ele passa as mãos pelo rosto, respira fundo e se levanta apressado. Ele pega as chaves do carro e sai de casa sem dizer nada a ninguém.

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Corta para o ponto de encontro: um terreno baldio, vazio e cercado por mato alto. O lugar está mal iluminado pela luz de um poste distante, criando uma atmosfera tensa e desolada. Marcelo estaciona o carro a poucos metros do ponto combinado. Ele desce lentamente, olhando ao redor com paranoia, enquanto o som do vento e o farfalhar das folhas aumentam a sensação de isolamento.

De repente, um homem alto e mal-encarado surge das sombras. Ele usa um boné baixo e uma jaqueta preta, mantendo uma expressão fria e intimidadora. Com passos firmes, ele se aproxima de Marcelo.

Homem: Está com o dinheiro?

Marcelo: (engolindo em seco) Ainda não... mas eu juro que vou conseguir. Só preciso de mais um pouco de tempo.

O homem cruza os braços, como se esperasse essa resposta. Ele balança a cabeça em desaprovação e, em um movimento rápido, puxa um pequeno canivete do bolso. A lâmina brilha sob a fraca luz do poste, e ele aponta para Marcelo com uma expressão de puro desprezo.

Homem: Meu chefe odeia quando as pessoas atrasam. Ele odeia ainda mais quando acham que podem enganá-lo.

Marcelo dá um passo para trás, levantando as mãos em um gesto de rendição, com os olhos arregalados de pânico:

Marcelo: Por favor, não faça nada! Eu só preciso de mais tempo!

O homem avança um passo, com a lâmina ainda apontada para ele. O silêncio do local aumenta a tensão, e Marcelo sente o suor

Escorrendo pelo rosto. O homem esboça um sorriso cruel, como se deliciasse com o medo de Marcelo. A cena termina com a lâmina sendo erguida lentamente, para Marcelo

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