Cheguei na pensão
descida a ir embora. Um aperto no peito tomou conta de mim. Era como se algo de ruim me aguardasse.
Cumprimentei o senhor José, que fica na recepção da pensão, e segui para o meu quarto. Entrei, e a primeira coisa que fiz após trancar a porta foi guardar as minhas coisas em uma mala. Gastei um bom tempo fazendo isso. Até que escutei barulho vindo do lado de fora do quarto.
Me aproximei da porta, a fim de ouvir do que se tratava. Já era costume meu estar sempre em alerta. Nunca se sabe quando meu pai e o Vladimir podem me encontrar.
E por sorte sempre estar em alerta, pude perceber do que se tratava. Mas nem imaginando que um dia poderia ser descoberta, consegui deixar de lado o fato de me assustar.
Do lado de fora ouvir alguém falar o meu nome, naquele momento tive a certeza de que eles tinham sido mandados pelo meu pai.
Corri pra dentro do banheiro e tranquei a porta. Ouvi quando a porta do quarto foi arrombada, o medo tomou conta de mim. Olhei ao redor à procura de uma fuga, mas estava impossibilitada de conseguir fugir. A janela do banheiro era minúscula, nunca que me caberia ali.
Entregue ao que me aguardava, sabendo que era só questão de tempo para eles conseguirem arrombar a porta do banheiro. Me abaixei no chão, coloquei a mão na boca para abafar o som do meu choro.
Escutei barulho de coisas quebrando, e já imaginei eles vasculhando tudo à minha procura. Por um tempo se fez silêncio dentro do quarto, e imaginei que eles teriam ido embora. Cheguei a cogitar a ideia de abrir a porta do banheiro, mas algo dentro de mim me dizia para permanecer quieta.
E meu consciente estava correto. Não demorou para escutar barulhos novamente dentro do quarto. Ali me apavorei mais. Na minha cabeça se passou mil e uma coisas. Até escutar batidas na porta do banheiro, o que me deixou mais apavorada. Até escutar uma voz dizendo que era o Pedro.
Mas o que ele estaria fazendo aqui?
Isso lá importa? Se for ele mesmo, sinal que os homens foram embora.
Abri a porta do banheiro devagar, ainda receosa por estar sendo enganada. E ali estava ele, o homem mais lindo que já vi.
Passou um tempinho para me tocar que estava nos braços dele. Mas seu agarro forte não me deixava afastar.
Notei que os homens que estavam atrás de mim, estavam ainda no quarto. Dois homens ali no chão. Desacordados? Ou será que mortos?
Não ficamos pra ter certeza. Pedro me levou para fora. E quando me deu por mim, estávamos estacionados de frente a um grande edifício.
No desespero sai do carro. Não poderia ficar ali, precisava ir pra bem longe, para onde meu pai não me encontrasse.
Mas no meio do processo de fuga, senti o agarro no meu braço, e a rapidez de ser girada, e dar de cara com Pedro me olhando confuso.
Agora imaginem vocês a minha surpresa, quando ele me chamou pelo meu nome verdadeiro.
Agora com nós dois sozinhos em seu apartamento. E depois de tudo que Pedro fez por mim. Me vejo na obrigação de contar a verdade pra ele.
Não é fácil dizer que foi vendida para um psicopata, pelo seu próprio pai. E contar a minha história, me deixa muito emotiva. E não é pra menos. Concordam comigo?
Estamos sentados no sofá, um de frente para o outro. Após contar tudo para o Pedro, notei ele calado, e não tive coragem de levantar a cabeça e o encarar.
O silêncio foi cortado quando senti a presença do Pedro bem próximo de mim. Ele se abaixou na minha frente, e nem assim tive coragem de o encarar.
Mas senti o dedo dele limpar minhas lágrimas. E não deu outra. Automaticamente, levantei meu olhar procurando os dele. Ali encontrei um misto de emoções. Diria que vi nele, ternura e ódio.
Sem dizer muito, Pedro me puxou para os seus braços, e me abraçou calorosamente.
O fim da minha noite, foi com Pedro me levando para o quarto de hóspedes, em seus braços. E confesso. Sentir mil borboletas voando em meu interior, enquanto ele me carregava em seus braços.
Pedro me colocou na cama, me cobriu com o edredom. E ficou aqui sentado ao meu lado acariciando meus cabelos.
E quando já estava sentindo o pesar do sono tomar conta de mim. Ouvir sua voz dizendo num ton suave;
— Eu vou te proteger Lavínia! Isso é uma promessa.
Dormi com aquelas palavras na cabeça.
_______
Ouvi a história da Lavínia, me fez lembrar de coisas que já tinha enterrado aqui no peito.
Sim. A história dela é pior que a minha. Pois no meu caso, meu pai batia na minha mãe, e às vezes em mim também.
Mas, o monstro que ela chama de pai a vendeu para um homem sem escrúpulos. Um homem impiedoso. E isso eu não perdoo.
Sentado no sofá com um copo de bebida na mão. São exatamente, 02:40 da madrugada. Absorto em meus pensamentos, sou tirado deles quando a porta do meu apartamento se abre, e por ela passa Samanta. Assim que me vê sentado, me olha desconfiada.
— Tá legal! O que fizeram com o meu maninho? Me conta quem foi que eu mato!
Se tenho dúvida que ela faça isso? Não tenho. O que eu tenho é a certeza, que essa garota é demais.
Também, assim como eu. Foi treinada pelos melhores. A diferença é que Samanta começou o interesse nos treinos desde os cinco anos. Onde já aprendeu a fazer escaladas, e muitas outras coisas leves.
Samanta se apressa em sentar ao meu lado, e me encara atrás de resposta.
Preciso dela nesse momento, e confio nela. Por isso contei a história da Lavínia pra ela. E como era de se imaginar. A garota tá uma pilha de nervos. Já disse que vai decapitar o pai, e o miserável cretino. Palavras usadas pela própria Samanta.
— Eu preciso de um favor seu!
— Diga o que precisa maninho. Quer que eu mate eles agora ao na volta?– Sorrio satisfeito pra minha irmã. Ela é demais–
— Não. Essa parte fica pra mim.
— Sério? Não vai me deixar participar da ação? – Samanta está claramente injuriada, e acabo rindo da sua injúria — Não ria! Eu quero acabar com essa caras. E vai ser melhor quando eu colocar as mãos no cretino do pai dela.
Me aproximo de Samanta ainda com o sorriso satisfeito no rosto. Ela a todo o momento de cara amarrada e braços cruzados. Uma nova versão de minha mãe.
— Mas é claro que vai participar da ação. E prometo que vou deixar o velhote todo pra você! Mas por hora preciso encarar aquele ratos sozinhos, e tirar deles o máximo de informações que consegui. Mas para que eu faça isso tranquilo. Preciso que fique aqui com ela? Já mandei reforçar a segurança. Mas com você aqui, eu fico mais tranquilo.
— Mas é claro que fico maninho. Só que com uma condição.
— Qual? – a encaro desconfiado–
— Que torture bem esses ratos por mim!
Não contenho o sorriso. Samanta gosta de uma tortura. Puxou isso do nosso pai, e já vi ela fazendo tortura. E não tem aquele que não entrega as informações que queremos pra ela. A garota é sanguinária. O orgulho do nosso pai.
Eu já sou como a minha mãe. Não sou muito de torturar os inimigos. Mas tem hora que não tem jeito. Eles não colaboram. E pra defender quem amamos. O jeito é partir pra tortura.
Ajude a autora, curtindo e dando a opinião de vocês a cada capítulo! 🥰
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Andrea Santana
Estou lendo sua história novamente, que história maravilhosa parabéns.
Ansiosa pelos próximos capítulos.
2025-01-09
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Claudia
Minha Nossa Senhora da Máfia que capítulo foi agora sim teremos fortes emoções 👏👏👏👏👏👏♾🧿
2025-01-09
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Andrea Santana
Não desista, suas histórias são maravilhosas.
2025-01-09
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