Chego finalmente a pensão. Sigo na direção da recepção, encontrando ali um senhor de meia idade, atrás do balcão.
Peço que anunciem minha chegada para Ana Vitória. Mas o senhor simplesmente me pediu para subir, indicando onde é o quarto de sua hospedagem.
Fico irritado com isso, eles deixam qualquer um subir assim, sem pedir informações direito? Sigo caminho da escada, e algo que ele me diz me deixa em alerta.
— É. A garota que achei que tinha carinha de anjo é bem espertinha. Já subiu dois a sua procura. Agora mais um!
Ele fala, mas percebo que foi pra ele mesmo. Na hora lembro do que o investigador que contratarei me disse. Alguém está atrás dela. Disso ele tinha certeza. E sabendo o qual bom ele é no que faz, não deixo de cogitar essa hipótese.
Subo as escadas correndo, enquanto retiro minha pistola do bolso de trás da calça, e sigo em sentido alerta.
Assim que chego na porta do quarto dela, notei que o trinco foi arrombado. Entro sem fazer barulho, seguindo minucioso por dentro do quarto, com pistola em mãos. O quarto está escuro e silencioso.
Vou entrando cada vez mais. Até ser surpreendido por um agarro forte no pescoço.
Jogo minha arma no chão, e seguro com o máximo de força no braço do infeliz que acha que pode comigo. Abaixo meu corpo ficando meio agachado, enquanto ainda mantenho as mãos segurando o braço do cara. Com a minha força, o jogo pela lateral do meu corpo, o fazendo cair com tudo no chão. Ainda segurando o braço do infeliz, que me olha descrente. Vejo a mão dele indo de encontro com minha arma. E antes que ele consiga pegar, dou um chute na cara do infeliz o fazendo desacordar.
Pego minha arma a tempo vendo outro filho da p4ta, vindo na minha direção. Esse está armado. E a arma está apontada pra mim.
— O que está fazendo aqui? Quem são vocês?
— Não se meta no assunto dos outros. Ou vai morrer por ser enxerido. – aperto o gatilho acertando o braço onde ele segurava a arma. Me aproximo dele, tirando a arma de seu alcance, e fico encarando com um sorriso de lado–
— Acontece que não se trata de assunto dos outros. O assunto que envolve Lavínia. É assunto meu!
Dou um chute em sua cara, o desmaiando também. Olho em volta procurando por Lavínia. Tudo está silencioso, mas escuto um ruído vindo do banheiro. Caminho até lá, e escuto seu choro.
— Lavínia! Abre a porta!
— Não, por favor! Por favor, vão embora. Eu não quero ir. Por favor! – Ela suplica, e meu coração aperta. O que esses vermes queriam fazer com ela? –
— Lavínia sou eu, Pedro! Abre a porta.
— Pedro?
Tudo fica em silêncio lá dentro. Mas um silêncio que durou pouco. Escuto o barulho do trinco sendo aberto, e seus olhos vermelhos de chorar olhando pela greta da porta. Assim que ela me ver aqui, abre a porta e se joga em meus braços. A seguro com força, enquanto sinto ela desabar em meus braços. Acaricio seus cabelos na tentativa de acalmar.
— Não deixem que me levem Pedro! Por favor. Não deixa!
— Calma. Eu vou te proteger! Confia em mim!
Afasto Lavínia um pouco, pra dizer isso olhando em seus olhos vermelhos. Limpo suas lágrimas, e ela se joga em mim novamente, como se meus braços fossem seu porto seguro.
Liguei para os soldados do meu pai, e orientei que tirassem os vermes daqui, e os levassem para o galpão do meu pai. Dei ordens para não deixar que escapem de lá. Vou conversar com meu pai a respeito disso. Mas antes preciso cuidar da Lavínia.
A retiro dali, e a levo para o meu apartamento. O caminho inteiro, ela foi calada olhando para fora da janela do carro. Daqui onde estou, consegui ouvir os soluços dados por ela. Com certeza ela está chorando.
Dei a ela esse tempo. Imagino que ela esteja muito abalada no momento. Mas preciso entender o que aconteceu. Porque aqueles homens estavam atrás dela.
Chegamos enfim no apartamento. Lavínia ainda continua calada. Mas assim que nota que estamos entrando na garagem do meu apartamento, ela parece desperta.
— Onde estamos? – ela finalmente me olha–
— Em meu apartamento!
— Não! Eu não posso! Pedro, eu preciso sair daqui eu... —
Lavínia fala toda apavorada, saindo do carro. Estaciono o carro mal estacionado, e corro atrás dela. Assim que a alcanço, a puxo pelo braço a fazendo me encarar.
— O que está fazendo? Onde pensa que vai?
— Você não entendi! Eu não posso mais ficar na cidade. Ele me encontrou, e só questão de tempo para ele me levar embora. Eu tenho que ir mais longe!
Lavínia está apavorada, isso é nítido. A encaro tentando processar tudo que ela fala.
— Lavínia! Quem está atrás de você? – ela me encara de olhos arregalados. Parece surpresa–
— Do. Quê, você me chamou?
— Eu sei! Só não entendo porque mentiu sobre o seu nome!
— Como soube o meu nome?
— Eu te conto, se me contar o que está acontecendo! – Ela me encara duvidosa– Confie em mim Lavínia! Eu posso te proteger!
Estendo uma de minhas mãos na direção dela, aguardando que ela pegue na minha mão. Lavínia fica imóvel por um tempo, intercalando o olhar para o meu rosto, e desviando para minha mão. Relutante, ela segura a minha mão.
Até chegar no meu apartamento, Lavínia permaneceu calada. Abro a porta e dou passagem para que ela entre. Ela entra, e fica olhando em todas as direções. Caminha até um canto da sala, ali tenho meu cantinho especial. Porta retratos com fotos de toda família. Desde quando eu era novo, até de a pouco.
Vejo ela pegar uma em que eu tinha quase 15 anos. Nessa foto estou com Samanta em meu colo.
— É você e Samanta né!?
— É sim!
— Vocês estão tão lindos aqui! — Ela dá um meio sorriso, em seguida guarda o porta retrato no lugar. Se vira na minha direção, e me encara – Você foi tão bom comigo desde o início! E tenho medo de te envolver nessa bagunça toda. Mas. Acredito que eu tenha a obrigação de dizer toda a verdade pra você! Mas, mesmo depois de saber a verdade, e achar tudo isso é muito pra você. Coisa que eu sei que é...! Vou entender se me pedir pra ir embora. E nunca mais aparecer na sua frente!
Ajude a autora, curtindo e dando a opinião de vocês a cada capítulo! 🥰
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Claudia
Isso garota conta tudo 🤭🤭♾🧿
2025-01-09
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