O Preço do Poder

O amanhecer ainda não havia chegado, mas a cidade já começava a se movimentar.

As ruas, sempre agitadas, pareciam ainda mais intensas enquanto Valentina observava o horizonte da janela de seu escritório, o céu tingido de tons escuros.

Algo havia mudado dentro dela.

A troca com Marco, a atração que não poderia mais ser ignorada, a deixava com um misto de excitação e frustração. Ela não era mulher de se entregar facilmente, mas o que aconteceu entre eles a colocava em uma posição vulnerável.

Valentina nunca permitira que algo assim interferisse em sua missão.

Poder.

Controle.

Essas eram as coisas que ela mais desejava, e ela sabia que para isso precisaria ser implacável.

Mas Marco... Marco era uma força à parte.

Não apenas em termos de poder político ou influencia nas ruas, mas de uma maneira mais íntima, mais visceral. Ele a desafiava de um modo que ela não havia experimentado antes.

O som de passos ecoou pela sala, interrompendo seus pensamentos. Nico entrou, com uma expressão de preocupação no rosto.

– Aconteceu algo, Nico? – Valentina perguntou sem tirar os olhos da janela. Ela sabia que ele não viria até ali sem motivo.

– Notícia urgente, chefe. – Nico falou, com uma voz que tentava esconder o nervosismo.

– O comando dos Falcone está se movendo rapidamente. Eles sabem que Marco Rizzo está se unindo a você, e eles não estão felizes com isso.

Santo dios... os Falcone são uma poderosa família criminosa siciliana, conhecida por sua brutalidade e astúcia. Controlam o tráfico, extorsão e territórios, com uma hierarquia rígida e aliados infiltrados em diversos setores. Sua influência também alcança a política e os negócios.

Valentina deu um suspiro, seus dedos tocando lentamente a superfície da mesa. Ela sabia que esse momento chegaria.

O risco sempre foi parte do jogo, mas isso significava que ela precisava agir rapidamente.

– O que eles estão planejando? – Valentina perguntou, agora voltando-se para Nico, seus olhos afiando-se como lâminas.

– Ainda estamos reunindo informações, mas parece que querem um confronto direto. Eles acreditam que você está se afastando das suas raízes e com Marco se aproximando, isso é uma ameaça para a sobrevivência deles.

Valentina mordeu o lábio, pensando. Ela sabia que tinha de tomar decisões rápidas.

A guerra pelos territórios, pelas ruas, estava prestes a explodir.

– Acha que Marco pode estar por trás disso? – Valentina perguntou, quase sem querer ouvir a resposta.

Nico hesitou antes de responder. Ele sabia o quanto Valentina gostava de manter o controle, mas o homem com quem ela se aliara era um enigma.

Um desafio.

– Não sei, chefe. Ele ainda está jogando com a gente. Ele sabe onde está o ponto fraco, sabe onde nos atingir. – Nico olhou para ela com um olhar preocupado.

– E eu temo que, se não tomarmos cuidado, ele pode nos deixar em uma situação ainda mais difícil.

Valentina sabia que o jogo estava se complicando, e ela precisava de mais informações. O que ela sentia por Marco, a atração ardente e os jogos de poder, agora estavam se entrelaçando com o seu desejo de controle absoluto.

Algo tinha que ser feito.

Ela deu um passo à frente, seu olhar fixo em Nico.

– Prepare os homens. E coloque os informantes para trabalhar. Eu quero saber cada movimento que eles fazem. – Ela fez uma pausa e, de repente, algo em seu olhar se endureceu.

– Não podemos dar o braço a torcer agora. Marco será uma chave importante, mas não será o suficiente. Ele quer a cidade, mas ele também quer algo mais de mim. E eu não vou permitir que ninguém me use.

Nico assentiu, compreendendo que Valentina estava agora em uma posição delicada. Ela nunca fora alguém a ser manipulada, e ele sabia que ela não iria se curvar diante de Marco, não importava o quanto fosse atraente ou perigoso.

A batalha pela cidade estava apenas começando.

Valentina estava em seu carro, sentada em silêncio, com os pensamentos borbulhando em sua mente. Ela sabia que precisava se encontrar com Marco novamente.

O jogo havia mudado, e ela não poderia ignorar o que ele representava. Quando o carro parou diante de um prédio discreto, ela deu uma última olhada no espelho retrovisor.

Preparada para o que estava por vir, ela saiu, ajustando a jaqueta e caminhando com passos firmes em direção à entrada.

Ao entrar, a sala estava vazia, exceto por Marco, que estava sentado à mesa, observando-a com um sorriso enigmático. Ele sempre parecia ter um controle absoluto sobre as situações, sobre as pessoas.

Mas agora, ela sabia que ele também sentia a mesma tensão crescente entre eles.

– Eu sabia que você viria, Valentina. – Marco disse, a voz baixa, mas com um tom provocador. – Você não consegue ficar longe.

Valentina se aproximou lentamente, seus olhos fixos nele.

A presença dele, forte e desafiadora, fazia seu coração bater mais rápido, mas ela não permitiria que ele visse a influência que ele tinha sobre ela.

– Eu vim para garantir que estamos na mesma página. – Valentina respondeu, sua voz controlada, mas com uma intensidade que não passou despercebida.

– Os Rizzo estão armando algo, e não podemos permitir que isso nos atinja. Se estamos mesmo aliados, você precisa garantir que sua lealdade seja para mim, Marco. Não há espaço para joguinhos.

Marco se levantou e deu um passo à frente. A proximidade entre eles era quase elétrica.

Seus olhos se fixaram de forma feroz, como se medindo quem cederia primeiro.

O ar ao redor deles parecia carregado de uma tensão difícil de ignorar.

– Não se engane, Valentina. Eu não sou alguém fácil de controlar. – Marco disse, a voz baixa, quase um sussurro.

– Mas eu sou o tipo de homem que se mantém ao seu lado, desde que você mostre que está disposta a jogar do mesmo jeito que eu.

Valentina sentiu uma onda de calor subindo por seu corpo, a força da atração entre eles agora tão forte que era quase insuportável.

Ela queria ser a dominadora, a que mantinha o controle da situação, mas algo dentro dela a fazia querer ceder, querer que ele a guiasse nessa dança perigosa de poder e desejo.

– Eu sou mais do que capaz de jogar com você, Marco. – Valentina respondeu, seu tom mais suave, mas com um desafio escondido.

– Mas me mostre que podemos trabalhar juntos. Me mostre que você não está apenas tentando me manipular para seus próprios fins.

A tensão entre eles aumentou ainda mais. Marco avançou um passo, sua presença dominando o espaço entre eles.

Valentina sentiu seus sentidos se aguçarem, o desejo latente quase incontrolável.

Ele se inclinou ligeiramente, seus lábios agora tão próximos que Valentina podia sentir o calor da respiração dele.

– Você sabe que, no fundo, o que queremos não é só o poder, Valentina. – Marco murmurou, o tom da voz mais profundo agora.

– O que você quer... é alguém que a desafie. Alguém que não tenha medo de se aproximar, de quebrar as suas defesas.

Ela olhou para ele, os olhos intensos, e pela primeira vez, ela não sabia exatamente quem estava no controle da situação.

O desejo entre eles era claro, mas havia algo mais.

Algo que fazia tudo parecer ainda mais intenso, mais perigoso.

– Não se engane, Marco. – Valentina respondeu, agora com uma intensidade de quem sabia que estava prestes a ultrapassar um limite. – Eu não sou como todas as outras.

O jogo de poder e atração entre eles estava em seu auge.

A cada palavra trocada, a linha entre o controle e a entrega se desfazia ainda mais. O que começou como uma disputa pela cidade agora se transformava em algo mais perigoso e imprevisível.

Algo que Valentina não sabia se estava pronta para enfrentar, mas que, de algum modo, a atraía profundamente.

E ela sabia, com certeza, que não conseguiria voltar atrás.

...

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