Império em Chamas

A noite parecia mais densa do que o normal, como se o próprio céu estivesse carregado de presságios.

A vitória de Valentina sobre Lorenzo não havia sido apenas uma batalha vencida, mas o início de uma nova era, uma era em que a cidade, finalmente, estaria sob seu controle.

No entanto, mesmo com o peso da vitória, havia uma sensação de que o fim de um império criaria um vácuo de poder. E, como sempre, onde há vácuo, a tempestade se forma.

Valentina permaneceu em pé no centro da sala, observando os detalhes da sala de comando que agora pertencia a ela. O ambiente estava repleto de monitores que piscavam com imagens das ruas e de suas próprias operações.

A sensação de posse era tangível, mas, dentro de si, Valentina sentia que havia mais para ser feito. Sua vitória sobre Lorenzo foi apenas a primeira peça do quebra-cabeça.

– O que acontece agora? – Nico perguntou, interrompendo seus pensamentos.

Ele se aproximou com a cautela de alguém que sabia que, mesmo após uma grande conquista, a tempestade ainda poderia se formar a qualquer momento.

Valentina levantou a cabeça, seus olhos azuis, agora mais intensos do que nunca, refletindo a luz fria dos monitores. Ela estava perdida em seus próprios pensamentos, mas sabia o que precisava ser feito.

Lorenzo, embora derrotado fisicamente, ainda deixava ecos de sua influência. Era preciso limpar todo o vestígio do império que ele havia construído.

– Agora, começamos a reconstruir. – Valentina disse, sua voz baixa, mas firme.

– Cada peça do império dele precisa ser esmagada. O Círculo Sombrio não pode continuar existindo, nem as alianças que ele fez nas sombras. Cada movimento dele precisa ser apagado. E o mais importante... Eu preciso garantir que todos que ainda se acham leais a ele entendam quem manda aqui agora.

Nico assentiu, reconhecendo a gravidade das palavras de Valentina. Ele sabia que não se tratava apenas de eliminar os inimigos.

A verdadeira batalha estava em garantir que ninguém questionasse a liderança dela.

No fundo, Nico entendia que a verdadeira força de Valentina não estava nas armas, mas em sua habilidade de manipular e jogar com as intenções de todos ao seu redor.

O dia seguinte trouxe uma nuvem densa de incerteza.

A cidade parecia respirar de forma diferente, como se os próprios edifícios sentissem a mudança no ar. As ruas estavam mais vazias do que o normal, e a tensão entre os que haviam ficado leais a Lorenzo e os que agora juravam fidelidade a Valentina era palpável.

Os informantes começaram a trazer notícias de movimentos estranhos nas sombras. Havia quem ainda achasse que Lorenzo, embora morto, não tinha se rendido completamente.

Para Valentina, isso era inaceitável.

Ela estava sentada em seu escritório, uma sala imponente que refletia a nova ordem que ela pretendia estabelecer. A janela de vidro dava uma visão clara das ruas abaixo, mas também a separava de tudo.

A solidão nunca foi algo que a incomodasse, mas naquele momento, ela sentia a ausência de uma coisa fundamental: confiança.

O império de Lorenzo estava desmoronando, mas o futuro dela não estava garantido.

– Há rumores. – Nico entrou na sala, interrompendo seus pensamentos. – Pessoas que ainda acreditam que Lorenzo tem aliados. Estão se escondendo, esperando o momento certo para agir.

Valentina levantou uma sobrancelha, a tensão subindo em sua espinha.

Se isso fosse verdade, ela não poderia permitir que isso ficasse incontrolável. Ela não poderia ser apenas uma líder de fachada.

Ela precisava garantir que sua posição fosse sólida, inquestionável.

– Não podemos esperar mais. – Valentina disse, seu tom de voz decidido.

– Vamos encontrar esses traidores e apagá-los. Não posso ter sombras de lealdade a Lorenzo se movendo na cidade. Isso seria um risco desnecessário.

Ela pegou o telefone e fez uma ligação direta para os seus homens, os olhos fixos em Nico, como se estivesse calculando o próximo movimento em um jogo perigoso.

– Preparem a operação. Vou pessoalmente garantir que essa cidade fique limpa. Nenhum resto do Círculo Sombrio vai permanecer em pé.

Nico fez um gesto afirmativo, e Valentina viu a determinação nos olhos dele. Ele sabia que ela não estava brincando. Mas também sabia que o jogo agora seria mais perigoso do que nunca.

Os rastros de lealdade a Lorenzo não desapareceram com a morte dele.

Pelo contrário, a derrota dele criou um vácuo de poder que deixou os outros se debaterem, esperando para ver quem tomaria seu lugar. Valentina sabia que a chave para consolidar sua liderança seria eliminar qualquer semente de rebeldia.

O primeiro alvo era um grupo pequeno, mas significativo, de pessoas que ainda operavam dentro da cidade, tentando manter o legado de Lorenzo vivo.

A operação foi silenciosa.

A equipe de Valentina entrou nas profundezas da cidade, um labirinto de becos e armazéns abandonados, onde os últimos remanescentes do império de Lorenzo ainda tentavam se organizar.

Mas Valentina não havia chegado ali para dar uma segunda chance.

Ela sabia como agir.

Sabia que a força bruta, combinada com estratégia, seria a única maneira de garantir que sua liderança fosse reconhecida. A velocidade era crucial. Os alvos seriam eliminados antes que sequer tivessem tempo de reagir.

Com os homens de Valentina espalhados pelas entradas, ela seguiu para o centro do esconderijo, onde o líder dos sobreviventes de Lorenzo, um homem chamado Matteo, estava tentando organizar uma resistência.

Valentina entrou na sala com uma frieza absoluta, sem hesitação. O ambiente estava mal iluminado, com algumas lâmpadas penduradas no teto, e o ar estava pesado com o cheiro de mofo e desespero.

Matteo estava lá, esperando, mas não com o olhar de quem tinha medo. Ele parecia confiante, talvez até convencido de que havia alguma chance de derrotar Valentina.

Quando ela entrou, ele se virou lentamente, sua expressão sendo a de alguém que já sabia que o fim estava próximo, mas que preferia lutar do que se entregar.

– Você acha que vai conseguir? – Matteo perguntou, a voz baixa, mas cheia de raiva. – Você pode ter matado Lorenzo, mas o que isso significa para você? Ele era apenas uma peça no jogo. Você acha que pode substituir tudo o que ele construiu? Não existe mais espaço para você.

Valentina olhou para ele, e por um momento, tudo o que ela sentiu foi desprezo.

Ele não entendia nada.

Ele ainda via a cidade como uma peça no tabuleiro, algo a ser controlado. Mas Valentina não jogava o jogo apenas para ganhar.

Ela jogava para destruir.

– O jogo acabou, Matteo. – disse ela, sua voz calma e ameaçadora. – Você só não entendeu ainda.

Ela avançou, seus homens prontos para agir. Matteo tentou resistir, mas logo percebeu que não havia saída.

Valentina sabia o que ele não sabia: que sua vitória não se tratava apenas de derrubar um império. Era sobre criar algo completamente novo.

Com um gesto de mão, Valentina deu a ordem final.

O local foi invadido e, em minutos, os homens de Lorenzo foram silenciados, como se nunca tivessem existido.

Valentina não deixou vestígios.

A cidade estava agora sob seu controle, de forma absoluta.

Valentina sentou-se novamente em sua nova sala de comando. A cidade agora estava limpa de qualquer resquício de Lorenzo. O silêncio era reconfortante, mas o peso de sua responsabilidade ainda pairava sobre ela. Ela sabia que a verdadeira luta ainda estava por vir.

Agora, ela precisava reconstruir. Não apenas o império que Lorenzo havia deixado, mas também a confiança das pessoas que agora dependiam dela.

Ela olhou pela janela, para a cidade que parecia dormir, mas que, em breve, despertaria para uma nova era. E com ela, Valentina tomaria o que era seu por direito.

O jogo de sombras ainda não tinha acabado.

Mas agora, ela era a dona das peças.

...

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Carmen Maria

Carmen Maria

Quando vai ter algum romance, vou desistir de ler

2025-03-13

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