Tentação do Inimigo

O vento cortante da madrugada invadia o ar condicionado do carro, mas Valentina estava além da sensação física.

Seu olhar estava fixo no horizonte, onde as luzes da cidade de Nova York brilhavam com uma beleza que parecia não se importar com a guerra silenciosa acontecendo abaixo.

Ela não se dava ao luxo de ser sentimental, mas o peso da noite a fazia sentir uma pressão interna crescente.

Era hora de agir.

A reunião com Luigi Di Falco havia sido tensa, e ela sabia que, por mais que ele tentasse se alinhar a ela, a lealdade dele não estava garantida.

Naquele momento, ele ainda era uma ameaça em potencial.

Mas havia algo mais, algo mais urgente, que agora ocupava a mente de Valentina: a guerra iminente com a família Rizzo.

Os Rizzo eram conhecidos por sua brutalidade e pelo controle absoluto do tráfico de armas na costa leste dos Estados Unidos.

Valentina sabia que qualquer confronto com eles não seria simples.

Não apenas pela violência que estavam dispostos a desencadear, mas também pelas relações pessoais que estavam em jogo. Muitos dos capos da família Mancini tinham negócios pendentes com os Rizzo, e o sangue que seria derramado afetaria mais do que apenas os envolvidos.

O carro parou em frente a um armazém abandonado na zona industrial de Brooklyn.

Valentina desceu com passos firmes, seus sapatos de couro ecoando no chão enquanto ela se dirigia à entrada, sem nenhuma hesitação.

Seus seguranças estavam ao redor, prontos para garantir sua segurança, mas Valentina não estava nervosa. Ela era uma Mancini, e essa noite era a primeira de muitas em que a verdadeira força de seu comando seria testada.

À medida que ela adentrava o armazém, o ambiente se tornava mais sombrio.

O cheiro de pólvora, suor e cigarros queimados impregnava o ar. Uma mesa redonda estava no centro da sala, onde os homens de sua família se reuniam com os Rizzo.

Eles estavam ali, ao redor de um homem que Valentina imediatamente reconheceu: Marco Rizzo, o líder da família, um homem jovem, mas que já tinha a fama de ser tão implacável quanto o pai.

Mas havia algo mais.

Algo que chamava a atenção de Valentina imediatamente.

Marco Rizzo era, sem dúvida, um dos homens mais atraentes que ela já havia encontrado.

Alto, com ombros largos e um sorriso enigmático que parecia tanto um convite quanto uma ameaça. Seus olhos castanhos eram profundos e intensos, e Valentina sentiu uma sensação estranha, quase desconcertante, ao ser observada por ele.

O cabelo escuro, ligeiramente desarrumado, completava a imagem de um homem que, apesar de ser um mafioso, emanava uma confiança indiscutível.

Quando ele se levantou da cadeira e caminhou até ela, a sala inteira pareceu parar.

Seus passos eram largos, firmes, e o olhar que ele lançou a Valentina foi carregado de uma provocação sutil.

Eles estavam no território inimigo agora.

Mas ela não sentia medo.

— Então, você é a famosa Valentina Mancini — disse Marco, a voz suave, mas carregada de uma autoridade inegável. — A filha do velho Vittorio. Nunca pensei que seria uma mulher a liderar os Mancini.

Valentina não desviou o olhar, mantendo sua postura inabalável.

— E você, Marco Rizzo, é o novo rei do tráfico de armas da costa leste. Eu esperava mais. Pensei que fosse mais... imponente.

Ele sorriu, um sorriso de lado, como se a provocação a divertisse.

— Eu sou apenas um homem fazendo o que é necessário, Valentina. Como todos nós. Mas, me diga... o que você está fazendo aqui? Não é todo dia que uma mulher da sua posição se atreve a vir negociar com um inimigo como eu.

Ela não respondeu imediatamente.

Em vez disso, caminhou até a mesa e se sentou, os olhos fixos nele. Os seguranças dos Rizzo observavam com atenção, mas Marco fez um gesto, mandando-os se afastar.

A tensão entre os dois estava palpável.

— Eu estou aqui porque você tem o que eu quero, Marco. E, se você souber jogar suas cartas direito, podemos chegar a um acordo — Valentina disse, sua voz firme. — Mas, se não souber... bem, então teremos que resolver isso do jeito que as famílias sempre resolveram, não é mesmo?

Marco a observava com um sorriso cínico, como se a provocação dela fosse uma simples diversão para ele.

— Eu gosto do seu jeito, Valentina. — Ele deu um passo à frente.

O cheiro do seu perfume, algo amadeirado, envolveu-a por um momento.

Ela percebeu que ele estava perto o suficiente para sentir sua presença sem ser invasivo. Ele não era apenas fisicamente imponente.

Ele sabia como manipular a situação. Como mexer com a mente de uma pessoa.

Ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não o deixou transparecer.

— Não me interessei por você, Marco. Não se engane. Estou aqui para negócios. — Ela disse isso com firmeza, mas Marco apenas riu baixinho.

— Claro, claro, Valentina. Negócios. — Ele se afastou, cruzando os braços.

— Mas, em algum momento, vamos precisar discutir algo mais... pessoal.

Valentina franziu a testa, mas não respondeu.

Ela sabia que não era só poder que ele buscava naquela conversa.

Havia algo mais em jogo.

E ela não seria ingênua o suficiente para cair na provocação dele, mesmo que houvesse uma atração inegável ali.

Ela não sabia se era o calor da tensão, o risco da situação ou a pura energia do jogo de poder, mas algo dentro dela estava sendo testado.

A atração que ela sentia por Marco era perigosa, e ela sabia que teria de manter sua distância.

No mundo em que viviam, não havia espaço para distrações emocionais. As relações eram baseadas em poder, e não em sentimentos.

— Eu tenho outras questões para resolver — Valentina disse, levantando-se. — O tráfico de armas precisa ser discutido, Marco. O resto podemos deixar para depois.

Ela se virou para sair, mas antes que a porta se fechasse, ouviu a voz de Marco novamente.

— Ah, Valentina... uma coisa é certa. Você é a única mulher que eu conheço que tem o poder de desafiar os homens que a cercam. Vamos ver até onde você chega. — Ele a observava com um olhar intenso, cheio de promessas implícitas.

Valentina não olhou para trás.

Ela sabia que, ao sair daquela sala, estava dando o primeiro passo em uma guerra que não seria vencida apenas com força.

Mas Marco Rizzo... ele seria uma pedra no caminho, uma tentação. E ela precisaria estar preparada para lidar com ele, com seus jogos e, quem sabe, até com seus sentimentos.

O que ela não sabia era que, naquela noite, ela não apenas selava o destino da família Mancini.

Ela também começava a se perder em um jogo que poderia destruir tudo o que ela acreditava ser inabalável.

....

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Comments

Gabi

Gabi

hmmm marco 😏

2024-12-07

0

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