As Verdades Ocultas

A tensão na cidade era palpável, como se cada esquina escondesse um segredo prestes a explodir.

A fuga do armazém havia sido um sucesso amargo.

Valentina conseguiu capturar Rafael e sobreviver ao ataque, mas a emboscada revelou algo ainda mais perigoso: havia inimigos novos em jogo, e eles estavam dispostos a tudo para desestabilizar sua organização.

No esconderijo temporário que usavam após o confronto, Valentina sentou-se numa cadeira de metal no centro de um depósito abandonado, com Rafael amarrado a um pilar na frente dela. Seus olhos estavam injetados de raiva, mas sua postura permanecia fria e calculista.

A sala estava envolta em penumbra, com apenas uma lâmpada pendurada no teto, balançando levemente, lançando sombras inquietas nas paredes.

Nico e mais dois de seus homens estavam posicionados estrategicamente no espaço, armas prontas, garantindo que não houvesse surpresas.

– Rafael – começou Valentina, a voz baixa e mortal. – Você tem exatamente uma chance para me contar tudo. Quem te comprou? Quem está tentando acabar comigo?

Ele levantou os olhos, o rosto marcado por cortes e hematomas, e tentou engolir em seco.

– Valentina, eu... eu não tinha escolha. Eles vieram até mim. Me ofereceram proteção, dinheiro. Disseram que você não era mais capaz de proteger ninguém.

Valentina inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, os olhos queimando com intensidade.

– Quem são eles? – perguntou, cada palavra carregada de ameaça. – Os Zanchetti? Ou alguém mais?

Rafael hesitou, o medo evidente em cada gesto. Ele sabia que qualquer resposta errada poderia custar sua vida.

– Não são só os Zanchetti – admitiu finalmente. – Há alguém maior por trás disso. Alguém que quer tomar tudo, tanto de você quanto dos Zanchetti. Eu não sei o nome, mas ouvi falar de um intermediário. Um homem chamado Lorenzo.

Valentina recostou-se lentamente na cadeira, processando a informação. O nome "Lorenzo" não era familiar, mas o fato de alguém estar usando os Zanchetti como peões era preocupante.

Ela olhou para Nico, que fez um leve aceno de cabeça, confirmando que a informação parecia sólida.

– Por que você? – perguntou Valentina, voltando a atenção para Rafael. – O que fez você pensar que se aliar a eles era uma boa ideia?

Ele abaixou a cabeça, os ombros tremendo levemente.

– Eles ameaçaram minha família... – sussurrou. – Disseram que iam matar minha esposa e meu filho se eu não colaborasse. Eu não sabia o que fazer, Valentina. Eu estava desesperado.

Valentina ficou em silêncio por um momento. Apesar da raiva que sentia, uma parte dela entendia a vulnerabilidade que Rafael havia enfrentado.

No entanto, isso não justificava sua traição.

– Desespero não é desculpa para traição – disse ela, a voz gelada. – Se você tivesse vindo até mim, eu poderia ter ajudado. Agora, você colocou todos nós em perigo. E pior: abriu uma brecha que pode nos destruir.

Ela levantou-se, os passos ecoando pela sala enquanto caminhava em círculos ao redor de Rafael.

– Lorenzo. Esse nome vai me levar até o responsável. Mas antes disso, preciso saber mais. Onde ele está? Como encontrá-lo?

Rafael sacudiu a cabeça, parecendo à beira do colapso.

– Eu não sei... Eu juro! Só ouvi o nome. Eles nunca falam diretamente com alguém como eu.

Valentina parou, fitando-o com um olhar impiedoso.

– Então você não tem mais utilidade – disse ela, com calma perturbadora.

– Não! Espere! – Rafael gritou, a voz cheia de pânico. – Eu... Eu posso ajudar! Sei onde os Zanchetti mantêm um dos intermediários deles. Alguém que pode saber mais! Um clube no centro da cidade. Eles chamam o lugar de Inferno. É onde eles fazem negócios discretos.

Valentina permaneceu em silêncio por um longo momento, avaliando a veracidade das palavras dele. Finalmente, deu um passo para trás e acenou para Nico.

– Tire ele daqui – ordenou. – Coloque-o sob vigilância até eu decidir o que fazer.

Nico arrastou Rafael para fora, deixando Valentina sozinha por um momento.

Ela fechou os olhos, tentando organizar os pensamentos. Tudo estava se complicando rápido demais, e ela precisava agir antes que o inimigo ganhasse mais vantagem.

Mais tarde...

O Inferno era exatamente como o nome sugeria: um clube subterrâneo repleto de música alta, luzes vermelhas piscantes e uma clientela que preferia permanecer no anonimato.

Valentina entrou usando um vestido preto ajustado, com uma fenda estratégica que ocultava sua arma. Nico a acompanhava, usando um terno simples, mas impecável.

Eles passaram pela segurança sem dificuldades, graças à presença de um dos contatos de Valentina que trabalhava no clube.

Dentro, o lugar pulsava com energia, o cheiro de álcool e cigarro impregnando o ar.

– Quem estamos procurando? – perguntou Nico, enquanto se aproximavam do bar.

– Rafael mencionou um intermediário – respondeu Valentina, olhando ao redor. – Alguém ligado aos Zanchetti. Procure alguém que pareça fora do lugar. Eles não gostam de se misturar tanto.

Ela avistou um homem ao fundo, sentado numa mesa com dois guardas corpulentos ao lado. Ele vestia um terno caro, mas parecia desconfortável naquele ambiente caótico.

Era o tipo que claramente estava ali a negócios, não para diversão.

– Aquele – disse Valentina, indicando o homem com um leve movimento de cabeça.

Nico assentiu, e os dois começaram a se mover em direção à mesa.

Quando chegaram, os dois guarda-costas levantaram-se imediatamente, bloqueando o caminho.

– Quem são vocês? – perguntou um deles, a voz grave.

– Amigos – respondeu Valentina, sorrindo levemente. – Queremos apenas conversar com o seu chefe.

O homem no centro da mesa olhou para eles com desconfiança, mas fez um gesto para que os guardas recuassem.

– O que vocês querem? – perguntou ele, enquanto Valentina e Nico se sentavam.

– Informações – disse Valentina diretamente. – Sobre Lorenzo.

O homem congelou por um momento, mas recuperou rapidamente a compostura.

– Não sei do que você está falando.

Valentina inclinou-se para frente, o sorriso desaparecendo de seu rosto.

– Não tenho paciência para joguinhos. Ou você fala, ou vamos ter que resolver isso do meu jeito. E acredite, você não vai gostar.

O homem hesitou, mas finalmente cedeu.

– Lorenzo não é uma pessoa. É um codinome usado por alguém muito poderoso. Ele controla operações de alto nível, mas ninguém sabe quem ele é. Dizem que ele opera de um lugar chamado Eclipse. É só isso que eu sei.

Valentina estreitou os olhos, analisando a sinceridade do homem. Então, levantou-se, ajeitando o vestido.

– Espero que esteja dizendo a verdade – disse ela, lançando um último olhar ameaçador antes de se virar para sair.

Nico a seguiu de perto, e os dois desapareceram na multidão.

De volta à segurança de sua base, Valentina sentou-se com Nico e seus principais aliados, planejando o próximo movimento.

O nome Eclipse agora era sua nova pista – e possivelmente o caminho para descobrir quem estava por trás de tudo. No entanto, ela sabia que cada passo a levaria mais fundo em um jogo perigoso, onde qualquer erro poderia ser fatal.

Enquanto delineavam o plano, Valentina não pôde deixar de pensar: quem realmente era Lorenzo, e o que ele queria?

Mais importante, quão longe ela estava disposta a ir para descobrir?

...

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