O céu cinza da manhã pesava sobre a cidade.
O ar estava carregado, e as ruas pareciam respirar com a tensão que antecipava o confronto.
Valentina observava atentamente o terreno à sua frente, a respiração firme, os dedos ao redor do gatilho da arma. O carregamento de armas dos Rizzo estava prestes a chegar, e ela não podia deixar que escapasse.
Isso significava o fim de uma vantagem estratégica crucial, algo que a organização dela não poderia suportar.
Ela sabia que isso poderia dar início a uma guerra aberta, mas não havia mais tempo para hesitar. A confiança nas informações que recebeu era sólida, e o risco, imenso. Se a emboscada fosse bem-sucedida, a liderança dos Rizzo sofreria um golpe significativo.
Valentina deu um sinal, e seus homens se posicionaram.
O estrondo do motor foi ouvido antes mesmo de o comboio aparecer na curva. Os carros blindados, normalmente sinais de segurança, agora se tornavam presas fáceis.
Valentina fez um gesto rápido e os homens dispararam.
O tiroteio irrompeu instantaneamente, o som das balas cortando o ar, a fumaça se espalhando por toda a cena.
Mas algo estava errado.
Muito errado.
Valentina observou a formação dos Rizzo — a maneira como eles reagiam parecia calculada, esperada. As ruas não eram mais apenas uma emboscada, mas uma armadilha.
"Eles sabiam!" Valentina pensou, uma sensação de traição pulsando em suas veias.
De repente, uma figura se destacou entre os Rizzo. Ele se movia com a calma de alguém que já havia comandado batalhas muito mais intensas.
Marco Rizzo.
Ele entrou em cena com uma tranquilidade que contrastava com o caos ao redor. Seus olhos procuraram Valentina no meio da luta, como se ele soubesse exatamente onde ela estava, onde ela se escondia.
O tiroteio continuou, mas Marco se afastou de seus homens, atravessando o campo de batalha em direção a Valentina.
Ela ergueu sua arma, mas hesitou.
Por um segundo, a figura imponente dele parecia algo além de um inimigo — parecia um desafio. Um convite.
- Você realmente achou que isso seria fácil?- Marco disse\, sua voz firme\, mas com uma nota de respeito que pegou Valentina de surpresa.
Sem perder tempo, ele deu um salto para o lado, derrubando um dos seus homens que estava prestes a acertá-la. A bala passou raspando pelo seu ombro, e Marco a puxou para longe, escondendo-a atrás de um pilar de concreto.
- Estava me esperando\, não é? — Valentina rosnou\, ainda atordoada com a ação dele.
Seus olhos se estreitaram, mas ela sabia que, de alguma forma, ele tinha salvado sua vida.
Marco a olhou com um sorriso enigmático.
- Você não é a única que sabe jogar este jogo. Nunca subestime quem está do outro lado.
O tempo parecia desacelerar enquanto os dois se encaravam, um confronto silencioso e carregado de significado.
No fundo, valentina sentia a tensão de uma escolha que não podia mais evitar. Ele a salvara, mas o que isso significava? Ela poderia confiar nele ou isso fazia parte de um plano ainda mais complexo?
A luta ao redor deles não cessava, mas uma trégua silenciosa parecia pairar entre Marco e Valentina.
- Você não deveria estar aqui.- ela disse\, quebrando finalmente o silêncio\, a voz baixada\, mas carregada de desconfiança.
- E ainda assim\, aqui estou.- Marco se aproximou mais.
- Eu tenho uma proposta para você.
Valentina levantou a cabeça, seu olhar se endurecendo.
- Proposta?
Ele se afastou, acenando para um de seus homens que, de forma quase automática, puxou Valentina para o interior de uma van estacionada nas sombras.
A reunião aconteceu em um galpão isolado, longe da cena do tiroteio.
Os carros de ambos os lados estavam estacionados em formação, guardando a entrada do lugar. Marco conduziu Valentina até uma mesa improvisada. O cheiro de óleo e metal dominava o ambiente, e as luzes fracas do local faziam a cena parecer ainda mais clandestina.
- Eu poderia ter acabado com você hoje\,- Marco começou\, seus olhos fixos nos dela. - Mas\, por algum motivo\, decidi lhe dar uma chance.
Valentina não desviou o olhar, mas sua respiração estava mais pesada.
- E qual seria essa chance?
Marco sorriu com leveza, como se tivesse esperado essa pergunta.
- Uma aliança.- Ele disse\, finalmente revelando suas intenções. - Dividimos a cidade\, Valentina. Você tem força\, e eu tenho recursos. Juntos\, podemos controlar tudo.
Ela o observou por um longo momento, tentando ler cada nuance de sua expressão. Ela sabia que isso poderia ser uma armadilha. Mas também sabia que ele estava certo.
Ele tinha o que ela precisava. E ela, o que ele queria.
O silêncio entre os dois se estendeu, carregado de possibilidades. Valentina se inclinou para frente, seus olhos ainda fixos nos dele, mas seu coração batia forte, em uma mistura de cautela e algo mais.
- E o que você espera de mim em troca?- Ela perguntou\, a desconfiança em sua voz\, mas a curiosidade evidente.
Marco se aproximou lentamente, sua presença imponente.
- Confiança. E\, talvez\, mais do que isso.
Havia algo no modo como ele a olhava, algo que ela não poderia ignorar.
Era o jogo que ambos estavam jogando — um jogo onde cada movimento poderia ser fatal.
...
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Atualizado até capítulo 49
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