Teia de Mentiras

A noite caiu sobre a cidade como um véu de incerteza, com as luzes das ruas piscando intermitentemente, refletindo o estado caótico dos ânimos entre as famílias rivais.

Valentina estava em seu escritório particular, iluminado apenas pela luz quente de um abajur. A janela oferecia uma visão privilegiada do horizonte urbano, mas seus pensamentos estavam longe dali.

Nico havia saído há pouco, deixando sobre a mesa o relatório que confirmava sua pior suspeita: Rafael, um de seus homens de confiança, estava envolvido no ataque ao depósito.

Ela pegou o relatório novamente, relendo as palavras como se esperasse que os fatos mudassem de repente.

"Contato confirmado com membros do clã Zanchetti. Desaparecido desde a noite do ataque. Última localização conhecida: armazém abandonado no distrito industrial."

Valentina fechou os olhos por um momento, respirando fundo. O armazém. Ela sabia que aquele lugar era usado pelos Zanchetti para transações discretas.

Se Rafael estivesse lá, poderia ser a oportunidade perfeita para pegá-lo – e arrancar dele a verdade.

Ela apertou o botão do interfone.

– Nico, reúna os homens. Vamos para o distrito industrial.

– Quantos? – a voz de Nico respondeu rapidamente.

– Seis. Quero um time pequeno, mas eficiente. Não podemos chamar atenção.

– Entendido.

Valentina se levantou, pegando sua arma e verificando o carregador.

Enquanto isso, o peso da situação a atingia: se Rafael fosse mesmo o traidor, isso significava que alguém estava corroendo sua organização por dentro.

E, pior, ele poderia não ser o único.

Minutos depois...

O comboio de três carros pretos cruzou as ruas vazias da cidade com a sutileza de predadores caçando na noite. Quando chegaram ao armazém, Valentina saiu primeiro, ajustando o casaco de couro e analisando a estrutura.

O lugar era grande e decadente, com janelas quebradas e portas enferrujadas. Uma leve luz escapava pelas frestas, indicando que havia movimento lá dentro.

Nico aproximou-se dela.

– Parece que temos companhia. Quer que façamos uma abordagem silenciosa?

– Sim – respondeu Valentina, puxando a pistola. – Cercar o perímetro. Quero saber se Rafael está aqui e quem mais está com ele.

Os homens se dispersaram, movendo-se com eficiência.

Valentina seguiu com Nico, contornando o lado leste do armazém, onde uma porta lateral estava entreaberta. Eles entraram em silêncio, os passos abafados pela poeira e pelo chão irregular.

No interior, o armazém estava cheio de caixas antigas e barris empilhados, criando um labirinto improvisado. Vozes ecoavam ao longe.

Valentina fez um gesto para Nico, e os dois avançaram, escondendo-se entre as sombras.

– Você não entende o que está em jogo aqui! – a voz de Rafael ecoou, carregada de desespero.

Valentina parou ao ouvir, seus sentidos se aguçando. Ele estava ali, discutindo com outro homem cuja voz era desconhecida.

– Não me importa o que foi prometido – respondeu o outro. – Você já foi longe demais. Os Zanchetti não confiam mais em você. E, honestamente, eu também não.

Valentina e Nico se aproximaram lentamente, os olhos ajustados à escuridão. Finalmente, avistaram os dois homens.

Rafael estava visivelmente agitado, gesticulando demais, enquanto o outro – um homem alto, de cabelos grisalhos e aparência severa – permanecia imóvel, com as mãos nos bolsos.

– Não tinha escolha – Rafael continuou. – Eu só... Eu precisava de proteção! Valentina é implacável, você sabe disso! Eu pensei que... – Ele parou, como se tivesse percebido algo.

Foi nesse momento que Valentina decidiu intervir.

Ela saiu das sombras com a pistola em punho, apontando diretamente para Rafael.

– Você pensou errado.

A voz dela cortou o ar como uma lâmina.

Rafael congelou, os olhos arregalados ao vê-la. O homem grisalho ao lado dele deu um passo para trás, mas Valentina já o tinha em sua mira também.

– Não façam nada estúpido – disse ela, os olhos alternando entre os dois. – Quero respostas, não cadáveres. Ainda.

Nico surgiu logo atrás dela, reforçando a presença deles.

Rafael começou a gaguejar, as palavras se atropelando enquanto ele tentava justificar suas ações.

– Valentina, eu... Eu posso explicar. Não foi o que parece! Eu só... Eu só queria proteger a mim mesmo. Eles me ameaçaram! Disseram que iam matar minha família se eu não ajudasse.

– E você achou que trair a única pessoa que poderia te proteger era uma boa ideia? – Valentina respondeu, a voz carregada de desprezo. – Patético.

Ela deu um passo à frente, a arma ainda firme. O outro homem permaneceu em silêncio, os olhos fixos nela, analisando cada movimento.

– E você – disse ela, agora dirigindo-se ao estranho. – Quem é? E por que está aqui com meu traidor?

Ele sorriu levemente, como se não tivesse medo.

– Meu nome não importa. Mas posso garantir que não sou seu inimigo, Valentina.

– Ótimo, então não vou sentir remorso ao puxar o gatilho – ela respondeu, fria. – Fale. Agora.

Ele levantou as mãos em rendição.

– Só estou aqui para garantir que Rafael cumpra sua parte do acordo. Infelizmente, parece que ele falhou. Não se preocupe, já não temos mais uso para ele.

Valentina estreitou os olhos, tentando decifrar a verdade nas palavras dele.

– Quem te mandou? – perguntou ela.

O homem hesitou por um momento, mas antes que pudesse responder, um barulho repentino interrompeu a conversa.

Do lado de fora, tiros ecoaram, e gritos de alarme vieram dos homens de Valentina.

– Emboscada! – gritou Nico, virando-se rapidamente para cobrir a saída.

Valentina amaldiçoou em silêncio. Era claro que aquilo não era coincidência.

– Rafael, se quer viver, melhor vir comigo – disse ela, agarrando o braço dele com força. – E você – apontou para o estranho – se mexer, eu atiro.

Com isso, ela e Nico começaram a recuar, levando Rafael com eles enquanto o som dos tiros aumentava. Do lado de fora, homens armados cercavam o armazém, atirando contra qualquer movimento.

Valentina e seu grupo se moveram com rapidez, usando as sombras e a cobertura improvisada dentro do armazém.

Nico abriu caminho com tiros precisos, enquanto Valentina guiava Rafael em direção à saída dos fundos. Os tiros continuavam ecoando, mas a experiência dos homens de Valentina começava a virar o jogo.

Quando finalmente alcançaram a saída, Valentina parou, encarando Rafael com uma expressão de puro ódio.

– Isso é culpa sua. Se alguém morrer hoje, o sangue estará nas suas mãos.

Ele não respondeu, a culpa evidente em seu rosto.

Do lado de fora, o tiroteio começava a diminuir, mas Valentina sabia que aquilo era apenas o começo.

Havia algo maior em jogo, e agora estava mais claro do que nunca que ela estava no centro de uma trama perigosa – uma teia de mentiras que poderia destruí-la se ela não agisse rápido.

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