Trono de Ferro

Valentina entrou na sala silenciosamente, o som de seus saltos ecoando nas paredes de mármore enquanto caminhava com passos firmes.

Os capos estavam todos lá, sentados ao redor da mesa de vidro, suas expressões duras e observadoras. A mesa era grande o suficiente para acomodar todos, mas naquele momento, parecia pequena demais para o peso das decisões que seriam tomadas.

O mais velho, Francesco, o braço direito de seu pai, estava sentado à cabeceira da mesa, os dedos entrelaçados, os olhos fixos na filha de Vittorio.

Quando ela entrou, o ambiente pareceu se tornar ainda mais tenso.

Havia uma expectativa no ar, um silêncio pesado. Ela podia sentir os olhos de todos sobre ela, como se o simples fato de ser mulher fosse uma fraqueza a ser testada.

Valentina parou no centro da sala, olhando de um a um para os capos que, durante toda sua vida, estiveram à sombra do pai. Homens duros, experientes, acostumados com a violência e com as traições, e, agora, com a morte do líder, olhavam para ela com ceticismo.

Eles esperavam uma reação. Esperavam ver uma fraqueza, uma brecha onde pudessem entrar e desestabilizar tudo.

Mas Valentina não cedeu.

Ela estava ali para governar, não para pedir permissão.

Francesco foi o primeiro a falar. Sua voz grave ecoou na sala, marcando o início da conversa.

— Valentina, você sabe que sua posição não é simples. Seu pai governava com mão de ferro. Agora, você... está aqui para assumir a liderança. Mas, com todo respeito, você tem o que é preciso para isso?

Valentina não vacilou. Manteve o olhar firme, sem se deixar intimidar.

— Eu tenho mais do que suficiente. Eu sou uma Mancini, como meu pai foi antes de mim. O sangue que corre nas minhas veias é o mesmo. E ele me ensinou mais do que vocês pensam.

Ela sentou-se na cadeira vazia, os capos trocando olhares rápidos, mas nenhum ousando falar.

Francesco observava com um olhar atento, mas ainda desafiador.

— O que significa isso, Valentina? — Um dos capos, Domenico, um homem corpulento com uma cicatriz que atravessava seu rosto, falou.

Seu tom era mais agressivo.

— Seu pai nos trouxe respeito, mas você é uma mulher. O que pode fazer para que os outros respeitem o seu nome?

O desafio era claro.

Ele estava testando sua autoridade, buscando uma fraqueza que pudesse explorar. Valentina respirou fundo, sentindo a tensão aumentar, mas não deixou que a raiva tomasse conta.

— Respeito se conquista com poder. E, se necessário, com força. Eu não sou minha mãe. Não sou uma simples esposa. Se vocês não entenderem isso, vou ser obrigada a mostrar o que significa ser uma Mancini.

A sala ficou em silêncio por um momento.

Cada palavra de Valentina estava carregada de uma autoridade implacável.

Ela sabia que não poderia hesitar. Era agora ou nunca.

Francesco quebrou finalmente o silêncio, sua expressão pensativa.

— Então, é isso. Você quer mostrar a todos que pode liderar a família. Mas vamos ser claros. Para isso, você terá que tomar decisões difíceis. Como seu pai fazia. Decisões que muitas vezes significam derramar sangue.

Valentina olhou para ele com intensidade.

Sua mente estava clara, focada naquilo que precisava fazer, na vingança que planejava, nas alianças que deveria formar. O império de seu pai estava frágil agora, e ela não podia se dar ao luxo de ser sentimental.

— Sei o que devo fazer, Francesco. Eu não preciso de lições. Sei o que o império exige. A questão é: vocês vão me apoiar ou vão tentar tomar o que é meu?

Os capos trocaram olhares furtivos.

Havia uma tensão palpável no ar, uma divisão crescente entre os que, talvez, já tivessem suas próprias ambições e os que respeitavam a autoridade de Vittorio e estavam dispostos a seguir Valentina.

Finalmente, Francesco levantou a mão, sinalizando para que todos se calassem.

Ele olhou para Valentina com um sorriso sutil.

— Vamos esperar para ver, signorina Mancini. O tempo mostrará quem você realmente é.

A resposta de Francesco não foi um, sim, mas também não foi um não.

Era o reconhecimento de que Valentina teria de provar seu valor, mais do que qualquer outro homem ou mulher da família. O jogo estava lançado. E, de algum modo, ela sentiu que essa era a primeira vitória.

Ela se levantou da cadeira, ajustando a postura, agora mais confiante.

— Então, vamos começar a trabalhar. Temos inimigos a eliminar, e a lealdade de alguns dentro de nossa própria família a garantir. O império não vai se manter intacto sozinho.

Francesco apenas acenou, sinalizando para que a reunião começasse.

Valentina sabia que seu caminho seria árduo.

Cada movimento teria de ser meticulosamente calculado. Mas ela estava disposta a jogar o jogo e a fazer as peças se moverem da maneira que fosse necessária para garantir sua vitória.

Enquanto a reunião continuava, Valentina sentou-se em silêncio, o olhar fixo no rosto de cada homem ao redor da mesa. Ela sabia que cada um deles estava testando-a, esperando ver como reagiria às pressões do poder. E, sem saber, estavam todos já à mercê daquilo que ela decidiria.

O trono era dela agora.

E, como qualquer boa rainha, ela estava preparada para sacrificar o que fosse necessário para manter o império intacto.

...

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