O Cerco

O ar frio da madrugada envolvia a cidade quando Valentina voltou para sua base.

O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som dos passos firmes dela ecoando no corredor principal do esconderijo. Atrás dela, Nico a seguia em silêncio, ciente de que ela estava processando os eventos daquela noite no Eclipse.

Assim que chegaram à sala de operações, o ambiente estava cheio de movimento.

Seus principais aliados aguardavam, rostos tensos, enquanto mapas, relatórios e fotos ocupavam a mesa central. A notícia sobre Lorenzo e a figura de Clara havia espalhado preocupação entre eles.

Valentina tirou o casaco, jogando-o sobre uma cadeira, e ficou em pé diante do grupo, seu olhar cortante varrendo o ambiente.

– Lorenzo está jogando alto – começou ela, sua voz firme. – Ele acha que pode me intimidar com avisos e intermediários. Mas nós vamos mostrar a ele que isso foi um erro.

Ela apontou para o mapa na mesa, onde o distrito financeiro estava marcado com pinos vermelhos.

– O Eclipse é apenas uma peça do quebra-cabeça. Quero todas as informações que conseguirmos sobre Lorenzo. Movimentações financeiras, contatos, locais frequentes. Ele pode operar nas sombras, mas ninguém consegue ficar invisível para sempre.

Nico cruzou os braços, encostando-se na parede.

– Se Lorenzo é tão poderoso quanto parece, ele vai estar preparado para contra-ataques. Você acha que estamos prontos para lidar com isso?

Valentina olhou para ele, seus olhos ardendo de determinação.

– Não temos escolha. Se não formos atrás dele, ele virá atrás de nós. E prefiro enfrentar meu inimigo de frente do que esperar que ele me alcance pelas costas.

Ao amanhecer, a base estava a todo vapor. Hackers trabalhavam em seus computadores, analisando movimentações financeiras suspeitas que pudessem estar ligadas a Lorenzo.

Enquanto isso, equipes de campo preparavam-se para missões de vigilância. Valentina havia decidido começar pelas ligações de Clara, a intermediária que conhecera no Eclipse.

– Clara não é apenas uma mensageira – disse Valentina, enquanto discutia a estratégia com Nico e Mateo, um de seus homens de confiança. – Ela sabe mais do que deixou transparecer. Se conseguirmos encontrá-la, talvez possamos obrigá-la a nos levar até Lorenzo.

Mateo examinou um relatório recente.

– Temos uma possível localização. Clara foi vista entrando num hotel de luxo no distrito leste. O lugar é discreto, mas movimentado o suficiente para que ela possa se esconder à vista de todos.

Valentina assentiu, traçando mentalmente o plano.

– Vamos abordar com cuidado. Quero ela viva, mas não vou arriscar a segurança da equipe.

O sol começava a se pôr quando Valentina, Nico e uma pequena equipe chegaram ao hotel.

O prédio era uma torre moderna, com fachada de vidro e uma entrada movimentada por hóspedes elegantes. Valentina e Nico entraram pelo saguão, vestidos como empresários, enquanto os outros aguardavam do lado de fora, prontos para agir se algo desse errado.

No balcão de recepção, Valentina usou novamente o truque do "convite". Com um cartão que simulava um acesso legítimo, ela conseguiu descobrir o quarto de Clara: a cobertura, claro.

– Sempre ostentando – murmurou Nico enquanto subiam pelo elevador privativo.

Quando as portas se abriram, a visão era luxuosa. O corredor da cobertura era decorado com tapetes macios e luzes discretas.

Mas havia algo errado: estava silencioso demais. Valentina parou por um momento, analisando o ambiente.

– Isso é uma armadilha – disse ela em voz baixa.

Nico assentiu, sacando sua arma.

– Então vamos desmontá-la.

Ao se aproximarem da porta da suíte de Clara, Valentina sinalizou para Nico. Ele bateu levemente, enquanto ela se posicionava ao lado, arma em mãos.

Não houve resposta.

– Clara? – chamou Nico, tentando soar casual.

De repente, a porta explodiu para dentro, estilhaçando-se.

Valentina e Nico se jogaram para o chão enquanto tiros ressoavam pelo corredor. Homens armados surgiram de dentro da suíte, descarregando balas na direção deles.

Valentina rolou para trás de uma coluna, retornando fogo com precisão. Dois dos homens caíram, mas outros surgiram, dificultando a aproximação.

– Recuem para a escada! – gritou ela.

Nico cobriu-a enquanto ambos corriam pelo corredor, atirando para manter os inimigos afastados. Quando chegaram à porta da escada, ouviram passos apressados descendo.

Alguém estava fugindo.

– Clara – murmurou Valentina.

Sem hesitar, ela disparou escada abaixo, com Nico logo atrás.

Eles alcançaram Clara no estacionamento subterrâneo. A mulher estava tentando entrar num carro preto quando Valentina a interceptou, apontando a arma para ela.

– Você não vai a lugar nenhum – disse Valentina, ofegante, mas firme.

Clara ergueu as mãos lentamente, sua expressão um misto de raiva e resignação.

– Eu avisei que isso não terminaria bem para você – disse ela, a voz gélida.

– E eu avisei que não gosto de joguinhos – retrucou Valentina. – Agora, você vai nos levar até Lorenzo.

Clara riu levemente, mas havia algo de sinistro em seu tom.

– Vocês acham que podem simplesmente chegar até ele? Lorenzo é mais do que um homem. Ele é uma força. E vocês estão brincando com algo muito maior do que podem controlar.

Valentina se aproximou, o cano da arma quase tocando o rosto de Clara.

– Talvez. Mas eu prefiro arriscar a me esconder. Agora, fale.

Clara hesitou por um momento, mas finalmente cedeu.

– Lorenzo está num lugar chamado Círculo Sombrio. É uma base segura, fora da cidade, escondida nas montanhas. Se quiserem encontrá-lo, é para lá que precisam ir.

Nico se aproximou, analisando a expressão de Clara.

– E como sabemos que isso não é uma armadilha?

Clara deu um sorriso amargo.

– Não sabem. Mas não têm escolha.

Valentina a fitou por mais alguns segundos antes de se virar para Nico.

– Pegue ela. Vamos levá-la conosco.

De volta à base, a equipe estava a postos, estudando o próximo movimento. O Círculo Sombrio era um lugar remoto, cercado por segurança avançada. Invadir seria perigoso, mas não impossível.

– Vamos precisar de tudo o que temos – disse Valentina. – Equipamentos, reforços, qualquer vantagem que possamos usar.

Ela olhou para Clara, agora amarrada a uma cadeira no canto da sala.

– Se você estiver mentindo, não viverá para ver o resultado.

Clara apenas sorriu, como se já soubesse algo que Valentina não sabia.

Valentina fechou os punhos, o peso da missão crescendo em seus ombros.

Lorenzo estava perto, mas a jornada até ele seria o maior teste de sua vida.

E ela estava pronta.

...

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Comments

Gabi

Gabi

preciso de mais capítulos autoraaaaa

2024-12-07

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