A viagem até o Círculo Sombrio não foi nada como Valentina esperava.
As montanhas, cobertas por uma névoa espessa e fria, pareciam esconder mais do que apenas o esconderijo de Lorenzo. Era como se o próprio terreno tivesse uma energia sombria que absorvia a luz e engolia os sons, criando uma sensação de isolamento quase palpável.
Valentina estava no banco traseiro do veículo, com Nico ao volante.
O silêncio entre eles era pesado, mas Valentina sabia que esse era o momento crucial. Ela estava prestes a se confrontar com o maior inimigo que já enfrentara, e sabia que cada movimento teria consequências irreversíveis.
Do lado de fora, a paisagem se desdobrava em uma série de penhascos íngremes e árvores retorcidas, criando um ambiente que parecia mais de outro mundo do que de algo que existia no mapa.
O Círculo Sombrio não estava apenas fora da cidade; ele estava nas profundezas daquilo que ninguém queria tocar.
– Estamos quase lá – disse Nico, seu olhar fixo na estrada de terra sinuosa à frente.
Valentina olhou pela janela, o frio da noite passando pelo vidro.
– A sensação é que estamos nos aproximando do fim de um capítulo. E quando esse capítulo acabar, nada será o mesmo.
Ela sabia o que estava em jogo.
Este não era mais um jogo de poder entre gangues ou uma disputa por território. Agora, estava em jogo sua própria sobrevivência e a de todos ao seu redor.
Lorenzo não era apenas um criminoso; ele era um monstro escondido sob a aparência de um homem comum. E ela tinha que ir até o fim, mesmo que isso significasse confrontar os próprios fantasmas.
A entrada para o Círculo Sombrio estava camuflada entre as pedras, uma estrutura de ferro e concreto quase invisível à primeira vista.
O portão de acesso parecia modesto, mas havia algo ali que deixou Valentina alerta – uma sensação de vigilância constante. A segurança do local era imensa, mais do que ela poderia imaginar, com câmeras de vigilância discretamente posicionadas, e guardas espalhados em pontos estratégicos.
Ao se aproximar do portão, um homem robusto com um fone de ouvido e um olhar desconfiado surgiu na guarita. Ele olhou diretamente para o carro e, por um momento, Valentina sentiu o peso da situação.
Havia algo no ar, uma tensão quase palpável, como se eles estivessem sendo observados o tempo todo. Ela sabia que eles não tinham tempo a perder.
Nico reduziu a velocidade até parar completamente, e Valentina se virou para ele, transmitindo confiança mesmo que por dentro sua mente estivesse acelerada.
– Vamos fazer isso rápido. Ele está esperando por nós, ou ao menos é o que ele quer que pensemos.
Nico assentiu, e sem hesitar, Valentina saiu do carro, caminhando com passos firmes em direção ao portão, enquanto Nico a seguia de perto, também alerta.
O segurança os observou por um momento, antes de finalmente levantar a barreira de ferro, permitindo-lhes a entrada.
O Círculo Sombrio era um labirinto de paredes de concreto, corredores apertados e escadas metálicas.
O som de passos ecoava nas paredes, criando uma sensação de claustrofobia. Cada sala parecia ser mais uma instalação de segurança do que uma residência ou centro de operações.
Em cada canto, havia sinais de que aquele lugar foi construído para resistir a qualquer tipo de ataque – e ainda assim, algo parecia profundamente errado ali.
– Não gosto disso – murmurou Nico, olhando ao redor com desconfiança. – Esse lugar tem uma energia estranha.
Valentina concordou, mas não disse nada.
Estava mais focada no que estava por vir.
Eles seguiram por um longo corredor, iluminado por luzes fracas que mais criavam sombras do que dissipavam a escuridão. Cada passo parecia mais pesado, mais iminente.
Finalmente, chegaram a uma porta metálica que, ao ser aberta, revelou uma grande sala de operações.
Ali, uma série de monitores e computadores estavam ligados, acompanhando as movimentações da cidade e além. No centro da sala, um homem estava sentado, com as costas voltadas para eles.
Seu perfil era imponente, mas a verdadeira força estava no silêncio que ele emanava.
Valentina não precisou de mais nada. Ela sabia que aquele era Lorenzo.
Quando ele se virou, o olhar de Lorenzo se encontrou com o dela, e Valentina sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Ele não era como ela imaginava.
Não era um monstro grotesco, mas alguém que carregava a malícia de forma elegante, quase tranquila. Seu olhar frio, porém, era implacável.
Ele tinha um poder sobre as pessoas que transcendeu o físico – era uma presença que podia se infiltrar na mente e na alma de qualquer um.
– Eu sabia que você viria – disse Lorenzo, sua voz calma e quase divertida. – Mas esperava que fosse mais... cautelosa.
Valentina não desviou os olhos.
– Não vim aqui para conversas. Quero saber o que está acontecendo, Lorenzo. O que você quer? E por que está nos ameaçando?
Lorenzo sorriu, como se a situação fosse uma grande piada.
Ele se levantou lentamente, andando até ela com a confiança de quem já havia ganho o jogo muito antes de o jogo começar.
– Não estou te ameaçando, Valentina. Estou oferecendo uma oportunidade. – Ele a observou com atenção, como se estivesse vendo através dela. – Você está no centro da cidade, controlando tudo o que move. Eu tenho poder fora da cidade. O que estou oferecendo é algo maior. Algo que vai além da sua pequena guerra de gangues.
– Eu não preciso de poder, Lorenzo. Preciso de respostas. E preciso que você saia do meu caminho – Valentina respondeu, a voz imperturbável.
Lorenzo riu levemente, mas seu olhar permaneceu fixo nela.
– Você é forte, Valentina. Mas há coisas no mundo que você não pode controlar. E, no final, todas as suas ações apenas a conduzirão até aqui – ele apontou para a sala ao redor, como se a situação fosse inevitável.
– A diferença entre nós dois é simples: eu aceito o que o poder realmente significa. Você, no fundo, ainda tenta lutar contra ele. E isso vai acabar com você.
Valentina não cedeu.
Ela sentia o peso das palavras de Lorenzo, mas havia algo nele que não a amedrontava. Ele era inteligente, perigoso, mas também arrogante.
E essa arrogância era sua fraqueza.
– Vamos ver até onde esse poder te leva, Lorenzo – disse ela com firmeza, aproximando-se dele. – Não sou eu que vou cair.
Ela não precisou mais dizer nada. As palavras já estavam ditas, e o confronto já estava em andamento.
Antes que qualquer um pudesse reagir, uma série de homens armados surgiram do fundo da sala, criando um cerco imediato.
Valentina e Nico estavam prontos.
O som das armas ecoou pela sala, mas Valentina e sua equipe se moveram rapidamente, respondendo ao fogo com precisão letal.
A luta não durou mais do que alguns minutos.
Lorenzo observava a cena, ainda com um sorriso enigmático no rosto. Quando os últimos homens caíram, ele se aproximou de Valentina, não com raiva, mas com uma calma desconcertante.
– Você me subestimou, Valentina. Você acha que pode enfrentar tudo isso sozinha.
Valentina levantou a cabeça, pronta para responder, mas Lorenzo a interrompeu, levantando a mão.
– Mas eu gosto de você. Isso faz as coisas interessantes. Vamos ver até onde você pode ir...
Ele fez um sinal para seus guardas, e antes que Valentina pudesse reagir, foi imobilizada por dois homens fortes.
– A sua jornada ainda não acabou – Lorenzo disse, com um sorriso irônico. – Mas já começou a escorregar...
A sala parecia girar em torno dela enquanto a captura começava, e Valentina sabia: o jogo havia mudado.
Agora, mais do que nunca, ela precisava entender as verdadeiras intenções de Lorenzo – e parar o que quer que fosse ele estivesse planejando.
....
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Anonymous
Está realmente sombrio!
2025-01-25
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