A madrugada estava fria e silenciosa, o tipo de noite que parecia envolver a cidade em um manto de mistério.
A lua cheia se refletia nas ruas vazias, iluminando as calçadas com uma luz suave, quase fantasmagórica. Valentina estava em seu escritório, uma sala imponente no coração da cidade, onde cada móvel e cada objeto refletiam seu novo status de poder.
Ela havia derrotado Lorenzo e limpado a cidade das últimas manchas de sua influência.
Mas algo ainda pesava em sua mente, uma sensação de que o verdadeiro desafio estava prestes a começar. Ela sabia que não poderia manter o controle sem enfrentar os que ainda estavam à espreita, esperando para testar sua liderança.
O som do telefone quebrando o silêncio fez Valentina olhar para ele, seu corpo ainda imóvel, mas com os sentidos atentos.
Ela ergueu a mão, pegando rapidamente o aparelho. Do outro lado da linha, a voz de Nico soou grave e urgente:
– Ele está aqui. Marco Rizzo quer falar com você. Ele está te esperando no antigo depósito, onde se encontravam as operações de Lorenzo.
O coração de Valentina deu um salto.
Marco.
O nome soava familiar, mas não era só pela ligação com os Rizzo que ela sentia uma tensão crescente. Marco representava algo mais para ela.
Ele era o enigma da cidade, o homem com quem seus destinos pareciam entrelaçados de maneiras que ela ainda não compreendia totalmente.
– Eu vou. – Valentina respondeu de forma curta, sua voz suave, mas cheia de determinação. – Prepare os homens.
Minutos depois Valentina chegou ao local.
O depósito parecia abandonado, suas paredes desgastadas e cobertas pela imensa sombra da noite. O ar estava denso, e o cheiro de umidade e decadência permeava o ambiente. A antiga estrutura de aço e concreto exalava uma sensação de perigo.
Ali, Lorenzo havia feito negócios obscuros, e agora, como se o destino estivesse brincando com ela, era onde ela encontraria Marco Rizzo.
Valentina caminhou com passos firmes até a entrada do depósito, sua capa preta flutuando levemente com o vento. Cada movimento seu era calculado, como uma predadora que estava prestes a se encontrar com sua presa.
Mas algo na presença de Marco a deixava inquieta, como se ela fosse a presa, e não a caçadora.
A porta de metal se abriu com um rangido baixo, revelando um amplo espaço vazio, iluminado apenas por uma lâmpada pendurada no teto. No centro da sala estava Marco Rizzo, encostado em uma das colunas, suas mãos enfiadas nos bolsos de sua jaqueta escura. O homem estava mais imponente do que Valentina lembrava, o olhar penetrante, os traços de sua face austeros, mas com algo de enigmático e perigoso.
– Valentina... – Marco disse, a voz grave e cheia de significado. Ele não se moveu, apenas a observou de longe, seus olhos fixos como se estivesse estudando cada centímetro de seu corpo. – Não pensei que você viria. Mas fico feliz que tenha vindo.
Ela não se deixou intimidar e cruzou os braços, mantendo uma postura desafiadora, mas sem demonstrar fraqueza.
Valentina sabia o que ele queria.
Mas antes de dar qualquer resposta, ela o analisou. Marco não parecia ser o tipo de homem que estava ali para negociar com fraqueza ou hesitação.
– O que você quer, Marco? – Valentina perguntou, sua voz firme, sem permitir qualquer sinal de insegurança. – Eu já destruí seu inimigo. Não vejo mais razão para conversarmos.
Marco sorriu, mas o sorriso não alcançou seus olhos. Ele sabia que aquela não era uma conversa comum, e ela também sabia disso.
Ele deu um passo à frente, sua presença ainda mais imponente.
– Não estamos aqui apenas para falar de poder, Valentina. Estamos aqui porque o jogo que você e eu jogamos tem um significado maior. – Ele fez uma pausa, observando-a com mais intensidade.
– Eu vim aqui para oferecer uma proposta nova.
Valentina não disse nada. Ela queria saber até onde ele estava disposto a ir com aquela conversa. Sabia que a próxima palavra poderia definir tudo.
– O que você propõe novamente? – Ela disse, baixando os braços, seus olhos agora focados. Ela sabia que aquilo não seria um simples encontro.
Marco a observou por um momento, como se estivesse ponderando suas palavras, antes de finalmente se aproximar mais. Ele parecia medir cada passo, como se quisesse que ela entendesse a importância de sua proposta antes mesmo de ele dizê-la.
– Eu sei que você conquistou a cidade. Sei que Lorenzo era um obstáculo, mas, agora que ele não está mais aqui, o verdadeiro jogo começa. – Ele parou a poucos passos de Valentina, seus olhos tão próximos que ela podia sentir a tensão no ar.
– Eu ofereço a você uma nova aliança. Juntos, governar a cidade. Eu posso te ajudar a consolidar o poder. Em troca, você compartilha comigo. Não estou pedindo para ser seu subordinado, Valentina. Estou oferecendo uma parceria. Juntos, poderemos construir algo que vai além de qualquer coisa que Lorenzo imaginou.
Valentina o encarou em silêncio, processando suas palavras.
A ideia de dividir o controle da cidade não era algo que ela havia considerado antes. Ela era uma mulher de poder absoluto, sempre confiando em suas próprias forças para dominar os outros.
Mas Marco era diferente.
Ele não era um homem que se contentava com nada menos que o total controle, e ela sabia disso.
– E o que você ganha com isso, Marco? – Valentina perguntou, o olhar agora mais penetrante.
– Você acha que vai ser fácil para mim confiar em você depois de tudo o que aconteceu? Você está disposto a dividir o poder comigo, mas eu duvido que isso seja tudo o que você quer.
Ele sorriu novamente, mas desta vez, havia algo mais nos olhos dele.
Um brilho que só pessoas como ele possuíam.
O brilho de quem sabia que, em um jogo de poder, as palavras eram apenas o começo.
– Eu ganho o que Lorenzo não conseguiu. Eu ganho você. – Marco deu um passo mais perto dela, seus olhos agora tão próximos que ela podia sentir a intensidade de sua presença.
– E você ganha alguém que pode te ajudar a manter tudo o que conquistou. Um homem que não vai se dobrar a ninguém, nem a você. Alguém que vai te desafiar. E quem sabe, no final, talvez até mesmo você goste disso.
Valentina se manteve em silêncio, seus olhos fixos nos dele, avaliando cada palavra.
O que ele estava dizendo era perigoso, mas ela sabia que tinha que considerar. Ela estava diante de um homem que era tão astuto quanto ela, tão determinado quanto ela, e talvez até mais.
Ele era um igual, e isso a fazia questionar sua própria confiança em si mesma.
– Você sabe como jogar, Marco. – Valentina disse, a voz baixa e calculista. – Mas não sei se estou disposta a entrar nesse jogo com você.
Marco sorriu novamente, como se soubesse que, de algum modo, ela já estava jogando o jogo dele.
– Você vai, Valentina. Porque no fim das contas, o jogo que estamos jogando não tem outra opção além de nos unirmos ou nos destruirmos. E eu sei que você não é uma mulher de destruir algo que já conquistou.
Ela o encarou mais uma vez, e por um momento, o mundo ao redor deles pareceu desaparecer.
O que Marco estava oferecendo era tanto uma ameaça quanto uma oportunidade. Ela sabia que aceitar significava entrar em um campo minado, mas também sabia que ele poderia ser um aliado mais valioso do que qualquer outro.
Valentina deu um passo à frente, os olhos ainda fixos em Marco.
Ela não disse uma palavra, mas, naquele momento, ambos sabiam que o jogo entre eles estava apenas começando.
E assim, na escuridão daquele depósito, um novo pacto, silencioso e perigoso, estava sendo selado.
...
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Atualizado até capítulo 49
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