Ao entrar em casa, me deparei com meus pais sentados, esperando por mim. Seus rostos pareciam abatidos. Minha mãe não me encarava, e meu pai, com um gesto, me pediu para sentar. Isso fez meu corpo tremer de nervosismo. Esses dias têm sido um verdadeiro caos.
— Eu e sua mãe precisamos falar com você — disse meu pai, com um tom sério, que só aumentou minha ansiedade.
Aquela frase fez meu coração acelerar. Eu mal tinha chegado, e já estava sendo envolvida em mais um drama. Maldita sorte. Achei que, ao voltar para casa, finalmente teria um momento para processar tudo o que aconteceu ontem, mas o destino parecia me puxar de volta para o centro de mais uma tempestade.
— Sobre o quê? — perguntei, gaguejando, tentando manter a calma.
Meu pai respirou fundo e melhorou a postura, tentando se recuperar.
— Vamos nos divorciar — disse ele, com a voz falhando.
Essas palavras caíram sobre mim como um tiro. Não sabia como reagir. Queria ignorar tudo e fugir dali, mas, ao invés disso, fiquei sentada, encarando o chão, sem forças para dizer algo.
— Mas te amamos muito, filha — minha mãe falou, tentando conter as lágrimas.
Levantei-me instintivamente, sem saber o que fazer, e me dirigi para o meu quarto. Eles não disseram mais nada, apenas aceitaram o silêncio e o peso da situação. No quarto, joguei a mochila no chão e, sem controle, uma crise de ansiedade tomou conta de mim. Meu peito doía, a respiração me machucava a cada tentativa de ar. Bati em minhas mãos com força, até que finalmente deixei as lágrimas escorrerem.
Por que minha vida não podia ser normal? Por que tudo tinha que ser tão difícil? Com as últimas forças que me restavam, me deitei na cama, procurando uma fuga no sono.
De repente, um barulho me despertou. Abri os olhos, ainda com os sentimentos aflorados após a crise, e levei um susto quase paralisante. Não consegui gritar. Ele estava ali, parado, à minha frente.
— Calma... — ele disse, se aproximando lentamente — eu trouxe seu celular — falou, colocando o aparelho delicadamente ao meu lado.
Eu tentei respirar devagar, sem acreditar no que estava vendo. Não podia ser ele.
— O que está fazendo aqui? — perguntei rapidamente, minha voz tremendo.
Ele riu, apontando para o celular.
— Ah, então tá bom — disse, enquanto me virava para o outro lado da cama, ainda tremendo.
O que estava acontecendo? Ele estava na minha casa, no meu quarto, como se fosse algo normal. E eu, em vez de reagir com medo, virava para o lado?
— Nossa, você continua mal-agradecida — ele disse, rindo, enquanto se dirigia até a janela.
Eu me virei imediatamente.
— Para onde você vai? — perguntei, indignada.
Ele parou, recuou, e voltou a me olhar como se eu pudesse ver a irritação através daquela máscara.
— O que você quer, garota? — ele disse, com a voz áspera — Já me arrisquei demais vindo na casa do xerife.
Levantei-me, determinada a entender tudo.
— Então, por que você se arriscaria? Já fez isso quando me salvou, e naquele terraço. Agora está aqui novamente? — perguntei, tocando seu peito, com a indignação transbordando.
Ele segurou meu braço com firmeza, virando seu rosto mascarado para me encarar de forma impenetrável, como se tentasse ler minha alma.
— E você está irritada? — ele riu, desdenhando — Você realmente é bem ingrata.
— Eu só estou tentando te fazer parar de se arriscar. Algumas pessoas te viram perto da boate, meu pai me falou. Eu sei o quanto você se arriscou naquela noite. Por isso queria agrade... — Antes que eu pudesse terminar, ele me interrompeu.
— Já falei que não precisa agradecer. Que saco. — Ele se virou para ir embora.
No impulso, agarrei o braço dele, sem saber por que, sem conseguir me controlar.
— Olha, você não é um monstro para mim. Eu sei que você pensa isso, mas você não é — disse, soltando o braço dele.
Ele baixou a voz, como se falasse consigo mesmo.
— Você não tem ideia do que está falando — disse, com a voz baixa, quase um sussurro — Não se coloque em perigo, por favor.
Então, com uma agilidade impressionante, ele pulou da janela e desapareceu na escuridão da noite. Eu fiquei ali, com o coração batendo descompassado, um sorriso involuntário surgindo no meu rosto
Toco meu rosto, ainda incrédula. O que eu estava sentindo? Isso era ridículo. Eu já havia agradecido a ele, já tinha dito o que precisava dizer. O que mais eu queria? Eu só posso estar ficando louca.
Me afasto da janela, mas ainda sinto a presença dele no quarto, como uma sombra persistente, mesmo depois de sua saída. Fecho os olhos e me deixo cair na cama, tentando processar tudo o que aconteceu. Agora, ele e eu não passamos de dois estranhos, não é? Ou talvez não... ou talvez sim. Eu realmente precisava parar de pensar nisso. Não podia continuar assim, com essa confusão, esse turbilhão de sentimentos que parecia não ter fim.
Mas a verdade era que, quanto mais eu tentava afastá-lo da minha mente, mais ele parecia voltar, como se fosse uma parte de mim que eu não podia simplesmente ignorar.
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Atualizado até capítulo 42
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