Acordei exausta, os músculos pesados, e a cabeça ainda um pouco confusa. A primeira coisa que vi foi Kevin, adormecido ao meu lado, o rosto tranquilo e despreocupado. Por um momento, fiquei ali observando-o, com o peito aquecido por vê-lo tão sereno. Porém, a memória do mergulho no rio Glenwood e do dia agitado voltou, e foi inevitável pensar: quem diria que aquilo me deixaria mais cansada do que as turbulências da noite anterior?
Olhei ao redor, analisando o ambiente. Estávamos no quarto dele, e a bagunça característica estava por todo canto. Minha última lembrança era de nós dois no carro, voltando para a casa, eu devia ter adormecido.
— Você acordou? — A voz rouca de Kevin rompeu o silêncio, ao mesmo tempo em que ele me puxava para perto.
Deixei-me envolver em seus braços, o calor do corpo dele era reconfortante. Quando nossos olhares se encontraram, senti algo pulsar dentro de mim. Não sabia explicar, mas havia um desejo inesperado tomando conta de mim.
— O que foi? — ele perguntou, confuso com o modo como eu o encarava.
Sem hesitar, respondi:
— Eu quero fuder com você aqui, no seu quarto. — A mordida que dei nos lábios não ajudou a suavizar minha confissão.
Kevin piscou, claramente surpreso. Mas, como sempre, entendeu o recado. Sem dizer uma palavra, ele se inclinou e começou a distribuir beijos pelo meu pescoço, as mãos explorando minha pele, descendo até onde o desejo nos chamava.
Então, a realidade bateu à porta — literalmente.
— Kevin? — A voz da mãe dele ecoou do lado de fora, seguida por batidas.
Nossos olhares se cruzaram, e nós dois caímos na risada, frustrados e envergonhados ao mesmo tempo. Rapidamente, alcancei uma camisa de Kevin que estava jogada ao lado da cama e a vesti, enquanto ele se levantava para abrir a porta.
A mãe dele parecia absolutamente normal ao me ver ali, como se a cena de eu estar no quarto dele fosse a coisa mais natural do mundo. Eu me perguntei se ela estava em casa quando Kevin me trouxe, o que me deixou ainda mais constrangida.
— Oi, Ayara, meu amor. Pedi pizza para o jantar. Venham comer, vocês dois — disse ela, com o tom carinhoso de sempre, antes de se afastar em direção à cozinha.
Meu coração gelou. Jantar? Já era de noite! Meus pais deviam estar fora de si, preocupados comigo. A ideia de tê-los deixado angustiados por tanto tempo apertava meu peito. Comecei a procurar meu celular, vasculhando entre os lençóis e a bagunça ao redor.
Kevin, vendo meu desespero, apenas riu.
— Você perdeu o celular, esqueceu? — Ele veio até mim, com a calma de quem não parecia minimamente preocupado.
— Como você pode estar tão tranquilo? Era pra você ter me levado para casa! — A voz saiu mais alta do que eu pretendia, misturando culpa e frustração.
Sem aviso, Kevin tentou me acalmar de maneira inusitada: empurrou-me suavemente de volta para a cama e deitou ao meu lado, levantando a camisa que eu vestia. Antes que eu pudesse protestar, ele enfiou o rosto entre meus seios, num gesto tão espontâneo quanto desarmante.
— Seus pais sabem que você está aqui. Liguei para eles e disse que estávamos fazendo um trabalho da escola. — A voz abafada dele escapava da camisa, enquanto ele se mantinha ali, como se não tivesse feito nada de mais.
Aquela informação foi um alívio imediato.
— Sua mãe falou que tem pizza. Vamos comer — sugeri, tentando empurrar a cabeça dele para longe do meu peito, mas ele insistia em ficar ali, rindo da minha reação.
— Pra quê pizza? O que eu quero comer está bem aqui — respondeu, com o olhar provocador, antes de me beijar com intensidade.
O som de passos se aproximando cortou o clima outra vez, mas dessa vez a mãe de Kevin não bateu. Simplesmente abriu a porta, nos pegando em pleno momento de cumplicidade.
— Ouuh, vocês dois! É melhor irem jantar agora e deixarem isso para depois! — reclamou, mas com um sorriso no canto dos lábios.
Kevin ainda estava sobre mim quando me virei e o empurrei da cama com um movimento rápido. Ele caiu no chão com um baque surdo, soltando um grito de protesto que se transformou em gargalhada.
— Que merda, mãe! — ele resmungou, ainda caído no chão, as mãos segurando os lados da cama para se levantar.
— Olha a boca, moleque! Eu chamei vocês e nada! — retrucou ela, rindo enquanto saía do quarto.
Eu ri junto, embora o rosto ainda estivesse quente de vergonha.
— É melhor nós irmos — comentei, tentando parecer mais confiante, mas a risada dele não ajudava.
Kevin sempre teve uma relação próxima com a mãe, que era tão amorosa quanto protetora. Ela sempre dizia que, se um dia terminássemos, a culpa seria dele, pois eu era a nora querida dela. Apesar do constrangimento, era fácil sentir o carinho na forma como ela lidava conosco.
Antes que eu pudesse sair andando, Kevin me pegou nos braços como se eu fosse feita de algodão e me jogou sobre o ombro.
— Kevin, me põe no chão! — protestei, morta de vergonha. Estava com a camisa dele e apenas uma calcinha, o que tornava a cena ainda mais embaraçosa.
Ele me levou até a cozinha assim mesmo, ignorando meus protestos e gargalhando. Quando me colocou no chão, virei para me desculpar com a mãe dele.
— Me perdoa, sogrinha, mas esse idi... — fui interrompida por Kevin, que me segurou antes que terminasse a frase.
— Não entendo por que você está tão envergonhada. Eu te trouxe assim quando você estava dormindo — ele provocou, sorrindo.
As palavras dele me deixaram ainda mais corada. Queria matá-lo, mas apenas suspirei, aceitando a situação.
A mãe de Kevin reparte a pizza com calma, distribuindo as fatias enquanto ele serve os copos com refrigerante. Eu fico observando tudo em silêncio, sentindo-me acolhida. Era uma sensação rara, algo que eu realmente desejava em minha vida. Aquelas pequenas coisas, como compartilhar uma refeição, sempre traziam algo bom para mim. Era algo que eu não costumava fazer em casa, principalmente depois do que aconteceu.
Fui interrompida em meus pensamentos pela voz da mãe dele.
— Querida, você não está comendo.
Antes que eu tivesse tempo de responder, ele pegou uma fatia de pizza e a levou até minha boca. Eu a mordi, sentindo um calor crescente de vergonha se espalhar por mim.
— Não deveria ficar tão envergonhada assim. Logo você vai ser minha esposa — disse ele, colocando o restante da fatia no meu prato.
Essas palavras me pegaram de surpresa. Um engasgo me tomou, e comecei a tossir. Peguei o copo de refrigerante e bebi rapidamente, tentando disfarçar meu desconforto. Ambos trocaram olhares e riram da minha reação.
— Ainda estamos no segundo ano e você já está pensando nisso? — tentei manter a compostura, tentando soar lúcida.
Ele me olhou como se já tivesse planejado tudo e, com um gesto carinhoso, bagunçou meu cabelo levemente.
— Eu sei, mas preciso garantir meus interesses. Vai que aparece um estranho e rouba você de mim — disse, rindo da situação.
No entanto, aquelas palavras foram o estopim para uma lembrança perturbadora que invadiu minha mente. De madrugada, enquanto estava sozinha na boate, eu havia ido até o beco e, lá, vi alguém. Vi o assassino de Glenwood.
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Atualizado até capítulo 42
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