Um novo ano

Prendi meu cabelo cacheado com um broche, empurrando os fios para trás. Não era necessário muito esforço para me sentir bonita, embora minha mente estivesse longe disso. De alguma forma, eu ainda tinha consciência da minha aparência. Eu não passava de mais uma patricinha da escola, com um namorado popular. Não podia reclamar, afinal, isso ajudava a desviar a atenção do que aconteceu no ano passado. Não gostava de recordar aquele momento, então preferia não pensar nisso.

Passei por terapias, investiguei detalhes, tentando lembrar do rosto do homem que me ajudou. “Não vi nada. Foi muito rápido. Me deixem em paz”, eu repetia. Não havia mais nada a acrescentar.

Este ano, decidi deixar o passado para trás. Não mais torturar minha mente tentando lembrar o rosto dele, embora uma parte de mim ainda recordasse o moletom azul e como ele parecia ter a mesma idade que eu. Não falaria sobre isso com ninguém, principalmente depois de descobrir o que ele se tornara. Um justiceiro. Ele matou muitas pessoas no último ano. Agora, sentia que precisava protegê-lo de alguma forma. Ele me ajudou sem esperar nada em troca, e eu jamais conseguiria retribuir de outra maneira. Eu devia minha vida a ele.

Merda! Me prometi que não pensaria mais nisso. Já estava atrasada. Levantei-me rapidamente, peguei os livros da bolsa, ajeitei o cabelo e passei uma maquiagem simples. Agora, sim, estava pronta. Desci as escadas e fui direto para a cozinha, onde minha mãe preparava o café da manhã e meu pai já estava à mesa, comendo.

— Bom dia, mãe. Só vou pegar uma maçã, estou super atrasada — falei enquanto pegava a fruta na mesa.

— Ayara, já falei para não sair tão apressada, especialmente sem se alimentar — ela disse, tensa.

Meu pai, que observava a cena, olhou para nós duas e sorriu.

— Não vão começar a brigar logo cedo, vão? — ele perguntou, mastigando um pedaço de bacon.

Minha mãe, com um sorriso irônico, lhe deu um leve tapa com a colher.

— Está me chamando de ranzinza? — ela retrucou, o tom sério, mas não sem diversão.

Aproveitei a deixa para me escapar. Me deu pena do meu pai, mas minha mãe, de fato, sabia ser difícil.

Do lado de fora, encontrei Kevin me esperando no carro, seu sorriso encantador iluminando a manhã. Ele sempre soubera ser fofo.

— Kevin, você está louco? Vai se atrasar também — disse, dando-lhe um beijo rápido.

— Não poderia deixar você ir sozinha, não, uma princesa como você — ele respondeu, com uma risada baixa enquanto apertava minha cintura.

Dei-lhe um tapinha no ombro e o beijei novamente.

— Agora não é hora para isso, Kevin. Vamos! — falei, abrindo a porta do carro.

Ele entrou, e logo fechamos a porta. Sua mão repousou entre minhas pernas enquanto ele dirigia. Havia uma intimidade entre nós, mas, apesar disso, não havíamos chegado ao ponto final. Não me sentia pronta, e ele respeitava isso, como se nunca imaginássemos nos ver com outra pessoa.

— Ayara, sua mãe vai visitar seus avós no Brasil? — perguntou Kevin, com curiosidade.

— Ah, sim. Ela está se preparando para a viagem. Talvez eu vá com ela. Já faz um tempo que não vou — respondi, pensativa.

Ele me olhou por um momento e voltou sua atenção para a estrada.

— Estava pensando... talvez eu devesse ir com vocês. Quero conhecer as praias do Brasil — disse ele, piscando para mim.

Fiquei corada, um sorriso bobo surgindo em meu rosto. Concordei com a cabeça.

— Está bem, vou falar com minha mãe.

Chegamos à escola e, ao longe, avistamos Stacey e Amanda com seus respectivos namorados, embora Amanda e Matt só estivessem se pegando, eles eram praticamente um casal. Mesmo achando-os imaturos, não podia deixar de tolerá-los, já que eram amigos de Kevin e companheiros das minhas melhores amigas.

— E aí, cachorrão! — disse Otávio, namorado de Stacey, com uma risada sacana.

Kevin fez um barulho de latido, imitando um cachorro. Eles sempre faziam isso, e, embora eu achasse ridículo, havia algo de engraçado na cena.

— Ei, pessoal — disse, olhando rapidamente para o lado.

Amanda e Matt estavam, como sempre, se beijando sem se importar com o mundo ao redor. Stacey e eu até fizemos uma aposta: Amanda provavelmente engravidaria antes de terminar o terceiro ano. Acho que vou ganhar essa aposta.

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Comments

LOLA SANCHEZ

LOLA SANCHEZ

Que história emocionante! Não consigo parar de ler!

2024-12-05

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