Aproveitei o clima tranquilo que havia entre mim e Kevin para sugerir algo que sabia que ele odiaria: ir sozinha até a boate. Eu não queria ser egoísta, mas também não queria deixar de fazer algo que me agradava, só para não contrariá-lo. Sabia que ele não ia gostar, mas estava disposta a insistir, se fosse necessário.
— Kevin... — falei, acariciando o peito dele com a ponta dos dedos, como se fosse um gesto de súplica.
Ele me olhou, e uma leve sombra de frustração passou pelo seu rosto. Já esperava a minha insistência.
— Não sei, Ayara... — Ele começou, com uma expressão de quem já sabia onde a conversa ia parar. — Eu não gosto dessa ideia.
Eu sabia que ele não estava completamente à vontade com a ideia de eu sair sozinha, e eu entendi. Havia um temor em sua voz que não se passava por ciúmes, mas por uma necessidade de me proteger. Ele sempre foi assim, um pouco protetor. Por isso, o acariciei mais uma vez, dessa vez mais suavemente, como se quisesse amolecer sua resistência.
— Kevin... — comecei, mais doce desta vez. — Eu só quero me divertir um pouco, por favor. Vai ser só uma noite, e eu estarei bem.
Ele me olhou, e com um suspiro profundo, me abraçou, beijando minha testa com carinho. Era quase como se ele estivesse tentando suavizar a decisão que sabia que, no fundo, ele não queria tomar.
— Tá bom, você pode ir. Só... se cuide, ok? — disse ele, a relutância ainda evidente, mas a aceitação também. Sabia que, por mais que não gostasse da ideia, ele não podia me impedir de sair.
Eu sorri aliviada e rapidamente me levantei, indo pegar o celular para chamar a Stacey. Não tinha certeza se ela iria, mas a esperança falava mais alto. Eu precisava daquela noite.
— Você vai chamar a Stacey? Assim me deixa mais tranquilo — disse Kevin, agora se levantando também para se vestir.
Ignorei a sua preocupação e me tranquei no banheiro, ligando para a Stacey. Quando a linha tocou, senti uma leve aceleração no coração, não sabia bem o porquê, talvez fosse a empolgação do momento, mas estava animada. Eu sabia que, ao falar com ela, a noite ganharia um brilho a mais.
— Oi, Ayara? — A voz de Stacey soou logo do outro lado, com aquele tom familiar e preocupado, como se soubesse que algo estava por vir.
— Oi, amiga! Só liguei para te chamar para sair, só nós duas — falei, tentando esconder a empolgação.
Ela ficou em silêncio por um momento, como se estivesse absorvendo a ideia.
— Então você e o Kevin ainda estão brigados? — perguntou ela, sem esconder a preocupação. — Ele veio aqui mais cedo e falou comigo sobre como foi um idiota com você.
Fiquei quieta por um momento, observando minha própria reação. Era estranho falar sobre isso, mas ao mesmo tempo, aliviava um pouco. Não havia mais tensão entre nós dois. Já havíamos resolvido tudo, embora eu sentisse que ainda restava um peso.
— Eu e ele já fizemos as pazes — falei, com um sorriso leve nos lábios, tentando minimizar a gravidade da situação. — E não foi só isso que fizemos, se é que você me entende.
Ouvi uma explosão de risos do outro lado da linha.
— Não acredito! — Stacey gritou, com uma animação que quase me fez dar um pulo. — Finalmente! Eu sabia que isso ia acontecer! Eu estou muito feliz por você!
— Eu também estou muito feliz, Stacey — falei, sentindo um sorriso bobo se formar no meu rosto. — Quero te contar tudo, mas... só quando nos encontrarmos, que tal na boate?
— Ótima ideia, então se arruma. Passo aí em dez minutos, e vamos comemorar! Ah, e o Otávio vai também, ele tá aqui comigo.
Eu congelei por um instante, e então, a vergonha me invadiu como uma onda. Otávio? Sério? Não estava nada confortável com a ideia.
— Stacey, você não fez isso... — falei, desconfortável com a ideia de ele aparecer. Otávio era... Otávio. E eu sabia exatamente como ele iria me olhar.
— Relaxa, ele não vai tocar nesse assunto — respondeu Stacey, tentando acalmar meu espírito, mas eu ainda podia ouvir o Otávio rindo ao fundo.
Senti um pequeno nó se formar no meu estômago. Estava começando a ficar desconfortável com a ideia.
— Não leva ele, é só nós duas — disse, tentando soá-la mais firme do que estava me sentindo. Desliguei o celular rapidamente, antes que ela pudesse dizer algo mais.
Saí do banheiro e fui direto até Kevin, que estava me observando com uma expressão de expectativa.
— A Stacey vai trazer o Otávio. Lá se vai nossa noite das garotas — falei, me jogando nos braços dele, sem conter o tom de frustração na minha voz.
Ele riu, mas de uma forma tranquila, como se já soubesse que isso aconteceria.
— Eu já imaginava — disse ele, se afastando um pouco para terminar de se vestir. — Eles sempre estão juntos. E, convenhamos, ele nunca deixaria ela ir sozinha à boate. Ele é um pouco ciumento, você sabe disso.
Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo suas palavras. Olhei para ele, com uma curiosidade crescente.
— E você? — perguntei, não conseguindo mais segurar a dúvida. — Você não sente ciúmes de mim?
Ele me olhou, surpreso, e sem entender muito a razão da minha pergunta.
— Eu? — ele repetiu, com um sorriso leve. — Por você? Não sei. Se algum cara chegasse perto de você... acho que mataria ele.
Fiquei chocada por um momento, meu coração acelerando com a seriedade nas palavras dele. Eu sabia que ele estava falando sério.
— Você mataria alguém por isso? — perguntei, incapaz de esconder o espanto na voz.
Ele sorriu, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Relaxa. Estou brincando. Eu só quebraria ele — disse ele, me beijando na testa, tentando suavizar o impacto de suas palavras.
Fiquei sem saber o que dizer por um momento. Havia algo tão intenso na forma como ele falou, algo que me deixou mais mexida do que eu gostaria de admitir. Mas, antes que a conversa pudesse continuar, a buzina do carro soou.
Era Stacey e Otávio. Kevin me ajudou a vestir rapidamente o vestido, e ajeitei o cabelo dele com um toque carinhoso. Decidida, mas com o coração ainda um pouco inquieto, fui até a porta, e ambos descemos as escadas apressados.
— IAE, cachorrão! — gritou Otávio, com seu jeito irreverente e aquele sorriso debochado no rosto.
Kevin respondeu de forma igualmente exagerada, fazendo aquele som ridículo que sempre fazia. Stacey quase caiu de tanto rir.
— Entra, amiga, vamos no banco de trás pra irmos conversando — disse ela, passando por cima de Otávio e indo em direção ao banco de trás do carro.
Eu abri a porta e me sentei ao lado dela, enquanto Kevin se acomodava ao lado de Otávio, que assumia a direção.
— Eu soube que vocês dois... — começou Otávio, mas foi interrompido por Stacey, que o olhou com cara de poucos amigos.
— Não era pra tocar nesse assunto, você me prometeu, está de castigo — disse ela, com uma leve risada, mas claramente irritada.
Otávio soltou um suspiro, se ajeitando no banco, e fez uma cara de arrependido.
— Foi mal, me perdoem. Pronto, Stacey, não me coloque de castigo, vai? — ele disse, esticando a mão como se fosse fazer as pazes.
Stacey o olhou com um sorriso travesso, mas não cedeu.
— Relaxa, nós já íamos contar pra vocês — afirmei, tentando aliviar a situação.
Kevin me lançou um olhar divertido e assentiu com a cabeça.
— Então, não estranhem se não nos encontrarem por aí — disse ele com um sorriso no rosto, olhando pra mim.
Otávio deu um tapinha no ombro de Kevin, com um ar de cumplicidade, como quem diz “você mandou bem”, e eu quase pude ouvir isso na minha cabeça.
— Amiga, eu sei que você está animada, mas a Amanda... — começou Stacey, mas logo a interrompi.
— Não quero falar sobre isso hoje, Stacey, quero apenas comemorar. Pode ser? — disse, virando-me para a janela e deixando o silêncio se instalar por um momento.
Stacey pareceu hesitar, mas acabou concordando.
— Tá, mas a gente vai resolver isso depois, viu? — ela respondeu, mais suavemente.
Kevin, percebendo o clima tenso, sugeriu de forma descontraída:
— Que tal uma música pra relaxar? — ele disse, pegando o celular e colocando uma canção tranquila.
A música preencheu o silêncio no carro, e eu senti que a tensão entre todos ia aos poucos se dissipando.
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Atualizado até capítulo 42
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