Finalmente

Quando entrei em casa, o aroma da comida fresca pairava no ar. A cozinha estava impecável, e a panela de ferro sobre o fogão ainda estava quente. Ao abrir a tampa, vi arroz soltinho com cenouras em cubos e cheiro-verde, acompanhado de feijão bem temperado, cujo caldo grosso reluzia sob a luz. Havia também pedaços generosos de carne assada com batatas douradas, macias e cobertas com um molho levemente picante. Peguei o prato mais próximo e servi uma porção generosa para meu pai. Eu sabia que ele adorava aquele tipo de refeição.

Antes que minha mãe surgisse para azedar o clima, levei o prato para ele. Não queria, de forma alguma, começar uma discussão naquele dia.

— Seu pai não tem coragem de me encarar? — a voz da minha mãe cortou o ar como uma faca.

Meu corpo imediatamente tensionou, e lancei a ela um olhar mortal, o tipo de aviso silencioso de que hoje não estava disposta a discutir. Sem dizer nada, abri a porta e fui até a varanda, entregando o prato ao meu pai. Ele me agradeceu com um olhar cansado, mas grato, e eu subi direto para o meu quarto.

Minha mãe, no entanto, não parecia pronta para me deixar em paz. Seguiu-me, determinada, sua voz agora mais calma:

— O que aconteceu, Ayara? Fala pra mim. Eu sou sua mãe.

Suspirei, largando minha mochila no chão e me jogando na cama.

— Eu e o Kevin brigamos — murmurei, fechando os olhos como se isso pudesse afastar o peso do dia.

Ela sentou ao meu lado, a expressão suavizando. Era como se suas defesas tivessem caído.

— Sinto muito, querida. Isso é raro entre vocês dois. O que aconteceu?

Eu hesitei, mas as palavras vieram junto com as lágrimas que tentei segurar sem sucesso.

— Ele... — comecei a dizer, mas a emoção me venceu. Solucei, as lágrimas escorrendo em silêncio.

Minha mãe não insistiu. Em vez disso, me envolveu num abraço apertado, acariciando meus cabelos como fazia quando eu era pequena.

— Vocês vão se resolver. Eu sei que é difícil pra você.

Permaneci em seu colo, o calor de seu abraço trazendo um conforto inesperado, até que, sem perceber, adormeci ali mesmo.

Quando acordo, o dia já está se despedindo, com a luz suave da tarde invadindo o quarto. Estava surpresa ao perceber que tinha dormido por tanto tempo. Levanto-me lentamente, sentindo a necessidade de um banho revigorante. A água quente me envolve, e por um momento, me sinto em paz, completamente desconectada do resto do mundo.

Enquanto aproveito o silêncio e o calor, ouço a porta do quarto se abrir, mas decido ignorar. Eu queria apenas me concentrar naquele momento. Ao terminar, passo um hidratante pela pele, sentindo a maciez do toque, e então, coloco meu roupão e entro no quarto. Para minha surpresa, Kevin estava deitado em minha cama, me observando com um olhar carregado de arrependimento.

Ignorando sua presença, deixo o roupão escorregar e começo a procurar algo para vestir no armário. Sinto os olhos dele em mim, mas estou irritada demais para me importar com o que ele está pensando.

— Me perdoa, eu não deveria ter me irritado com você daquela forma — ele diz, se levantando e vindo até mim.

Ele aproxima-se lentamente, e sinto uma tensão crescente entre nós. Quando ele repousa as mãos em minha pele exposta, uma sensação de arrepio percorre meu corpo. Tento me afastar, mas as palavras que ele diz me fazem parar por um momento.

— Desculpa, mas estou me arrumando para a boate — digo, sem olhar para ele, tentando continuar com a tarefa de me vestir.

Kevin parece surpreso, como se esperasse que eu desistisse da ideia. Ele me observa por um momento e, com um suspiro, responde:

— Tá bom, eu vou com você. — Ele parece irritado, mas ao mesmo tempo, há algo mais no seu olhar.

Ainda sem falar nada, continuo me vestindo. Quando percebo que o zíper do vestido está preso nas costas e não consigo alcançá-lo, faço algo que talvez fosse uma provocação. Vou até ele e me viro, esperando que ele me ajude. Ele entende imediatamente e se aproxima, suas mãos tocando suavemente o fecho.

— Eu ainda vou chamar a Stacey, uma noite só de meninas — digo, tentando parecer descontraída, mas com uma intenção clara de provocar.

Ele me olha com um sorriso e, antes que eu possa reagir, me puxa em direção à cama. O susto me faz quase perder o equilíbrio, mas ele me segura firmemente, seus olhos fixos nos meus. A tensão entre nós aumenta. Ele levanta o meu vestido, e a proximidade de nossos corpos faz com que meu coração acelere.

— Os meus pais... — murmuro, minha mente tentando se concentrar, mas o prazer que sinto começa a se sobrepor.

Kevin, com a boca ainda perto da minha pele, levanta a cabeça e, com um sorriso tranquilo, responde:

— Eles saíram para o jantar, e pediram para eu olhar você. — Seu tom é calmo, mas as palavras têm um efeito inesperado.

A irritação mistura-se com uma sensação de desejo crescente, e minha voz sai mais baixa do que eu esperava:

— Você só veio porque eles pediram? — Eu o puxo para mais perto, querendo entender suas intenções.

Ele me encara, um sorriso malicioso se formando nos lábios, e, com uma leveza, responde:

— Claro que não, eu já estava aqui. Você estava dormindo, então fiquei para tomar conta de você. E desde quando consigo ficar longe de você?

Aquelas palavras fazem com que tudo ao meu redor desapareça, e sem pensar, puxo-o para um beijo, mais forte, mais urgente. Ele me responde com a mesma intensidade. Nossos corpos se aproximam mais, e a tensão entre nós finalmente se solta. Ele remove a camisa com um movimento rápido, e eu, sem hesitar, tiro o vestido. O desejo é palpável, e não consigo mais ignorá-lo.

— Eu quero você... agora — murmuro, minha voz carregada de urgência.

Ele me observa com uma intensidade que me faz tremer. Com calma, ele começa a se aproximar, e a tensão no ar se torna palpável. Suas mãos exploram meu corpo com delicadeza, mas a necessidade de estar perto de mim é óbvia. Lentamente, ele me envolve, e, aos poucos, a proximidade entre nós aumenta. A sensação é intensa, mas ele vai com calma, como se me guiando através de cada passo, me ajudando a relaxar.

Os gemidos que escapam de mim, entre dor e prazer, são abafados pelos beijos dele, tentando suavizar o que sentia. A conexão entre nós parecia se aprofundar a cada toque, e a intensidade crescia.

— Está doendo muito? — ele pergunta, sua voz tensa e cheia de preocupação, mas ainda lutando para se controlar.

— Não se preocupe, pode continuar — respondo, com um suspiro, apertando-o contra mim, sentindo que o momento estava se tornando mais forte.

Ele então se move com mais confiança, cada movimento trazendo uma sensação crescente de prazer. Eu me entrego ao momento, e, quando finalmente alcançamos o ápice, um alívio profundo toma conta de mim.

— Eu finalmente... — murmurou, com um suspiro de alívio.

— Eu também, e que bom que foi com você — ele diz, beijando-me suavemente.

Ainda sentindo a tensão em meu corpo, me dou conta de que algo mudou. Olho para baixo, e vejo que havia algo escorrendo. Ao tocá-lo, percebo o que aconteceu. Não me surpreende, mas me levanto calmamente para me lavar.

— Você está bem? — ele pergunta, notando o sangue.

— Estou bem. Isso é normal — respondo, sorrindo com leveza. — Ou você esqueceu?

Ele parece relaxar, lembrando de algo que talvez tenha deixado passar. Mas logo um sorriso se forma em seu rosto, e percebo que ele também se sente aliviado. Ambos ficamos em silêncio por um momento, apenas saboreando a conexão entre nós. O ambiente agora parecia mais calmo, mais seguro, e, de algum modo, mais nosso.

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